Um abrigo de 1 crore de takas para uma ilha com necessidades muito maiores
A Bidyanondo Foundation abriu um abrigo permanente na ilha de St Martin, no Bangladesh, por um custo de 1 crore de takas, disponibilizando alimentação, cuidados veterinários e esterilização num local onde os residentes estimam que mais de 4.000 cães vadios disputam cuidados escassos. A inauguração oficial teve lugar a 1 de novembro de 2026, com a presença do fundador e presidente da fundação, Kishor Kumar Das.
Índice
- Um abrigo de 1 crore de takas para uma ilha com necessidades muito maiores
- Porque é que a perda de turistas também significou a perda de alimento
- Como serão usados os 240 lugares do abrigo
- A esterilização responde à pressão das ninhadas sucessivas
- O que propunha o projeto de plano do Governo
- Proteger a vida selvagem e cuidar dos cães
- As datas do abrigo e do debate sobre as políticas
- O contributo de residentes e voluntários
- Principais pontos
O abrigo tem 20 unidades, cada uma com capacidade para até 12 cães, e dois veterinários responsáveis pela supervisão dos cuidados médicos. A capacidade de cerca de 240 animais corresponde a aproximadamente 6% de uma população de 4.000. O trabalho dependerá, por isso, do tratamento dos cães e do regresso à ilha dos animais saudáveis, enquanto os que precisarem de mais cuidados permanecerão no abrigo.
A abertura liga dois problemas que se tornaram estreitamente associados na única ilha de coral do Bangladesh: o sofrimento dos animais e a pressão sobre um ambiente frágil. Os cães dependiam em grande medida dos restos de comida deitados fora pelos negócios ligados ao turismo. As restrições destinadas a proteger a ilha reduziram essa oferta, deixando os animais com dificuldades em encontrar alimento suficiente.
A iniciativa da fundação surge também no contexto de um projeto de plano diretor do Governo, descrito em novembro de 2025. Esse plano propunha esterilização, vacinação, levantamentos e controlos à entrada de novos animais de companhia na ilha, além de medidas mais abrangentes para proteger a biodiversidade. O abrigo oferece agora um espaço permanente onde parte desse trabalho pode ser realizada, embora as necessidades ultrapassem largamente a sua capacidade de alojamento.
Porque é que a perda de turistas também significou a perda de alimento
Mohammad Jamal Uddin, membro da direção da Bidyanondo Foundation, descreveu a estreita dependência entre o abastecimento alimentar dos cães e os visitantes e negócios que os serviam:
Durante anos, os cães de St Martin viveram sobretudo dos restos deixados pelos turistas, hotéis e restaurantes que enchiam a ilha. Quando o Governo restringiu o turismo para proteger a única ilha de coral do Bangladesh, com o desaparecimento das multidões desapareceu também o alimento.
O projeto de plano diretor do Governo identificou a mesma dependência dos restos de comida. Durante a época turística, os hotéis e restaurantes produzem mais sobras. Fora dessa época, a oferta diminui. Para os cães que vivem na rua, a mudança pode significar fome, subnutrição e menos capacidade para recuperar de doenças ou ferimentos.
Os residentes também enfrentam dificuldades para cuidar de milhares de animais com recursos limitados. A alimentação é apenas uma parte do problema. Os cães doentes precisam de assistência veterinária, os animais feridos precisam de um lugar para recuperar e as ninhadas sucessivas aumentam o número de animais que necessitam de apoio.
Das afirmou que o estado de abandono dos cães e os casos em que vários foram mortos com extrema crueldade ajudaram a impulsionar o projeto do abrigo. O seu objetivo era criar cuidados contínuos, em vez de depender de distribuições ocasionais de alimentos ou de assistência médica temporária.
Como serão usados os 240 lugares do abrigo
Os cães resgatados da rua receberão tratamento e serão esterilizados nas instalações. Os animais doentes ou feridos que necessitem de cuidados adicionais ficarão no abrigo. Após receberem cuidados, os cães saudáveis serão devolvidos à ilha.
Esta abordagem transforma o abrigo num centro de tratamento e recuperação, além de alojamento. Um cão que precise de uma recuperação mais longa pode ocupar um lugar até melhorar, enquanto outro poderá necessitar de uma estadia mais curta. O número de animais ajudados ao longo do tempo dependerá da rapidez com que recuperam e da quantidade de tratamentos que a equipa veterinária consegue prestar.
