Mais de 4 mil milhões de baht em financiamento para prevenção em risco
Uma proposta para substituir a contribuição específica sobre o álcool e o tabaco que financia a Thai Health Promotion Foundation por dotações anuais do Orçamento do Estado está a gerar oposição entre académicos e redes comunitárias. Estes alertam que um maior escrutínio financeiro poderá comprometer um financiamento fiável para a prevenção de doenças.
Índice
- Mais de 4 mil milhões de baht em financiamento para prevenção em risco
- O que mudaria com as alterações?
- A disputa jurídica gira em torno de uma isenção em vigor
- O planeamento oficial já identifica uma fragilidade orçamental
- A ThaiHealth é uma parte de um sistema de prevenção mais amplo
- Há limites na evidência sobre as campanhas contra o álcool
- O que mede a estimativa de benefício de 6,13 baht
- As tendências do tabagismo e as responsabilidades são contestadas
- O trabalho comunitário vai além da publicidade às campanhas
- Os investimentos de reserva colocam a prestação de contas sob escrutínio
- Salvaguardas, consulta e transição
- Em suma
A disputa diz respeito a cerca de 4 mil milhões de baht por ano destinados à ThaiHealth, conhecida na Tailândia como สสส., e integra alterações propostas que abrangem quatro instituições, com receitas conjuntas provenientes das contribuições estimadas em cerca de 14 mil milhões de baht anuais. As restantes entidades beneficiárias são a estação pública Thai PBS, o Fundo Nacional de Desenvolvimento do Desporto e o Fundo para as Pessoas Idosas.
Numa discussão realizada a 12 de outubro de 2026, no hotel Best Western, no distrito de Chatuchak, em Banguecoque, economistas, juristas e defensores da saúde instaram os responsáveis políticos a divulgar avaliações das despesas e a corrigir projetos deficientes, em vez de eliminar o mecanismo de financiamento. A discussão, moderada por Sanga Damapong, analisou também as consequências para as crianças, as pessoas com deficiência e as comunidades envelhecidas.
O porta-voz do Governo, Ekkapob Pianpises, defende que transferir o dinheiro para a Tesouraria tornaria as despesas mais transparentes e sujeitas ao escrutínio orçamental do Parlamento. Os defensores da ThaiHealth reconhecem a necessidade de prestação de contas, mas contestam a ideia de que dotações anuais produziriam necessariamente melhores resultados.
A distinção central está entre o montante que uma instituição recebe e a segurança com que pode planear recebê-lo. Mesmo que a dotação se mantivesse inalterada no primeiro ano, continuaria por esclarecer como os governos seguintes financiariam projetos em curso e protegeriam as decisões da pressão política.
O que mudaria com as alterações?
A ThaiHealth foi criada ao abrigo da Lei de 2001 relativa à Thai Health Promotion Foundation. O seu financiamento provém de uma contribuição adicional calculada como 2% dos impostos especiais de consumo sobre o álcool e o tabaco. Não se trata simplesmente de uma parcela deduzida da receita normal desses impostos: as empresas abrangidas pagam uma contribuição adicional, que é diretamente atribuída à fundação.
Segundo a rede One Plan Plus, a alteração proposta revogaria os artigos 11 a 15, que regem este mecanismo de cobrança, e substituí-lo-ia por financiamento anual através do Orçamento do Estado. A rede identifica Anutin Charnvirakul e outros deputados como proponentes. Outras informações relacionadas também referem Supachai Jaisamut entre os autores das quatro alterações.
As notícias divergem quanto à forma de descrever a iniciativa. Algumas apresentam-na como um plano do Governo, mas Ekkapob afirma que as propostas foram apresentadas por deputados do partido Bhumjaithai, e não pelo Governo. Ainda assim, diz que o objetivo está em linha com a política orçamental do Governo, incluindo a integração das receitas públicas num sistema orçamental comum.
