Ataques ao aeroporto saudita lançam dúvidas sobre os jogos amigáveis de novembro da Coreia do Sul e a preparação para a Taça Asiática

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Saudi Airport Attacks Put South Korea's November Friendlies and Asian Cup Preparations in Doubt

Avisos sobre os aeroportos põem em risco os planos para novembro

A deslocação de futebol da Coreia do Sul ao Médio Oriente, prevista para novembro, enfrenta um problema de segurança que vai além do estádio: saber se os jogadores, os membros das equipas técnicas e os adeptos conseguem chegar à Arábia Saudita e sair do país em segurança. Na sequência dos ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, a 10 e 11 de outubro, a Coreia do Sul elevou para o nível 3 o aviso de viagem para todo o reino, recomendando a partida, salvo se a permanência for indispensável.

Índice
  1. Avisos sobre os aeroportos põem em risco os planos para novembro
  2. O que aconteceu no aeroporto de Riade?
  3. Um aviso nacional limita as alternativas
  4. Que jogos estão efetivamente confirmados?
  5. Planos alternativos enfrentam prazos curtos
  6. Interrupções nos voos afetam outras cidades além da capital
  7. Riade concentra grande parte do calendário da Taça Asiática
  8. As preocupações de segurança abrangem equipas e adeptos
  9. Não foi anunciado qualquer mudança de local ou adiamento da Taça Asiática
  10. O que importa saber

O alerta de segurança da Missão dos EUA, emitido a 11 de outubro de 2026, confirma de forma independente os ataques ao aeroporto no dia anterior. Recomenda vivamente que os cidadãos norte-americanos evitem o aeroporto e as zonas circundantes, alerta para a possibilidade de cancelamentos de voos e encerramentos do espaço aéreo e exige autorização especial para que os funcionários do Governo dos EUA utilizem os aeroportos de Riade, Jeddah e Dammam.

Estas restrições são relevantes para o itinerário proposto pela Associação de Futebol da Coreia durante a janela internacional de 9 a 17 de novembro, período em que as seleções podem reunir jogadores cedidos pelos respetivos clubes. A Coreia do Sul estava a preparar dois jogos amigáveis fora de casa, começando na Arábia Saudita e prosseguindo num país vizinho, para se preparar para a Taça Asiática, marcada para 7 de janeiro a 5 de fevereiro de 2027.

A Arábia Saudita e o Qatar foram apontados como adversários previstos, embora o calendário da Coreia do Sul não estivesse finalizado. A associação está a analisar alternativas, incluindo outra cidade saudita, um local neutro, adversários diferentes ou jogos em casa. Não foi anunciado qualquer cancelamento ou acordo de substituição nas informações sobre essa análise.

A decisão imediata diz respeito às deslocações de novembro. A questão mais ampla prende-se com uma Taça Asiática de 24 equipas, repartida por Riade, Jeddah e Khobar, com grande parte do calendário concentrada na capital, cujo principal aeroporto foi repetidamente atacado.

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O que aconteceu no aeroporto de Riade?

Um ataque com mísseis atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid a 10 de outubro. Um segundo ataque, a 11 de outubro, atingiu o Terminal 4, também descrito como Sala de Passageiros n.º 4, provocando um incêndio. As autoridades sauditas disseram que o segundo incidente causou uma morte e 11 feridos. A Autoridade Geral da Aviação Civil identificou a vítima mortal como um residente paquistanês.

Os relatos divergem quanto às vítimas do primeiro ataque. Alguns indicam 12 mortos e pelo menos 309 feridos; outros apontam 13 mortos e 308 feridos, ou referem mais de 300 feridos. Outro relato indica pelo menos 14 mortos no conjunto dos ataques ao aeroporto. A Embaixada da Índia também disse que um cidadão indiano ferido no primeiro ataque morreu mais tarde. Estes números não devem ser somados para criar um novo total, uma vez que os relatos não estabelecem um período de contagem consistente.

Também é necessário distinguir a responsabilidade por cada incidente. Os Houthis reivindicaram o ataque de 10 de outubro e vários ataques anteriores a aeroportos. Alguns relatos descrevem o incidente do dia seguinte como outro ataque dos Houthis, enquanto outro refere que não foi reivindicado. O porta-voz da coligação saudita, major-general Turki al-Maliki, descreveu um míssil intercetado perto do aeroporto de Riade e um projétil de origem desconhecida que provocou o incêndio na sala de passageiros.

