Mapas meteorológicos levam à retirada de telemóveis das lojas
Retalhistas vietnamitas de telemóveis começaram a retirar da exposição, por volta do meio-dia de 4 de novembro, smartphones de várias marcas chinesas, depois de mapas meteorológicos apresentarem informações sobre os arquipélagos das Paracel e das Spratly que o Vietname considera incompatíveis com as suas reivindicações de soberania. A verificação abrangeu equipamentos da Oppo, vivo, Xiaomi, Honor, Meizu, Tecno, Nubia e Huawei.
Índice
- Mapas meteorológicos levam à retirada de telemóveis das lojas
- O que os retalhistas retiraram e porquê
- Como uma aplicação meteorológica se tornou uma questão de soberania
- Porque podem diferentes telemóveis apresentar informações diferentes
- Fabricantes suspendem serviços e preparam atualizações
- Do início das retiradas ao regresso previsto
- O que a interrupção significa para os clientes
- Principais pontos
Representantes de duas das quatro maiores cadeias de retalho do Vietname confirmaram as retiradas. Uma nota interna urgente, que circulou na Internet, instruiu os funcionários a retirar os telemóveis de exposição, guardar em armazém o stock comercial e os equipamentos usados e suspender a compra de telemóveis usados a clientes. A publicidade relacionada também foi retirada das lojas.
O problema foi associado aos mapas acessíveis através dos serviços meteorológicos da AccuWeather. As pesquisas pelas ilhas Paracel, conhecidas no Vietname como Hoang Sa, e pelas ilhas Spratly, conhecidas como Truong Sa, apresentavam informações de soberania contestadas pelo Vietname. Informações semelhantes também surgiam no sítio da AccuWeather.
Os fabricantes começaram a preparar alterações ao software nessa tarde. Um deles afirmou que os engenheiros tinham concluído uma atualização da aplicação em poucas horas, enquanto a Xiaomi previa disponibilizar uma atualização a 5 de novembro. Inicialmente, representantes do retalho esperavam voltar a expor os telemóveis durante a semana, tendo um deles sugerido que a atividade normal poderia ser retomada dentro de um ou dois dias.
As retiradas mostram como um serviço integrado numa aplicação quotidiana de um telemóvel pode interromper as vendas em várias marcas. Os clientes à procura de um telemóvel novo, quem pretendia comprar um equipamento usado e os proprietários que queriam vender o seu telemóvel a um retalhista foram todos afetados enquanto as lojas verificavam o software.
O que os retalhistas retiraram e porquê
As instruções internas iam além de desligar os ecrãs de demonstração. Os funcionários foram instruídos a retirar das mesas de exposição os equipamentos das marcas afetadas e a guardá-los até novas indicações. As instruções abrangiam também o stock de equipamentos usados e suspendiam temporariamente a recompra desses telemóveis aos clientes.
Um representante de um grande retalhista de Ho Chi Minh descreveu a revisão dos seus produtos e a retirada dos equipamentos que apresentavam as informações contestadas. A empresa planeava voltar a expô-los e vendê-los depois de os fabricantes concluírem as correções.
A 5 de novembro, um representante da Thế Giới Di Động afirmou que a empresa tinha contactado prontamente os fabricantes em causa, após tomar conhecimento do problema com a apresentação dos mapas em alguns telemóveis, solicitando a verificação e as medidas corretivas necessárias. Tinha recebido respostas oficiais por escrito dos fabricantes dos equipamentos afetados, confirmando que o problema estava resolvido.
A Di Động Việt afirmou que tinha verificado todos os telemóveis de demonstração nas suas lojas e trabalhado diretamente com cada fabricante. Depois de os fabricantes confirmarem as atualizações de software e a correção integral do problema com os dados, a empresa afirmou que os telemóveis chineses tinham voltado a estar expostos. Não indicou uma data concreta para o regresso nem para a retoma das vendas.
Assim, a dimensão das medidas dependia, em parte, de cada retalhista: a nota divulgada apelava a uma ação abrangente por marca, enquanto o retalhista de Ho Chi Minh descreveu a retirada dos produtos nos quais tinha sido detetado o problema de apresentação. A Huawei constava da lista mais ampla de marcas afetadas, a par das identificadas no relato inicial.
Nem todos os equipamentos das marcas mencionadas foram afetados. Não foi divulgada uma lista completa dos modelos afetados, do número de equipamentos ou de datas confirmadas para a reposição. Para os clientes, a disponibilidade imediata dependia das verificações feitas por cada loja e da decisão sobre quando os produtos corrigidos poderiam voltar a estar disponíveis.
