Fábricas expandem-se pelo 16.º mês, mas as pressões aumentam
O Índice de Gestores de Compras (PMI) da indústria transformadora do Vietname subiu para 52,3 em outubro de 2026, face a 51,9 em setembro, prolongando para 16 meses a sequência de melhoria das condições empresariais. No entanto, por detrás do valor global mais elevado, as fábricas registaram um crescimento mais lento da produção e das novas encomendas, uma queda das encomendas de exportação e maiores dificuldades na obtenção de materiais.
Índice
- Fábricas expandem-se pelo 16.º mês, mas as pressões aumentam
- O que significa o PMI mais elevado
- Fraqueza das exportações abranda a subida das encomendas
- Entregas mais lentas e difíceis de gerir
- Petróleo e transportes fazem subir os custos
- Emprego diminui enquanto o trabalho por concluir recua
- Existências diminuem antes e depois da produção
- Confiança aumenta apesar das dificuldades operacionais
- O lugar de outubro na tendência recente
- Principais pontos
O inquérito da S&P Global a cerca de 400 fabricantes, cujas respostas foram recolhidas entre 12 e 22 de outubro, revelou que o crescimento da produção abrandou para o ritmo mais fraco em seis meses. O total de novas encomendas aumentou pelo sexto mês consecutivo, mas ao ritmo mais lento desse período, uma vez que a menor procura do estrangeiro travou a procura.
Os fabricantes enfrentaram também um processo de abastecimento mais dispendioso e menos fiável. Os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram ao nível mais acentuado desde abril, enquanto os custos dos fatores de produção subiram ao ritmo mais rápido desde junho. A subida dos preços do petróleo encareceu os combustíveis e os transportes, e as más condições meteorológicas contribuíram para atrasos nos envios.
Andrew Harker, diretor de Economia da S&P Global Market Intelligence, descreveu as pressões que as empresas enfrentam ao tentar manter a expansão:
As empresas vietnamitas estão atualmente a lutar para manter o crescimento, perante dificuldades que tornam as suas operações mais exigentes. As novas encomendas continuaram a aumentar em outubro, contribuindo para um sólido crescimento da produção, mas em ambos os casos o ritmo de expansão abrandou face a setembro.
O que significa o PMI mais elevado
O PMI é um indicador baseado num inquérito que mede as alterações nas condições da indústria transformadora face ao mês anterior. Uma leitura acima de 50 indica melhoria, enquanto uma leitura abaixo de 50 indica deterioração. A subida de 0,4 pontos em outubro manteve, assim, as fábricas vietnamitas do lado da expansão desta linha divisória.
O valor de 52,3 é uma leitura do índice, não uma percentagem de aumento da produção fabril. A produção, as encomendas, o emprego, os prazos de entrega e as existências oferecem perspetivas diferentes sobre o funcionamento das empresas. Em outubro, o indicador global melhorou, embora várias dessas condições subjacentes se tenham tornado mais difíceis.
Para os fabricantes, o quadro prático era de crescimento contínuo, mas com limitações mais apertadas. Os clientes continuavam a fazer mais encomendas no total, mas estas aumentavam mais lentamente e algumas fábricas não dispunham dos materiais necessários para elevar a produção tanto quanto poderiam.
Fraqueza das exportações abranda a subida das encomendas
O total de novas encomendas aumentou pelo sexto mês consecutivo, apoiado por uma procura mais forte dos clientes. Ainda assim, as novas encomendas de exportação diminuíram, reduzindo o ritmo de crescimento de todo o setor transformador.
As fábricas do Vietname enfrentavam, por isso, dois sinais de procura distintos: mais novas encomendas no total, mas menos encomendas de clientes no estrangeiro. A quebra das encomendas de exportação tornou os fabricantes mais dependentes da procura proveniente de outras áreas das suas carteiras de encomendas para manter a atividade em crescimento.
O aumento das encomendas totais em outubro foi descrito como sólido, mas foi o mais fraco dos seis aumentos mensais consecutivos. A produção seguiu uma trajetória semelhante, continuando a subir, mas a um ritmo inferior ao de setembro.
