Níveis mais elevados das albufeiras alteram o cálculo das tarifas
O Operador Nacional do Sistema (NSO) do Sri Lanka retirou o pedido de aumento de 2,88% das tarifas de eletricidade para o período de outubro a dezembro de 2026, afirmando que a melhoria dos níveis de armazenamento nas albufeiras e as previsões de precipitação acima dos valores normais eliminaram a necessidade de um aumento. O pedido estava associado a um défice de receitas previsto de cerca de 4,4 mil milhões de rupias do Sri Lanka.
Índice
- Níveis mais elevados das albufeiras alteram o cálculo das tarifas
- Como a proposta chegou à consulta pública
- Porque é que mais água pode reduzir os custos da eletricidade
- A previsão de custos já tinha baixado
- O que a PUCSL alterou na sua avaliação preliminar
- Os custos do carvão continuam a exigir uma contabilização rigorosa
- Os planos para baterias levantam outra questão de custos
- Quem toma a decisão final?
- O que muda para os consumidores
- Pontos principais
A alteração foi anunciada numa consulta com as partes interessadas, a 5 de novembro, e confirmada posteriormente numa declaração do NSO. Cabe agora à Comissão de Serviços Públicos do Sri Lanka (PUCSL), que fixa as tarifas de eletricidade, tomar a decisão final para o trimestre.
Na sua avaliação preliminar, a entidade reguladora já tinha reduzido o aumento proposto para 1,46%. Com a retirada do pedido, o NSO vai mais longe e substitui o pedido de tarifas mais elevadas pela posição de que as tarifas em vigor são suficientes, à luz das suas previsões revistas para a disponibilidade de água e a produção de eletricidade.
Para as famílias e as empresas, a novidade imediata é a retirada do aumento proposto, mas a decisão oficial sobre as tarifas continua a caber à PUCSL. O diretor de Comunicação, Jayanath Herath, afirmou, antes da consulta, que a comissão esperava anunciar a decisão no prazo de seis dias.
Como a proposta chegou à consulta pública
O aviso oficial de consulta da PUCSL confirma que o NSO apresentou a sua proposta de custos do fornecimento em alta tensão a 7 de outubro de 2026. Esta proposta calcula o custo de fornecimento de eletricidade ao sistema de distribuição, que leva a energia aos consumidores.
O aviso identifica o processo como a revisão das tarifas para o quarto trimestre de 2026 e fixa 5 de novembro como prazo para o envio de comentários escritos pelas partes interessadas. Os comentários podiam ser enviados por correio eletrónico, fax ou correio postal. O aviso indicava que os pormenores das sessões de consulta oral seriam divulgados posteriormente.
A consulta oral realizou-se na quinta-feira, 5 de novembro, no Bandaranaike Memorial International Conference Hall, em Colombo, com início marcado para as 9h00. Uma descrição inicial indicava que a consulta teria lugar na quarta-feira, 4 de novembro; a cobertura da consulta, publicada com data, identifica 5 de novembro como o dia da reunião e 4 de novembro como o dia em que a PUCSL revelou o pedido de aumento anterior.
A sequência mostra que a revisão já estava em curso quando o NSO alterou a sua posição:
- 4 de setembro de 2026: O NSO apresentou uma estimativa inicial de custos, utilizada na comparação posterior das previsões.
- 7 de outubro de 2026: O NSO apresentou a proposta revista de custos do fornecimento em alta tensão, identificada no aviso oficial da PUCSL.
- 4 de novembro de 2026: A PUCSL revelou o pedido anterior de aumento de 2,88% das tarifas.
- 5 de novembro de 2026: Terminaram o prazo para comentários escritos e a consulta oral; o NSO anunciou que já não pedia um aumento.
Porque é que mais água pode reduzir os custos da eletricidade
O NSO atribuiu a mudança de posição à água já armazenada nas principais albufeiras e às previsões de precipitação acima dos valores normais durante o trimestre. Mais água pode permitir que as centrais hidroelétricas produzam mais eletricidade, reduzindo a quantidade necessária de centrais térmicas, que são mais dispendiosas.
As centrais hidroelétricas usam a água em movimento para fazer girar turbinas. As centrais térmicas produzem eletricidade com combustíveis como carvão, gasóleo ou fuelóleo. Quando as albufeiras permitem aumentar a produção hidroelétrica, o sistema pode reduzir as compras de combustível, dependendo da procura e da forma como são operadas as diferentes centrais.
