Choque nos preços dos combustíveis leva compradores a optar por automóveis elétricos
Os veículos elétricos e híbridos estão a aproximar-se de um quarto das vendas de automóveis de passageiros nas Filipinas, à medida que a subida de 68,3% dos preços da gasolina leva os automobilistas a reconsiderar os custos de condução. Os registos de veículos elétricos, incluindo híbridos, ultrapassaram os 67 000 entre janeiro e agosto de 2026, um aumento de cerca de 130% face ao mesmo período de 2025, segundo Patrick T. Aquino, diretor do Energy Utilization Management Bureau do Departamento de Energia.
Índice
- Choque nos preços dos combustíveis leva compradores a optar por automóveis elétricos
- O que medem, afinal, os números de crescimento
- Compradores entram em listas de espera
- Entregas da BYD mostram dimensão da mudança
- Custos de utilização mais baixos e obstáculos à compra
- Expansão da rede de carregamento enfrenta atrasos
- Três prazos moldam a política do Governo
- Motociclos revelam um mercado diferente
- Importações mais baratas pressionam fabricantes locais
- Em resumo
A subida dos preços da gasolina surgiu após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, no final de fevereiro. Dados da GlobalPetrolPrices citados em notícias colocaram o aumento nas Filipinas como o quarto mais acentuado a nível mundial. Outra notícia refere que os preços locais da gasolina mais do que duplicaram desde março. Os valores partem de períodos diferentes e não são diretamente comparáveis, mas ambos apontam para uma forte subida das despesas dos automobilistas.
A pressão é particularmente intensa num país que importa quase todo o combustível que consome, dispõe de transportes públicos limitados e não atribui subsídios aos combustíveis. Para quem depende de um veículo para trabalhar ou se deslocar em família, reduzir o consumo de combustível tornou-se uma preocupação financeira imediata.
Carla Buencamino, responsável pelas infraestruturas de mobilidade na ACMobility, disse que os cálculos internos da empresa apontam para quase um quarto das vendas de automóveis em 2026 corresponder a veículos elétricos e híbridos, contra 12% em 2025 e 4% em 2024. A ACMobility opera a maior rede de carregamento de veículos elétricos do país.
Isso coloca a estimativa perto do dobro do valor de 2025 e em cerca de seis vezes o de 2024. Mede, contudo, a evolução da composição dos automóveis vendidos, e não a proporção de todos os veículos que já circulam nas estradas filipinas.
O que medem, afinal, os números de crescimento
A aceleração é visível em vários conjuntos de dados, embora os respetivos totais não devam ser tratados como equivalentes. Números do Departamento de Energia citados em notícias apontam para cerca de 14 000 veículos elétricos vendidos no primeiro trimestre de 2026, face a 32 000 ao longo de todo o ano de 2025. Dados do setor mostram que as vendas no primeiro trimestre cresceram 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O total do primeiro trimestre, por si só, correspondeu a cerca de 44% do total anual de vendas do ano anterior. Esta comparação evidencia a força dos primeiros meses, mas não permite determinar o valor das vendas ao longo de todo o ano de 2026.
Uma série de registos separada contabiliza 60 906 veículos elétricos registados em 2025, face a 24 286 em 2024, um aumento de cerca de 151%. Estes números de registos diferem dos totais de vendas divulgados. As notícias não estabelecem se ambas as séries abrangem as mesmas categorias de veículos ou os mesmos métodos de contagem, pelo que não podem ser combinadas numa única medida contínua.
A distinção entre automóveis elétricos e híbridos também é importante. Um veículo elétrico a bateria funciona com a eletricidade armazenada na bateria. Um híbrido combina um motor de combustão com um motor elétrico e continua a usar combustível; alguns híbridos também podem ser carregados através de uma fonte de alimentação externa. O número de Aquino, superior a 67 000 registos, inclui expressamente híbridos, pelo que não significa que todos esses veículos tenham deixado de usar gasolina.
Os principais marcos mostram a rapidez da evolução do mercado:
- 2024: Os registos de veículos elétricos chegaram aos 24 286, enquanto a ACMobility estimou em 4% a quota de automóveis elétricos e híbridos nas vendas.
- 2025: Os registos atingiram os 60 906 e a quota estimada das vendas subiu para 12%.