Alguns fabricantes associaram especificamente as limitações à produção às dificuldades em garantir matérias-primas. Tanto a procura como a oferta contribuíram para o abrandamento: chegavam novas encomendas mais lentamente e a falta de materiais limitava a rapidez com que algumas empresas conseguiam transformar encomendas em produtos acabados.
Entregas mais lentas e difíceis de gerir
Os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram acentuadamente em outubro, com a maior deterioração desde abril. Os inquiridos apontaram a subida dos preços dos combustíveis e as más condições meteorológicas como alguns dos fatores que atrasaram o transporte.
Para uma fábrica, um atraso na entrega pode significar ter de esperar por um material ou componente antes de concluir uma encomenda. O inquérito de outubro associou esses atrasos a limitações efetivas ao crescimento da produção, e não apenas a faturas de transporte mais elevadas.
Os fabricantes continuaram a aumentar as compras de fatores de produção, procurando obter bens para apoiar a produção. Ainda assim, as existências de materiais adquiridos diminuíram de forma significativa. As dificuldades em importar bens, aliadas à utilização dos materiais já armazenados, reduziram as reservas disponíveis nas fábricas.
Consequentemente, as empresas compravam mais, mas mantinham menos existências. Os bens adquiridos não estavam a repor os inventários com rapidez suficiente para compensar os materiais utilizados na produção. Isso deixou as fábricas com uma reserva menor para utilizar quando outra entrega se atrasasse.
Petróleo e transportes fazem subir os custos
A inflação dos preços dos fatores de produção acelerou pelo segundo mês consecutivo em outubro, atingindo o ritmo mais rápido desde junho. Os custos mais elevados do petróleo refletiram-se nos preços dos combustíveis, enquanto o aumento das tarifas de transporte encareceu a obtenção de materiais e a movimentação de mercadorias.
Os custos dos fatores de produção são as despesas que os fabricantes suportam para fabricar os seus produtos, incluindo materiais e outras necessidades de produção. Quando estes custos aumentam, as empresas têm de decidir quanto conseguem absorver e quanto podem repercutir nos preços de venda.
Os fabricantes vietnamitas aumentaram os preços dos produtos a um ritmo mais acelerado em outubro, após uma ligeira subida em setembro. Os clientes que compravam diretamente às fábricas enfrentaram, assim, aumentos de preços mais rápidos, à medida que os produtores reagiam à subida dos seus próprios custos.
A aceleração manteve, ainda assim, a inflação dos preços dos fatores de produção bem abaixo do pico registado após o início da guerra no Médio Oriente. Outubro trouxe uma nova pressão sobre os custos, mas a comparação histórica do inquérito situou-a abaixo daquela subida anterior.
Harker afirmou que as condições internacionais estavam a afetar tanto os custos como a circulação de mercadorias:
As limitações ao crescimento deveram-se frequentemente ao contexto internacional. Os custos dos combustíveis e dos transportes aumentaram com a subida dos preços do petróleo, enquanto as empresas relataram dificuldades na importação e exportação de produtos. Embora as empresas estejam, por agora, a conseguir manter as melhorias, esperam que, nos próximos meses, o contexto seja mais favorável ao crescimento.
Emprego diminui enquanto o trabalho por concluir recua
O emprego na indústria transformadora diminuiu ligeiramente pelo terceiro mês consecutivo em outubro. Algumas empresas atribuíram a redução à saída de trabalhadores, deixando o setor com uma força de trabalho menor, apesar de a produção continuar a expandir-se.
As fábricas reduziram, ainda assim, moderadamente o volume de trabalho em atraso. Este corresponde ao trabalho que foi encomendado, mas ainda não foi concluído. O crescimento mais lento das novas encomendas, aliado a um processamento mais eficiente das encomendas pendentes, permitiu às empresas reduzir o volume de trabalho por concluir.
Esta combinação mostra como a expansão se tornara desigual. Os fabricantes produziam mais com menos trabalhadores, enquanto a chegada mais lenta de novas encomendas os ajudava a concluir as encomendas existentes. A ligeira redução do trabalho em atraso trouxe algum alívio, embora a escassez de materiais continuasse a limitar a produção em algumas empresas.
Existências diminuem antes e depois da produção
As existências de produtos acabados diminuíram acentuadamente, à medida que os fabricantes venderam os produtos armazenados. A queda foi ligeiramente menos pronunciada do que em setembro, mas as empresas continuaram a reduzir as existências de produtos acabados disponíveis para venda.
