Imran Khan reúne-se com advogado após sete meses, enquanto o PTI não consegue chegar a acordo sobre estratégia para a sua libertação

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Imran Khan Meets Lawyer After Seven Months as PTI Struggles to Agree on Release Strategy

Quarenta minutos para discutir meses de processos judiciais

O antigo primeiro-ministro do Paquistão Imran Khan reuniu-se na segunda-feira, durante cerca de 40 minutos, com o seu advogado, o barrister Salman Safdar, na prisão de Adiala, em Rawalpindi, pondo fim a sete meses sem contacto directo, enquanto se acumulavam processos judiciais, preocupações com a saúde e divergências no seu partido.

Índice
  1. Quarenta minutos para discutir meses de processos judiciais
  2. O que Safdar discutiu com o casal
  3. As decisões judiciais têm abordado repetidamente o acesso
  4. Vários processos dificultam os esforços para garantir a libertação
  5. O tratamento ocular e o contacto com a família continuam a preocupar
  6. A estratégia do PTI para a libertação fica bloqueada por divergências internas
  7. Partido contesta detenções e alegadas rusgas
  8. Segurança e preços do GPL também entram no debate
  9. Pontos principais

Safdar afirmou que a reunião começou por volta das 16h30 e contou com a presença da mulher de Khan, Bushra Bibi, que não via há 11 meses. Ambos lhe deram novas instruções sobre questões jurídicas e descreveram o seu estado de saúde e as condições em que vivem na prisão.

Khan, de 74 anos, está detido desde Agosto de 2023. O seu partido, o Pakistan Tehreek-e-Insaf, ou PTI, afirmou que a consulta teve lugar na sequência de vários requerimentos a pedir aos tribunais que garantissem o acesso ao antigo primeiro-ministro. A reunião restabeleceu o contacto com um advogado que acompanha os seus processos, mas Safdar afirmou que o tempo concedido foi insuficiente para abordar todas as questões jurídicas.

A consulta ocorreu quando a comissão política do PTI não conseguiu chegar a acordo sobre uma estratégia para garantir a libertação do seu fundador. Os membros planearam voltar a reunir-se dentro de dois dias, enquanto as discussões foram parcialmente dominadas por divergências sobre o desempenho da liderança e uma notificação disciplinar interna.

O acesso a Khan continua também condicionado por preocupações com a sua visão e pela aplicação das decisões judiciais relativas a visitas da família, exercício físico, material de leitura e outras condições prisionais. O Tribunal Superior de Islamabad autorizou reuniões duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras, mas, nos últimos meses, o acesso de familiares e dirigentes do partido tem permanecido fortemente restringido.

O que Safdar discutiu com o casal

Safdar participou na mais recente reunião na qualidade de advogado de Khan, com Bushra Bibi presente. O secretário de informação central do PTI, Sheikh Waqas Akram, afirmou que a conversa se centrou nos processos judiciais e nas instruções para acompanhar os casos, e não em questões políticas.

Numa publicação na rede X, Safdar descreveu a consulta e afirmou que ambos os reclusos o puseram a par da sua situação e lhe deram instruções:

A sessão não foi suficiente para abordar todos os processos e questões jurídicas. Ambos me informaram sobre o seu estado de saúde e as condições em que vivem e deram novas instruções relativamente a determinadas questões jurídicas e processos.

O advogado não revelou o teor dessas instruções. Akram estimou que a reunião durou entre 40 e 45 minutos e afirmou que era pouco tempo para discutir numerosos processos após uma interrupção tão longa.

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Khan e Bushra Bibi são alvo de processos relacionados com mais do que uma condenação, além de outros casos pendentes. Uma consulta implica, por isso, decisões distintas sobre recursos, requerimentos judiciais e respostas jurídicas. O relato de Safdar indica que foram dadas algumas instruções, mas que outras questões ficaram por tratar devido à falta de tempo.

Safdar já se tinha reunido anteriormente com Khan por determinação do Supremo Tribunal, na qualidade de amicus, ou seja, uma pessoa nomeada para auxiliar um tribunal. Essa função é diferente da de advogado do próprio arguido, que inclui receber instruções confidenciais e preparar a defesa do cliente.

As decisões judiciais têm abordado repetidamente o acesso

O Tribunal Superior de Islamabad interveio por diversas vezes a propósito das reuniões com Khan e Bushra Bibi. As suas decisões abrangem tanto as consultas jurídicas como as condições em que o casal está detido.

A 18 de Junho, o tribunal ordenou ao procurador-geral de Islamabad que garantisse uma reunião com os advogados no prazo de sete dias. O objectivo era concluir as formalidades jurídicas e apresentar recursos contra as condenações no caso do Al-Qadir Trust, relacionado com 190 milhões de libras.

A 2 de Setembro, o tribunal ordenou às autoridades da prisão de Adiala que garantissem interacção humana significativa, acesso da família, exercício físico, material de leitura e outras condições. Afirmou que uma detenção legal não autorizava a privação evitável da dignidade humana.

