Institutos públicos de investigação da Coreia do Sul perdem talento essencial à medida que jovens cientistas transitam para as universidades

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South Korea's Public Research Institutes Lose Core Talent as Young Scientists Move to Universities

Investigadores na casa dos 30 e dos 40 anos dominam as saídas

Os institutos científicos financiados pelo Governo da Coreia do Sul perderam 155 investigadores por demissão voluntária em 2025, incluindo 91 na casa dos 30 anos e 46 na casa dos 40. Em conjunto, estes dois grupos etários representaram 88,4% das saídas, a percentagem mais elevada registada nos dados apresentados pelo Conselho Nacional de Investigação em Ciência e Tecnologia (NST) a um deputado.

Índice
  1. Investigadores na casa dos 30 e dos 40 anos dominam as saídas
  2. O que medem os números das saídas
  3. Um alerta anterior entre os cientistas mais jovens
  4. As universidades atraem investigadores com experiência em laboratórios públicos
  5. Os salários de entrada e os aumentos lentos moldam a concorrência
  6. Novos poderes de contratação beneficiam primeiro investigadores de renome
  7. Habitação e deslocações entram no debate sobre a retenção
  8. As mudanças no financiamento da investigação também afetam a remuneração
  9. A concorrência por talento ultrapassa as fronteiras da Coreia do Sul
  10. Pontos principais

Os dados abrangem 23 institutos tutelados pelo NST e foram divulgados a 16 de outubro de 2026 pelo deputado Kim Nam-kuk, do Partido Democrático, membro da Comissão para a Ciência, as TIC, a Radiodifusão e as Comunicações da Assembleia Nacional. Os investigadores na casa dos 30 anos representaram, por si só, 58,7% das saídas, enquanto as pessoas na casa dos 40 corresponderam a 29,7%.

As universidades e outras instituições académicas foram o principal destino. No período mais alargado analisado, 62,7% dos investigadores que saíram na casa dos 30 anos e 64,6% dos que estavam na casa dos 40 transitaram para o meio académico. Os institutos públicos estão, assim, a perder pessoal experiente numa fase em que poderia estar a formar equipas de investigação e a assumir a responsabilidade por projetos de maior dimensão.

Kim descreveu as saídas como motivo de preocupação para a capacidade científica do país. Na qualidade de deputado que escrutina os institutos, afirmou:

Os investigadores na casa dos 30 e dos 40 anos são quadros fundamentais, que terão sobre os ombros o futuro da I&D nacional. O facto de não conseguirem estabelecer-se nos institutos públicos de investigação e acabarem por sair tem de ser levado muito a sério no que respeita à competitividade nacional em ciência e tecnologia,

A pressão vai além do recrutamento. A remuneração, as perspetivas de carreira, a habitação e as deslocações para o trabalho fazem parte do debate sobre como manter os investigadores nos laboratórios públicos durante tempo suficiente para concluírem trabalhos ambiciosos.

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O que medem os números das saídas

A contagem mais alargada do NST registou 1.487 saídas voluntárias desde 2017, sendo que os investigadores na casa dos 30 e dos 40 anos representavam 84,6%. A percentagem de 88,4% registada em 2025 foi 3,8 pontos percentuais superior à do período mais alargado.

A contagem acumulada contém uma discrepância por esclarecer quanto à data: o relato inicial situa o seu termo em junho de 2025, enquanto os relatos datados de 16 de outubro de 2026 indicam que terminou em junho desse ano. A discriminação anual das 155 saídas refere-se a 2025.

As demissões voluntárias significam que os investigadores optaram por sair, em vez de atingirem a idade de reforma obrigatória. As percentagens descrevem as pessoas que saíram. Para calcular a probabilidade de saída de um investigador de determinado grupo etário, seria também necessário conhecer o número total de trabalhadores desse grupo, dado que não foi fornecido.

