O pagamento de outubro traz nova espera pelos salários de agosto
A Homeplus planeia pagar aos trabalhadores apenas 25% dos salários de agosto a 23 de outubro, dois dias depois da data de pagamento prevista, uma vez que a falta de liquidez volta a pressionar a recuperação da retalhista sul-coreana. Os restantes 75% deverão ser pagos no final de outubro, embora a empresa tenha indicado que o agravamento da situação de tesouraria poderá voltar a adiar o pagamento.
Índice
- O pagamento de outubro traz nova espera pelos salários de agosto
- O que os trabalhadores aguardam receber
- As vendas enfraqueceram após a reabertura de agosto
- As exigências dos fornecedores dificultam o abastecimento das lojas
- Uma rede de lojas mais pequena continua a ter custos elevados
- Centenas candidataram-se a sair sem incentivo adicional
- As datas que moldam o esforço de recuperação
- Um comprador é essencial para a próxima fase
- Pontos principais
A decisão surge depois de outro pagamento faseado: os trabalhadores receberam os salários em atraso de julho em duas prestações iguais, a 23 e 30 de setembro. A primeira prestação do subsídio de férias do Chuseok também continua por pagar, sem data prevista.
A Homeplus está sujeita a um processo de recuperação judicial, supervisionado por um tribunal e destinado a ajudar uma empresa em dificuldades financeiras a reorganizar-se e a continuar em atividade. A 2 de setembro, um tribunal aprovou o plano de recuperação, permitindo à empresa evitar a falência nessa fase. A retalhista enfrenta agora um problema imediato: gerar liquidez suficiente para pagar aos trabalhadores, adquirir mercadorias e manter em funcionamento as lojas que ainda tem abertas.
A Quarta Secção do Tribunal de Recuperação de Seul aprovou de imediato a quarta versão revista do plano de recuperação, após uma votação numa reunião das partes interessadas, a 2 de setembro. A decisão entrou em vigor no momento em que foi proferida. Os credores com garantias no processo votaram 100% a favor, os credores no processo de recuperação 75,90% e os acionistas 100%, acima dos respetivos limiares legais de aprovação de 75%, 66,7% e 50%.
Ao avaliar se o plano poderia ser executado, o tribunal teve também em conta o elevado grau de concordância dos credores prioritários com o pagamento em prestações. Estes credores não votaram na reunião, mas o seu acordo era relevante para a viabilidade do plano. O plano prevê a venda de 19 lojas encerradas, detidas pela empresa, e a procura de um comprador para a sede e as 67 lojas restantes. A aprovação permite avançar com os pagamentos previstos no plano; não significa que a recuperação operacional ou a reestruturação financeira estejam concluídas. A execução do plano, o financiamento e a reposição do abastecimento de mercadorias continuam a ser essenciais para a recuperação.
As vendas atingiram apenas cerca de 30% do objetivo da empresa no início de outubro. A rede operacional passou de 126 lojas antes do processo de recuperação para 67, e cerca de metade dos trabalhadores está em licença remunerada.
Neste contexto, centenas de trabalhadores candidataram-se à saída ao abrigo de um programa de reforma voluntária sem qualquer incentivo financeiro adicional. Aos que saírem foi prometido, para 14 de novembro, o pagamento conjunto dos salários em atraso, dos subsídios de férias e da indemnização legal por cessação do contrato. Já os trabalhadores que permanecem na empresa enfrentam um calendário salarial que continua dependente da liquidez disponível.
O que os trabalhadores aguardam receber
A Homeplus tencionava pagar os salários de agosto a 21 de outubro, a data habitual de pagamento nesse mês. Segundo o plano revisto, cada trabalhador receberá inicialmente apenas um quarto do montante em dívida, ficando os restantes três quartos por pagar até, pelo menos, ao final de outubro.
Os salários de julho também foram pagos com atraso, mas a empresa dividiu-os em duas prestações iguais. No caso dos salários de agosto, a primeira prestação é menor: 25%, contra 50% na primeira prestação de julho. Assim, após o pagamento inicial, os trabalhadores ficam com um montante em dívida maior.
O subsídio de Chuseok acrescenta outra camada de incerteza. A Homeplus tinha planeado dividi-lo em seis prestações, devendo a primeira, correspondente a um sexto, ser paga na data de pagamento de setembro. Essa primeira prestação foi adiada e, em outubro, ainda não tinha sido anunciada uma nova data.
Para os trabalhadores, a dificuldade prática está na diferença entre o dinheiro que ganharam e o que têm disponível para as despesas domésticas. A renda, a alimentação e outras contas continuam a vencer-se, mesmo quando os salários chegam atrasados ou em parcelas menores. Os trabalhadores que permanecem na Homeplus têm um calendário de pagamentos previsto, mas o aviso da empresa sobre novos atrasos dificulta o planeamento.