As principais datas noticiadas até ao momento são:

  • 10 de outubro: Um ataque mortal com mísseis atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid.
  • 11 de outubro: Um novo projétil atingiu o Terminal 4; o aviso nacional de nível 3 da Coreia do Sul entrou em vigor às 22h.
  • 12 de outubro: Foi reportada nova atividade de mísseis perto de Riade, enquanto o aeroporto continuava encerrado.
  • 13 de outubro: A Associação de Futebol da Coreia disse estar a consultar a AFC e a analisar opções para novembro; Singapura aconselhou a adiar todas as viagens para a Arábia Saudita.
  • 17 de outubro: A data mais próxima indicada para a retoma das operações do aeroporto de Riade, sujeita a verificações de segurança e operacionais.
  • 9 a 17 de novembro: A janela internacional em que a Coreia do Sul espera disputar dois jogos amigáveis.

Um aviso nacional limita as alternativas

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul elevou o aviso para toda a Arábia Saudita, e não apenas para Riade, às 22h de 11 de outubro. O aviso de nível 3 recomenda que os cidadãos coreanos partam, salvo se tiverem assuntos urgentes a tratar, e que os potenciais visitantes cancelem ou adiem as viagens. A recomendação não significa, por si só, que os jogos de futebol tenham sido cancelados, mas altera as condições em que uma deslocação seria avaliada.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Cho Hyun, analisou a segurança regional com as missões diplomáticas sul-coreanas em 15 países do Médio Oriente, incluindo a Arábia Saudita, o Iémen, o Irão e Israel. Instruiu os diplomatas a redobrarem os cuidados na proteção dos cidadãos e a prepararem-se para possíveis contingências.

Transferir um jogo para outra cidade saudita não eliminaria, portanto, o aviso nacional da Coreia. O alerta da Missão dos EUA também vai além de Riade: os funcionários do Governo precisam de autorização especial para utilizar os aeroportos de Jeddah e Dammam, não podem viajar num raio de 20 milhas da fronteira com o Iémen e necessitam de autorização para se deslocarem a várias outras províncias e cidades. Estas restrições aplicáveis aos funcionários são distintas das recomendações dirigidas ao público em geral.

A Austrália, a Nova Zelândia, o Canadá, o Japão e o Reino Unido também emitiram avisos de viagem, com diferentes limites geográficos. A 13 de outubro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Singapura aconselhou os cidadãos a adiarem todas as viagens para a Arábia Saudita, citando o aumento dos ataques à aviação civil e às infraestruturas energéticas desde julho de 2026.

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Que jogos estão efetivamente confirmados?

O plano desportivo previsto era simples: defrontar na Arábia Saudita o país anfitrião da Taça Asiática e, depois, viajar para um país vizinho para jogar com outra seleção do Médio Oriente. Isso permitiria à Coreia do Sul fazer uma preparação competitiva e passar algum tempo na região antes de janeiro.

Os relatos sobre o programa saudita de novembro apontavam a Coreia do Sul e o Uzbequistão como adversários previstos. O Estádio da Universidade Imam, em Riade, foi referido como local de preparação. Estes relatos confirmam que havia planos em curso, mas não estabelecem um itinerário coreano final nem datas de jogos confirmadas.

O Qatar foi apontado como segundo adversário da Coreia do Sul no relato inicial da deslocação proposta. Informações posteriores descrevem esse jogo de forma mais genérica, como um encontro com uma seleção do Médio Oriente num país vizinho. Sem um anúncio definitivo, tanto o adversário como o local continuam por definir.

A Associação de Futebol da Coreia explicou a sua posição numa declaração sobre a coordenação com a Confederação Asiática de Futebol, entidade responsável pelo torneio continental:

Estamos em contacto permanente com a Confederação Asiática de Futebol e acompanhamos de perto a situação no terreno.

A associação também distinguiu a sua responsabilidade pelos planos de novembro da autoridade da AFC sobre a Taça Asiática:

A decisão sobre a realização do torneio cabe à AFC, mas, no que diz respeito à janela internacional de novembro, estamos a analisar vários cenários.

Planos alternativos enfrentam prazos curtos

As alternativas em análise incluem transferir o jogo na Arábia Saudita para outra cidade, recorrer a um país neutro, como o Qatar ou os Emirados Árabes Unidos, encontrar outros adversários asiáticos ou trazer os jogos de volta para a Coreia do Sul. Cada opção exigiria um acordo sobre adversários, locais, viagens e alojamento.

