A votação dos membros encontra uma exceção da liderança
O Partido Rastriya Swatantra (RSP) do Nepal definiu um sistema para escolher candidatos às eleições locais que atribui 40 por cento da pontuação final à votação interna e torna obrigatório um exame da Academia de Liderança. Além destes requisitos, o secretariado do partido mantém autoridade para escolher até 15 por cento dos candidatos a determinados cargos, mediante aprovação do comité central.
Índice
- A votação dos membros encontra uma exceção da liderança
- Como funciona a avaliação de 100 pontos
- A Academia é uma etapa obrigatória
- Os membros podem rejeitar todo o boletim
- Os novos membros têm de esperar
- Em que casos se aplica o poder de escolha de 15%
- As candidaturas começam pelos municípios rurais
- Desvios anteriores colocam a aplicação das regras em foco
- A representação e a conduta fazem parte da seleção
- Pontos principais
O quadro, divulgado na quarta-feira, contém 30 disposições que abrangem candidaturas, formação, avaliação, votação e exceções. A sua principal promessa é substituir decisões motivadas por relações pessoais, dinheiro ou pressão dos dirigentes por um processo registado que avalie tanto a competência como o apoio público.
Segundo o procedimento normal, um aspirante a candidato tem de se candidatar através de um Clube de Candidatos, concluir a formação e o exame da Academia de Liderança, ser sujeito a avaliações da sua posição organizativa e da inclusão, e participar numa eleição interna. Os membros do partido também poderão rejeitar todos os candidatos num boletim de voto.
A exceção da liderança torna particularmente importantes as regras de aprovação. Uma disposição separada, a cláusula 30, exige o apoio de pelo menos dois terços da totalidade dos membros em funções do comité central quando circunstâncias extraordinárias obrigam a uma escolha fora do procedimento estabelecido. Mesmo nesse caso, um processo alternativo tem de manter as disposições relativas ao Clube de Candidatos, à Academia de Liderança e às eleições primárias.
O teste prático será saber se os candidatos e os membros conseguem acompanhar a forma como cada nomeação foi decidida, incluindo as que resultem de uma exceção. O partido prometeu documentar avaliações, recomendações e decisões, e publicar fichas de pontuação consolidadas após a conclusão do processo.
Como funciona a avaliação de 100 pontos
O modelo normal de seleção do RSP divide a avaliação final em quatro componentes. A votação interna tem a maior ponderação individual, mas os outros três componentes representam, em conjunto, 60 por cento.
- Eleições primárias: 40 por cento, com base na votação dos membros do partido.
- Academia de Liderança: 25 por cento, com base na formação e no exame obrigatórios.
- Proximidade política, organização e popularidade: 25 por cento, abrangendo o percurso político, o envolvimento organizativo, o contacto com o público e a competitividade eleitoral.
- Inclusão: 10 por cento, com o objetivo de promover uma representação mais ampla.
A ponderação de 40 por cento das primárias significa que estas valem 40 dos 100 pontos disponíveis. A classificação final de um candidato também depende do exame da Academia e das restantes avaliações. A discriminação publicada atribui à votação uma ponderação de 40 por cento na avaliação global.
O componente organizativo, descrito como proximidade política, analisa as ligações políticas e sociais do candidato, o seu envolvimento no partido, a relação com as comunidades e a capacidade de competir numa eleição. A sua ponderação de 25 por cento é igual à da Academia, pelo que a forma como os avaliadores atribuem esses pontos é uma parte importante do processo.
O RSP afirma que os candidatos também têm de cumprir os requisitos legais, incluindo ter cidadania nepalesa, pelo menos 21 anos e o nome inscrito no recenseamento eleitoral do círculo correspondente. Estão previstos Clubes de Candidatos distintos ao nível das autoridades locais e dos círculos eleitorais.
A Academia é uma etapa obrigatória
O exame da Academia de Liderança tem duas funções: os candidatos têm de o passar para prosseguir, e a classificação obtida conta para a pontuação final de seleção. Quem não atingir a nota mínima exigida é excluído da disputa, independentemente do apoio que possa receber nas restantes componentes da avaliação.
A Academia dará formação a candidatos a cargos que vão desde membro de círculo eleitoral até chefe do governo local. Os seus 10 módulos comuns abrangem a filosofia política do partido, a Constituição e o federalismo, a Lei de Funcionamento do Governo Local, as finanças públicas, a literacia digital e o governo eletrónico, o desenvolvimento económico local, a educação e a saúde, a redução do risco de catástrofes, o governo aberto e a gestão de campanhas eleitorais.
Outras descrições da formação identificam conteúdos práticos sobre contratação pública, preparação de orçamentos, comunicação e inteligência artificial. Estes temas ligam a preparação dos candidatos às tarefas com que os representantes locais se podem deparar, como compreender as regras de despesa, planear serviços e responder a emergências.
Os candidatos também receberão formação adequada ao cargo a que se candidatam. Os presidentes e membros de círculo eleitoral estudarão registo civil, planeamento e mediação. Os chefes e vice-chefes receberão formação prática sobre comissões judiciais, aconselhamento em matéria de receitas, preparação de orçamentos e liderança executiva.
