Mudança na equipa técnica quatro dias antes do teste em Mirpur
O Bangladesh afastou Mohammad Ashraful do cargo de treinador de batimento da seleção masculina quatro dias antes do primeiro teste contra as Índias Ocidentais, escolhendo o treinador principal da unidade de Alto Rendimento, Mohammad Salahuddin, para orientar um setor de batimento cujas entradas recentes terminaram com totais de 64, 95 e 160 corridas.
Índice
- Mudança na equipa técnica quatro dias antes do teste em Mirpur
- Uma sessão de treino, depois o aviso do afastamento
- O que acontece ao contrato?
- Salahuddin regressa a uma função conhecida
- Os resultados no batimento que estiveram na origem da pressão
- Um mandato que também trouxe vitórias importantes
- Como se desenrolou a mudança
- O legado de Ashraful como jogador e a passagem à equipa técnica
- O que muda para a série contra as Índias Ocidentais?
- Pontos principais
O Bangladesh Cricket Board anunciou a mudança no sábado, 24 de outubro de 2026. Salahuddin assumirá o cargo interinamente, começando pelos dois testes contra as Índias Ocidentais. O primeiro começa na quarta-feira, 28 de outubro, no Sher-e-Bangla National Cricket Stadium, em Mirpur.
Ashraful, antigo capitão do Bangladesh que começou a trabalhar com a seleção em novembro de 2025, receberá outra função no seio da federação. O BCB agradeceu-lhe o contributo e o empenho, mas não identificou o novo cargo nem apresentou uma explicação detalhada para o afastamento da seleção.
A decisão surge após um período de resultados mistos: o Bangladesh venceu cinco dos oito testes disputados durante o seu mandato e conseguiu importantes vitórias em séries de ODI, mas os colapsos repetidos na ordem de batimento suscitaram críticas crescentes. Salahuddin herda agora a tarefa imediata de preparar os batedores para a série contra as Índias Ocidentais, enquanto a federação pondera uma nomeação permanente.
Uma sessão de treino, depois o aviso do afastamento
Ashraful ainda trabalhava com os jogadores da seleção numa sessão de treino facultativa no campo da National Cricket Academy, em Mirpur, na manhã de sábado. Nessa tarde, Shahriar Nafees, responsável pelas operações de críquete do BCB, comunicou-lhe a decisão.
Ashraful confirmou que tinha deixado de trabalhar com a seleção e afirmou:
Sim, já não trabalho com a seleção.
Também descreveu a sua situação imediata:
Estou à espera da minha próxima função.
Asif Rabbani, presidente da comissão de comunicação social do BCB, confirmou que Ashraful deixaria de integrar a estrutura da seleção. A federação anunciou formalmente a mudança num comunicado divulgado na noite de sábado.
O que acontece ao contrato?
Nafees afirmou que o contrato de Ashraful com o BCB é válido até fevereiro de 2027; o relato inicial da mudança referia uma extensão até ao Campeonato do Mundo de ODI de 2027, previsto para outubro e novembro. Fevereiro é a data de termo indicada diretamente pelo responsável pelas operações de críquete da federação.
Ashraful começou por ser nomeado treinador de batimento a tempo parcial para a série em casa contra a Irlanda, em novembro de 2025. Mais tarde, em março de 2026, assumiu o cargo de treinador de batimento, depois de a federação decidir mantê-lo.
O anúncio da federação mantém-no no BCB, em vez de pôr termo imediato à sua relação laboral. A saída da seleção altera, portanto, as suas funções com efeitos imediatos, enquanto o período restante do contrato diz respeito à continuação do seu trabalho para a federação.
Salahuddin regressa a uma função conhecida
Salahuddin deixa o cargo de treinador principal da unidade de Alto Rendimento do BCB para assumir a função. Anteriormente, foi treinador adjunto da seleção e acompanhou o trabalho dos seus batedores, antes de Ashraful o substituir.
A sua nomeação devolve a função a um treinador já familiarizado com o setor de batimento da seleção. Trabalhará com jogadores como Litton Das e Mushfiqur Rahim durante a série contra as Índias Ocidentais e permanecerá no cargo até a federação nomear um substituto permanente.