As taxas referidas são de 2% para a ThaiHealth, o desporto e as pessoas idosas, e de 1,5% para a Thai PBS. Os valores anuais arredondados apontam para cerca de 4 mil milhões de baht para cada uma das três primeiras entidades e, no máximo, 2 mil milhões para a Thai PBS. Uma estimativa separada para o exercício de 2025 coloca a receita da ThaiHealth em 4,1 mil milhões de baht. São valores aproximados, não totais auditados idênticos, e os limites legais significam que as receitas não podem ser calculadas simplesmente somando as taxas.
A disputa jurídica gira em torno de uma isenção em vigor
Os defensores da alteração invocam o artigo 26.º da Lei de 2018 sobre Disciplina Orçamental e Financeira do Estado. Argumentam que as receitas devem entrar na Tesouraria antes de o Parlamento definir as prioridades de despesa.
Euaree Engchanil, professora associada da Faculdade de Direito da Universidade Chulalongkorn, contesta a afirmação de que a lei exige o fim dos mecanismos de financiamento específico já existentes. Segundo diz, o artigo 82.º isenta certas disposições as leis anteriores relativas a impostos adicionais, taxas e receitas reservadas, e não estabelece uma data de caducidade para esses regimes.
A One Plan Plus apresenta o mesmo argumento quanto à relação entre os artigos 26.º e 82.º. Na sua perspetiva, substituir a contribuição da ThaiHealth é uma opção política, não uma correção necessária de um regime ilegal. Trata-se de uma interpretação jurídica defendida pelos opositores, e não de uma decisão judicial sobre as alterações propostas.
Euaree propõe uma alternativa: definir limites de financiamento de acordo com as responsabilidades de cada instituição, devolver à Tesouraria as receitas excedentárias, submeter planos estratégicos ao Parlamento e avaliar a relação custo-benefício de três em três ou de cinco em cinco anos. Assim, manter-se-ia um financiamento previsível, criando ao mesmo tempo oportunidades para reavaliar o montante e a finalidade da despesa pública.
O planeamento oficial já identifica uma fragilidade orçamental
O plano de ação nacional para o álcool do Departamento de Controlo de Doenças, relativo ao período de 2022 a 2027, identifica as receitas consignadas do álcool e do tabaco destinadas à ThaiHealth como um ponto forte do sistema tailandês de controlo do álcool. Também aponta a insuficiência das dotações orçamentais comuns como uma fragilidade e afirma que o Gabinete do Orçamento não apoiou pedidos de outras entidades para atividades de promoção da saúde.
Esta avaliação oficial confere uma dimensão concreta de política pública à disputa sobre o financiamento. Um plano governamental em vigor reconhece tanto a necessidade de mais recursos para a prevenção como o papel da ThaiHealth na sua disponibilização. A substituição do mecanismo exigiria, por isso, uma explicação sobre como seria suprida a insuficiência identificada.
O plano refere que o consumo de álcool representava 12% dos anos de vida ajustados por incapacidade na avaliação da carga da doença na Tailândia de 2014. Esta medida combina os anos perdidos devido a morte prematura com os anos vividos em mau estado de saúde. Refere também um custo estimado relacionado com o álcool de 85,814 mil milhões de baht em 2017, equivalente a 0,56% do produto interno bruto.
As sete estratégias abrangem restrições ao acesso, condução após o consumo de álcool, rastreio e tratamento, controlo da publicidade, medidas fiscais e de preços, mudanças nas atitudes sociais e sistemas de apoio. Esta abrangência é importante: a ThaiHealth não pode, por si só, executar ações que dependem de decisões fiscais ou de poderes de aplicação da lei.
O plano estabelece metas para 2027, incluindo uma prevalência de consumo de álcool entre adultos de 23,1% e de 8,8% entre pessoas dos 15 aos 19 anos, face aos valores de referência de 2017, respetivamente, de 28,4% e 13,6%. São metas, não resultados alcançados. A rubrica orçamental para campanhas prevê 2 milhões de baht por ano para a abstinência durante a Quaresma budista e as atividades do Dia Nacional sem Álcool, num total de 12 milhões de baht ao longo de seis anos, e não o custo integral de todo o trabalho associado.