Os principais desenvolvimentos na disputa sobre o acesso incluem:

  • 10 de Fevereiro: Safdar reuniu-se com Khan na sequência de determinações do Supremo Tribunal, depois de terem sido manifestadas preocupações com a saúde de Khan.
  • Abril: Safdar realizou uma nova consulta jurídica na sequência de uma decisão do Tribunal Superior de Islamabad. A reunião anterior de que há registo público ocorreu a 8 de Abril, embora também seja indicada a data de 9 de Abril para essa consulta.
  • 18 de Junho: O Tribunal Superior de Islamabad determinou que os advogados se reunissem com o casal no prazo de sete dias.
  • 2 de Setembro: O tribunal emitiu determinações relativas à interacção humana, ao acesso da família e às condições prisionais.
  • Segunda-feira: Safdar reuniu-se com Khan e Bushra Bibi durante cerca de 40 minutos, após pedidos repetidos.

Os requerimentos recorrentes mostram que o próprio acesso se tornou uma questão jurídica persistente. O tribunal estabeleceu um calendário para as reuniões, enquanto advogados e familiares continuaram a pedir decisões que as permitissem.

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Vários processos dificultam os esforços para garantir a libertação

A detenção de Khan envolve vários processos, com acusações e fases processuais distintas. Em 2023, foi condenado a três anos de prisão por ocultar informações sobre presentes recebidos através do Toshakhana, o sistema paquistanês de gestão de presentes oferecidos a titulares de cargos públicos.

Khan e Bushra Bibi foram também condenados a 14 anos de prisão cada um no caso de corrupção do Al-Qadir Trust, relacionado com 190 milhões de libras. Bushra Bibi foi detida a 17 de Janeiro de 2025, quando o casal foi condenado nesse processo.

A 20 de Dezembro de 2025, foi proferida outra condenação no caso Toshakhana-II. As acusações diziam respeito à retenção ilegal de um conjunto de joalharia da Bulgari oferecido pelo príncipe herdeiro saudita durante uma visita oficial à Arábia Saudita.

As penas relativas a essa condenação são descritas como sendo de 10 anos para Khan e sete anos para Bushra Bibi, embora também seja referida uma pena de 17 anos. Os relatos públicos sobre esta reunião não esclarecem a composição exacta das penas.

Khan enfrenta ainda julgamentos pendentes ao abrigo da Lei Antiterrorista, relacionados com os protestos e motins de 9 de Maio de 2023. Esses processos são distintos das condenações relativas aos presentes e ao Al-Qadir Trust.

Para o PTI, garantir a libertação implica, por isso, acompanhar vários processos judiciais, e não apenas um. Uma condenação pode ser contestada através de um recurso, que pede a um tribunal superior que examine a decisão. A decisão de 18 de Junho sobre o acesso relacionou especificamente as consultas jurídicas com a possibilidade de o casal apresentar esses recursos.

O tratamento ocular e o contacto com a família continuam a preocupar

O estado de saúde de Khan foi abordado na consulta de segunda-feira, embora o PTI tenha afirmado que o principal objectivo da reunião era discutir questões jurídicas. A oclusão da veia central da retina direita, ou CRVO, tornou-se pública no final de Janeiro.

A CRVO ocorre quando a principal veia que transporta o sangue para fora da retina fica bloqueada. A retina é o tecido fotossensível situado na parte posterior do olho. Uma obstrução pode provocar hemorragia e inchaço que afectam a visão.

Khan foi submetido a procedimentos oculares no Pakistan Institute of Medical Sciences, hospital público conhecido como PIMS. A família pediu a sua transferência para um hospital da sua escolha.

A comissão política do PTI manifestou preocupação com as notícias de que Khan e Bushra Bibi poderiam ser transferidos para um hospital. Pediu que fossem cumpridas as decisões do Supremo Tribunal relativas ao tratamento médico de Khan, que a família fosse informada sobre o seu estado de saúde e que os familiares pudessem visitá-lo.

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As exigências da comissão relacionam o tratamento médico com o acesso da família: os familiares querem ser informados sobre o estado de Khan e obter autorização para o visitar. A reunião com Safdar permitiu ao casal descrever directamente ao advogado o seu estado de saúde, mas não foram divulgados pormenores clínicos após a consulta.

A estratégia do PTI para a libertação fica bloqueada por divergências internas

A comissão política do PTI acordou voltar a reunir-se dentro de dois dias com um único ponto na agenda: como garantir a libertação de Khan. A decisão surgiu após trocas acesas de argumentos que deixaram o partido sem uma estratégia comum.

Alguns membros, incluindo Malik Aamir Dogar, confrontaram o presidente do PTI, o barrister Gohar Ali Khan, e manifestaram insatisfação com o seu desempenho. O secretário-geral Salman Akram Raja terá acusado um grupo dentro do partido de dar importância excessiva ao grupo parlamentar, ou seja, aos deputados eleitos do PTI.

