Deng Pibing saiu do Camboja em maio de 2026, enquanto prossegue a investigação sobre fraudes em Long Bay

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Deng Pibing Left Cambodia in May 2026 as Long Bay Scam Investigation Continues

Partida confirmada enquanto as autoridades investigam Long Bay

Deng Pibing, o promotor do projeto Long Bay, na província cambojana de Koh Kong, deixou o país no final de maio de 2026, segundo informações da imigração citadas pelo ministro sénior Chhay Sinarith. Em fevereiro de 2026, as autoridades tinham descoberto vários edifícios suspeitos de estarem ligados a fraudes em linha no empreendimento, depois de presumíveis grupos criminosos terem fugido e deixado provas para trás.

Índice
  1. Partida confirmada enquanto as autoridades investigam Long Bay
  2. O que foi encontrado na operação de fevereiro
  3. Uma cronologia com lacunas importantes
  4. O significado do Aviso Vermelho noticiado
  5. Promoção turística e alegações sobre o interior do complexo
  6. As alegações de proteção policial exigem investigação
  7. Amnistia documenta um padrão de complexos que sobrevivem às rusgas
  8. Os trabalhadores também podem ser vítimas
  9. A escala regional e as perguntas sem resposta
  10. Principais pontos

Sinarith, chefe do Secretariado da Comissão de Combate às Fraudes em Linha (CCOS), afirmou que informações de fontes especializadas indicavam que tinha sido emitido um Aviso Vermelho da Interpol contra Deng. A afirmação não foi acompanhada da publicação do aviso, de uma descrição das acusações subjacentes ou de informações sobre a autoridade que o procura.

O Governo afirma que as autoridades de Koh Kong detiveram vários suspeitos, apreenderam provas e selaram as instalações suspeitas. Este relato surge juntamente com alegações de que um projeto promovido como destino de turismo costeiro acolhia operações fraudulentas e beneficiava da proteção policial.

Estas são vertentes distintas do caso. As autoridades cambojanas confirmaram uma investigação a atividades suspeitas em Long Bay e descreveram as medidas de fiscalização adotadas. As alegações sobre a conduta de Deng, pagamentos para obter proteção e funcionamento do complexo vão mais longe e não foram confirmadas por uma decisão judicial identificada nos relatos do caso.

O que foi encontrado na operação de fevereiro

Segundo Sinarith, vários edifícios suspeitos de estarem ligados a fraudes em linha foram descobertos durante a operação de fevereiro. Os grupos suspeitos já tinham partido, embora as autoridades provinciais tenham posteriormente detido vários suspeitos e recolhido provas para investigação. Não foi divulgado o número exato de edifícios ou de detidos.

Aqui, importa distinguir entre assegurar as instalações e identificar quem as explorava. As provas deixadas nos edifícios podem ajudar os investigadores a apurar o que aconteceu, mas a descrição do Governo não identifica as pessoas detidas, as funções que desempenhavam ou se foram formalmente acusadas.

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Sinarith afirmou que a campanha nacional inclui a instauração de processos contra os cabecilhas e cúmplices, o congelamento de ativos criminosos e a continuação das investigações em processos que se encontram nos tribunais. Nos pormenores divulgados sobre Long Bay, não identificou qualquer congelamento de ativos, acusação formal ou processo judicial específico que envolva Deng.

O primeiro-ministro Hun Manet visitou, a 5 de setembro, locais sob controlo oficial em Koh Kong para acompanhar os progressos, afirmou Sinarith. O primeiro-ministro instruiu as autoridades a manterem um controlo rigoroso das instalações e das provas e a conduzirem investigações minuciosas. O relato não especifica o ano da visita, o que limita a possibilidade de a situar com precisão face aos acontecimentos de fevereiro e maio de 2026.