Dois veterinários supervisionam os cuidados médicos nas 20 unidades. Os relatos da inauguração não indicam quantos cães já foram admitidos, quantas operações foram realizadas, quais são os tempos médios de recuperação nem qual é o orçamento de funcionamento contínuo. Estes dados serão necessários para avaliar a quantidade de cuidados prestados pelo abrigo para além da sua capacidade física.
O custo de construção, de 1 crore de takas, equivale a 10 milhões de takas. Manter o abrigo em funcionamento exigirá despesas contínuas com alimentação, medicamentos, pessoal veterinário e manutenção. Os responsáveis pelo projeto apontam o financiamento regular e a disponibilidade de profissionais veterinários como condições para obter resultados duradouros.
A esterilização responde à pressão das ninhadas sucessivas
Jessica Maria, voluntária do Peru, descreveu as ninhadas frequentes como uma das principais razões para o crescimento da população canina. Destacou também a presença de tumores e doenças de pele nos animais, sublinhando a necessidade de tratamento, além dos esforços para evitar mais nascimentos.
A esterilização é uma operação que impede um animal de se reproduzir. No caso das cadelas, impede futuras gravidezes. O seu efeito na população demora a fazer-se sentir: nascem menos cachorros, mas os cães que já vivem na ilha continuam a precisar de alimento, abrigo e cuidados médicos.
A fundação pretende combinar estas duas tarefas. Tratar um cão doente responde a um sofrimento imediato. Esterilizar os cães reduz o número de futuras ninhadas que disputam os mesmos recursos limitados. Um programa centrado apenas numa das tarefas deixaria a outra necessidade por resolver.
A voluntária alemã identificada como Jolpia descreveu a chegada de animais doentes, retirados da rua, para tratamento e recuperação. Afirmou que o trabalho tem de prosseguir animal a animal, embora os problemas da ilha não possam ser resolvidos de uma só vez. O seu relato também evidencia as exigências práticas do abrigo: cada resgate requer cuidados, espaço e tempo da equipa.
O que propunha o projeto de plano do Governo
O projeto de plano diretor do Ministério do Ambiente, das Florestas e das Alterações Climáticas, descrito em novembro de 2025, estimava que St Martin tinha entre 3.300 e 4.500 cães sem dono, dos quais cerca de 27% já estavam esterilizados. Os residentes que falaram na inauguração do abrigo estimaram que a população ultrapassava os 4.000, enquanto outros relatos da abertura a situaram ligeiramente abaixo desse valor. A cobertura de novembro de 2025 também referiu uma estimativa de cerca de 7.000, fora da descrição do projeto, pelo que não existe um número único consensual para a população.
O projeto registava que aproximadamente 1.917 cães tinham sido vacinados. A vacinação e a esterilização têm objetivos diferentes: a vacinação protege contra determinadas doenças, enquanto a esterilização impede a reprodução. Ambas estavam incluídas no programa proposto para a ilha.
O plano estabelecia como metas a esterilização de 90% dos cães durante 2025, a esterilização de todas as cadelas até 2026 e o controlo total da população até 2030, além do objetivo de esterilizar todos os cães até esse último ano. Estas eram metas propostas. Os dados divulgados com a inauguração do abrigo não incluíam resultados atualizados que mostrassem os progressos do programa governamental.
O plano diretor mais abrangente incluía 26 projetos, com um custo total estimado de 547,9 mil milhões de takas. Esse valor abrangia o programa geral para a ilha, e não apenas o abrigo para cães ou a gestão da população canina. Entre as medidas propostas para os animais estavam levantamentos populacionais, alimentação regulamentada, restrições à entrada de novos animais de companhia, esterilização de cães domésticos e sensibilização pública para o cuidado e a segurança dos animais.
Proteger a vida selvagem e cuidar dos cães
O projeto de plano descrevia riscos para a vida selvagem, os residentes, os visitantes e os próprios cães. Identificava ataques a ovos e crias de tartaruga, mordeduras de cães a pessoas, preocupações com a raiva e outras doenças, bem como receios que podem perturbar as deslocações quotidianas na ilha.
O bem-estar animal era outra das dimensões da avaliação do Governo. O projeto referia cães que passam fome fora da época turística, além de doenças, ferimentos e subnutrição. O desafio consiste, por isso, em reduzir a pressão sobre a vida selvagem e as pessoas, assegurando ao mesmo tempo cuidados humanitários aos animais que já vivem na ilha.