As vendas enfraqueceram após a reabertura de agosto
A Homeplus reabriu a 13 de agosto e registou vendas de 10,628 mil milhões de won nesse dia. As iniciativas de apoio às compras ajudaram no arranque, mas os valores de vendas posteriores mostram que esse impulso se foi dissipando.
Em meados de setembro, as vendas rondavam 40% do objetivo da empresa. No início de outubro, esse valor tinha descido para cerca de 30%. Trata-se de uma queda de 10 pontos percentuais na concretização do objetivo, deixando a retalhista cerca de 70% abaixo do nível de vendas que tinha previsto.
As vendas diárias durante o período de feriados de 3 a 5 de outubro rondaram os 3 mil milhões de won. Isso correspondeu a cerca de 28% dos 10,628 mil milhões de won registados no dia da reabertura, ou seja, menos cerca de 72%. A comparação mostra a dimensão da quebra das receitas face ao pico de abertura, embora os valores se refiram a datas comerciais diferentes.
Com vendas mais baixas, entra menos dinheiro precisamente quando a Homeplus tem de pagar salários, rendas e mercadorias. Os problemas da retalhista estão, por isso, interligados: a fraqueza das vendas dificulta o financiamento das existências e do pessoal necessários para atrair novamente os clientes.
As exigências dos fornecedores dificultam o abastecimento das lojas
Em resposta aos atrasos nos pagamentos, os fornecedores passaram a exigir transações a pronto. Por conseguinte, a Homeplus precisa de ter dinheiro disponível no momento em que compra mercadorias, em vez de receber os produtos e pagar mais tarde.
Para uma retalhista que já enfrenta falta de liquidez, essa exigência limita a quantidade de mercadoria que consegue obter. Uma gama de produtos reduzida dá aos clientes menos motivos para visitar as lojas ou concluir as compras, pressionando ainda mais as vendas. A confiança dos fornecedores e os gastos dos clientes tornaram-se fatores estreitamente ligados no mesmo esforço de recuperação.
As lojas da Olive Young e da Daiso que anteriormente funcionavam dentro de espaços da Homeplus também estão a sair. A saída reduz as opções de compra que poderiam atrair clientes às lojas maiores e incentivar visitas para satisfazer várias necessidades de uma só vez.
Por isso, a Homeplus precisa de mais do que um dia de vendas mais forte. Precisa de capital circulante suficiente, ou seja, dinheiro para as operações do dia a dia, para repor as existências e manter a atividade enquanto procura um comprador.
Uma rede de lojas mais pequena continua a ter custos elevados
A Homeplus tem agora 67 lojas em funcionamento, contra 126 antes do processo de recuperação. A redução de 59 lojas corresponde a cerca de 47% da rede anterior, deixando pouco mais de metade dos espaços anteriores em atividade.
O encerramento dos estabelecimentos menos rentáveis reduziu a presença da empresa, mas também diminuiu o número de locais onde pode gerar receitas. Cerca de 50% dos trabalhadores estão em licença remunerada, enquanto a empresa gere uma rede operacional muito mais pequena.
Os dados de inscritos no Serviço Nacional de Pensões apontam para 9.121 trabalhadores na Homeplus em setembro. Este número dá uma ideia de quantos meios de subsistência dependem da retalhista, para além da questão imediata de saber quantas lojas continuam abertas.
As rendas e os custos laborais mantêm-se enquanto as vendas estão fracas. A licença remunerada significa também que a relação laboral continua durante a ausência do trabalho. A Homeplus tem de gerir esses compromissos enquanto tenta recuperar as receitas, o que torna a disponibilidade de financiamento externo central para os seus planos.
Centenas candidataram-se a sair sem incentivo adicional
A Homeplus abriu as candidaturas à reforma voluntária a 7 de outubro e previa aceitá-las até 22 de outubro. Contudo, encerrou o período a 14 de outubro, oito dias antes do prazo inicial, após receber um elevado número de candidaturas.
Foi referido que cerca de 400 trabalhadores se candidataram, enquanto o sindicato estimou o número entre 400 e 500. A Homeplus não divulgou um total oficial. A empresa anunciou o encerramento antecipado a 15 de outubro.
No anúncio inicial, a Homeplus afirmou que a redução do número de lojas em funcionamento e a licença remunerada que abrangia cerca de metade dos trabalhadores tinham deixado os custos fixos demasiado elevados face às vendas, tornando a reforma voluntária inevitável para melhorar a viabilidade do negócio e normalizar as operações. Não definiu um número-alvo de saídas e disse que o programa seria executado dentro dos fundos operacionais disponíveis, podendo as candidaturas encerrar antecipadamente ou o programa ser cancelado consoante a situação financeira.