Uma cronologia com lacunas importantes

A cronologia distingue a descoberta dos edifícios suspeitos de servirem para fraudes da partida registada de Deng. Mostra também onde as datas permanecem incertas:

  • Junho de 2025: a Amnistia Internacional publicou conclusões sobre complexos de fraude em todo o Camboja, incluindo intervenções policiais repetidas num local de Botum Sakor.
  • Julho de 2025: uma comissão do Governo dos EUA publicou uma avaliação regional de centros de fraude, tráfico de pessoas e alegadas ligações oficiais.
  • Fevereiro de 2026: as autoridades cambojanas descobriram edifícios suspeitos de servirem para fraudes em Long Bay, depois de presumíveis grupos criminosos terem fugido.
  • Final de maio de 2026: Deng deixou o Camboja, segundo um relatório da Direção-Geral da Imigração citado por Sinarith.
  • 5 de setembro, ano não especificado: Hun Manet visitou locais sob controlo oficial em Koh Kong e ordenou a manutenção da segurança e da investigação.

Não foi possível determinar a data da visita clandestina que deu origem às alegações sobre Long Bay. Foi descrita como tendo aparentemente ocorrido em 2025 ou antes, mas isso continua a ser uma estimativa, não uma data de filmagem confirmada.

Hong Lei, associado de Deng também conhecido como Martin, alegou que Deng foi avisado antecipadamente de uma operação repressiva vários dias antes da imposição de sanções e que, depois, deixou o Camboja. Não foram identificadas a autoridade responsável pelas sanções nem a data em que foram impostas. Não é possível relacionar com precisão esse relato com o registo de imigração, e este não prova que Deng tenha partido antes da operação de fevereiro.

O significado do Aviso Vermelho noticiado

A declaração de Sinarith refere um Aviso Vermelho com base em informações de fontes especializadas. Outro relato usa a expressão Lista Vermelha. O mecanismo pertinente da Interpol é o Aviso Vermelho: um pedido dirigido às autoridades de todo o mundo para localizarem e deterem provisoriamente uma pessoa, enquanto se aguarda a extradição, entrega ou outra medida judicial semelhante.

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Um Aviso Vermelho não é um mandado de captura internacional nem uma declaração de culpa. Cada país aplica a sua própria legislação ao decidir se deve deter alguém. Nem todos os avisos são disponibilizados ao público, pelo que a inexistência de um aviso publicado não refutaria, por si só, a afirmação de Sinarith.

No caso de Deng, continuam por esclarecer questões importantes: onde se encontra atualmente, que país ou autoridade pediu o aviso, quais são os crimes de que é suspeito e se existe um pedido de extradição. Nos relatos da investigação, não foi anunciada qualquer data para uma audiência, entrega ou regresso ao Camboja.

As informações da imigração estabelecem uma data de partida, tal como foi comunicada por Sinarith. Por si só, não esclarecem o motivo da saída de Deng nem se, na altura, estava sujeito a uma restrição de viagem.

Promoção turística e alegações sobre o interior do complexo

Long Bay tem sido promovido como um importante destino costeiro de cultura e turismo. Deng, empresário nascido na China, cultivou uma imagem pública de investidor bem-sucedido que contribui para o Camboja. As alegações sobre o empreendimento descrevem uma utilização muito diferente de algumas das suas instalações.

Uma investigação clandestina alegou que havia operações de fraude em linha, consumo recreativo de cetamina e corrupção na rede empresarial de Deng. Hong Lei e um operador identificado apenas como Sr. Lin descreveram um complexo com mais de 300 seguranças e mais de 1.000 trabalhadores. Estes números são alegações de associados, não uma contagem oficial de trabalhadores envolvidos em fraudes ou de vítimas de tráfico de pessoas.

A investigação alegou também que alguns trabalhadores visavam cidadãos chineses com esquemas fraudulentos. Não foram divulgados nem o número de pessoas alegadamente burladas nem os prejuízos que sofreram. A força de trabalho referida não pode ser considerada prova de que todas as pessoas no complexo participavam em fraudes.

Long Bay situa-se numa concessão de terras para fins económicos com 36.000 hectares, detida pelo Union Development Group. A concessão levou à expulsão de mais de 1.000 famílias no final da década de 2000. A história daquelas terras é distinta da atual investigação criminal, mas enquadra Long Bay numa área de desenvolvimento muito mais vasta, e não num único edifício isolado.

Foram também feitas alegações sobre a finalidade de uma pista de aterragem em terrenos do Union Development Group. Não foi identificada qualquer confirmação documental dessas alegações, que também não esclarecem a natureza das atividades suspeitas de fraude em Long Bay.

