De 184 por sete a uma vantagem na primeira entrada
Towhid Hridoy marcou 242 runs sem ser eliminado, em 359 bolas, no sábado, estabelecendo a pontuação individual mais alta do Bangladesh em Testes e transformando um colapso iminente numa vantagem de 30 runs na primeira entrada frente às Índias Ocidentais, em Sylhet. A disputar apenas o seu terceiro Teste, tornou-se no primeiro batedor do Bangladesh a converter o seu primeiro século em Testes num duplo século.
Índice
- De 184 por sete a uma vantagem na primeira entrada
- Uma manhã promissora transforma-se em colapso
- Um primeiro século sob pressão
- Taijul dá a Hridoy o tempo de que precisa
- O ataque continua contra a bola nova
- O duplo século torna-se recorde nacional
- Os recordes por detrás dos 242
- Como o terceiro dia mudou o jogo
- A recuperação, etapa a etapa
- Pontos-chave
O Bangladesh terminou com 386 runs em 111,5 overs, depois de ter ficado com 184 por sete, em resposta aos 356 das Índias Ocidentais. Como o abridor Shadman Islam não pôde bater devido a uma lesão no tornozelo, Hridoy ficou com apenas dois parceiros disponíveis. Ajudou a somar 202 runs com Taijul Islam e Taskin Ahmed antes de a entrada terminar.
As Índias Ocidentais chegaram aos sete runs sem perdas em quatro overs na segunda entrada, antes de a falta de luz interromper o jogo no terceiro dia. Continuavam a 23 runs de desvantagem, com Brandon King invicto com cinco e Joshua Da Silva com dois.
A entrada de Hridoy superou o recorde nacional de 219 invictos de Mushfiqur Rahim e incluiu 22 fours e 11 sixes. A sua contribuição representou 62,69% do total do Bangladesh. Mushfiqur, com 34, foi o segundo melhor marcador, mostrando até que ponto a recuperação dependeu de um único batedor.
Uma manhã promissora transforma-se em colapso
O Bangladesh retomou o terceiro dia com 88 por três, e Hridoy com 29 em 80 bolas. Ele e Mushfiqur começaram por avançar, aumentando a parceria para o quarto wicket até aos 78 runs, antes de o spinner canhoto Jomel Warrican conseguir um wicket.
Mushfiqur bateu uma bola com voo na direcção da zona de cover, onde Brandon King completou uma recepção em mergulho. Mushfiqur saiu por 34. Liton Das seguiu-se, com oito, depois de outra tentativa de drive contra Warrican ter encontrado King na zona de cover.
Mehidy Hasan Miraz marcou 16 antes de tentar um paddle sweep contra Roston Chase. Justin Greaves antecipou a jogada, deslocou-se desde a zona de slip e completou a recepção. Warrican eliminou depois Hasan Mahmud por um, com a revisão a confirmar um desvio para trás.
O Bangladesh perdeu quatro wickets durante a manhã e estava com 184 por sete. A ausência de Shadman significava que a entrada podia terminar com nove eliminações, em vez das dez habituais. As Índias Ocidentais ainda estavam 172 runs à frente, e Hridoy era o último batedor especialista disponível.
Um primeiro século sob pressão
Hridoy chegou ao seu primeiro meio século em Testes em 109 bolas e ao século em 171. Ao intervalo para almoço, estava invicto com 100, depois de acertar 11 fours e um six. O Bangladesh estava com 205 por sete, ainda 151 runs atrás.
Taijul tinha contribuído com um run em 14 bolas para uma parceria ininterrupta de 21. A sua tarefa imediata era manter-se na crease enquanto Hridoy encontrava formas de marcar. O Bangladesh somou 117 runs durante a manhã, mas as quatro eliminações deixaram as Índias Ocidentais no controlo.
Hridoy celebrou o século colocando o capacete no cabo do taco e erguendo-o. Foi um grande passo pessoal: estreara-se em Testes frente ao Zimbabué, em Junho, e marcara apenas 54 runs nos dois primeiros jogos.
O seu primeiro século também colocou ao alcance o recorde do Bangladesh de Mominul Haque. Mominul marcara 181 frente à Nova Zelândia, em Chattogram, em 2013, até então a pontuação mais alta de um batedor do Bangladesh no seu primeiro século em Testes.
