Sabah e Sarawak representam mais de metade dos deslizamentos de terras registados
A Malásia registou 1.293 deslizamentos de terras desde 2021 e identificou 1.577 encostas em estado crítico, segundo Datuk Seri Nor Hisham Mohammad, director-geral do Departamento de Bombeiros e Salvamento. A chuva prolongada durante a Monção do Nordeste está a aumentar a preocupação com as encostas próximas de habitações, estradas e infra-estruturas essenciais.
Índice
- Sabah e Sarawak representam mais de metade dos deslizamentos de terras registados
- O que revelam os números anuais
- Que zonas suscitam particular preocupação?
- Como a chuva prolongada enfraquece uma encosta
- Para que servem os 34 sistemas de alerta
- Como o mapeamento procura detectar perigos antes de um deslizamento
- Como as autoridades se preparam para a chuva intensa
- Porque é que os danos podem estender-se muito para além de uma encosta
- A que devem estar atentos os residentes
- Pontos-chave
Sarawak registou 508 ocorrências, seguida de Sabah, com 195, e Selangor, com 176. Em conjunto, Sarawak e Sabah somam 703 ocorrências, cerca de 54,4% do total nacional. A concentração de casos coloca a Malásia Oriental no centro dos esforços do país para se preparar para deslizamentos de terras.
O alerta surge em paralelo com um programa governamental mais amplo para identificar terrenos instáveis antes de cederem. O vice-ministro dos Recursos Naturais e da Sustentabilidade Ambiental, Syed Ibrahim Syed Noh, disse à Dewan Rakyat, a 27 de Outubro, que o Departamento de Minerais e Geociências, conhecido como JMG, instalou 34 sistemas de alerta precoce em encostas consideradas de alto risco.
O mapeamento dos perigos e riscos associados às encostas realizado pelo JMG abrange agora quase 3.000 quilómetros quadrados, incluindo zonas de montanha e Kundasang, em Sabah. O trabalho relaciona as decisões sobre desenvolvimento e preparação para emergências com informação sobre o terreno, a precipitação e os movimentos do solo.
Para os residentes, as recomendações imediatas são práticas: estar atentos a novas fissuras, árvores ou postes de electricidade inclinados e alterações no caudal da água que escorre pelas encostas. Sair prontamente quando as autoridades ordenarem uma evacuação. Para os serviços de emergência, a tarefa é transformar mapas e dados de monitorização em decisões sobre o posicionamento das equipas de salvamento antes de a chuva intensa dificultar o acesso.
O que revelam os números anuais
Nor Hisham indicou 314 deslizamentos de terras em 2025, o valor anual mais elevado da série que apresentou. Sarawak registou 127 desses casos e Sabah, 75, num total de 202 ocorrências, cerca de 64,3% do total indicado para esse ano.
Os números anuais revelam danos repetidos em comunidades e vias de transporte:
- 2021: 242 ocorrências, incluindo danos em infra-estruturas causados pelas excepcionais inundações de Dezembro em Hulu Langat, Selangor, e Bentong, Pahang.
- 2022: 234 ocorrências, incluindo o deslizamento de terras de 16 de Dezembro num parque de campismo em Batang Kali, que causou 31 mortos.
- 2023: 188 ocorrências, o valor anual mais baixo da lista, incluindo danos em encostas na Academia Malaia Anticorrupção e em Bukit Tunku, em Kuala Lumpur.
- 2024: 231 ocorrências, com deslizamentos em estradas de Ranau, Genting Highlands e Paya Terubong que causaram cortes de estradas e mortes.
- 2025: 314 ocorrências, incluindo 127 em Sarawak e 75 em Sabah.
O valor de 2025 é superior em 83 às 231 ocorrências registadas em 2024, um aumento de cerca de 35,9%. É também superior em 126 ao mínimo de 188 registado em 2023.
A discriminação publicada precisa de ser clarificada. Os cinco valores anuais somam 1.209, menos 84 do que o total de 1.293 indicado no título. É ainda referido um valor de 84 ocorrências entre Janeiro e Setembro de 2025, um período que se sobrepõe ao total anual indicado para 2025. Não foi apresentada uma discriminação reconciliada que explique como estes valores se relacionam.
Que zonas suscitam particular preocupação?
O Departamento de Bombeiros e Salvamento cruzou dados com o JMG para identificar dezenas de locais de alto risco. Entre eles estão Hulu Langat, Ampang e Batang Kali, no vale do Klang, as estradas de acesso a Cameron Highlands, Paya Terubong, em Penang, e Kundasang, em Sabah.
