Fábrica Green Field, no Bangladesh, vence o Prémio Internacional RIBA com um projeto centrado nos trabalhadores

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Bangladesh's Green Field Factory Wins RIBA International Prize for Design Centred on Workers

Uma fábrica de tapetes pensada em torno do quotidiano de 5 000 pessoas

Uma fábrica têxtil em Rangpur, no norte do Bangladesh, venceu o Prémio Internacional RIBA 2026 com um projeto que dá um lugar central a jardins, lagoas, serviços de acolhimento de crianças e entradas partilhadas na vida industrial. Os sete pisos da Green Field Factory acomodam cerca de 5 000 trabalhadores, incluindo 4 000 mulheres, segundo o Royal Institute of British Architects.

Índice
  1. Uma fábrica de tapetes pensada em torno do quotidiano de 5 000 pessoas
  2. Uma casa bengali como ponto de partida
  3. Como as lagoas e os quatro átrios fazem circular o ar fresco
  4. Uma entrada comum para trabalhadores, gestores e proprietários
  5. Serviços de acolhimento de crianças e cuidados de saúde junto aos pisos de produção
  6. Da construção ao reconhecimento internacional
  7. O Bangladesh forneceu metade dos finalistas
  8. Um negócio artesanal numa indústria sob escrutínio
  9. O que o júri distinguiu
  10. Pontos-chave

Projetada pelo gabinete bangladeshiano Nakshabid Architects para a Karupannya Rangpur Limited, a fábrica foi escolhida por unanimidade por um júri presidido por Bijoy Jain, fundador do Studio Mumbai. O prémio foi anunciado na cerimónia do Prémio Stirling da RIBA, em Londres, a 15 de outubro de 2026.

A avaliação oficial do projeto da RIBA identifica o edifício como o vencedor de 2026, após uma nova avaliação, uma vez que circunstâncias impediram o grande júri de o visitar para o prémio de 2024. O reconhecimento distingue um edifício industrial em funcionamento cuja arquitetura liga a produção aos serviços do quotidiano, aos espaços exteriores e a oportunidades para passar tempo com a família.

A fábrica ocupa 13 450 metros quadrados, ou mais de 144 000 pés quadrados. Quatro pisos albergam áreas de produção têxtil, enquanto outros espaços se destinam à embalagem e ao armazenamento. A Karupannya fabrica tapetes, capachos e tapetes de banho feitos à mão.

Ao explicar a reação do júri ao edifício, Jain descreveu o ambiente com estas palavras:

O júri testemunhou uma obra de serena humildade.

Essa apreciação assentou em escolhas práticas: como as pessoas entram no local de trabalho, como o ar circula pelos pisos de produção, onde as crianças recebem cuidados e se os trabalhadores dispõem de locais confortáveis para descansar. A RIBA elogiou a fábrica como modelo alternativo de conceção e funcionamento industrial.

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Uma casa bengali como ponto de partida

A Nakshabid Architects inspirou-se nas casas tradicionais bengalis, onde pátios, lagoas, jardins e varandas à sombra ligam os edifícios à vida ao ar livre. Na Green Field, estes elementos familiares foram adaptados a uma grande fábrica de betão na zona de Robertsongonj, em Rangpur.

Bayejid M. Khondoker, fundador e diretor do gabinete, descreveu a pergunta que orientou o projeto numa declaração divulgada antes do anúncio do prémio:

Fizemos uma pergunta simples: e se uma fábrica fosse concebida, antes de mais, como uma casa para as pessoas que nela trabalham? Cada pátio, jardim, espelho de água e varanda à sombra nasceu dessa pergunta. Uma fábrica não deve ser uma máquina que consome energia humana. Deve ser um lugar vivo que a restitui.

Shafiqul Alam Selim, fundador da Karupannya, trabalhou com os arquitetos no projeto. Uma estrutura simples de betão e paredes de alvenaria com materiais de origem local sustentam um edifício cuja característica mais visível é a abundância de vegetação. A RIBA atribui o projeto paisagístico a Saidul Huq Juice.

Como as lagoas e os quatro átrios fazem circular o ar fresco

Quatro átrios, espaços altos e abertos que atravessam o edifício, são elementos centrais do sistema de ventilação. O ar passa por uma barreira de plantas e sobre espelhos de água antes de subir por estes espaços. A luz natural também entra por cima e chega ao interior da fábrica.

A RIBA descreve esta circulação ascendente como efeito de chaminé. O ar quente sobe e escapa por aberturas nas zonas mais altas do edifício, fazendo entrar ar de substituição por baixo. Na Green Field, as lagoas ajudam a arrefecer o ar que entra, enquanto as varandas profundas e a vegetação proporcionam sombra.