- Primeiro trimestre de 2026: Foram vendidos cerca de 14 000 veículos elétricos, com dados do setor a apontarem para um crescimento de 36% face ao mesmo período do ano anterior.
- Janeiro a agosto de 2026: Os registos, incluindo híbridos, ultrapassaram os 67 000, com uma subida de cerca de 130%.
Compradores entram em listas de espera
O aumento da procura criou problemas de abastecimento para os concessionários. Aquino, cujo cargo de diretor de nível IV está confirmado no diretório do Energy Utilization Management Bureau do Departamento de Energia, descreveu compradores que pagam antes de os veículos estarem disponíveis.
«A procura disparou. Por isso, era preciso fazer uma encomenda, pagar um sinal e esperar pela chegada dos veículos», afirmou.
Mike Lim, fundador e diretor-executivo da EV Supreme, disse que as vendas no seu concessionário da região metropolitana de Manila aumentaram oito vezes desde o início da crise petrolífera. Trata-se de um indício de uma mudança acentuada numa empresa, não de uma taxa de crescimento nacional.
Willy Tee Ten, presidente da Associação de Veículos Elétricos das Filipinas, disse que o aumento súbito deixou as marcas com dificuldades em ajustar a oferta às encomendas.
«A maioria das marcas tem agora listas de espera, porque ninguém previa que a procura fosse tão elevada», afirmou.
Os concessionários têm procurado obter mais unidades dos fabricantes estrangeiros, inclusive através da participação no Salão Automóvel Internacional de Pequim. O desafio imediato é transformar o interesse dos clientes e os sinais pagos em veículos entregues. As listas de espera demonstram a procura, mas também significam que alguns automobilistas que procuram aliviar a fatura dos combustíveis não podem fazer a mudança de imediato.
Entregas da BYD mostram dimensão da mudança
A BYD entregou 28 399 veículos nas Filipinas entre janeiro e agosto de 2026, um aumento de 99% face ao mesmo período de 2025, segundo Bob Palanca, diretor-geral da BYD Cars Philippines.
Palanca disse que a empresa já tinha superado o total anual anterior e esperava que o dinamismo das vendas se mantivesse. A sua declaração é uma previsão da empresa, não um resultado confirmado para os meses restantes.
«Já superámos o total de vendas de todo o ano de 2025, quatro meses antes do previsto. Estamos confiantes de que este dinamismo se manterá até ao final de 2026 e durante boa parte de 2027», afirmou.
A chegada de marcas como a BYD, a Chery e a MG ajudou a reduzir a diferença de preço entre os veículos elétricos e os convencionais, segundo a BMI Research. Isso altera as contas dos compradores: os menores custos de utilização tornam-se mais atrativos quando a diferença no preço inicial é menor.
O número de entregas da BYD não deve ser dividido pelo total nacional de registos para calcular uma quota de mercado precisa. Entregas e registos são medidas diferentes, e os números divulgados não demonstram que tenham a mesma abrangência. Ainda assim, em conjunto, mostram que a mudança está a atingir volumes substanciais, em vez de se limitar a um pequeno número de compradores pioneiros.
Custos de utilização mais baixos e obstáculos à compra
Para Rommel Aceron, residente em Manila, que se desloca de automóvel entre cidades por motivos profissionais, para tratar de assuntos e viajar com a família, a mudança para um veículo elétrico reduziu as despesas mensais de energia com os transportes. Disse que gastava cerca de 8000 pesos por mês em gasolina.
«Em vez de gastar 8000 pesos (130 dólares) por mês em gasolina, agora gasto apenas algumas centenas de pesos», afirmou Aceron.
Aceron disse também que, após um dia inteiro de condução com uma única carga, o veículo ainda tinha entre 40% e 50% de bateria. A sua experiência ilustra por que razão os condutores frequentes podem considerar os veículos elétricos atrativos quando a gasolina fica mais cara.
Não se trata de uma poupança garantida para todos os compradores. O relato não especifica o modelo do veículo, a distância percorrida, a tarifa de eletricidade nem as condições de carregamento. Esses dados seriam necessários para calcular um custo comparável por quilómetro ou o tempo necessário para que a poupança em combustível compensasse um preço de compra mais elevado.