Como uma aplicação meteorológica se tornou uma questão de soberania
A AccuWeather foi identificada como a origem das informações geográficas contestadas nas aplicações meteorológicas de alguns telemóveis vendidos a nível internacional. O problema surgia quando os utilizadores pesquisavam os arquipélagos num mapa. Os mapas meteorológicos também podem apresentar informações como a precipitação em zonas específicas, tornando os nomes geográficos parte de um serviço de previsão utilizado no dia a dia.
Hoang Tung, representante de um importador de telemóveis, apontou a aplicação meteorológica como possível origem do problema. A sua explicação centrou-se no mapa apresentado quando os utilizadores consultavam as previsões de precipitação para diferentes locais.
Os arquipélagos das Paracel e das Spratly situam-se no mar do Sul da China, que o Vietname designa por mar do Leste. O Vietname reivindica a soberania sobre ambos os arquipélagos, e as reivindicações territoriais concorrentes tornam politicamente sensíveis os seus nomes e a atribuição de soberania. Assim, um serviço meteorológico que apresente um local como pertencendo a determinado país pode desencadear uma polémica que vai muito além da previsão meteorológica.
A presença de informações semelhantes no sítio da AccuWeather alargou o problema para lá do ecrã de um único telemóvel. Os fabricantes e os retalhistas tiveram, por isso, de considerar tanto as aplicações instaladas nos telemóveis como as informações em linha a que estas acediam.
Porque podem diferentes telemóveis apresentar informações diferentes
A aplicação meteorológica predefinida de um telemóvel pode combinar software do fabricante com previsões, informações de localização e mapas fornecidos por empresas externas. A aplicação visível no ecrã inicial é, portanto, apenas uma parte do serviço. Alguns dos conteúdos são obtidos através da Internet quando o utilizador abre a aplicação.
As aplicações meteorológicas dos smartphones chineses podem recorrer a diferentes fornecedores de dados, consoante a versão do software e o país onde o telemóvel é utilizado. Um equipamento com software destinado à China continental pode utilizar serviços diferentes dos de um equipamento semelhante com software destinado aos mercados internacionais.
O pacote de software instalado num telemóvel é frequentemente designado por ROM. Neste contexto, o termo refere-se ao sistema operativo e ao software associado, configurados para o equipamento. Assim, dois telemóveis da mesma marca podem ter comportamentos diferentes se tiverem pacotes de software ou definições regionais distintos.
Uma aplicação Google Maps independente também tem uma função diferente da do mapa integrado num serviço meteorológico. Abrir a aplicação de navegação e abrir um mapa de precipitação pode implicar a utilização de fornecedores de dados diferentes. Para corrigir a apresentação meteorológica, é necessário atuar sobre o serviço utilizado por essa aplicação.
Fabricantes suspendem serviços e preparam atualizações
Um fabricante chinês de telemóveis afirmou que as suas verificações apontavam para determinados serviços em linha fornecidos por terceiros, e não para conteúdos fornecidos diretamente pela empresa. Disse estar a trabalhar com as partes envolvidas, a suspender temporariamente os serviços afetados e a procurar uma solução rápida.
Um representante de outro fabricante afirmou que os engenheiros concluíram a atualização de uma aplicação em poucas horas, a 4 de novembro, e aguardavam que esta ficasse disponível na loja de aplicações. Um representante de marketing confirmou também a coordenação com outras partes e a disponibilização de uma atualização corretiva.
A Xiaomi afirmou estar a acelerar as alterações à sua aplicação e previa disponibilizar uma atualização no dia seguinte, 5 de novembro. As respostas indicam que os fabricantes se encontravam em diferentes fases de preparação e distribuição das correções.
Posteriormente, a Xiaomi afirmou ter concluído uma revisão abrangente das aplicações do sistema e dos serviços pré-instalados nos equipamentos distribuídos oficialmente no Vietname, resolvendo o problema comunicado com a apresentação dos mapas na aplicação meteorológica. A empresa afirmou que todos os produtos legalmente importados e distribuídos oficialmente cumpriam integralmente a legislação vietnamita.
Algumas correções estavam a ser preparadas como atualizações OTA. OTA significa «over the air»: o software é disponibilizado através de uma ligação à Internet, permitindo que o telemóvel receba alterações sem estar ligado ao computador de um técnico. Outras correções poderiam chegar sob a forma de uma atualização da própria aplicação meteorológica ou de alterações a um serviço em linha.
