Uma reviravolta de 89 corridas com apenas um postigo por cair
O Paquistão precisava de 88 corridas, com os seus dois últimos batedores em campo. A Inglaterra precisava apenas de um postigo. Nessa situação, no Estádio Gaddafi, em Lahore, no domingo, 25 de outubro, Shadab Khan e Haris Rauf estabeleceram uma parceria invicta de 89 corridas, garantindo uma vitória por um postigo e a qualificação do Paquistão para a final da série triangular de ODI.
Índice
- Uma reviravolta de 89 corridas com apenas um postigo por cair
- Como o Paquistão perdeu o controlo da perseguição
- Shadab atacou enquanto Rauf resistia
- A revisão que manteve o Paquistão na luta
- Um recorde que remontava a 1975
- O século de Duckett deu à Inglaterra um total para defender
- Os dois capitães apontaram problemas na batida
- Homenagens da família e memórias de Abdul Razzaq
- O caminho da Inglaterra para a final estreita-se
- Pontos principais
Shadab terminou invicto com 113 corridas em 96 bolas, o seu primeiro século internacional, quando o Paquistão chegou aos 243-9 em 47,1 overs, em resposta aos 241 da Inglaterra. Rauf, invicto com sete corridas em 19 bolas, marcou o boundary da vitória frente ao estreante inglês Henry Crocombe, quando faltavam 17 bolas.
O resultado deu ao Paquistão a terceira vitória consecutiva no torneio e deixou a Inglaterra sem vitórias ao fim de três jogos. O Paquistão recebeu dois pontos pela vitória, enquanto a Inglaterra não recebeu nenhum. O Paquistão já tinha vencido a Inglaterra anteriormente na competição, somando assim a segunda vitória sobre o mesmo adversário.
A prestação de Shadab valeu-lhe o prémio de melhor jogador do encontro e estabeleceu um recorde para a pontuação mais alta em ODI por um batedor na posição número oito. A parceria com Rauf também superou um recorde de caças bem-sucedidas em ODI que se mantinha desde o Mundial de 1975.
Como o Paquistão perdeu o controlo da perseguição
O total da Inglaterra obrigava o Paquistão a marcar 242 corridas em 50 overs, um alvo alcançável até começarem a cair postigos. Gus Atkinson eliminou Fakhar Zaman por 10 e fez Babar Azam sair por 10, enquanto Crocombe afastou Saim Ayub por seis. O Paquistão estava com 31-3 ao fim de 6,5 overs.
Saad Baig mudou momentaneamente o ritmo, marcando sete fours nas suas 32 corridas em 22 bolas. A parceria de 43 com Salman Ali Agha levou o Paquistão aos 74, antes de Jamie Overton o eliminar. Dos 74-3, o Paquistão perdeu seis postigos por 80 corridas.
Liam Dawson e Overton limitaram então a pontuação enquanto continuavam a eliminar batedores. Hasan Nawaz saiu por 15, Arafat Minhas por uma e Salman por 26. Dawson lançou 42 bolas sem conceder qualquer corrida nos seus dez overs, impedindo o Paquistão de progredir de forma regular mesmo quando os postigos se mantinham intactos.
A certa altura, Shadab tinha 19 corridas em 28 bolas e ainda construía a sua entrada, em vez de dominar o ataque. Quando Will Jacks eliminou Razaullah por oito, o Paquistão estava com 154-9. A Inglaterra tinha afastado quase todos os batedores que se interpunham entre si e a primeira vitória na série.
Shadab atacou enquanto Rauf resistia
Shadab terminou com 13 fours e cinco sixes, conseguindo 82 das suas 113 corridas através de limites. Quase três quartos das suas corridas foram, assim, marcadas sem necessidade de completar uma corrida entre os postigos.
A tarefa de Rauf era diferente. Como último batedor da ordem, tinha de resistir e permitir que Shadab enfrentasse a maioria das bolas. A parceria durou cerca de 70 minutos, embora Rauf só tenha enfrentado 19 bolas.
Shadab geriu a rotação do strike, encontrando limites e escolhendo quando fazer corridas simples. No críquete, gerir o strike significa controlar qual dos batedores enfrenta a bola seguinte. Sem mais nenhum batedor disponível, manter Shadab em jogo e proteger Rauf foi essencial para a recuperação do Paquistão.
Rauf também teve um papel decisivo na conclusão. Mais tarde, disse que tinha contado a Shadab que seria ele a concluir a vitória. Com o Paquistão a precisar de três corridas no início do 48.º over, bateu a bola de Crocombe em linha recta pelo chão, conseguindo um four.