A ThaiHealth é uma parte de um sistema de prevenção mais amplo
Uma análise do financiamento da saúde, publicada em linha a 17 de março de 2016 e incluída numa edição de agosto de 2017 de uma revista científica, descreve a ThaiHealth como complementar ao Ministério da Saúde Pública, ao regime de Cobertura Universal e ao financiamento das administrações locais.
Com base nas Contas Nacionais da Saúde, o estudo estima que a prevenção e a saúde pública representavam 10,8% da despesa total em saúde em 2010. Dentro desse total destinado à prevenção, o ministério representava 32,9%, o regime de Cobertura Universal 23,1%, as administrações locais 22,8% e a ThaiHealth 7,3%.
O denominador é importante. Os 7,3% da ThaiHealth correspondiam a uma parcela da despesa com prevenção e saúde pública, e não da despesa total em saúde. Os valores são também históricos e não devem ser tratados como uma repartição orçamental atual.
O estudo descreve subvenções flexíveis com duração entre um mês e três anos; a tabela indica um orçamento de 128 milhões de dólares norte-americanos para subvenções a projetos em 2010. A investigação incluiu entrevistas com 12 partes interessadas, realizadas em junho e julho de 2013. Os entrevistados reconheceram a capacidade da fundação para apoiar novas ideias e a sociedade civil, mas também manifestaram preocupações quanto à transparência e à pressão política.
Esta análise anterior complexifica os argumentos de ambos os lados. O financiamento específico não impede automaticamente a influência política nem a falta de supervisão. Ao mesmo tempo, os serviços ministeriais e as subvenções comunitárias desempenham funções diferentes, pelo que a transferência de verbas entre mecanismos não constitui necessariamente uma substituição simples.
Há limites na evidência sobre as campanhas contra o álcool
Polthep Vichitkunakorn, diretor do Centro de Estudos sobre o Álcool, citou um estudo publicado na BMJ Global Health em 2024, que analisou 23 anos de dados mensais sobre vendas de álcool. O estudo concluiu que a campanha de abstinência durante a Quaresma budista estava associada a um consumo cerca de 9,97% inferior durante esse período, por comparação com períodos equivalentes anteriores à campanha.
Este resultado diz respeito à época da campanha, não a uma redução anual de 9,97%. Além disso, uma associação não deve ser apresentada como prova de que todas as alterações no consumo resultaram exclusivamente da campanha.
Uma análise separada, publicada na Journal of Social Marketing e baseada em dados de inquéritos nacionais de 2011 a 2014, concluiu que as pessoas que conheciam a campanha tinham uma probabilidade cerca de 1,3 a 1,4 vezes superior de reduzir ou interromper o consumo durante a Quaresma, em comparação com as que não a conheciam.
Polthep citou também um inquérito de 2025 segundo o qual 8,6 milhões de pessoas reduziram ou interromperam temporariamente o consumo, ou deixaram de beber, incluindo 4,5 milhões que se abstiveram durante toda a Quaresma. A poupança estimada para os agregados familiares foi de 14,949 mil milhões de baht. As pessoas que se abstiveram durante toda a Quaresma representaram, assim, cerca de 52% do grupo mais alargado, resultado da divisão de 4,5 milhões por 8,6 milhões.
Estes resultados medem aspetos diferentes: vendas, conhecimento da campanha, comportamentos declarados e despesas dos agregados familiares. Justificam a análise do contributo da campanha, mas não podem ser somados como se fossem retornos financeiros separados.
O que mede a estimativa de benefício de 6,13 baht
Surasak Chaiyasong, professor associado e investigador na área da farmácia da Universidade de Mahasarakham, apresentou dados da avaliação do trabalho de controlo do álcool da ThaiHealth entre 2018 e 2022. A avaliação combinou estatísticas nacionais e bases de dados de saúde com informação sobre projetos em 34 zonas, envolvendo 1662 pessoas, além de um inquérito à população em geral com 2532 pessoas em nove províncias.