Outros dados do NST apontam para cerca de 800 saídas voluntárias ao longo de cinco anos, incluindo 484 transferências para universidades, enquanto outra contagem regista 1.288 saídas em 23 institutos. Não foram especificadas as datas exatas nem os critérios de contabilização desses dois períodos, pelo que cada total corresponde à sua própria contagem.

Um alerta anterior entre os cientistas mais jovens

A deputada Hwang Jung-a, do Partido Democrático, tinha divulgado anteriormente dados obtidos junto do NST, do Instituto de Investigação Aeroespacial da Coreia e do Instituto de Astronomia e Ciências Espaciais da Coreia. Esses dados contabilizavam 1.253 saídas voluntárias entre 2020 e junho de 2024, excluindo categorias como a reforma obrigatória e a reforma antecipada honorífica.

Os investigadores na casa dos 30 anos ou mais jovens representaram 788 dessas saídas, ou 62,9%. A percentagem subiu de 61,9% em 2020 para 64,2% em 2021, 64,4% em 2022 e 67,9% em 2023. Entre 2020 e 2023, aumentou seis pontos percentuais.

Os principais acontecimentos estendem-se por vários anos:

  • 2020: Os investigadores na casa dos 30 anos ou mais jovens representaram 61,9% das saídas voluntárias na contagem institucional anterior.
  • 2023: A sua percentagem atingiu 67,9%, e 27 investigadores desse grupo etário saíram antes de completarem um ano de serviço.
  • Junho de 2024: A contagem acumulada desde 2020 chegou às 1.253 saídas voluntárias, incluindo 788 pessoas na casa dos 30 anos ou mais jovens.
  • 4 de março de 2025: Entraram em vigor novos regulamentos operacionais, dando aos institutos maior margem para recrutar investigadores externos de renome.
  • 2025: Os investigadores na casa dos 30 e dos 40 anos representaram 137 das 155 saídas voluntárias nos 23 institutos do NST.
  • 16 de outubro de 2026: Kim divulgou a mais recente discriminação anual.
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As universidades atraem investigadores com experiência em laboratórios públicos

A atração exercida pelo meio académico surge repetidamente nos dados. Na série mais alargada de Kim, quase dois terços dos investigadores que saíram em cada um dos dois principais grupos etários transitaram para universidades ou outras instituições académicas. Na contagem anterior de Hwang, o meio académico representou 39,4% de todas as saídas voluntárias, sendo a principal categoria de destino.

As duas percentagens abrangem grupos diferentes: os dados de Kim discriminam os investigadores na casa dos 30 e dos 40 anos, enquanto a percentagem de destinos de Hwang abrange investigadores de todas as idades que saíram. Em conjunto, mostram que as universidades são um importante concorrente na procura de profissionais já formados e com experiência em laboratórios públicos.

Os investigadores na casa dos 30 anos que se demitiram tinham, em média, 4,3 anos de serviço. Entre os que estavam na casa dos 40, a antiguidade média era de 9,9 anos. Os institutos têm, por isso, de substituir pessoas com vários anos de conhecimento dos equipamentos, métodos e trabalhos em curso.

As universidades que recebem esses cientistas beneficiam da sua experiência. Para os laboratórios que os perdem, a preocupação prática é garantir a continuidade: os colegas poderão ter de assumir experiências, reconstruir competências especializadas ou recrutar substitutos enquanto os projetos ainda decorrem. O debate diz respeito à localização da capacidade de investigação na Coreia do Sul, bem como ao número de cientistas que o país forma.

Os salários de entrada e os aumentos lentos moldam a concorrência

É habitual indicar que os salários de entrada nos institutos públicos rondam os 40 a 50 milhões de won por ano, variando consoante as instituições e as qualificações. Outra avaliação estima que a remuneração inicial dos investigadores com doutoramento corresponde a cerca de 60% a 70% do valor oferecido pelas grandes empresas.