O projeto conjuga esta circulação de ar com a capacidade da estrutura de betão para absorver calor. Uma descrição arquitetónica aponta benefícios estimados de interiores cerca de 5 graus Celsius mais frescos e um consumo de energia 40% inferior, embora não especifique o edifício usado para comparação nem as condições das medições.

A avaliação da própria RIBA refere uma menor dependência de sistemas mecânicos e confirma a instalação de painéis solares, o aproveitamento da luz natural, da água da chuva e do vento, bem como a certificação LEED Platinum para operação e manutenção. LEED é um sistema de classificação de edifícios sustentáveis; a categoria de operação e manutenção diz respeito à gestão e ao desempenho de um edifício existente.

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Uma entrada comum para trabalhadores, gestores e proprietários

Trabalhadores, gestores e proprietários chegam à Green Field pela mesma zona ajardinada de acesso, o Nandini Park. Duas escadarias imponentes conduzem à entrada, ao nível do primeiro piso, enquanto uma rampa oferece um percurso acessível a partir do mesmo ponto.

A apreciação de Jain dá um destaque invulgar a estas escadarias. Num contexto em que os trabalhadores de uma fábrica podem ser separados por hierarquia logo à chegada, a entrada partilhada dá a todos acesso ao mesmo percurso de destaque. Jain descreveu as duas escadarias como um «acesso comum em condições de igualdade», ou seja, uma entrada que trata todas as pessoas com igual consideração.

O percurso ajardinado prolonga-se pelo interior, onde passadiços atravessam lagoas e conduzem aos altos átrios. As vistas dos pisos de produção ligam os trabalhadores à paisagem envolvente. Os jardins e os lugares à sombra para sentar tornam o descanso e a conversa parte integrante da organização do edifício.

A avaliação da RIBA associa esta disposição a um esforço deliberado para reduzir as hierarquias sociais. O elogio abrange tanto a entrada física como a decisão mais ampla de proporcionar aos trabalhadores espaços habitualmente associados a casas, parques ou edifícios comunitários.

Serviços de acolhimento de crianças e cuidados de saúde junto aos pisos de produção

A Karupannya incluiu na fábrica um centro de acolhimento de crianças no telhado, um centro médico, uma mercearia, uma sala de oração e uma cantina. A mercearia vende produtos com desconto e um palco ao ar livre acolhe atuações e eventos comunitários.

Para os trabalhadores com filhos, ter um serviço de acolhimento de crianças no local de trabalho permite reunir os cuidados e o emprego no mesmo sítio. Os serviços médicos, as refeições e as compras também ficam próximos. Em conjunto, estas instalações tornam o edifício útil para além das horas dedicadas à produção e embalagem de têxteis.

As mulheres representam 80% da força de trabalho, segundo a RIBA, que indica 4 000 mulheres num total de cerca de 5 000 trabalhadores. O perfil do projeto refere, por sua vez, um total de 4 000 trabalhadores, 80% dos quais mulheres; os números da instituição servem aqui de base à estimativa da força de trabalho.

A escultura Bonolota, uma figura feminina junto à entrada ajardinada, foi encomendada para representar a «força da emancipação das mulheres», segundo a RIBA. A instituição refere ainda que os trabalhadores levam amigos e familiares à fábrica fora do horário de trabalho e têm orgulho em lhes mostrar onde trabalham.

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Da construção ao reconhecimento internacional

O prémio da Green Field coroa um percurso longo, desde a construção e entrada em funcionamento até à participação em duas rondas de apreciação de prémios internacionais. A vegetação teve vários anos para crescer antes da visita do grande júri, em setembro, no ciclo de atribuição do prémio.

A construção começou em 2013 e a fábrica abriu em 2017, embora o perfil do projeto indique como data de conclusão 1 de dezembro de 2018. O registo de prémios da RIBA confirma que o projeto recebeu um Prémio Internacional de Excelência em 2024, antes de ser novamente avaliado para o prémio principal.

  • 2013: Início da construção da fábrica.
  • 2017: A fábrica abriu; o perfil do projeto indica que a conclusão ocorreu em dezembro de 2018.
  • Junho de 2024: A Green Field integrou o grupo de 22 vencedores dos Prémios Internacionais de Excelência, em 14 países.
  • 2024: Circunstâncias impediram o grande júri de visitar o edifício para a avaliação do Prémio Internacional desse ano.
  • 2026: A fábrica foi novamente avaliada e venceu o Prémio Internacional, anunciado em Londres a 15 de outubro.

A distinção entre os prémios é importante para compreender a cronologia. Um Prémio Internacional de Excelência reconhece um projeto individual entre um grupo mais alargado. O Prémio Internacional escolhe um único vencedor após uma avaliação adicional, que inclui visitas aos edifícios finalistas.