A avaliação estimou benefícios de 9,44402 mil milhões de baht, face a um investimento de 1,54012 mil milhões, ou seja, 6,13 baht de benefício económico e social por cada baht investido. A diferença foi de aproximadamente 7,904 mil milhões de baht.
Cerca de 64,9% dos benefícios estimados resultaram da redução do consumo de álcool, 26,7% da diminuição dos acidentes envolvendo álcool e condução, 6,9% da redução da doença e da violência e 1,5% de cerimónias e espaços sem álcool. Trata-se de uma valorização dos benefícios para a sociedade, não de dinheiro devolvido à Tesouraria nem de um retorno para a ThaiHealth enquanto instituição no seu conjunto.
A avaliação indicou menos 21 234 acidentes envolvendo álcool e condução ao longo de cinco anos e um total acumulado de mortes 5403 abaixo do valor de referência comparativo. O consumo episódico excessivo baixou de 41,8% para 35,8%, uma diminuição de seis pontos percentuais. Os investigadores calcularam que o contributo atribuível ao plano foi de cerca de 30 700 pessoas a menos a consumir álcool por ano; as alterações mais abrangentes não devem ser todas atribuídas à ThaiHealth.
O trabalho registou também mais 808 eventos tradicionais sem álcool, 566 escolas e 1644 comunidades, além de cinco políticas ou leis nacionais. Surasak recomendou a recolha de dados sobre os resultados desde o início dos próximos planos, para tornar as avaliações subsequentes mais rigorosas.
As tendências do tabagismo e as responsabilidades são contestadas
Ekkapob questionou se as despesas da ThaiHealth valiam a pena e afirmou que o tabagismo continuara a aumentar ao longo de 25 anos, juntamente com o consumo de cigarros eletrónicos. Suwanna Ruangkanchanasetr, diretora-adjunta do Centro de Investigação e Gestão do Conhecimento sobre o Controlo do Tabaco, apresentou uma leitura diferente, citando estatísticas nacionais que mostram uma descida da prevalência do tabagismo de 32% para 16,7%.
Estes valores correspondem a uma descida de 15,3 pontos percentuais, ou cerca de 47,8% em relação à taxa inicial. Uma das versões descreveu a descida relativa como sendo de 48,5%, o que não coincide exatamente com os valores arredondados. Para conciliar as afirmações opostas, são necessários anos de inquérito, grupos etários e definições comparáveis.
Suwanna referiu também uma descida de 40% no consumo de cigarros eletrónicos entre pessoas dos 10 aos 19 anos após fevereiro de 2025, na sequência de uma aplicação mais rigorosa da lei. Este valor diz respeito a um indicador específico entre jovens e a um determinado período, não a uma redução de 40% do tabagismo em todo o país.
Prakit Vathesatogkit, presidente da Fundação de Ação contra o Tabagismo da Tailândia, contestou o uso do aumento das doenças não transmissíveis como justificação para alterar o financiamento da ThaiHealth. Descreveu essa ligação em termos fortes:
extremamente perigosa
Prakit afirmou que a fundação não pode fixar os impostos sobre o tabaco, encerrar vendas ilegais em linha ou fazer cumprir a legislação antitabaco. Disse também que os impostos sobre o tabaco não aumentaram nos últimos cinco anos. Suwanna argumentou igualmente que a prevenção exige uma ação conjugada dos impostos, da legislação, da aplicação da lei e dos serviços de apoio à cessação tabágica.
Roengruedee Patanavanich, professora associada da faculdade de medicina Ramathibodi da Universidade Mahidol, citou documentos de empresas tabaqueiras divulgados no âmbito de processos judiciais nos Estados Unidos como prova da oposição histórica a impostos específicos para a saúde. Esse historial não demonstra que a indústria esteja envolvida nas atuais propostas. Qualquer ligação desse tipo exige provas adicionais.