O RSP afirma que o requisito pretende tornar os conhecimentos e a competência básicos parte dos critérios de elegibilidade para cargos públicos. Passar na Academia permite, assim, avançar para a etapa seguinte e contribui também com até um quarto da avaliação final.
Os membros podem rejeitar todo o boletim
Nas eleições primárias, os membros do partido poderão escolher entre os candidatos através de votação digital ou presencial. A modalidade digital utiliza a aplicação oficial do partido e inclui uma palavra-passe de utilização única para autenticar os eleitores.
É necessária a participação de pelo menos 25 por cento dos membros do partido com direito de voto para que uma eleição primária seja válida. Por exemplo, se houver 1.000 membros elegíveis, pelo menos 250 terão de votar. Segundo a regra anunciada, uma participação abaixo desse limiar invalida as primárias e atribui uma ponderação de zero a essa etapa da avaliação.
Os membros também terão a opção NOTA, que significa «nenhum dos anteriores». Se a NOTA obtiver mais votos do que qualquer candidato, todos os candidatos nesse boletim perdem a nomeação. O partido terá então de encontrar novos candidatos e realizar outra votação.
O quadro também prevê uma votação em que os resultados provisórios permanecem ocultos até à conclusão do processo. O RSP propôs a utilização de tecnologia blockchain ou semelhante para proteger os dados da votação. Blockchain é um método de registo de transações em registos encadeados, permitindo verificar alterações.
Esta combinação dá influência aos membros de duas formas: ajuda-os a determinar a componente de maior peso da pontuação e permite-lhes rejeitar coletivamente todos os candidatos. O requisito de participação também faz da afluência dos membros uma condição para contabilizar a etapa das primárias.
Os novos membros têm de esperar
Quem entra na política pela primeira vez tem de ser membro do partido há pelo menos 45 dias para se candidatar à nomeação para chefe ou vice-chefe do governo local, ou para presidente de círculo eleitoral. Para quem vem de outro partido político, o período mínimo é de 90 dias.
Os requisitos são menos exigentes para os membros de círculo eleitoral. Quem entra na política pela primeira vez precisa de ter três dias de filiação, enquanto quem vem de outro partido precisa de sete dias.
Estes períodos de espera destinam-se a limitar nomeações imediatas após a entrada no partido. Criam também diferentes períodos de preparação, consoante o cargo pretendido e o percurso político do candidato.
Profissionais de renome, especialistas e pessoas com uma reputação pública irrepreensível podem candidatar-se através de uma via especial que dispensa o período de espera habitual. Esta entrada exige um acordo formal por escrito da comissão distrital, provincial ou central do partido competente.
Mesmo com essa dispensa, o candidato tem de fazer o exame da Academia de Liderança e participar nas eleições primárias. A autorização diz respeito ao período de espera de filiação; a formação e a participação dos membros continuam a fazer parte do processo de seleção.
Em que casos se aplica o poder de escolha de 15%
A autoridade especial de seleção do secretariado abrange candidatos a chefe, vice-chefe e presidente de círculo eleitoral em municípios rurais, municípios e cidades submetropolitanas. Nas cidades metropolitanas, os cargos especificados incluem também os membros dos círculos eleitorais.
A autoridade está limitada a 15 por cento e exige a aprovação do comité central. O secretário-geral Bipin Kumar Acharya afirmou que a disposição do partido que permite ao comité central escolher até 15 por cento dos candidatos se mantém, apesar das revisões do quadro geral.
A cláusula 30 aborda uma situação excecional mais ampla: circunstâncias em que os candidatos têm de ser escolhidos fora dos métodos e procedimentos prescritos. Nesse caso, a aprovação exige pelo menos dois terços da totalidade dos membros que integram atualmente o comité central, e não apenas dois terços dos presentes numa reunião.
Num comité com 150 membros em funções, esta regra exigiria pelo menos 100 votos favoráveis. O cálculo é importante porque as ausências não alterariam o número exigido.
A via extraordinária também tem de incluir um modelo alternativo de seleção compatível com os estatutos do partido e que integre o Clube de Candidatos, a Academia de Liderança e as eleições primárias. O quadro impõe, portanto, tanto um requisito de aprovação como um requisito processual para qualquer afastamento do sistema normal.
As candidaturas começam pelos municípios rurais
No lançamento do Clube de Candidatos, o RSP abriu primeiro o processo de candidatura para os municípios rurais. A cobertura anunciada incluía os cargos de chefe e vice-chefe em 460 municípios rurais, 3.685 cargos de presidente de círculo eleitoral e 14.740 cargos de membro de círculo eleitoral.
As candidaturas para seis cidades metropolitanas, 11 cidades submetropolitanas e 276 municípios ficaram para uma fase posterior. Em conjunto, estas autoridades urbanas representam 293 dos 753 governos locais do Nepal. Os 460 municípios rurais correspondem a cerca de 61 por cento do total.
Acharya afirmou que o volume de potenciais candidatos tornava difícil gerir uma abertura simultânea. Disse que o partido tinha considerado várias opções, incluindo tramitar as candidaturas por tipo de autoridade local ou por província, antes de decidir começar pelos municípios rurais.