Para o proprietário, a alteração visível poderia ser uma atualização da aplicação, uma atualização do sistema ou uma interrupção temporária de parte do serviço meteorológico. A correção adequada depende do software e do serviço de dados utilizados por cada equipamento.
Do início das retiradas ao regresso previsto
A ação avançou rapidamente a 4 de novembro, das instruções dadas às lojas ao trabalho de atualização do software. Retalhistas e fabricantes descreveram uma interrupção breve, embora os calendários anunciados fossem previsões, e não prazos de conclusão confirmados para todos os equipamentos afetados.
- 4 de novembro, por volta do meio-dia: Os retalhistas começaram a retirar telemóveis da exposição e a verificar as aplicações meteorológicas.
- 4 de novembro, durante a tarde e à noite: Mais lojas verificaram o stock, enquanto os fabricantes investigavam serviços de terceiros e preparavam correções.
- Em poucas horas, a 4 de novembro: Um fabricante afirmou que a atualização da aplicação estava concluída e aguardava distribuição através de uma loja de aplicações.
- 5 de novembro: A Xiaomi previa ter uma atualização da aplicação pronta.
- 5 de novembro: A Thế Giới Di Động afirmou ter recebido confirmação por escrito dos fabricantes de que o problema estava resolvido nos equipamentos afetados.
- Dentro de um ou dois dias, ou até ao final da semana: Representantes do retalho esperavam que os telemóveis regressassem à exposição depois de resolvido o problema de software.
- Regresso à exposição, sem data concreta: A Di Động Việt afirmou que os telemóveis chineses tinham voltado a estar expostos depois de os fabricantes confirmarem as atualizações de software e as correções. Não especificou quando foram retomadas as vendas.
O calendário envolvia duas etapas distintas: os fabricantes tinham de disponibilizar as correções e os retalhistas tinham de decidir se os produtos estavam prontos para regressar. Mesmo depois de concluída uma alteração ao software, esta ainda tinha de chegar aos telemóveis afetados antes de as lojas poderem verificar o resultado.
O que a interrupção significa para os clientes
Os clientes à procura de um telemóvel novo tinham menos opções em exposição enquanto decorriam as verificações. As lojas que seguiram as instruções internas mais abrangentes também guardaram em armazém o stock comercial, afetando as compras para além dos equipamentos de demonstração que os clientes costumam manusear.
Quem pretendia vender um telemóvel usado enfrentou outra interrupção. A instrução para suspender a compra de equipamentos usados significava que um cliente poderia ser temporariamente recusado, mesmo que o telemóvel funcionasse normalmente. Os retalhistas estavam a gerir o problema de software tanto nos equipamentos que recebiam como nos produtos que já tinham em seu poder.
Os fabricantes tiveram de coordenar-se com fornecedores externos de serviços enquanto distribuíam alterações por diferentes versões de software. Por sua vez, os retalhistas tiveram de verificar o que os clientes veriam efetivamente nos equipamentos vendidos. O critério prático para reabrir os espaços de exposição era confirmar se as informações geográficas contestadas tinham sido corrigidas nos produtos afetados.
O episódio liga uma questão territorial altamente sensível a uma rotina comum do comércio: demonstrar as funções quotidianas de um telemóvel. Um mapa numa aplicação meteorológica levou à retirada de equipamentos, à suspensão da compra de telemóveis usados e à reorganização das vendas enquanto as equipas de software trabalhavam nas atualizações.
Principais pontos
- Retalhistas vietnamitas começaram a retirar da exposição telemóveis de várias marcas chinesas a 4 de novembro, devido a informações de soberania contestadas nos mapas meteorológicos.
- Os serviços da AccuWeather foram identificados como origem de informações incorretas sobre os arquipélagos das Paracel e das Spratly.
- Algumas instruções dadas às lojas abrangiam equipamentos de exposição, stock comercial, telemóveis usados e a compra de telemóveis usados a clientes.
- Os fabricantes prepararam atualizações das aplicações ou atualizações OTA, e uma empresa afirmou ter suspendido temporariamente os serviços em linha afetados.
- Inicialmente, a Xiaomi previa uma atualização a 5 de novembro e confirmou posteriormente que tinha concluído a revisão e as correções; a 5 de novembro, a Thế Giới Di Động afirmou que os fabricantes tinham confirmado por escrito a resolução do problema, enquanto a Di Động Việt confirmou que os telemóveis tinham voltado a estar expostos, sem indicar uma data concreta para o regresso ou para a retoma das vendas.