A revisão que manteve o Paquistão na luta
Shadab tinha 97 corridas quando Atkinson conseguiu uma decisão de eliminado por leg before wicket contra ele no 45.º over. O Paquistão ainda precisava de 21 corridas. A Inglaterra começou a festejar e Shadab já trocava cumprimentos com os adversários.
Rauf insistiu para que o companheiro pedisse uma revisão. Mais tarde, Shadab explicou que não se tinha apercebido de que a bola tinha tocado no seu taco e que ficou profundamente desapontado quando o árbitro o declarou eliminado.
O Sistema de Revisão de Decisões permite aos jogadores contestar uma decisão do árbitro recorrendo à tecnologia televisiva. O UltraEdge, que ajuda a detectar o contacto entre a bola e o taco, mostrou um desvio na face interior do taco antes de a bola atingir a proteção da perna de Shadab. A decisão foi anulada, permitindo-lhe continuar.
Shadab completou depois o século com um late cut contra Atkinson. A seguir, bateu o lançador rápido para six por cima de long off, reduzindo o que faltava a três corridas nos últimos três overs. A intervenção de Rauf preservou tanto a entrada como as hipóteses de vitória do Paquistão.
Um recorde que remontava a 1975
As 89 corridas invictas de Shadab e Rauf superaram a anterior parceria mais alta para o décimo postigo numa perseguição bem-sucedida em ODI: as 64 corridas invictas partilhadas pelos jogadores das Índias Ocidentais Deryck Murray e Andy Roberts frente ao Paquistão, em Birmingham, no Mundial de 1975.
A nova parceria superou essa marca em 25 corridas. Ambos os jogos terminaram com vitórias por um postigo, o que significa que a equipa vencedora alcançou o alvo com a última dupla ainda em campo. Desta vez, o beneficiário foi o Paquistão, em vez da equipa que ficou sem a vitória no fim.
Shadab ultrapassou também as 1.000 corridas em ODI na sua 74.ª participação. O século foi o primeiro em qualquer formato internacional, transformando um marco pessoal na entrada que confirmou a presença do Paquistão na final.
Os principais momentos do encontro mostram como o controlo mudou rapidamente:
- A Inglaterra perdeu três postigos cedo, mas recuperou graças a Ben Duckett e Sam Curran.
- A Inglaterra foi eliminada por 241 corridas em 46,4 overs.
- O Paquistão recuperou de 31-3 para 74-3 antes de cair para 154-9.
- Shadab sobreviveu a uma revisão quando tinha 97 corridas e ainda faltavam 21.
- Rauf marcou o boundary da vitória aos 47,1 overs, completando a parceria invicta de 89 corridas.
O século de Duckett deu à Inglaterra um total para defender
Ben Duckett tinha mantido anteriormente a entrada da Inglaterra, com 105 corridas em 111 bolas: o seu quinto século em ODI e o primeiro frente ao Paquistão. Os seus dez fours e dois sixes ajudaram a Inglaterra a recuperar depois de quatro dos seus cinco primeiros batedores terem sido eliminados com pontuações de um só dígito.
Tom Banton marcou quatro, Joe Root cinco e o capitão Harry Brook uma corrida. Brook foi eliminado por corrida directa de Razaullah, estreante na equipa, quando tentava uma segunda corrida. Jordan Cox saiu mais tarde por seis, deixando a Inglaterra com 52-4.
Duckett encontrou apoio consistente em Curran, que marcou 42 corridas em 52 bolas. A parceria de 93 para o quinto postigo levou a Inglaterra aos 145, antes de Shaheen Shah Afridi regressar e eliminar Curran com uma bola curta.
O Paquistão rompeu depois a ordem média e inferior da Inglaterra. Duckett foi eliminado ao tentar um sweep contra Minhas, enquanto Razaullah afastou Jacks e Dawson. Atkinson proporcionou uma recuperação tardia, marcando três sixes numa prestação invicta de 36 corridas em 28 bolas e estabelecendo uma parceria de 40 com Crocombe para o último postigo.
A Inglaterra foi eliminada quando ainda faltavam 20 bolas. Shaheen conseguiu 4-46, com o marcador completo a confirmar quatro postigos, em vez dos três atribuídos noutra contagem publicada. Minhas conseguiu 2-26 e Razaullah 2-38. A eliminação de Banton deu a Shaheen o seu 150.º postigo em ODI, tornando-o o lançador rápido paquistanês mais rápido a atingir esse marco.