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As alegações de proteção policial exigem investigação

Uma das alegações mais graves é a de que o apoio financeiro à polícia ajudava a proteger Long Bay de rusgas. Imagens descritas na investigação mostravam Deng a viajar numa carrinha com logótipos da polícia cambojana e a falar de donativos para uma esquadra e para salários.

Deng, o promotor de Long Bay, foi gravado a descrever esse apoio:

A esquadra está a ser construída em frente. Doámos o dinheiro e pagamos os salários.

As declarações foram apresentadas como parte de uma alegação de que o apoio financeiro manteria o complexo a salvo de ações de fiscalização. Uma declaração de Deng sobre proteção não prova que a polícia tenha aceitado um acordo ilegal ou agido em conformidade. Os investigadores terão de apurar que pagamentos ocorreram, quem os recebeu e se influenciaram a atuação policial.

Os responsáveis que responderam às alegações da investigação clandestina rejeitaram-nas ou afirmaram desconhecer as operações. Essas respostas devem ser distinguidas da confirmação posterior do Governo de que os edifícios suspeitos de servirem para fraudes em Long Bay estavam a ser investigados.

Assim, o ponto essencial vai além de saber se as autoridades entraram nas instalações e as selaram. Inclui apurar se investigam os alegados acordos de proteção e se levam perante a justiça as pessoas que dirigem ou financiam atividades criminosas. A promessa de Sinarith de processar os cabecilhas e cúmplices exprime essa intenção, mas os pormenores divulgados sobre Long Bay ainda não demonstram o resultado.

Amnistia documenta um padrão de complexos que sobrevivem às rusgas

O relatório da Amnistia Internacional sobre complexos de fraude, publicado em junho de 2025, identificou pelo menos 53 complexos em 16 cidades e localidades cambojanas, além de outros 45 locais suspeitos. Durante 18 meses de investigação, os investigadores visitaram todos os 53 complexos identificados, à exceção de um.

A organização entrevistou 58 sobreviventes de oito nacionalidades, incluindo nove crianças, e analisou registos relativos a outras 336 vítimas. Estes números descrevem o alcance da investigação, não um recenseamento nacional das pessoas mantidas em complexos.

Mais de dois terços dos complexos identificados continuaram em funcionamento após rusgas policiais ou operações de resgate, afirmou a Amnistia. Num local de Botum Sakor, documentou intervenções policiais repetidas enquanto o complexo permanecia aberto. O relato publicado pela organização não demonstra que esse local e os edifícios de Long Bay sejam o mesmo.

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A Amnistia descreveu situações em que a polícia recolheu pessoas à entrada dos complexos sem entrar para investigar, permitindo que as operações continuassem. Alguns sobreviventes disseram que os responsáveis pelos complexos descobriram os seus pedidos de ajuda à polícia e os castigaram. A organização concluiu que as provas sugeriam coordenação e possível conluio entre os responsáveis pelos complexos e a polícia.

Montse Ferrer, diretora de investigação regional da Amnistia Internacional, afirmou que as intervenções documentadas não foram suficientes para pôr fim aos abusos:

As intervenções policiais documentadas parecem ser meramente “para inglês ver”.

Essa conclusão fornece um critério concreto para avaliar Long Bay: saber se as instalações permanecem encerradas, se as provas são preservadas e se as investigações conduzem a decisões que responsabilizem os envolvidos. Não prova que as mesmas falhas tenham ocorrido nesta operação específica.

Os trabalhadores também podem ser vítimas

As conclusões da Amnistia mostram por que motivo uma investigação a fraudes em linha tem de distinguir os organizadores das pessoas forçadas a cometer fraudes. Todos os 58 sobreviventes entrevistados tinham sido submetidos a trabalho forçado sob ameaça de violência, e todos menos um tinham sido vítimas de tráfico de pessoas.

Em 32 casos, a Amnistia concluiu que o tratamento constituía escravatura ao abrigo do direito internacional, uma vez que os responsáveis exerciam um controlo comparável ao da propriedade. Quarenta dos 58 sobreviventes relataram tortura ou outros maus-tratos, cerca de 69% do grupo entrevistado. Cinco das nove crianças entrevistadas tinham sofrido abusos dessa natureza.