As saídas estão previstas para 31 de outubro. A Homeplus planeia pagar aos trabalhadores que saírem os salários em atraso, os subsídios de Chuseok e a indemnização legal por cessação do contrato num único pagamento, a 14 de novembro. Esta indemnização é o montante devido, nos termos das regras laborais, quando um trabalhador elegível deixa o emprego; o programa não oferecia qualquer incentivo adicional a esses valores.
A rapidez do programa representa uma mudança face às conversações de um mês antes. Numa reunião com o sindicato, a 15 de setembro, a Homeplus abordou medidas relativas à força de trabalho após a aprovação do plano de recuperação. A reforma voluntária foi mencionada, mas a empresa afirmou então que não tinha um plano concreto para a implementar.
As condições de pagamento também colocam os trabalhadores perante uma escolha difícil. Aos que saem foi indicada uma data concreta para o pagamento final, enquanto os que ficam enfrentam a possibilidade de novos atrasos salariais. Alguns profissionais do setor retalhista questionaram se essa diferença poderia incentivar mais saídas. A empresa justificou o encurtamento do período de candidaturas com o elevado número de trabalhadores inscritos.
As datas que moldam o esforço de recuperação
A Homeplus passou da reabertura a uma nova ronda de atrasos salariais em cerca de dois meses. Os principais acontecimentos mostram como os problemas comerciais, as decisões relativas à força de trabalho e a procura de um comprador se desenvolveram em simultâneo:
- 13 de agosto: a Homeplus reabriu e registou vendas de 10,628 mil milhões de won nesse dia.
- 2 de setembro: um tribunal aprovou o plano de recuperação da empresa.
- 15 de setembro: a Homeplus e o sindicato debateram medidas relativas à força de trabalho.
- 23 e 30 de setembro: a empresa pagou os salários de julho em atraso em duas prestações iguais.
- 7 de outubro: abriram as candidaturas à reforma voluntária.
- 14 de outubro: as candidaturas encerraram antecipadamente.
- 23 de outubro: a Homeplus planeia pagar 25% dos salários de agosto.
- Final de outubro: está previsto o pagamento dos restantes salários de agosto, e a empresa pretende obter uma carta de intenção de um potencial comprador.
- 31 de outubro: estão previstas as saídas ao abrigo do programa de reforma.
- 14 de novembro: está previsto que os trabalhadores que saírem recebam os salários, os subsídios e a indemnização por cessação do contrato num único pagamento.
As datas do final de outubro concentram várias exigências financeiras num curto período. A Homeplus está a tentar pagar aos trabalhadores que ficam, preparar as saídas e avançar com a venda, enquanto as vendas continuam muito abaixo do objetivo.
Um comprador é essencial para a próxima fase
A Homeplus está a procurar uma operação de fusão e aquisição, com a Samil PwC como assessora principal. A proposta de transferência do negócio abrange a sede e as operações de supermercados, incluindo as 67 lojas de hipermercado descritas como pertencentes à empresa.
Foram enviados resumos de investimento a potenciais compradores, e a Homeplus pretende obter uma carta de intenção até ao final de outubro. Essa carta regista o interesse de um potencial comprador e pode dar início a negociações mais detalhadas. A conclusão de uma aquisição exigiria outras etapas. Até às últimas atualizações de outubro, ainda não tinha surgido nenhum comprador claro.
Um representante da Homeplus descreveu uma aquisição bem-sucedida como essencial tanto para a administração como para os trabalhadores:
Tanto a empresa como o sindicato sabem que só poderão sobreviver se concluírem com êxito a operação de fusão e aquisição,
Se falhar a venda do negócio como um todo, lojas individuais com operações viáveis poderão ser vendidas a outras retalhistas. Os imóveis com terrenos ou edifícios valiosos também poderão ser vendidos separadamente para desenvolvimento ou arrendamento. São alternativas possíveis, não um calendário de alienações anunciado.
A venda de unidades mais pequenas poderá atrair compradores que não consigam ou não queiram adquirir toda a operação. Para os trabalhadores, porém, o futuro dependeria ainda mais das lojas que fossem vendidas e dos planos dos compradores para esses estabelecimentos.
A secção da Homeplus do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio comprometeu-se a cooperar com o esforço de aquisição e apelou à intervenção do Governo para encontrar um comprador. No seu comunicado, o sindicato afirmou:
O Governo tem de intervir diretamente para encontrar um comprador.