O trabalho comunitário vai além da publicidade às campanhas
Pairote Saonuam, diretor-adjunto da ThaiHealth, descreveu o apoio a bases de dados locais, investigação comunitária, serviços telefónicos para deixar de fumar, refeições escolares, emprego para pessoas com deficiência, acesso a prestações de saúde e preparação das comunidades para o envelhecimento da população. Referiu também o símbolo nutricional Healthier Choice, destinado a ajudar os consumidores a identificar produtos alimentares adequados.
Polthep afirmou que a ThaiHealth apoia 18 dos 79 profissionais que trabalham no controlo do álcool e do tabaco no Ministério da Saúde Pública, cerca de 23%. O trabalho inclui apoio jurídico, vigilância da publicidade, investigação e coordenação provincial. Isto sugere que algumas subvenções apoiam operações governamentais, e não apenas campanhas externas.
Ticha Na Nakorn, antiga diretora do centro de formação de jovens Baan Kanchanapisek, argumentou que o trabalho com crianças vulneráveis depende de relações duradouras. Descreveu jovens acompanhados durante vários anos, até conseguirem trabalhar e sustentar-se, e alertou que as mensagens de saúde podem ignorar as razões sociais por detrás do tabagismo, incluindo o receio de perder amigos ou de não ser aceite.
A One Plan Plus, uma rede presente em 18 províncias, relaciona a proposta de financiamento com os planos provinciais de desenvolvimento para 2028 a 2032. A rede afirma que a sociedade civil precisa de recursos para recolher dados locais e incluir as prioridades dos grupos vulneráveis nos planos, citando uma deliberação de 23 de abril de 2026 da comissão de política de administração territorial e o decreto real de 2022 sobre a administração integrada das áreas.
Vichai Chokewiwat, presidente da associação do conselho de cidadãos seniores da Tailândia, afirmou que mais de 23 000 organizações participaram em iniciativas apoiadas pela ThaiHealth. Pisit Lee-atham, antigo vice-ministro das Finanças, alertou que é difícil para os grupos comunitários e os académicos aceder aos orçamentos correntes dos ministérios, em particular para novas atividades sem uma entidade governamental responsável já definida.
Os investimentos de reserva colocam a prestação de contas sob escrutínio
A gestão das reservas da ThaiHealth tornou-se outro ponto de discórdia. Pairote afirmou que os investimentos tinham sido suspensos e o dinheiro transferido para depósitos bancários enquanto eram analisadas questões jurídicas. A fundação sustenta que os investimentos eram legais; essa posição é a sua explicação, não uma decisão jurídica final divulgada.
Prakatsit Kayasith, diretor-adjunto, disse que eram necessárias reservas de cerca de 1,5 a 1,7 mil milhões de baht para pagar subvenções em prestações ao longo de vários anos. Segundo afirmou, a maioria dos ativos de reserva estava aplicada em depósitos ou instrumentos do Estado, e as ações representavam, no máximo, cerca de 10% a 12%; durante a análise, o dinheiro foi depositado no Banco para a Agricultura e as Cooperativas Agrícolas.
Prakatsit afirmou também que 40% a 50% do financiamento anual apoia mecanismos governamentais e cerca de 30% apoia organizações não governamentais. São necessários dados institucionais pormenorizados para avaliar cada subvenção, beneficiário e resultado.
Ekkapob pede o escrutínio de cerca de 4000 projetos e dos principais beneficiários. Pairote contrapõe que a ThaiHealth publica informações sobre as subvenções, apresenta relatórios anuais ao Parlamento e dispõe de mecanismos de avaliação separados da gestão. Integrar o processo orçamental anual e estar sujeito a mecanismos de supervisão são questões diferentes; o debate deve distingui-las.