As existências estavam, assim, a diminuir nos dois extremos do processo de produção. As fábricas tinham menos fatores de produção adquiridos à espera de serem utilizados e menos produtos acabados à espera dos clientes. As razões eram distintas: as dificuldades nas importações de materiais e a sua utilização na produção reduziram as existências de fatores de produção, enquanto a venda de produtos armazenados fez diminuir as existências de produtos acabados.
A venda de produtos armazenados deu aos fabricantes outra forma de responder à procura dos clientes, além da produção corrente. Ao mesmo tempo, a redução das reservas de materiais tornou as entregas atempadas ainda mais importantes para manter as fábricas em funcionamento.
Confiança aumenta apesar das dificuldades operacionais
Os fabricantes mantiveram-se otimistas quanto à produção nos 12 meses seguintes. O sentimento empresarial atingiu o nível mais elevado em oito meses, apoiado na expectativa de que fosse mais fácil obter matérias-primas e de que as condições de mercado continuassem a melhorar.
A confiança permaneceu, ainda assim, abaixo do nível anterior à guerra no Médio Oriente. As empresas estavam mais otimistas do que nos últimos meses, embora continuassem a enfrentar os custos dos combustíveis e as dificuldades comerciais referidos no inquérito de outubro.
O inquérito não indica um calendário preciso para a facilitação do abastecimento de materiais ou para uma recuperação das encomendas de exportação. Essas melhorias eram expectativas que sustentavam o otimismo dos fabricantes, enquanto as respostas de outubro registavam atrasos persistentes e uma queda das encomendas do estrangeiro.
Para os gestores das fábricas, as prioridades imediatas eram concretas: garantir materiais suficientes, gerir despesas de transporte mais elevadas e concluir as encomendas dos clientes. Seria mais fácil converter um fluxo mais forte de novas encomendas em produção se os abastecimentos chegassem com maior fiabilidade.
O lugar de outubro na tendência recente
Os resultados de outubro, publicados em 2 de novembro de 2026, reuniram várias tendências que evoluíam a ritmos diferentes. As principais datas e comparações mostram por que razão o PMI subiu, apesar de o quadro do funcionamento das fábricas se ter tornado mais cauteloso.
- Setembro de 2026: O PMI da indústria transformadora situou-se em 51,9 e os preços de venda das fábricas subiram apenas ligeiramente.
- 12 a 22 de outubro de 2026: Foram recolhidas respostas de cerca de 400 fabricantes para o inquérito de outubro.
- Outubro de 2026: O PMI subiu para 52,3, assinalando o 16.º mês consecutivo de melhoria das condições empresariais.
- Outubro de 2026: As novas encomendas aumentaram pelo sexto mês, enquanto o emprego diminuiu pelo terceiro mês.
- 2 de novembro de 2026: A publicação dos resultados de outubro revelou um crescimento mais lento da produção e das encomendas, a par de aumentos mais rápidos dos custos.
A mudança mais clara face a setembro foi um contexto operacional mais exigente, apesar da continuidade da expansão. A produção e as novas encomendas continuaram a aumentar, mas mais lentamente. Os custos subiram mais depressa, os atrasos nas entregas agravaram-se e os fabricantes reduziram as existências enquanto tentavam manter a produção.
Principais pontos
- O PMI da indústria transformadora do Vietname subiu para 52,3 em outubro, face a 51,9 em setembro, prolongando a melhoria para 16 meses.
- O total de novas encomendas aumentou pelo sexto mês, mas a queda das encomendas de exportação abrandou o crescimento.
- O crescimento da produção abrandou para o nível mais baixo em seis meses, uma vez que algumas fábricas tiveram dificuldades em obter matérias-primas.
- Os atrasos nas entregas dos fornecedores foram os mais acentuados desde abril, e a inflação dos custos dos fatores de produção foi a mais rápida desde junho.
- O emprego diminuiu ligeiramente pelo terceiro mês, enquanto o trabalho por concluir e as existências recuaram.
- A confiança na produção para os 12 meses seguintes atingiu o nível mais elevado em oito meses, apoiada na expectativa de melhores abastecimentos e condições de mercado.