Os preços iniciais elevados continuam a ser um obstáculo, apesar da redução da diferença face aos automóveis convencionais. Os empréstimos automóveis especializados estão entre os incentivos destinados a promover a adoção, mas o financiamento não elimina o custo da compra. Os compradores continuam a ter de ponderar as prestações face às despesas de utilização e à viabilidade de carregar o veículo junto de casa ou do local de trabalho.
Expansão da rede de carregamento enfrenta atrasos
A rede de carregamento é um dos principais entraves a um maior crescimento. Há cerca de 900 postos de carregamento em funcionamento, enquanto o roteiro do Governo prevê mais de 7000 em todo o país até 2028.
Com base nestes valores aproximados, a rede atual representa menos de 13% do total previsto. Para atingir a meta será necessário acrescentar mais de 6100 postos e quase multiplicar por oito a dimensão da rede atual. As notícias não especificam se cada contagem de postos corresponde ao mesmo número de pontos de carregamento individuais, pelo que os totais devem ser entendidos como uma medida geral da expansão.
Aquino disse que as empresas privadas estão interessadas em construir infraestruturas de carregamento, mas que os requisitos regulamentares e de acreditação podem atrasar os projetos pelo menos seis meses antes do início da construção. Isto cria um desfasamento: a procura de veículos pode subir rapidamente após um choque nos preços dos combustíveis, mas a aprovação e instalação da capacidade de carregamento demoram mais tempo.
A velocidade de carregamento é tão importante como o número de localizações. As notícias referem que muitas instalações existentes dependem de tecnologia de carregamento mais lenta. Um posto adequado para um veículo estacionado durante várias horas pode ser menos útil para um condutor que precisa de retomar rapidamente o trabalho remunerado.
Glenford Philip Artuz, operador de serviços de transporte em rede, descreveu a diferença prática entre abastecer e carregar.
«É diferente usar gasolina ou petróleo bruto e usar eletricidade. Quando a bateria está fraca, é preciso carregá-la e isso demora tempo», afirmou.
Para os condutores profissionais, o tempo gasto a carregar pode significar tempo sem rendimento de tarifas. Por isso, o programa de carregamento tem de dar resposta à disponibilidade, à localização e à velocidade, em vez de avaliar a preparação apenas pelo número de postos.
Três prazos moldam a política do Governo
O departamento do Ministério da Energia tem um papel formal no planeamento da transição. A sua Divisão de Gestão da Indústria de Veículos Elétricos elabora e atualiza o Roteiro Abrangente para a Indústria de Veículos Elétricos, conhecido como CREVI, e presta apoio técnico às unidades de administração local e a outras partes interessadas.
Três datas definem a agenda política divulgada, cada uma com objetivos diferentes:
- 2028: Está prevista a instalação de mais de 7000 postos de carregamento. A isenção atual de direitos aduaneiros sobre veículos elétricos também deverá terminar.
- 2030: As autoridades pretendem que os veículos elétricos representem 50% da frota de táxis e 50% dos automóveis utilizados por responsáveis governamentais, segundo Aquino.
- 2040: O Governo pretende que os veículos elétricos representem 50% dos veículos em circulação no país.
O Ministério da Energia está a procurar prolongar a isenção de direitos aduaneiros sobre as importações para além de 2028. Trata-se ainda de uma proposta, não de uma prorrogação confirmada. Manter a isenção poderá ajudar a conter os preços de compra, mas as notícias não indicam uma data para a decisão nem os termos finais.
As metas também dizem respeito a diferentes segmentos do mercado. Os objetivos para 2030 abrangem os táxis e os automóveis governamentais, enquanto a meta para 2040 é mais ampla. Nenhuma delas deve ser confundida com a estimativa atual de que os veículos elétricos e híbridos representam quase um quarto das vendas de automóveis de passageiros. O aumento da quota das novas compras não se traduz imediatamente numa proporção idêntica da frota de veículos existente.
Motociclos revelam um mercado diferente
Segundo Aquino, a mudança é mais lenta no segmento dos motociclos elétricos. Os motociclos convencionais e os jeepneys continuam a ser muito utilizados, contribuindo para manter a procura de combustíveis petrolíferos, mesmo com o crescimento das compras de automóveis elétricos e híbridos.
Isso limita o que os números dos automóveis de passageiros permitem concluir sobre o consumo nacional de combustível. As Filipinas têm cerca de 14,8 milhões de veículos registados, e os totais de registos de veículos elétricos divulgados continuam a ser reduzidos perante essa dimensão. Os registos anuais também não podem ser considerados uma contagem de todos os veículos elétricos atualmente em circulação.