Nor Hisham, que dirige o serviço nacional de bombeiros e salvamento, relacionou a vulnerabilidade destes locais com a construção em encostas:
O ritmo acelerado da construção em encostas nestes locais torna-os muito vulneráveis ao escoamento rápido da água da chuva durante a época das monções,
A construção em encostas altera tanto a forma do terreno como o percurso da água na descida. As estradas e os edifícios acrescentam peso, enquanto os taludes de escavação e os canais de drenagem podem concentrar a água corrente em determinados locais. Durante períodos de chuva prolongada, estas alterações podem exercer pressão adicional sobre terrenos já vulneráveis.
Os locais identificados incluem zonas residenciais, destinos de montanha e estradas que ligam comunidades. Um deslizamento pode, por isso, ameaçar directamente as pessoas e bloquear as vias necessárias para chegar até elas.
Como a chuva prolongada enfraquece uma encosta
Nor Hisham afirmou que a precipitação intensa e prolongada permite a acumulação de água subterrânea, aumentando a pressão da água nos poros e enfraquecendo a coesão do solo até as encostas cederem. A pressão da água nos poros é a pressão exercida pela água nos pequenos espaços entre as partículas do solo.
O solo mantém-se numa encosta, em parte, porque as suas partículas resistem ao deslizamento umas sobre as outras. À medida que a pressão da água aumenta entre elas, essa resistência pode diminuir. O terreno que antes suportava o próprio peso, a vegetação ou estruturas pode então começar a mover-se.
O escoamento superficial cria outro problema. A água que desce rapidamente pode arrastar o solo, enquanto os sistemas de drenagem incapazes de escoar esse volume podem transbordar. A água pode então chegar a zonas onde erode a superfície ou se infiltra na encosta.
Nor Hisham apontou as alterações na utilização dos terrenos, a desflorestação das encostas, a exploração mineira e a drenagem inadequada como factores que podem acelerar a erosão. A abertura de cortes nas encostas para estradas e construções pode perturbar a sua estabilidade natural. O peso das infra-estruturas e as vibrações dos veículos pesados também podem acelerar o aparecimento de fissuras ocultas nos taludes.
Estes processos ligam a manutenção acima e abaixo de uma encosta. Um dreno obstruído perto do topo pode desviar a água para terrenos mais abaixo, enquanto um corte para construir uma estrada pode alterar a forma como esses terrenos sustentam a encosta que fica acima.
Para que servem os 34 sistemas de alerta
Syed Ibrahim disse que os 34 sistemas de alerta precoce do JMG incluem equipamento de monitorização, sirenes e luzes de aviso. O equipamento observa as condições em encostas seleccionadas, enquanto as sirenes e as luzes permitem alertar as pessoas nas proximidades.
O vice-ministro descreveu as instalações numa resposta parlamentar a Datuk Verdon Bahanda, deputado independente por Kudat, que perguntou sobre o reforço do mapeamento de catástrofes e a utilização de tecnologia para melhorar as previsões e os avisos.
Os sistemas de alerta instalados têm uma finalidade diferente da do programa mais amplo de mapeamento. O mapeamento identifica zonas onde o terreno e outras condições representam perigo. O equipamento instalado num local específico ajuda a acompanhar as condições desse local e a apoiar uma resposta de alerta local.
Para quem vive perto de uma encosta instável, a ligação entre a monitorização e a evacuação é crucial. A informação sobre alterações nas condições do terreno só é útil se chegar aos residentes e às equipas de emergência com tempo suficiente para agirem.
Como o mapeamento procura detectar perigos antes de um deslizamento
O JMG recorre a sistemas de informação geográfica, detecção remota, medições por radar de satélite e levantamentos a laser para melhorar os seus mapas. Em conjunto, estas ferramentas ajudam as autoridades a analisar o terreno em grandes áreas e a estudar locais que poderão necessitar de monitorização mais próxima.
Um sistema de informação geográfica, ou SIG, reúne diferentes camadas de informação num mapa. Assim, é possível analisar em conjunto dados sobre o terreno, a geologia e outros elementos, em vez de os manter em registos separados.
O radar de abertura sintética interferométrico, conhecido como InSAR, compara observações de radar para detectar alterações na posição do solo. A detecção e medição da distância por luz, ou LiDAR, recorre a medições a laser para obter informação detalhada sobre a forma do terreno. Ambos podem ajudar a revelar características difíceis de avaliar num mapa comum.
Syed Ibrahim disse que a informação é partilhada através do Sistema de Informação Geoespacial de Minerais e Geociências da Malásia, conhecido como MyGEMS, e do Sistema Nacional de Informação sobre o Terreno e as Encostas, ou NaSIS. Estas plataformas permitem partilhar a informação necessária para avaliar os riscos de catástrofes.
O JMG também desenvolveu o GeoSlide, um sistema analítico que utiliza dados de precipitação e geologia para apoiar a avaliação do risco de deslizamentos de terras. A combinação destes dados ajuda as autoridades a considerar tanto as condições do terreno como a chuva que o afecta.