A preparação e o lançamento incluíram as seguintes etapas:
- Shrawan 13: uma reunião do comité central decidiu abrir candidaturas através do Clube de Candidatos.
- Bhadra 1: data prevista para a abertura das candidaturas ao abrigo dessa decisão.
- Lançamento do Clube de Candidatos na segunda-feira: o partido abriu o sistema de candidaturas, começando pelo grupo dos municípios rurais.
- Divulgação do quadro na quarta-feira: o RSP definiu os procedimentos de seleção, a discricionariedade da liderança e as regras de aprovação excecional.
Acharya afirmou que as candidaturas para as restantes autoridades locais seriam anunciadas em breve. Não foi indicada uma data exata para a abertura dessa fase.
Desvios anteriores colocam a aplicação das regras em foco
O presidente do partido, Rabi Lamichhane, aproveitou o lançamento do Clube de Candidatos para rejeitar promessas de nomeação feitas com base em influência pessoal, dinheiro ou garantias informais. Afirmou também que os ajustamentos organizativos do partido após a convenção geral estavam concluídos e rejeitou alegações de que existissem fações internas concorrentes.
Lamichhane reconheceu que a seleção de candidatos anterior se tinha afastado da abordagem do Clube de Candidatos e da Academia de Liderança devido a decisões especiais relacionadas com eleições e ajustamentos organizativos. Sobre o incumprimento desse processo, afirmou:
Devíamos tê-lo feito, mas não o fizemos.
Acharya afirmou que o processo de eleições primárias utilizado nas eleições de 2079, segundo o calendário nepalês, precedeu a criação de um quadro concreto para o Clube de Candidatos e a Academia de Liderança. Disse também que o partido tinha feito várias revisões ao quadro preparado antes da sua convenção geral.
Candidatos envolvidos em anteriores processos de seleção parlamentar queixaram-se de que os resultados não tinham sido publicados com transparência e alegaram que a influência afetara as nomeações. As taxas de candidatura referidas para esses processos foram de 50.000 rúpias nepalesas para candidatos à representação proporcional e 25.000 rúpias nepalesas para candidatos às eleições diretas. Estes valores dizem respeito ao anterior processo parlamentar.
O novo quadro prevê o registo das avaliações da Academia, das avaliações políticas e sociais e das pontuações de inclusão antes das primárias, mantendo-as depois bloqueadas digitalmente num servidor central. Concluídas todas as etapas, as pontuações serão divulgadas em conjunto, numa ficha de avaliação consolidada. Assim, fica criado um registo que permite aos candidatos analisar o resultado final.
A representação e a conduta fazem parte da seleção
O RSP identificou 12 objetivos para o quadro, incluindo a tomada de decisões documentada, a preparação de líderes, o reforço da democracia interna e a seleção de pessoas que compreendam as necessidades locais. O partido afirma que a integridade, a transparência financeira, a conduta pública, a credibilidade legal e a ausência de conflitos de interesses farão parte da avaliação dos candidatos.
A componente de inclusão procura criar oportunidades para mulheres, dalits, povos indígenas, madhesis, tharus, muçulmanos, minorias, pessoas com deficiência, jovens e residentes de regiões desfavorecidas. A sua ponderação de 10 por cento integra a representação no sistema de pontuação, juntamente com os exames, as avaliações organizativas e a votação.
O quadro prevê medidas contra tentativas de influenciar nomeações através de pagamentos, donativos, prendas ou outros benefícios. Ambas as partes envolvidas nessas transações podem perder a filiação no partido. Os candidatos que organizem estruturas paralelas, promovam encontros de fação, ataquem o caráter dos concorrentes ou divulguem desinformação podem ver a candidatura anulada e ser alvo de processos disciplinares.
O RSP afirma também que, após cada ciclo eleitoral, será feita uma avaliação do processo de seleção. O partido dispõe assim de um mecanismo declarado para analisar como funcionaram, na prática, as regras normais, a via especial de entrada e as exceções da liderança.
O partido afirma que concorrerá às eleições locais no Nepal em conformidade com a Constituição e a legislação eleitoral em vigor. A tarefa organizativa imediata é transformar o quadro em formação concluída, boletins válidos, pontuações publicadas e decisões de nomeação registadas em centenas de autoridades locais.
Pontos principais
- A pontuação normal de seleção do RSP atribui 40 por cento à votação nas primárias, 25 por cento à Academia, 25 por cento à organização e popularidade e 10 por cento à inclusão.
- Os candidatos têm de passar o exame da Academia de Liderança para prosseguir.
- As primárias exigem a participação de pelo menos 25 por cento dos membros elegíveis. Se a NOTA vencer, haverá novos candidatos e outra votação.
- O secretariado mantém autoridade para escolher até 15 por cento dos candidatos a determinados cargos, mediante aprovação do comité central.
- Os afastamentos extraordinários do procedimento prescrito exigem a aprovação de pelo menos dois terços da totalidade dos membros em funções do comité central.
- As candidaturas abriram primeiro para os municípios rurais. A data de abertura para as restantes autoridades locais ainda não foi anunciada.