A unidade de Alto Rendimento prepara os jogadores para as exigências dos escalões superiores do críquete. A passagem do seu treinador principal para a seleção permite ao Bangladesh recorrer a um membro já integrado na estrutura técnica para gerir a transição imediata, a poucos dias do primeiro teste.
A federação está a considerar treinadores estrangeiros para o cargo permanente. Um responsável do BCB afirmou que estão em curso conversações com possíveis candidatos, e espera-se que a decisão seja tomada depois da série contra as Índias Ocidentais. Não foi anunciada uma data para a nomeação.
Os resultados no batimento que estiveram na origem da pressão
Os resultados recentes do Bangladesh ajudam a perceber por que razão o setor de batimento foi alvo de escrutínio. Na Austrália, a equipa somou 426 corridas na primeira entrada do teste inaugural e venceu em Darwin. No segundo teste, em Mackay, o Bangladesh foi eliminado por 64 e 95 corridas, perdendo em menos de dois dias.
Essas duas entradas completas renderam apenas 159 corridas no total, contra 426 numa única entrada no teste anterior. O contraste ilustra as oscilações acentuadas de rendimento que Salahuddin terá de corrigir.
O Bangladesh também teve dificuldades na série triangular de ODI nos Emirados Árabes Unidos. Na perseguição de um alvo de 271 corridas contra o Zimbabwe, a equipa terminou com 172, ficando a 99 corridas da meta. Frente ao Afeganistão, o Bangladesh foi eliminado por 160. O torneio terminou com uma derrota frente ao Afeganistão na final.
Um alvo é o total que uma equipa tem de alcançar para vencer quando bate em segundo lugar. Ser eliminada significa que perdeu os 10 postigos disponíveis. Na prática, os batedores do Bangladesh ficaram repetidamente sem postigos antes de marcarem corridas suficientes para manter a equipa na luta.
As críticas também se seguiram ao fraco desempenho no batimento durante a digressão ao Zimbabwe, onde o Bangladesh perdeu o único teste e a série de ODI, e nos Jogos Asiáticos, no Japão. As falhas recentes no batimento foram apontadas como a principal causa da pressão que levou ao afastamento de Ashraful, embora o comunicado da federação não tenha apresentado essa explicação.
Um mandato que também trouxe vitórias importantes
Os resultados do Bangladesh sob a orientação de Ashraful incluíram sucessos consideráveis. A equipa venceu cinco dos oito testes, empatou um e perdeu dois, o que corresponde a uma percentagem de vitórias de 62,5% nos testes durante o seu mandato.
O Bangladesh venceu a Irlanda por 2-0 e derrotou o Paquistão pelo mesmo resultado em maio. Mushfiqur Rahim foi eleito jogador da série contra o Paquistão, depois de marcar 253 corridas, incluindo o seu 14.º século em testes, um recorde nacional.
Um século é uma pontuação individual de pelo menos 100 corridas numa entrada. Os jogadores do Bangladesh marcaram 11 séculos em 34 encontros internacionais entre novembro de 2025 e outubro de 2026, mostrando que o setor de batimento também produziu grandes contribuições individuais, apesar dos colapsos.
No críquete de ODI, o Bangladesh derrotou o Paquistão por 2-1 em março e a Austrália pelo mesmo resultado em junho. A vitória sobre a Austrália foi a primeira do Bangladesh numa série masculina de ODI contra esse adversário. Durante o mandato de Ashraful, o Bangladesh também venceu uma série de ODI em casa contra a Nova Zelândia.
A série de testes na Austrália terminou empatada a 1-1 em agosto, com a vitória em Darwin seguida pela pesada derrota em Mackay. O Bangladesh subiu também ao quarto lugar na classificação atual do Campeonato do Mundo de Testes. Esta competição ordena as seleções participantes com base nos resultados em testes ao longo de um ciclo.
O sucesso foi menos consistente no formato internacional mais curto. A Austrália venceu a série de T20I por 3-0 em junho. No conjunto, os resultados deixam Salahuddin com um grupo de batedores que recentemente ajudou a derrotar adversários de peso, mas também sofreu vários colapsos graves.