Num comunicado de 8 de outubro, o sindicato afirmou que o anúncio da reforma tinha sido feito apenas 35 dias depois da aprovação judicial do plano de recuperação, mostrando que a recuperação já não podia ficar a cargo apenas da MBK e da empresa. Criticou a proposta por ser um incentivo à saída através do pagamento de salários em atraso, e não um verdadeiro pacote de reforma voluntária: os salários e subsídios em dívida eram devidos independentemente de os trabalhadores saírem, enquanto a indemnização por cessação do contrato já era obrigatória por lei.
O sindicato contestou também que os trabalhadores não pudessem retirar as candidaturas, enquanto a empresa podia encerrar ou cancelar o programa consoante a sua situação financeira. Afirmou que uma empresa incapaz de garantir sequer o dinheiro devido aos trabalhadores que saem não podia dizer que estava em recuperação e considerou o programa um sinal de que o plano de recuperação estava a falhar. Citando os dados de inscritos no Serviço Nacional de Pensões, afirmou que o emprego já tinha diminuído de 19.399 em março de 2025 para 9.121 em setembro de 2026. Exigiu que a MBK assumisse a responsabilidade pelos fundos operacionais necessários à execução do plano de recuperação até à conclusão de uma aquisição, incluindo os custos de quaisquer ajustamentos da força de trabalho que tivesse planeado.
O sindicato apresentou cinco exigências de ação governamental:
- Elevar o grupo de trabalho interministerial, que deverá ser presidido pelo vice-primeiro-ministro responsável pelos Assuntos Económicos ou pelo ministro que dirige o Gabinete de Coordenação das Políticas Governamentais, incluir o sindicato e acompanhar continuamente a execução do plano de recuperação.
- Propor ao tribunal a nomeação de uma figura do setor público como administrador conjunto.
- Solicitar às instituições financeiras públicas que apresentem proativamente condições de preço e emprego para encontrar um comprador.
- Prestar apoio à subsistência dos trabalhadores a quem são devidos salários, incluindo requisitos de elegibilidade mais realistas para os adiantamentos simplificados do Governo relativos a salários em atraso dos trabalhadores atualmente empregados. O sindicato afirmou que a definição alargada de salário normal estava a deixar inelegíveis até alguns trabalhadores que recebem perto do salário mínimo.
- Mandar a Agência de Investigação de Crimes Graves e o Ministério Público concluir a investigação do presidente Kim Byung-ju e deduzir acusação, e solicitar à Comissão de Serviços Financeiros que finalize sem demora as sanções contra a MBK.
O sindicato afirmou que encontrar um comprador capaz de sustentar a atividade principal de retalho era o único caminho para a recuperação. Disse estar a fazer tudo o que podia e que honraria o compromisso assumido no dia anterior perante a Assembleia Nacional de cooperar na conclusão de uma aquisição, acrescentando que agora cabia ao Governo responder.
Para os trabalhadores da Homeplus, os testes imediatos são concretos: saber se os pagamentos salariais de outubro serão feitos, se os pagamentos finais de 14 de novembro serão concretizados e se aparecerá um potencial comprador. Tudo depende de uma empresa cujas necessidades diárias de liquidez continuam a ser prementes.
Pontos principais
- A Homeplus planeia pagar 25% dos salários de agosto a 23 de outubro e o restante até ao final do mês, dependendo da sua situação de tesouraria.
- Os salários de julho foram pagos em duas prestações em setembro. A primeira prestação do subsídio de Chuseok continua sem data de pagamento.
- As vendas atingiram cerca de 30% do objetivo no início de outubro, abaixo dos 40% registados em meados de setembro.
- A rede operacional diminuiu de 126 para 67 lojas, com cerca de metade dos trabalhadores em licença remunerada.
- O sindicato estima que entre 400 e 500 trabalhadores se candidataram à reforma voluntária. A Homeplus não confirmou o total.
- Está previsto que os trabalhadores que saírem recebam os salários em atraso, os subsídios e a indemnização legal por cessação do contrato a 14 de novembro.
- O plano de recuperação aprovado a 2 de setembro prevê a venda de 19 lojas encerradas, detidas pela empresa, e a procura de um comprador para a sede e as 67 lojas restantes; o financiamento e a execução continuam a ser necessários.
- A Homeplus procura obter manifestações de interesse de compradores até ao final de outubro. A venda de ativos individuais é uma alternativa possível se falhar a venda do negócio como um todo.
- O sindicato apelou à procura de compradores liderada pelo Governo, a uma supervisão reforçada com participação sindical, à nomeação de um administrador conjunto do setor público, ao apoio aos trabalhadores com salários em atraso e a medidas contra a MBK e o seu presidente.