Salvaguardas, consulta e transição
As propostas vão desde manter a contribuição com controlos mais rigorosos até redirecionar pelo menos metade do orçamento da ThaiHealth para os serviços locais de saúde, como sugerido pelo Clube de Saúde Pública da Tailândia. Pongthep Wongwatcharapaiboon, responsável da ThaiHealth, propõe um montante mínimo anual de financiamento previsto na lei, equivalente a pelo menos 2% dos impostos especiais de consumo sobre o álcool e o tabaco, ou cerca de 4 mil milhões de baht, caso o mecanismo seja alterado.
O economista Nonnarit Pisloub propôs avaliações independentes, maior acesso para candidaturas a subvenções de qualidade e controlos sobre conflitos de interesses. A sua hipótese de que uma insuficiência de eficiência de 10% a 30% poderia ser corrigida foi um argumento de política pública, não uma constatação quantificada de desperdício da ThaiHealth. Somsak Chunharas, antigo vice-ministro da Saúde Pública, apelou igualmente a melhorias sem abandonar funções públicas necessárias.
A Rede Internacional de Fundações de Promoção da Saúde manifestou apoio à continuidade do investimento tailandês na prevenção, numa declaração datada de 13 de outubro de 2026. Criada em 2000, a rede tem nove membros efetivos de seis países e seis membros associados de cinco países, cabendo à ThaiHealth assegurar o seu secretariado. A rede identificou como elementos fundamentais do financiamento a previsibilidade dos recursos, a continuidade, a flexibilidade para inovar e a ligação entre os produtos nocivos e o financiamento da prevenção, a par de uma governação sólida.
A sequência indicada e as próximas datas são:
- De 30 de setembro a 14 de outubro de 2026: período de consulta pública do Parlamento sobre a alteração à ThaiHealth.
- 7 de outubro de 2026: Vichai manifestou publicamente oposição às alterações que abrangem as quatro instituições.
- 12 de outubro de 2026: realizou-se em Banguecoque a discussão sobre o financiamento da saúde.
- 13 de outubro de 2026: a rede internacional de fundações divulgou a sua declaração.
- 1 de outubro de 2027: possível data de entrada em vigor analisada em cenários de transição, não uma data estabelecida de legislação aprovada.
Os cenários de transição incluem a substituição integral do financiamento, dotações parciais, impostos especiais de consumo normais mais elevados, utilização temporária das reservas ou redução de responsabilidades. As estimativas sugerem que manter as atividades das quatro instituições poderia exigir entre 14 e 15 mil milhões de baht anuais no exercício de 2028. Não existe uma dotação final nem um resultado legislativo aprovado.
A distinção financeira é decisiva: abolir uma contribuição adicional não transfere automaticamente as receitas para a Tesouraria. Para manter essa receita, seria necessário criar uma cobrança fiscal substituta. Sem ela, as atividades em curso teriam de ser financiadas por receitas gerais, empréstimos, reservas ou cortes noutras áreas. A transição tem de definir tanto a fonte de receita como as modalidades de pagamento antes de terminar o financiamento atual.
Em suma
- A alteração proposta para a ThaiHealth substituiria a contribuição específica de 2% sobre o álcool e o tabaco por dotações anuais do Orçamento do Estado.
- As alterações relacionadas abrangem quatro instituições que recebem, em conjunto, cerca de 14 mil milhões de baht por ano.
- O porta-voz do Governo defende o controlo da Tesouraria e o escrutínio parlamentar; os opositores alertam para os riscos para a continuidade e a independência.
- O plano de ação oficial para o álcool reconhece o financiamento específico como um ponto forte e a insuficiência dos orçamentos comuns como uma fragilidade.
- A estimativa de benefício de 6,13 baht diz respeito a uma avaliação específica do controlo do álcool entre 2018 e 2022, não ao retorno total da fundação.
- Entre as alternativas contam-se avaliações independentes, limites de financiamento, divulgação pública e uma dotação mínima prevista na lei.
- Não estão definidas as receitas substitutas, as dotações finais nem uma data de entrada em vigor de legislação aprovada.