A remuneração média nos institutos, considerando todos os trabalhadores, é bastante superior: varia entre cerca de 80 milhões de won e mais de 100 milhões. Estas médias incluem pessoal experiente e pagamentos como subsídios, prémios e benefícios. Quem pondera aceitar o primeiro emprego tem em conta o salário de entrada e o ritmo previsto dos aumentos, não a média da instituição.

Os aumentos salariais anuais são habitualmente da ordem de 1% a 2%, limitados pelos tetos da despesa governamental com pessoal. Com um salário de 50 milhões de won, um aumento de 2% acrescenta um milhão de won por ano, ou cerca de 83.333 won por mês, antes de descontos.

As empresas também estão a atrair mais trabalhadores que saem dos institutos. Uma contagem do NST registou 11 transferências voluntárias para o setor empresarial em 2020 e 28 em 2024: mais 17 e mais do dobro do número anterior. As universidades continuam a ser o principal destino, mas os laboratórios concorrem cada vez mais com empresas à procura de especialistas em áreas como a inteligência artificial e a tecnologia quântica.

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Novos poderes de contratação beneficiam primeiro investigadores de renome

Os regulamentos operacionais que entraram em vigor a 4 de março de 2025 deram aos institutos maior margem para preparar condições remuneratórias destinadas a investigadores externos de renome. Vários laboratórios começaram a rever as tabelas salariais e as regras de recrutamento para tirarem partido dessa flexibilidade.

O Instituto de Maquinaria e Materiais da Coreia planeou contratar 29 pessoas em 2025 para funções de investigação, técnicas e administrativas. Dessas vagas, 21 eram para investigação em robótica humanoide e inteligência artificial, o que indica um esforço concentrado para desenvolver capacidade nessas áreas.

O Instituto de Ciência e Tecnologia da Coreia já tinha revisto as suas condições salariais quando recrutou Lee Kwan-young, professor da Universidade da Coreia, para o seu instituto de investigação do hidrogénio limpo. O Instituto de Tecnologia Industrial da Coreia também estava a rever as orientações para o recrutamento externo e a preparar um processo de contratação para abril de 2025.

Os institutos que ponderavam recrutar figuras de destaque no estrangeiro também tinham de tratar de questões práticas relacionadas com vistos e habitação. Entretanto, os cientistas já empregados nos laboratórios continuavam sujeitos a restrições salariais mais abrangentes. As condições especiais para um pequeno número de recrutados de renome e a melhoria das condições dos investigadores que já trabalham nos institutos respondem a diferentes vertentes do problema de pessoal.

Em novembro, o Ministério da Ciência anunciou também um plano para recrutar cerca de 600 investigadores em início de carreira por ano. Para os manter, é preciso prestar atenção às condições com que se deparam depois de entrarem.

Habitação e deslocações entram no debate sobre a retenção

Apenas cinco dos 25 institutos tutelados pelo NST e pela Administração Aeroespacial da Coreia disponibilizam alojamento a investigadores em geral. Isso corresponde a um quinto das instituições desse grupo, deixando as decisões sobre habitação sobretudo a cargo dos trabalhadores dos restantes institutos.

As deslocações para o trabalho tornaram-se outra fonte de preocupação. Na sequência das declarações do Presidente Lee Jae-myung, em janeiro, sobre o aumento da proporção de trabalhadores das instituições públicas que vivem na região, as agências públicas e os institutos científicos começaram a suspender gradualmente os autocarros de ligação à área metropolitana. O calendário anunciado previa a sua cessação total em junho.

Os funcionários dos institutos referiram a escassez de alternativas de transporte, incluindo autocarros expresso que passam apenas uma vez por hora. Os trabalhadores com filhos também tiveram de ponderar as escolas, os cuidados infantis e o acesso a serviços médicos caso se mudassem para mais perto do trabalho.

O objetivo do Governo de desenvolver as regiões implica uma escolha concreta para os investigadores: mudar toda a família pode ser difícil, enquanto a perda de um serviço de transporte pode tornar mais difícil manter o mesmo emprego. As decisões salariais, a disponibilidade de habitação e a política de transportes acabam, assim, por se cruzar no orçamento familiar e na rotina diária.