Manter os adversários previstos e mudar o local poderia preservar grande parte da preparação futebolística. Ainda assim, seria necessário que ambas as equipas aceitassem o acordo e que os organizadores garantissem um estádio e transportes seguros. Mudar de adversários traz outra dificuldade: outras seleções já têm jogos marcados para a mesma janela de novembro.

A Austrália, por exemplo, planeia defrontar o Qatar em Doha e a Jordânia em Amã. Esse calendário mostra por que razão não se pode presumir que um país vizinho esteja automaticamente disponível como destino ou adversário alternativo. A Football Australia também está a realizar avaliações de segurança para as suas próprias deslocações em novembro.

Disputar os jogos na Coreia do Sul evitaria enviar a seleção coreana para a Arábia Saudita, mas alteraria o objetivo de uma deslocação que visava, em parte, proporcionar experiência na região anfitriã do torneio. O cancelamento eliminaria duas oportunidades de preparação. Nenhum dos cenários está decidido, e a associação não anunciou um prazo para tomar a decisão final.

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Interrupções nos voos afetam outras cidades além da capital

O problema do aeroporto vai além de saber se uma pista reabre. As autoridades sauditas da aviação civil suspenderam as operações no Aeroporto Internacional Rei Khalid até, pelo menos, 17 de outubro, para verificar a segurança e a operacionalidade das instalações. Essa data representa um período mínimo de suspensão, não uma garantia de que o serviço será retomado sem restrições a partir daí.

A Etihad e a Qatar Airways adiaram os voos para Riade. A Singapore Airlines adiou o início dos seus serviços para Riade para 28 de março, enquanto a Scoot cancelou os voos para Jeddah até 2 de dezembro. Outras companhias aéreas também cancelaram ou adiaram voos para as principais cidades da Arábia Saudita.

Também foi noticiado o encerramento do Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam. No Aeroporto Internacional Rei Abdulaziz, em Jeddah, os dados de acompanhamento de voos registaram mais de 150 cancelamentos e 374 atrasos a 11 de outubro. As perturbações tornam a mudança de destino dentro da Arábia Saudita mais complicada do que simplesmente escolher outro estádio.

Brendan Sobie, analista e consultor independente de aviação sediado em Singapura, afirmou que a duração da crise e quaisquer restrições após a reabertura determinariam o seu impacto nas viagens aéreas. A sua avaliação sublinha uma incerteza prática para os responsáveis pelo planeamento do futebol: um aeroporto em funcionamento não significa necessariamente chegadas fiáveis, ligações subsequentes ou opções de regresso.

Um alerta de segurança também atrasou uma partida da Liga dos Campeões da AFC envolvendo o Al Nassr, de Cristiano Ronaldo, em Riade, por uma hora, segundo informação divulgada na Coreia a 13 de outubro. Os relatos divergem sobre se um ataque foi intercetado durante esse incidente, mas são unânimes quanto ao atraso. O episódio mostra que as preocupações de segurança já estão a afetar o calendário do futebol.

Riade concentra grande parte do calendário da Taça Asiática

A Taça Asiática de 2027 está prevista para decorrer em oito estádios de Riade, Jeddah e Khobar. Cinco dos estádios ficam em Riade, onde estão previstos 31 jogos, incluindo a final. Cinco em oito significa que 62,5 por cento dos estádios do torneio se concentram na capital.

Para a Coreia do Sul, Riade é relevante para além de qualquer jogo amigável previsto para novembro. Segundo os relatos, a equipa integra o Grupo E e os jogos com o Vietname e o Iémen seriam disputados na cidade. Referem também que, se a Coreia do Sul vencer o grupo, os oitavos de final e os quartos de final seriam disputados em Riade.

As informações sobre o calendário do grupo são contraditórias. Um relato indica que a Coreia do Sul defrontará o Iémen a 10 de janeiro, o Vietname a 15 de janeiro e os Emirados Árabes Unidos a 20 de janeiro. Outro aponta o Vietname como segundo adversário do grupo e o Iémen como terceiro. A ordem divergente significa que esse itinerário não deve ser apresentado como definitivo sem um calendário oficial do torneio.

Os planos de Singapura ilustram as exigências de deslocação mais amplas do torneio. Na sua primeira participação na Taça Asiática, Singapura defrontará a Austrália a 9 de janeiro e o Iraque a 19 de janeiro, em Khobar, e o Tajiquistão a 14 de janeiro, em Riade. Por conseguinte, as equipas e os adeptos poderão ter de viajar entre cidades durante a competição, em vez de permanecerem junto a um único estádio.