O Bangladesh forneceu metade dos finalistas

A Green Field concorreu com outros três finalistas, selecionados entre 34 projetos distinguidos com Prémios Internacionais de Excelência no ciclo atual. O Bangladesh forneceu dois dos quatro finalistas: a Universidade BRAC, em Daca, projetada pela WOHA, juntou-se à fábrica de Rangpur.

Os 13 pisos da Universidade BRAC servem 20 000 estudantes num antigo aterro. Nove pisos albergam instalações de ensino, com um parque de acesso público por cima. A ventilação natural, a vegetação e o arrefecimento passivo, que recorre à forma do edifício e à circulação do ar para limitar o calor, aproximam a abordagem da resposta da Green Field ao clima do Bangladesh.

A Bélgica forneceu os outros dois finalistas. O Royale Belge, em Bruxelas, remodelado pelo Caruso St John Architects e pelo Bovenbouw Architectuur, em colaboração com a DDS+, transforma a antiga sede de uma seguradora num hotel, em espaços de trabalho partilhados e num restaurante. A estrutura protegida e os materiais reutilizados mantêm grande parte do edifício existente em uso.

O Z33, em Hasselt, projetado pelo Francesca Torzo Architetto, amplia um museu num conjunto histórico de edifícios de tijolo e jardins. Galerias, pátios, materiais locais e técnicas artesanais tradicionais ligam a nova construção à sua envolvente. Os quatro finalistas apresentaram diferentes formas de tornar os locais de trabalho, os edifícios educativos e os espaços culturais mais úteis para as respetivas comunidades.

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Um negócio artesanal numa indústria sob escrutínio

A Karupannya Rangpur Limited foi fundada em 1991, a partir de um grupo inicial de 15 artesãos. A empresa mantém a tradição de fabrico de tapetes Satranji e utiliza desperdícios da produção de vestuário e têxteis, ligando uma tradição artesanal local a uma economia têxtil muito mais vasta.

O Bangladesh é um dos maiores produtores têxteis do mundo, mas as condições nas fábricas continuam a preocupar as organizações de defesa dos direitos laborais. O desabamento do Rana Plaza, em 2013, nos arredores de Daca, matou cerca de 1 100 pessoas, depois de as preocupações dos trabalhadores com fissuras no edifício terem sido ignoradas e de muitos terem sido obrigados a regressar.

O reconhecimento da Green Field coloca o conforto dos trabalhadores, o acesso a serviços e a dignidade no centro do debate sobre a arquitetura industrial. A entrada partilhada, o serviço de acolhimento de crianças e os jardins mostram decisões concretas que um proprietário e um arquiteto podem tomar sobre o dia de trabalho. A RIBA destaca também a liberdade que, segundo relatos, os trabalhadores têm para tomar decisões sobre a sua vida e as suas famílias.

A história recente do prémio revela um interesse semelhante por edifícios que respondem às necessidades do quotidiano. O vencedor anterior, anunciado em 2024, foi um projeto de habitação social de seis pisos em madeira, em Barcelona. A Green Field é o segundo projeto do Bangladesh a vencer, depois do Friendship Hospital, em Shyamnagar, projetado por Kashef Chowdhury/URBANA.

O que o júri distinguiu

A Green Field tornou-se o quinto projeto a receber o Prémio Internacional desde a sua primeira edição, em 2016. O prémio é geralmente atribuído de dois em dois anos, embora a pandemia de COVID-19 tenha perturbado esse calendário.

A decisão da RIBA reúne duas vertentes do projeto da fábrica: um sistema ambiental assente na sombra, na água e na circulação do ar, e uma organização social baseada no acesso partilhado e em cuidados práticos. Os jardins integram a estratégia de arrefecimento; a entrada reflete a forma como o local de trabalho lida com a hierarquia; o terraço serve tanto o lazer como o acolhimento de crianças.

Para as pessoas que fabricam tapetes em Rangpur, as mudanças são concretas: luz natural nos pisos de produção, um local onde obter assistência médica, crianças cuidadas nas proximidades e espaços onde as famílias se podem reunir. São estas utilizações do quotidiano que estão no centro do reconhecimento internacional do edifício.

Pontos-chave

  • A Green Field Factory, em Rangpur, venceu por unanimidade o Prémio Internacional RIBA 2026.
  • A Nakshabid Architects projetou os sete pisos para a Karupannya Rangpur Limited.
  • A RIBA indica cerca de 5 000 trabalhadores, incluindo 4 000 mulheres.
  • Quatro átrios, lagoas, vegetação e varandas à sombra contribuem para o arrefecimento e a ventilação naturais.
  • As instalações incluem serviços de acolhimento de crianças, cuidados médicos, uma mercearia, uma cantina e uma sala de oração.
  • O projeto recebeu um Prémio de Excelência em 2024, antes de ser novamente avaliado para o prémio de 2026.
  • O Bangladesh representou dois dos quatro finalistas; a Universidade BRAC também integrou a lista.
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