Aquino disse que motociclos elétricos mais baratos poderiam tornar esta tecnologia acessível a mais compradores. Apontou os modelos da VinFast, com preços inferiores a 100 000 pesos filipinos, como uma opção mais viável para os consumidores que consideram os motociclos elétricos dispendiosos.
O CREVI prevê que os motociclos, triciclos e híbridos eletrificados impulsionem grande parte da adoção no país a curto prazo. Edmund Araga, presidente da Federação Asiática de Associações de Veículos Elétricos, também vê um grande potencial nos veículos elétricos mais pequenos para deslocações curtas e para o troço final de uma viagem.
Estes veículos respondem a necessidades diferentes das dos automóveis de passageiros. Os preços de compra e a adequação às deslocações locais do quotidiano poderão determinar se a eletrificação chega a quem não pode comprar um automóvel. O crescimento mais lento dos motociclos é, por isso, relevante tanto para a amplitude da adoção como para a possibilidade de reduzir o consumo de combustível.
Importações mais baratas pressionam fabricantes locais
Os mesmos veículos importados que tornam os transportes elétricos mais acessíveis podem criar dificuldades aos fabricantes filipinos. Araga disse que os produtores nacionais de motociclos e triciclos elétricos enfrentam a concorrência de importações chinesas mais baratas, além da falta de capital, de financiamento limitado e de redes de distribuição frágeis.
Um desacordo político diz respeito à Estratégia de Incentivos para Veículos Elétricos, dotada de 60 mil milhões de pesos. Tee Ten questionou a exclusão dos veículos elétricos de duas ou três rodas do programa, que visa atrair fabricantes de veículos para as Filipinas.
Ceferino Rodolfo, responsável pelo Conselho de Investimentos, defendeu a aposta em veículos de quatro rodas, afirmando que o país já dispõe de uma base industrial para motociclos e triciclos elétricos. Araga considera que esses produtores existentes continuam a precisar de apoio para crescer e competir.
O desacordo expõe uma tensão prática entre reduzir os preços para os compradores e desenvolver a produção nacional. A manutenção dos incentivos à importação poderá favorecer preços mais acessíveis, enquanto os fabricantes locais defendem que precisam de acesso a capital e de redes de distribuição mais fortes para poderem participar no crescimento do mercado.
Os progressos face às metas de adoção também são desiguais. Segundo a avaliação divulgada, os veículos de quatro rodas tinham atingido 54,6% da meta de adoção a curto prazo. Esse valor mede o progresso em relação a uma meta específica, não a sua quota em todos os veículos em circulação.
Os próximos desafios são concretos: saber se os concessionários conseguem garantir veículos em número suficiente, se os projetos de carregamento avançam nos processos de aprovação, se a isenção de importação é prorrogada e se os veículos elétricos mais pequenos se tornam acessíveis a mais condutores. Não foi divulgada uma data para a decisão final sobre a prorrogação dos direitos nem um calendário definido para eliminar as listas de espera dos concessionários.
Em resumo
- Os preços da gasolina subiram 68,3% após os ataques contra o Irão no final de fevereiro, segundo os dados de preços citados.
- Os registos de veículos elétricos, incluindo híbridos, ultrapassaram os 67 000 entre janeiro e agosto de 2026, um aumento de cerca de 130% face ao ano anterior.
- A ACMobility estima que os veículos elétricos e híbridos se aproximem de um quarto das vendas de automóveis, contra 12% em 2025 e 4% em 2024.
- A BYD entregou 28 399 veículos nos primeiros oito meses de 2026, um aumento de 99%.
- Há cerca de 900 postos de carregamento em funcionamento, face à meta de mais de 7000 até 2028.
- As autoridades pretendem que os veículos elétricos representem 50% das frotas de táxis e de automóveis governamentais até 2030, com uma meta mais ampla para os veículos em circulação em 2040.
- Está a ser procurada uma prorrogação da isenção de direitos aduaneiros sobre as importações para além de 2028, mas esta ainda não foi confirmada.
- O crescimento dos motociclos elétricos é mais lento, enquanto os fabricantes locais enfrentam a pressão das importações mais baratas.