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As preocupações de segurança abrangem equipas e adeptos

A Football Australia e a Associação de Futebol de Singapura afirmaram que estão a acompanhar a situação e a avaliar os riscos das deslocações. As suas declarações deixam claro que o planeamento tem de abranger os membros das equipas técnicas e os adeptos, além dos jogadores.

Beau Busch, diretor executivo da Professional Footballers Australia, expôs a posição do sindicato dos jogadores:

A segurança dos jogadores, adeptos e membros das equipas tem de ser prioritária e estar no centro do planeamento e da organização da Taça Asiática da AFC.

Busch afirmou que o sindicato estava a acompanhar a situação através da FIFPRO, a organização mundial de jogadores, e a trabalhar com a Football Australia e especialistas externos. A Football Australia disse que a avaliação de riscos fazia parte do planeamento de todos os estágios das seleções e seria uma prioridade antes de janeiro.

Hariss Harun, capitão de Singapura, descreveu a preocupação partilhada pelas pessoas que participarão no torneio:

Queremos jogar na maior competição continental, mas também queremos a paz mundial.

As suas declarações incluíram a segurança dos membros das equipas, voluntários, familiares e adeptos. Para a Coreia do Sul, o mesmo problema de planeamento abrange os percursos entre aeroportos, alojamentos, centros de treino e estádios, além da disponibilidade de voos.

Não foi anunciado qualquer mudança de local ou adiamento da Taça Asiática

A AFC mantém os planos para realizar o torneio na Arábia Saudita e afirmou que não discutiu oficialmente uma mudança de local. Outros relatos dizem que não respondeu a pedidos de comentários após os ataques mais recentes. Nenhuma destas posições equivale a um anúncio de mudança de local ou adiamento.

A Austrália foi mencionada em abril como possível anfitriã alternativa. A possibilidade de adiar o torneio para janeiro de 2028 também foi referida em relatos como um cenário caso o conflito persista. Trata-se de uma possibilidade, não de uma decisão da AFC. Isso teria consequências que iriam além dos locais dos jogos: por exemplo, o contrato do selecionador da Austrália, Tony Popovic, é válido até à Taça Asiática de 2027, e não foi esclarecido como um adiamento o afetaria.

A situação de segurança continua incerta. Segundo relatos, uma investigação saudita está a apurar por que motivo as defesas não intercetaram o ataque mortal ao aeroporto nem emitiram um alerta com maior antecedência. Dois responsáveis regionais descreveram drones que antecederam mísseis de cruzeiro e balísticos que percorreram mais de 1.000 quilómetros até Riade. Estes pormenores são relatos preliminares, não conclusões publicadas.

O porta-voz militar dos Houthis, brigadeiro-general Yahya Saree, avisou que os aeroportos e o espaço aéreo sauditas são alvos. O ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, reconheceu que o perigo persiste, ao discursar num congresso sobre energia em Riade:

O facto de estarmos aqui reunidos não significa que o risco tenha desaparecido.

Segundo os relatos, o contrato do selecionador Moreno é válido até 27 de novembro, pelo que estão previstos dois jogos antes dessa data. As notícias de tensões envolvendo o capitão Son Heung-min e as especulações sobre Kim Min-jae, Hwang In-beom e Hwang Hee-chan aumentam a incerteza em torno da equipa, mas não permitem concluir que tenham sido tomadas decisões confirmadas sobre os jogadores. A tentativa da Coreia do Sul de conquistar o seu primeiro título da Taça Asiática desde 1960 depende agora de resolver as deslocações imediatas, enquanto a AFC avalia o torneio de janeiro.

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O que importa saber

  • A Coreia do Sul está a analisar dois jogos amigáveis propostos fora de casa durante a janela internacional de 9 a 17 de novembro; o calendário não estava finalizado.
  • O aviso nacional de viagem de nível 3 para a Arábia Saudita entrou em vigor às 22h de 11 de outubro.
  • Os relatos divergem quanto às vítimas do ataque ao aeroporto de 10 de outubro. As autoridades sauditas indicaram uma morte e 11 feridos no incidente do dia seguinte.
  • As operações no aeroporto de Riade foram suspensas até, pelo menos, 17 de outubro, e as perturbações mais generalizadas nas companhias aéreas afetam os itinerários alternativos.
  • A Taça Asiática continua prevista para decorrer na Arábia Saudita, de 7 de janeiro a 5 de fevereiro de 2027. Não foi anunciado qualquer mudança de local ou adiamento.
  • Cinco dos oito estádios do torneio ficam em Riade, onde estão previstos 31 jogos, incluindo a final.
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