A previsão do NSO apontava para uma produção hidroelétrica das principais centrais de 1 551 gigawatts-hora, ou 32,34% da produção de eletricidade prevista para o trimestre. Um gigawatt-hora é uma unidade de medida da eletricidade produzida ou consumida ao longo do tempo. Previa-se que outras fontes renováveis representassem 28,81% e o carvão, 25,68%.
Em conjunto, a energia hidroelétrica das principais centrais e as restantes fontes renováveis representavam, assim, 61,15% da produção prevista. Esta proporção ajuda a explicar por que motivo as alterações na precipitação e no armazenamento das albufeiras têm tanto peso no cálculo das tarifas.
O NSO referiu as previsões de precipitação em condições de El Niño. A previsão de planeamento usou as perspetivas sazonais do Departamento de Meteorologia para a precipitação nas bacias hidrográficas das centrais hidroelétricas, as zonas onde a chuva alimenta os rios e as albufeiras. A PUCSL afirmou que as previsões hidroelétricas tinham de ser verificadas à luz da produção efetiva e das afluências de água.
A previsão de custos já tinha baixado
A previsão revista do NSO para os custos do fornecimento em alta tensão era de 125,94 mil milhões de rupias do Sri Lanka, face aos 134,16 mil milhões da proposta apresentada em setembro. A redução de 8,22 mil milhões corresponde a cerca de 6,1% da estimativa anterior.
A maior parte da redução deveu-se aos custos previstos de produção de eletricidade, que passaram de 105,58 mil milhões para 98,31 mil milhões de rupias do Sri Lanka. Estes custos estão associados à produção de eletricidade e incluem o combustível necessário para operar as centrais.
Os custos previstos com a capacidade de produção também diminuíram, de 19,94 mil milhões para 18,98 mil milhões de rupias do Sri Lanka. Em geral, os pagamentos de capacidade cobrem a disponibilidade dos equipamentos de produção, em vez de remunerarem apenas cada unidade de eletricidade produzida.
O cálculo detalhado das tarifas fixou em 2,88% o aumento inicialmente pedido; noutra notícia publicada, o pedido anterior foi também referido como sendo de 2,46%. O valor de 2,88% é o associado ao cálculo inicial do défice e à posterior redução para 1,46%.
O que a PUCSL alterou na sua avaliação preliminar
A PUCSL calculou inicialmente um défice trimestral de receitas de 4,44 mil milhões de rupias do Sri Lanka, o valor exato subjacente aos cerca de 4,4 mil milhões citados no pedido inicial. Na sua avaliação preliminar, reduziu o défice para 2,25 mil milhões, menos 2,19 mil milhões, ou cerca de 49%.
A comissão retirou 669 milhões de rupias do Sri Lanka aos custos de capacidade de produção da Electricity Generation Lanka. Identificou o aumento como tendo origem fora do quadro dos contratos de aquisição de energia, que regulam as compras de eletricidade aos produtores.
A PUCSL excluiu também 1,07 mil milhões de rupias do Sri Lanka apresentados pela Electricity Distribution Lanka para o pagamento de empréstimos associados ao Projeto de Melhoria da Fiabilidade do Fornecimento de Eletricidade. A comissão justificou a decisão com o facto de a despesa dizer respeito a obras de capital ainda em curso.
Segundo o tratamento descrito na avaliação, estas despesas podem ser recuperadas através das tarifas depois de os ativos estarem concluídos e capitalizados. A capitalização consiste em registar as infraestruturas concluídas como ativos nas contas da empresa. Para os consumidores, isto determina quando as despesas em infraestruturas podem ser incluídas na fatura da eletricidade.
Os valores preliminares indicavam ainda custos totais de fornecimento de eletricidade de 156,66 mil milhões de rupias do Sri Lanka, face a receitas de 154,03 mil milhões com as tarifas em vigor. A diferença entre estes dois totais é de 2,63 mil milhões, enquanto o cálculo tarifário indicado usou o valor de 2,25 mil milhões. A descrição publicada da avaliação não apresentava uma reconciliação entre estes valores.
Os custos do carvão continuam a exigir uma contabilização rigorosa
A avaliação da PUCSL incluía uma estimativa diferente da do NSO para os custos adicionais associados ao carvão de qualidade inferior usado no segundo trimestre de 2026. O NSO estimou o montante em 2,86 mil milhões de rupias do Sri Lanka; a entidade reguladora calculou 4,38 mil milhões, uma diferença de 1,52 mil milhões.