Os sobreviventes descreveram ter sido recrutados com promessas de empregos legítimos e bem remunerados, antes de serem confinados e obrigados a cometer fraudes. As operações incluíam falsas relações amorosas, investimentos fraudulentos e venda de produtos que nunca seriam entregues. Algumas pessoas eram vendidas entre complexos ou informadas de que tinham dívidas que precisavam de trabalhar para pagar.

Estas conclusões dizem respeito a complexos em todo o Camboja, não a vítimas confirmadas em Long Bay. As autoridades não divulgaram quantas pessoas, se algumas, foram identificadas como vítimas de tráfico de pessoas durante a investigação de Long Bay, nem que assistência receberam.

A Amnistia concluiu também que, por vezes, as pessoas resgatadas dos complexos ficavam detidas durante meses em centros de imigração, em vez de serem reconhecidas e apoiadas como vítimas de tráfico de pessoas. As obrigações do Camboja incluem investigar o tráfico de pessoas e a tortura, protegendo simultaneamente as vítimas. Por isso, o número de detenções, por si só, não permite avaliar se uma operação respondeu a todas as formas de dano.

A escala regional e as perguntas sem resposta

O relatório regional sobre centros de fraude, publicado em julho de 2025 pela Comissão de Revisão Económica e de Segurança EUA-China, colocou o Camboja, a Birmânia e o Laos no centro de uma vasta economia criminosa. Citou uma estimativa segundo a qual os centros de fraude nos três países geraram cerca de 43,8 mil milhões de dólares em 2023, o equivalente a aproximadamente 40% do produto interno bruto oficial combinado.

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O relatório citou também uma estimativa das Nações Unidas, de agosto de 2023, segundo a qual 220.000 pessoas de dezenas de países eram mantidas em regime de trabalho forçado em centros de fraude no Camboja e na Birmânia. Essa estimativa abrange uma área geográfica diferente da do valor das receitas, que inclui o Laos, e não deve ser considerada uma contagem atual.

A comissão abordou alegadas ligações entre responsáveis cambojanos e redes de fraude. Referiu o cargo de Hun To no conselho de administração do Huione Group, acusado de branquear receitas de fraudes, e noticiou ligações empresariais entre Sar Sokha e Chen Zhi relacionadas com o Jinbei Casino. Sar Sokha tornou-se ministro do Interior em 2023, assumindo uma posição de destaque na área da aplicação da lei.

Essas alegações dizem respeito a outras empresas e redes. Não demonstram uma ligação a Long Bay nem a responsabilidade criminal de Deng. A sua relevância reside no alerta mais amplo da comissão de que a aplicação da lei pode ser comprometida quando interesses comerciais e proteção política se sobrepõem.

No caso de Long Bay, as questões por esclarecer são mais concretas. As autoridades não divulgaram as identidades nem a situação jurídica dos detidos, as provas recolhidas, qualquer contagem confirmada de vítimas, um processo judicial identificado que envolva Deng ou o congelamento específico dos seus ativos. Não foi anunciada qualquer data para uma próxima audiência nem qualquer prazo para a investigação. Preservar o local é um passo necessário, mas um relato público das acusações, da proteção das vítimas e dos processos judiciais mostraria o que a investigação conseguiu efetivamente alcançar.

Principais pontos

  • Deng Pibing deixou o Camboja no final de maio de 2026, segundo informações da imigração citadas por Chhay Sinarith.
  • As autoridades descobriram edifícios suspeitos de servirem para fraudes em Long Bay em fevereiro de 2026, depois de presumíveis grupos terem fugido.
  • As autoridades de Koh Kong detiveram vários suspeitos, apreenderam provas e selaram as instalações, mas não divulgaram os números exatos nem as acusações.
  • Sinarith referiu um Aviso Vermelho da Interpol; a autoridade que o pediu, as alegações subjacentes e o paradeiro de Deng continuam por divulgar.
  • As alegações de operações fraudulentas e proteção policial em Long Bay não foram confirmadas por nenhuma decisão judicial identificada.
  • As conclusões da Amnistia mostram que o encerramento duradouro das instalações e a proteção das vítimas de tráfico de pessoas são medidas essenciais para avaliar a aplicação da lei, para além das rusgas.
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