A esterilização pode reduzir os nascimentos futuros, mas os animais devolvidos à ilha continuarão a precisar de alimento e a partilhar espaço com pessoas e animais selvagens. O programa de tratamento do abrigo complementa as tarefas mais abrangentes identificadas no projeto, incluindo a gestão dos resíduos e da alimentação, a vacinação e a monitorização da população.
O advogado Rabab Chowdhury, diretor de projeto da People for Animal Welfare Foundation, questionou se seria viável esterilizar todos os cães da ilha. Defendeu que era possível controlar a população, mas manifestou preocupações quanto à escala da intervenção proposta e aos seus efeitos sobre a população canina futura. Os seus comentários mostram por que motivo o alcance e os objetivos do programa se tornaram objeto de debate.
As datas do abrigo e do debate sobre as políticas
A abertura do abrigo ocorreu na sequência de um processo de planeamento governamental que se tornara público mais de um ano antes. As principais datas assinalam a passagem de propostas para a conservação da ilha à criação de instalações permanentes para o cuidado dos animais:
- 22 de janeiro de 2025: A conselheira para o Ambiente, Syeda Rizwana Hasan, anunciou planos para elaborar um plano diretor destinado a conservar e melhorar o ambiente e a biodiversidade da ilha, com coordenação entre o Governo e organizações não governamentais.
- 29 de novembro de 2025: Foram divulgados publicamente pormenores do projeto de plano diretor, incluindo estimativas da população canina, dados de vacinação e metas de esterilização.
- 20 de dezembro de 2025: Prazo para a apresentação de comentários escritos do público sobre o projeto de plano.
- 1 de novembro de 2026: A Bidyanondo Foundation inaugurou oficialmente o abrigo permanente para cães.
- 2026: Ano proposto para concluir a esterilização de todas as cadelas.
- 2030: Ano previsto para o controlo total da população canina e a cobertura integral da esterilização.
Dr. Fahmida Khanam, secretária-adjunta do Ministério do Ambiente, afirmou durante a consulta sobre o projeto que proteger a rara biodiversidade da ilha era uma responsabilidade do Estado. Explicou que o público podia apresentar as suas opiniões e que o plano diretor seria finalizado com base nesses comentários.
O abrigo acrescenta um espaço de cuidados práticos a esse debate sobre políticas. A coordenação com os programas governamentais de esterilização será importante, uma vez que as instalações da fundação e o programa público se destinam à mesma população da ilha.
O contributo de residentes e voluntários
Jamal Uddin incentivou os habitantes da ilha, os visitantes e os amantes dos animais a visitarem o abrigo durante a época turística, conhecerem as instalações e observarem os cuidados prestados. A fundação também está a recolher opiniões sobre o que está a funcionar, o que precisa de ser melhorado e onde é mais necessário prestar apoio.
Voluntários da Alemanha e do Peru já se juntaram à iniciativa. A sua participação reforça o trabalho do abrigo, mas a necessidade contínua de pessoal veterinário qualificado continua a ser fundamental para o tratamento e a esterilização. O apoio dos residentes também será importante para localizar animais doentes e manter uma gestão humanitária para além das instalações do abrigo.
As instalações oferecem aos cães feridos e doentes um lugar para recuperarem, mas a maioria dos cães da ilha continuará a viver fora do abrigo. O contributo da estrutura dependerá da continuidade dos tratamentos, da disponibilidade de espaço suficiente para a recuperação, da redução de novas ninhadas e da cooperação com o programa público mais abrangente. São estes os elos práticos entre um abrigo para 240 animais e uma população insular que se conta aos milhares.
Principais pontos
- A Bidyanondo Foundation inaugurou o abrigo para cães da ilha de St Martin a 1 de novembro de 2026, por um custo de 1 crore de takas.
- As instalações têm 20 unidades, capacidade para cerca de 240 cães e dois veterinários responsáveis pela supervisão dos cuidados.
- Os cães doentes e feridos permanecerão no abrigo para receber tratamento adicional; após os cuidados, os animais saudáveis serão devolvidos à ilha.
- Os residentes estimam que vivem na ilha mais de 4.000 cães vadios, que perderam acesso a restos de comida devido à redução do turismo.
- Um projeto de plano do Governo propunha vacinação, esterilização, levantamentos e outras medidas de controlo, com metas que se prolongam até 2030.
- O financiamento contínuo, a disponibilidade de pessoal veterinário, a coordenação com o Governo e o apoio da comunidade determinarão quantos animais o abrigo poderá ajudar.