Taijul dá a Hridoy o tempo de que precisa
Hridoy e Taijul somaram 117 runs em 167 bolas para o oitavo wicket. Taijul contribuiu com 22 em 56 bolas, mas a sua permanência na crease durante cerca de duas horas e 20 minutos deu espaço a Hridoy para atacar sem expor de imediato o último batedor disponível.
Foi a terceira parceria centenária do Bangladesh para o oitavo wicket e a segunda mais elevada. O recorde nacional continuava a ser os 144 runs somados por Mushfiqur e Mehidy frente ao Zimbabué, em 2018. Hridoy e Taijul tornaram-se também na primeira dupla a construir uma parceria centenária para o oitavo wicket num Teste em Sylhet.
As Índias Ocidentais tiveram oportunidades para interromper a recuperação. King deixou cair Taijul, enquanto Hridoy sobreviveu a uma revisão por decisão do árbitro. Este termo significa que a decisão inicial se mantém quando a previsão do seguimento da bola fica dentro da margem de incerteza do sistema de revisão.
Warrican acabou por eliminar Taijul por stumping, quando o batedor não conseguiu recolocar o pé atrás da crease. O Bangladesh estava com 301 por oito. A parceria reduzira a desvantagem de 172 para 55, deixando Hridoy e Taskin com uma diferença muito menor para recuperar.
O ataque continua contra a bola nova
Hridoy aumentou a pressão depois do almoço, recorrendo a pancadas para a fronteira para manter o marcador em movimento e tentar conservar o strike. Contra Chase, fez a bola passar a fronteira por cima da zona de square leg e somou depois mais sixes. Um uppercut contra Shamar Joseph foi outro sinal da crescente variedade do seu jogo de ataque.
As Índias Ocidentais pegaram na segunda bola nova assim que ficou disponível, depois de 80 overs. Uma bola nova é mais dura e pode dar aos lançadores rápidos mais movimento e ressalto. Taijul respondeu com boundaries contra Jayden Seales e Joseph, enquanto Hridoy marcou um four e um six a Seales num só over.
Seales atingiu Hridoy nas costelas com uma bola curta no 85.º over. Hridoy caiu com dores, mas depois bateu a bola seguinte para marcar runs. Chegou aos 150 em 235 bolas com um four frente a Joseph e continuou a aproximar o Bangladesh do total das Índias Ocidentais.
Ao intervalo para chá, o Bangladesh estava com 318 por oito, apenas 38 runs atrás. Hridoy chegara aos 190 em 289 bolas, com 18 fours e sete sixes. Taskin tinha um run, dando apoio enquanto Hridoy se aproximava de um marco nunca antes alcançado por um batedor do Bangladesh no seu primeiro século em Testes.
O duplo século torna-se recorde nacional
Hridoy chegou aos 200 em 304 bolas com um single frente a Warrican, no quarto over depois do intervalo para chá. A sua entrada incluía então 19 fours e sete sixes. Tornou-se no quarto jogador do Bangladesh a marcar um duplo século em Testes, juntando-se a Mushfiqur, Tamim Iqbal e Shakib Al Hasan.
Taskin continuava com um run quando Hridoy completou o duplo século. A parceria chegara aos 30 runs e viria a crescer até aos 85 em 121 bolas, levando o Bangladesh para lá dos 356 e à vantagem.
Hridoy continuou depois de atingir o marco, superando os 219 invictos de Mushfiqur frente ao Zimbabué, em Mirpur, em 2018. Terminou 23 runs acima desse anterior recorde nacional. Também ficaram para trás os 217 de Shakib frente à Nova Zelândia, em Wellington, em 2017, e os 206 de Tamim frente ao Paquistão, em Khulna, em 2015.
A eliminação de Taskin terminou a entrada, depois de este ter feito um pull que resultou num top edge contra Seales, sendo apanhado na zona de fine leg. Hridoy permaneceu invicto com 242, depois de conduzir as duas últimas parcerias disponíveis a um total conjunto de 202 runs.
Os recordes por detrás dos 242
Os 11 sixes de Hridoy estabeleceram um recorde do Bangladesh numa entrada de Testes, superando a anterior marca de sete de Tamim. Ficou a um do recorde mundial de 12, partilhado pelo paquistanês Wasim Akram e pelo indiano Yashasvi Jaiswal.