Os dois capitães apontaram problemas na batida
O capitão inglês Harry Brook elogiou os lançadores e os jogadores de campo depois de a equipa ter ficado a um postigo da vitória. Overton terminou com 3-43, Dawson com 2-19 e Atkinson com 2-40.
Brook disse que a prestação da Inglaterra com o taco tinha deixado demasiado trabalho para o ataque:
Provavelmente não conseguimos marcar corridas suficientes, mas o esforço dos rapazes com a bola e no campo foi fenomenal.
O capitão do Paquistão, Shaheen, ficou encantado com a recuperação, mas também pediu uma contribuição mais forte da parte superior da ordem. Os três primeiros batedores do Paquistão tinham somado apenas 26 corridas entre si.
Shaheen descreveu a sua reacção à parceria final na cerimónia de entrega dos prémios:
A forma como Shadab Khan e Haris Rauf terminaram o jogo com o taco: nunca vi, em toda a minha vida, uma entrada como aquela.
O antigo jogador de abertura paquistanês Ahmad Shahzad também elogiou a serenidade de Shadab e o apoio de Rauf, alertando, ao mesmo tempo, para o facto de a batida do Paquistão continuar a ser motivo de preocupação. A vitória garantiu a qualificação, mas o próximo jogo do Paquistão daria aos seus principais batedores outra oportunidade para proporcionar um início mais estável.
Homenagens da família e memórias de Abdul Razzaq
Shadab dedicou a vitória à mãe e à mulher numa publicação no X. Agradeceu a toda a equipa e elogiou Rauf, dizendo que a parceria demonstrava que o Paquistão vencia em conjunto.
Shadab disse também estar satisfeito por retribuir a confiança dos seleccionadores e da direcção da equipa. O seu objectivo declarado continuava a ser contribuir tanto com o taco como com a bola. Questionado sobre as comparações com as entradas de Glenn Maxwell no Mundial, apontou as diferenças de contexto: a prestação de Maxwell aconteceu num Mundial, enquanto a sua ocorreu numa série.
O jornalista e antigo director do Conselho de Críquete do Paquistão Umar Farooq Kalson comparou a entrada de Shadab às 109 corridas invictas de Abdul Razzaq frente à África do Sul, em Abu Dhabi, a 31 de outubro de 2010. Razzaq também conduziu o Paquistão a uma vitória por um postigo.
O primeiro-ministro Shehbaz Sharif elogiou a resiliência do Paquistão e o contributo de Shadab. O ministro da Informação, Attaullah Tarar, descreveu o encontro numa breve mensagem nas redes sociais:
Um thriller para lá da imaginação
O caminho da Inglaterra para a final estreita-se
A presença do Paquistão na final ficou garantida, mas as esperanças da Inglaterra dependiam dos jogos restantes. O Paquistão tinha agendado um encontro com o Sri Lanka na terça-feira, 27 de outubro, antes de a Inglaterra defrontar o Sri Lanka na quinta-feira, 29 de outubro.
Uma vitória do Sri Lanka na terça-feira eliminaria a Inglaterra. Para manter as hipóteses, a Inglaterra precisava que o Paquistão vencesse esse jogo e, depois, teria de derrotar o Sri Lanka. A margem exacta necessária para a qualificação não foi especificada.
A Inglaterra chegou a esta derrota depois de não ter conseguido defender 429 frente ao Sri Lanka no jogo anterior. Em Lahore, o desafio era muito diferente: tinha um total mais baixo, mas conseguira nove eliminações quando ainda faltavam 88 corridas ao Paquistão. Shadab e Rauf encontraram uma saída, deixando a Inglaterra à beira da eliminação e o Paquistão a preparar-se para a final.
Pontos principais
- O Paquistão venceu a Inglaterra por um postigo em Lahore, chegando aos 243-9 em 47,1 overs na perseguição de 242 corridas.
- Shadab Khan marcou o seu primeiro século internacional e terminou invicto com 113 corridas em 96 bolas.
- Shadab e Haris Rauf somaram 89 corridas sem serem eliminados, um recorde para o décimo postigo numa perseguição bem-sucedida em ODI.
- Rauf insistiu para que Shadab pedisse uma revisão de uma decisão de leg before wicket quando tinha 97 corridas e, depois, marcou o boundary da vitória.
- Ben Duckett marcou 105 no total de 241 da Inglaterra; Shaheen Shah Afridi conseguiu 4-46.
- O Paquistão qualificou-se para a final da série triangular; para manter as hipóteses, a Inglaterra precisava da ajuda do Paquistão e de vencer o Sri Lanka.