Como as autoridades se preparam para a chuva intensa
O Departamento de Bombeiros e Salvamento está a trabalhar com a Agência Nacional de Gestão de Catástrofes, conhecida como NADMA, e com agências técnicas para reforçar a preparação em zonas vulneráveis. Os mapas de perigos orientam o posicionamento de recursos de salvamento perto das áreas assinaladas a vermelho antes da emissão de avisos de chuva intensa.
Esses recursos incluem equipas de busca K9 e a Equipa Especial Malaia de Assistência e Salvamento em Catástrofes, conhecida como SMART. Posicionar equipas e equipamento mais perto de locais vulneráveis pode reduzir a distância a percorrer quando um deslizamento bloqueia estradas ou danifica vias de acesso.
Nor Hisham descreveu a forma como as agências dividem as suas responsabilidades de monitorização:
A MetMalaysia emite avisos meteorológicos continuamente, o JMG fornece dados geológicos e sobre os movimentos do terreno, enquanto o JKR monitoriza a integridade técnica das estruturas rodoviárias e das encostas.
Todos estes dados integrados servem de orientação às equipas de salvamento no planeamento de operações de busca e salvamento (SAR) mais seguras e rápidas,
A MetMalaysia está também a reforçar as suas previsões com radares meteorológicos, satélites e estações de observação. Syed Ibrahim disse que as suas capacidades incluem computação de alto desempenho, inteligência artificial e o Sistema de Previsão Imediata por Integração de Radares, que permite elaborar previsões detalhadas da chuva que se aproxima.
Porque é que os danos podem estender-se muito para além de uma encosta
A emergência de Setembro de 2025 em Sabah mostrou como um deslizamento numa encosta pode afectar comunidades muito longe do local onde ocorreu. Um deslizamento perto de Kampung Sarapung, em Penampang, derrubou um poste de transporte de electricidade a 13 de Setembro, afectando cerca de 230.000 contas de consumidores no pico da interrupção do serviço.
O colapso de uma torre de transmissão em Sabah danificou a Torre 5 do corredor de 275 kV entre Kolopis e Segaliud. A ligação transporta electricidade dos centros de produção da costa ocidental para comunidades e empresas do leste.
Sandakan, Lahad Datu, Kinabatangan, Kunak, Semporna e Beluran foram as zonas mais afectadas. A chuva intensa, as estradas bloqueadas e o terreno instável dificultaram os trabalhos de emergência. O incidente conjugou várias pressões em simultâneo: operações de salvamento, infra-estruturas eléctricas danificadas e famílias à espera da reposição de serviços essenciais.
Esta experiência mostra concretamente por que razão é necessário monitorizar em conjunto estradas, encostas e infra-estruturas. Uma encosta vulnerável junto de uma importante linha de transporte de electricidade ou de uma estrada de acesso pode afectar uma área muito mais vasta quando cede.
A que devem estar atentos os residentes
Nor Hisham instou os residentes das zonas vulneráveis a estarem atentos a novas fissuras em pavimentos ou paredes, a árvores e postes de electricidade que comecem a inclinar-se e a alterações súbitas na cor da água que escorre pelas encostas ou pelos drenos. Estes são sinais de que as condições do terreno podem estar a mudar.
A alteração da cor da água pode indicar que o solo está a ser arrastado pela corrente. Objectos inclinados e novas fissuras podem ser sinais de movimento no terreno que os sustenta. Durante períodos de chuva prolongada, estas alterações exigem atenção imediata, porque as encostas podem continuar a enfraquecer à medida que a água se acumula.
O conselho de Nor Hisham para quem vive perto de encostas íngremes foi directo:
Acima de tudo, mantenham-se afastados de encostas íngremes durante períodos de chuva prolongada e cumpram de imediato as ordens de evacuação das autoridades, sem esperar que a situação se agrave,
Os residentes que recebam uma ordem de evacuação devem sair prontamente. A mesma chuva que enfraquece uma encosta pode também obstruir estradas e dificultar o acesso das equipas de salvamento, reduzindo o tempo disponível para sair em segurança.
Pontos-chave
- O responsável máximo dos bombeiros e do salvamento da Malásia indicou 1.293 deslizamentos de terras desde 2021 e 1.577 encostas em estado crítico.
- Sarawak registou 508 ocorrências, Sabah 195 e Selangor 176.
- A discriminação anual soma 1.209 ocorrências e precisa de ser reconciliada com o valor total indicado.
- O JMG instalou 34 sistemas de alerta precoce e mapeou perigos e riscos associados às encostas em quase 3.000 quilómetros quadrados.
- As autoridades estão a combinar dados meteorológicos, geológicos e sobre infra-estruturas para orientar a monitorização e a preparação das equipas de salvamento.
- Os residentes devem estar atentos aos movimentos do terreno, evitar encostas íngremes durante períodos de chuva prolongada e cumprir imediatamente as ordens de evacuação.