Os seus 22 fours renderam 88 runs e os 11 sixes mais 66. No conjunto, essas pancadas para a fronteira valeram 154 runs, um recorde do Bangladesh e quase 64% da sua pontuação individual. Os restantes 88 runs foram marcados correndo entre os wickets.
Hridoy marcou também 213 runs durante o dia, passando dos 29 com que terminara a noite para os 242. Superou por um run o recorde do Bangladesh de Shakib, que marcara 212 runs num só dia. O Bangladesh somou 298 runs durante o jogo de sábado, pelo que Hridoy contribuiu com mais de sete em cada dez.
Sylhet teve o seu primeiro duplo século em Testes. Hridoy superou o anterior recorde do recinto, de 171, estabelecido por Mahmudul Hasan Joy frente à Irlanda, e fixou a pontuação individual mais alta do Bangladesh em Testes contra as Índias Ocidentais. A sua entrada foi também o primeiro duplo século de um batedor do Bangladesh no Campeonato do Mundo de Testes.
Como o terceiro dia mudou o jogo
As Índias Ocidentais construíram a sua primeira entrada de 356 runs em torno dos 133 de Amir Jangoo, apoiados pelos 61 de Kevin Wickham e pelos 51 de Greaves. Hasan Mahmud liderou os lançadores do Bangladesh com seis wickets por 90 runs, mantendo os visitantes num total que o Bangladesh acabaria por superar.
Warrican foi o principal lançador das Índias Ocidentais durante a resposta do Bangladesh, terminando com quatro wickets por 104 runs. Os seus wickets da manhã tinham aproximado a equipa de uma vantagem substancial, mas os visitantes não conseguiram terminar a entrada antes de Hridoy lhe mudar o rumo.
A posição do Bangladesh mudou em 202 runs a partir da queda do sétimo wicket: uma desvantagem de 172 transformou-se numa vantagem de 30. Ao final do dia, as Índias Ocidentais tinham reduzido essa vantagem para 23, sem perder wickets. O jogo permanecia por decidir, com o Bangladesh à procura de wickets e os visitantes a tentar construir a sua própria vantagem.
A lesão no tornozelo de Shadman, sofrida quando estava a defender na sexta-feira, já tinha encurtado a primeira entrada do Bangladesh. Ainda não estava confirmado se poderia bater mais tarde no jogo.
A recuperação, etapa a etapa
A entrada de Hridoy prolongou-se pelo segundo e terceiro dias, mas a maioria dos runs foi marcada durante a recuperação de sábado. As etapas principais mostram como o equilíbrio se foi alterando gradualmente até o Bangladesh passar para a frente.
- Segundo dia: Hridoy começou a sua entrada, e o Bangladesh terminou com 88 por três, com ele invicto com 29.
- Manhã do terceiro dia: o Bangladesh caiu para 184 por sete, sem Shadman disponível para bater.
- Almoço: Hridoy estava invicto com 100 em 171 bolas; o Bangladesh tinha 205 por sete, a 151 runs de distância.
- Chá: Hridoy chegara aos 190, e o Bangladesh estava com 318 por oito, a 38 runs de distância.
- Depois do chá: Hridoy completou 200 em 304 bolas antes de avançar até aos 242 invictos.
- Final do dia: o Bangladesh somara 386, e as Índias Ocidentais estavam com sete sem perdas, ainda a 23 runs de distância.
O segundo centenar de Hridoy demorou 133 bolas, em comparação com as 171 do primeiro. Depois, somou mais 42 runs em 55 bolas. Essa aceleração, apoiada pela permanência de Taijul e Taskin na crease, permitiu ao Bangladesh passar da mera sobrevivência para uma vantagem estreita.
Pontos-chave
- Towhid Hridoy terminou invicto com 242 em 359 bolas, a pontuação individual mais alta do Bangladesh em Testes.
- Tornou-se no primeiro batedor do Bangladesh a converter o seu primeiro século em Testes num duplo século.
- O Bangladesh recuperou de 184 por sete para 386, conquistando uma vantagem de 30 runs na primeira entrada.
- Hridoy construiu parcerias de 117 runs com Taijul Islam e 85 com Taskin Ahmed.
- A sua entrada incluiu 22 fours e um recorde do Bangladesh de 11 sixes.
- As Índias Ocidentais terminaram o terceiro dia com sete runs sem perdas, a 23 de distância, depois de a falta de luz ter interrompido o jogo.