As previsões também apontavam para uma subida dos preços do carvão no quarto trimestre. O preço projetado aumentava de 61,42 rupias por quilograma em outubro para 67,44 em dezembro, cerca de 9,8%. O gasóleo foi estimado em 382 rupias por litro e o fuelóleo em 210 rupias por litro durante todo o trimestre.
Estes valores explicam por que motivo a retirada do pedido de aumento depende em grande medida da combinação de fontes de produção prevista. Uma maior produção hidroelétrica pode reduzir as despesas com combustíveis, mas o preço da eletricidade produzida a carvão ou a fuelóleo continua a influenciar os restantes custos de fornecimento.
A PUCSL identificou os preços dos combustíveis usados nas estimativas como um dos aspetos a analisar mais aprofundadamente, a par da fiabilidade das previsões hidroelétricas. Na avaliação final, a entidade reguladora terá de articular esses pressupostos com os custos cuja recuperação permite às empresas.
Os planos para baterias levantam outra questão de custos
A previsão do NSO incluía a ligação de 160 megawatts de capacidade de armazenamento de energia em baterias durante o trimestre, com 703 milhões de rupias do Sri Lanka destinados a custos de capacidade. As baterias armazenam eletricidade produzida num determinado momento e libertam-na mais tarde, podendo reduzir a necessidade de recorrer a centrais dispendiosas quando a procura é elevada.
A proposta não incluía estimativas mensais da quantidade de eletricidade que as baterias receberiam ou libertariam. Estes dados operacionais são importantes porque o benefício financeiro depende do momento em que as baterias são carregadas, da eletricidade que utilizam e da produção que substituem.
Uma capacidade de 160 megawatts indica a potência que as baterias podem fornecer num dado momento. Não indica durante quanto tempo conseguem manter essa potência. A PUCSL afirmou que a utilização das baterias de armazenamento de forma economicamente eficiente seria objeto de uma análise mais aprofundada.
Quem toma a decisão final?
O aviso oficial da PUCSL enquadra a revisão nos artigos 29(2) e 29(3) da Lei da Eletricidade do Sri Lanka, n.º 36 de 2024, na sua redação atual. Cita o artigo 29(10) dessa lei e o artigo 17(b) da Lei n.º 35 de 2002, relativa à Comissão de Serviços Públicos do Sri Lanka, como fundamento para a consulta às partes interessadas.
O NSO fornece as previsões operacionais e de custos. A PUCSL analisa-as, considera os comentários das partes interessadas e determina as tarifas. A distinção entre estas funções explica por que motivo a retirada do pedido por parte do operador é seguida de uma decisão regulatória distinta.
A consulta deu aos consumidores e a outras partes interessadas a oportunidade de se pronunciarem tanto sobre as tarifas propostas como sobre as estimativas de custos subjacentes. No final do processo, a entidade reguladora tinha para analisar a posição revista do NSO e os ajustamentos preliminares que ela própria já tinha introduzido.
O que muda para os consumidores
As famílias e as empresas enfrentam agora uma revisão tarifária em que o operador do sistema afirma não ser necessário qualquer aumento. A estimativa anterior de 1,46% da entidade reguladora era uma proposta preliminar; será o anúncio final a determinar as tarifas aplicáveis.
As percentagens publicadas descrevem o ajustamento tarifário proposto no âmbito da revisão. As informações que acompanharam a retirada do pedido não incluem uma nova tabela de preços para as diferentes categorias de consumidores, pelo que não permitem calcular com exatidão a alteração na fatura de uma determinada família ou empresa.
A mudança principal é clara: o NSO deixou de pedir mais receitas através de tarifas mais elevadas e passou a prever que o armazenamento nas albufeiras e a precipitação lhe permitirão gerir o trimestre sem esse aumento. A decisão da PUCSL definirá as tarifas depois de analisar essas previsões, bem como os custos dos combustíveis, as despesas das empresas e os comentários do público.
Pontos principais
- O NSO retirou o pedido de aumento de 2,88% das tarifas de eletricidade para o período de outubro a dezembro de 2026.
- O operador apontou como motivos a melhoria do armazenamento nas albufeiras e as previsões de precipitação acima dos valores normais.
- Na avaliação preliminar, a PUCSL já tinha reduzido o aumento proposto para 1,46%.
- A previsão revista dos custos do fornecimento em alta tensão baixou 8,22 mil milhões de rupias do Sri Lanka, para 125,94 mil milhões.
- A energia hidroelétrica das principais centrais e as restantes fontes renováveis representavam, em conjunto, 61,15% da produção prevista.
- A consulta pública realizou-se a 5 de novembro. A decisão final sobre as tarifas cabe à PUCSL.