Como se desenrolou a mudança
A passagem de Ashraful de uma função temporária para uma nomeação de maior duração, seguida do seu afastamento antes de outra série em casa, ocorreu em menos de um ano.
- Novembro de 2025: Ashraful começou a trabalhar como treinador de batimento na série em casa contra a Irlanda, inicialmente a tempo parcial.
- Março de 2026: Foi nomeado treinador de batimento, depois de o BCB decidir mantê-lo na seleção.
- Maio e junho de 2026: O Bangladesh venceu a série de testes contra o Paquistão sem perder nenhum encontro e conseguiu a sua primeira vitória numa série masculina de ODI contra a Austrália.
- Agosto de 2026: O Bangladesh empatou a série de testes na Austrália, 1-1, vencendo em Darwin antes de perder por larga margem em Mackay.
- 24 de outubro de 2026: O BCB comunicou a Ashraful o seu afastamento e anunciou Salahuddin como treinador de batimento interino.
- 28 de outubro de 2026: O Bangladesh deverá disputar em Mirpur o primeiro de dois testes contra as Índias Ocidentais.
O curto intervalo entre as duas últimas datas coloca a passagem de testemunho na equipa técnica no meio da preparação para o próximo encontro internacional.
O legado de Ashraful como jogador e a passagem à equipa técnica
Ashraful iniciou a carreira de treinador com um dos percursos mais reconhecidos do críquete do Bangladesh. Disputou 177 encontros de ODI, nos quais marcou 3468 corridas, além de 61 testes e 23 T20I.
Tornou-se o jogador mais jovem a marcar um século num teste. Aos 20 anos, também marcou o século decisivo na célebre vitória do Bangladesh sobre a Austrália, em 2005, um dos resultados internacionais mais marcantes do país.
Mais tarde, a sua carreira incluiu uma longa suspensão das atividades relacionadas com o críquete do BCB, em 2013, por viciação de resultados na Bangladesh Premier League. Regressou ao críquete três anos depois e acabou por passar para a equipa técnica.
A decisão mais recente volta a mudar o rumo da sua carreira como treinador. As suas funções na seleção terminaram, mas o BCB comprometeu-se a atribuir-lhe trabalho noutra área da sua estrutura.
O que muda para a série contra as Índias Ocidentais?
Salahuddin passa a ser responsável pela preparação do batimento da seleção para os dois testes. O desafio imediato é ajudar o Bangladesh a produzir entradas mais consistentes, depois de uma sequência que vai das 426 corridas em Darwin às eliminações consecutivas por 64 e 95 em Mackay.
O formato é importante para essa tarefa. Os testes podem durar até cinco dias e, regra geral, permitem duas entradas a cada equipa. Os batedores têm de equilibrar a marcação de corridas com a preservação dos postigos, muitas vezes durante longos períodos frente ao mesmo ataque de lançamento. As vitórias recentes do Bangladesh em testes dão a Salahuddin desempenhos bem-sucedidos em que se pode apoiar, enquanto os colapsos mostram onde a preparação não resultou nos jogos.
Para o BCB, a próxima decisão sobre a equipa técnica será a nomeação permanente para o cargo de treinador de batimento, depois da série contra as Índias Ocidentais. Para Ashraful, será a função na federação que aguarda. O primeiro teste desportivo vem antes, quando o Bangladesh entrar em campo em Mirpur, a 28 de outubro.
Pontos principais
- O BCB afastou Mohammad Ashraful do cargo de treinador de batimento da seleção a 24 de outubro, quatro dias antes do primeiro teste contra as Índias Ocidentais.
- Mohammad Salahuddin, treinador principal da unidade de Alto Rendimento, assume interinamente até ser feita uma nomeação permanente.
- Ashraful passará a desempenhar outra função no BCB. Shahriar Nafees, responsável pelas operações de críquete, afirmou que o contrato termina em fevereiro de 2027.
- O Bangladesh venceu cinco dos oito testes durante o mandato de Ashraful, mas os colapsos recentes no batimento suscitaram críticas crescentes.
- Os dois testes contra as Índias Ocidentais começam em Mirpur a 28 de outubro.