Noor-ul-Haq Qadri pediu a Raja que usasse uma linguagem mais moderada. As trocas de palavras expuseram divergências sobre a influência que a liderança central do partido e os seus representantes no Parlamento devem exercer enquanto Khan permanecer detido.

Outra disputa envolveu uma proposta de notificação a pedir esclarecimentos à senadora Mashal Yousafzai. Uma notificação deste tipo pede a um membro do partido que responda a questões sobre a sua conduta. Os participantes passaram bastante tempo a discutir quem a deveria emitir, sem que ninguém aceitasse assumir essa responsabilidade.

Firdous Shamim Naqvi, secretário-geral adjunto, recusou emitir a notificação. Akram também recusou, afirmando que o seu cargo de porta-voz lhe permitia emitir declarações. Os membros questionaram então por que motivo Gohar ou Raja não estavam a tratar do assunto.

A reunião de seguimento prometida dá ao PTI uma oportunidade, a curto prazo, para definir a sua estratégia. Para já, o partido declarou que pretende libertar Khan, mas ainda não decidiu como alcançar esse objectivo.

Partido contesta detenções e alegadas rusgas

A comissão do PTI condenou a detenção do ministro-chefe de Khyber Pakhtunkhwa, do presidente da assembleia provincial e de outros parlamentares. Considerou ilegal a sua detenção e afirmou que manter representantes eleitos sob custódia desrespeitava o mandato popular.

A comissão condenou também as alegadas rusgas e os danos causados nas casas do antigo ministro federal Omar Ayub Khan, de Sher Ali Arbab, Shah Ahmad e de outros dirigentes. Manifestou preocupação com o alegado assédio de apoiantes do partido e as rusgas às suas casas.

Estas acusações foram acompanhadas por pedidos de libertação do deputado Adil Bazai, de outros membros do PTI e de pessoas detidas ao abrigo da Lei de Manutenção da Ordem Pública. Um deputado é membro da Assembleia Nacional do Paquistão.

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A Lei de Manutenção da Ordem Pública permite às autoridades ordenar detenções preventivas por motivos de ordem pública. A contestação do PTI diz respeito à utilização desse poder contra os seus membros, além das detenções relacionadas com processos criminais.

A comissão afirmou que alguns dirigentes do partido voltaram a ser detidos depois de terem sido libertados por ordem judicial. Defendeu que as divergências políticas não devem conduzir a perseguições e pediu que as decisões judiciais sejam respeitadas. Estas declarações expõem a posição do PTI sobre as detenções e as alegadas rusgas.

Segurança e preços do GPL também entram no debate

A comissão do PTI abordou também o terrorismo e as despesas das famílias, alargando a discussão para lá da detenção de Khan. Considerou que o aumento do terrorismo é um desafio importante que exige uma resposta séria e eficaz.

A comissão afirmou que proteger vidas e bens é da responsabilidade do Estado. Pediu ainda que as medidas de combate ao terrorismo não sejam usadas para perseguir adversários políticos, relacionando as preocupações com a segurança com as objecções ao tratamento dos membros do partido.

Quanto ao custo de vida, o PTI alegou que o gás de petróleo liquefeito, ou GPL, comprado a 238 rupias por quilograma estava a ser vendido por até 700 rupias. O GPL é utilizado para cozinhar e aquecer as casas, pelo que o aumento dos preços pode elevar directamente as despesas domésticas.

Os dois valores referidos pela comissão representam uma diferença de 462 rupias por quilograma. Um preço de venda de 700 rupias é cerca de 2,94 vezes superior ao preço de compra alegado de 238 rupias. A comissão pediu que a diferença fosse investigada e que fossem tomadas medidas contra os lucros excessivos.

O PTI exigiu também uma redução dos preços da electricidade e dos combustíveis e medidas para baixar o custo dos bens essenciais. Estas exigências colocam as despesas das famílias a par do acesso dos reclusos e dos processos judiciais na agenda do partido, mesmo enquanto a sua liderança continua dividida sobre a campanha imediata pela libertação de Khan.

Pontos principais

  • Salman Safdar reuniu-se com Imran Khan durante cerca de 40 minutos, após sete meses sem uma reunião presencial.
  • Bushra Bibi participou na consulta, a primeira com Safdar em 11 meses.
  • O casal falou sobre o estado de saúde, as condições prisionais e instruções jurídicas. Safdar afirmou que não houve tempo suficiente para abordar todos os processos.
  • O Tribunal Superior de Islamabad determinou repetidamente que fosse garantido o acesso a advogados, familiares e condições prisionais.
  • O PTI planeia reunir novamente a comissão política dentro de dois dias para discutir como garantir a libertação de Khan, depois de divergências internas terem impedido um acordo.
  • O partido exigiu também acesso a cuidados médicos, contestou detenções e alegadas rusgas e pediu medidas para reduzir o preço do GPL e outras despesas domésticas.
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