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As mudanças no financiamento da investigação também afetam a remuneração

A abolição do Sistema Baseado em Projetos (PBS) acrescenta outra dimensão ao debate. O PBS é um modelo que associa partes do financiamento dos institutos e dos custos com pessoal a projetos de investigação específicos. Alterá-lo exige também decisões sobre os pagamentos ligados a esses projetos.

Prevê-se que os subsídios de investigação e outros pagamentos associados ao desempenho sejam reorganizados à medida que o sistema muda. Nos institutos, há preocupação quanto à forma como os subsídios serão distribuídos entre o pessoal sénior e o mais jovem, e quanto à possibilidade de as novas regras levarem alguns trabalhadores mais experientes a ganhar menos do que colegas com menor antiguidade.

Ao comparar empregos, os investigadores têm de considerar a remuneração total, incluindo os pagamentos variáveis, além do salário-base. Uma reforma do financiamento destinada a alterar o funcionamento dos laboratórios pode, assim, influenciar também a decisão de um trabalhador de ficar ou sair.

A duração da carreira também entra nessa equação. Relatos sobre as condições de emprego nos institutos referem uma redução da idade de reforma de 65 para 61 anos e a aplicação de um sistema de redução salarial progressiva a partir de 2015. Neste sistema, a remuneração diminui à medida que o trabalhador se aproxima da reforma. Estas condições colocam em foco tanto os rendimentos no início da carreira como os anos finais de uma carreira científica.

A concorrência por talento ultrapassa as fronteiras da Coreia do Sul

As abordagens de recrutamento provenientes da China acrescentam uma dimensão internacional. Entre os emails registados com o objetivo de atrair investigadores, contam-se 226 no Instituto de Ciências Básicas da Coreia, 188 no Instituto de Ciência dos Materiais da Coreia, 127 no Instituto de Informação Científica e Tecnológica da Coreia e 114 no Instituto Nacional de Ciências Toxicológicas.

As abordagens foram descritas como abrangendo não só cientistas séniores próximos da reforma, mas também investigadores mais jovens, com salários elevados e financiamento para investigação oferecidos como incentivos. Os números dos quatro institutos totalizam 655 emails; não foi indicado quantos investigadores aceitaram ofertas.

A resposta proposta por Kim centra-se na melhoria da remuneração e num ambiente de investigação estável. Hwang defendeu medidas de apoio nas áreas da educação, investigação, emprego e habitação. As propostas ligam a vertente profissional da retenção às condições práticas do quotidiano.

Para os laboratórios públicos, recrutar um substituto é apenas parte da tarefa. Manter as equipas ao longo de vários anos de investigação exige também perspetivas de carreira competitivas, remuneração previsível e condições de vida viáveis. Os números das saídas colocam estas condições no centro dos esforços da Coreia do Sul para sustentar os seus programas nacionais de investigação.

Pontos principais

  • Dos 155 investigadores que saíram voluntariamente de 23 institutos do NST em 2025, 137 estavam na casa dos 30 ou dos 40 anos, uma percentagem recorde de 88,4%.
  • Na série mais alargada, o meio académico atraiu 62,7% dos investigadores que saíram na casa dos 30 anos e 64,6% dos que estavam na casa dos 40.
  • A antiguidade média antes da saída foi de 4,3 anos para os investigadores na casa dos 30 e de 9,9 anos para os que estavam na casa dos 40.
  • Uma contagem anterior registou 788 investigadores na casa dos 30 anos ou mais jovens entre 1.253 saídas voluntárias ocorridas de 2020 a junho de 2024.
  • Os limites salariais, a reforma da remuneração, a falta de habitação e a suspensão dos autocarros de ligação figuram entre as preocupações relativas à retenção de pessoal.
  • Os institutos estão a alargar o recrutamento, enquanto os deputados defendem melhores condições para os investigadores que já lá trabalham.
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