Recuo em outubro evidencia disparidades crescentes entre setores
O índice oficial dos gestores de compras da indústria transformadora da China caiu para 49,3 em outubro de 2026, face a 50,1 em setembro, regressando à contração, à medida que enfraqueceram as novas encomendas, as exportações e a produção. A atividade da construção também recuou, deixando os três principais indicadores empresariais abaixo do limiar de 50 que separa a expansão da contração.
Índice
- Recuo em outubro evidencia disparidades crescentes entre setores
- O que significam os números do inquérito
- Calendário dos feriados e recuo das encomendas de exportação afetam a procura
- Fábricas de tecnologia e equipamentos continuam em expansão
- Pequenos fabricantes enfrentam maior pressão
- Custos dos fatores de produção sobem mais depressa do que os preços à saída da fábrica
- Viagens durante os feriados sustentam os serviços, mas as novas encomendas enfraquecem
- A construção enfrenta um problema mais grave nas encomendas
- O impulso financeiro de Pequim tem agora de chegar aos projetos
- Pontos principais
Os dados divulgados a 31 de outubro pelo Centro de Inquéritos ao Setor dos Serviços do Gabinete Nacional de Estatísticas e pela Federação Chinesa de Logística e Compras revelaram que a indústria transformadora contraiu pela terceira vez em quatro meses. O índice de atividade empresarial não transformadora, que abrange os serviços e a construção, desceu de 50,2 para 49,7. O índice composto da produção caiu de 50,7 para 49,7.
A indústria transformadora de tecnologia avançada manteve-se como um ponto forte. O índice deste segmento situou-se em 51,3, enquanto o da produção de equipamentos registou 50,6. As grandes fábricas continuaram a expandir-se, mas as empresas de média e pequena dimensão registaram valores de 48,4 e 47,5, respetivamente.
Os resultados de outubro centram as atenções na questão de saber se os setores tecnológicos mais fortes e o investimento público conseguirão gerar atividade empresarial suficiente para compensar o enfraquecimento da procura noutros setores. As empresas de construção indicaram um índice de novas encomendas de apenas 40,0, apesar de Pequim ter disponibilizado centenas de milhares de milhões de yuans em financiamento destinado a apoiar projetos.
O que significam os números do inquérito
Os gestores de compras indicam se as condições nas suas empresas melhoraram, pioraram ou se mantiveram inalteradas em relação ao mês anterior. As respostas abrangem áreas como a produção, as encomendas, o emprego e os fornecimentos. Um valor acima de 50 indica expansão, abaixo de 50 indica contração e 50 corresponde, de um modo geral, à estabilidade.
O valor da indústria transformadora em outubro ficou 0,8 pontos abaixo do de setembro. A produção recuou mais acentuadamente, caindo 1,9 pontos para 49,8, enquanto as novas encomendas diminuíram 1,1 pontos para 49,4. As fábricas receberam menos encomendas e ajustaram a produção perante o abrandamento da procura.
O resultado ficou também aquém das expectativas dos economistas. Uma sondagem de previsões apontava para 50,0 e outra previa 49,9. Ambas antecipavam um valor superior aos 49,3 efetivamente registados.
Calendário dos feriados e recuo das encomendas de exportação afetam a procura
Huo Lihui, estatístico-chefe do Centro de Inquéritos ao Setor dos Serviços do GNE, atribuiu parte do recuo de outubro à antecipação da procura para antes do feriado do Dia Nacional e a um contexto internacional complexo. As empresas que receberam encomendas mais cedo tiveram menos procura nova para sustentar a atividade em outubro.
As encomendas de Natal destinadas aos mercados externos concentraram-se em setembro, antes de abrandarem no mês seguinte. O índice de novas encomendas de exportação desceu de 50,0 para 48,7, uma queda de 1,3 pontos. O consumo interno também abrandou depois do feriado do início de outubro, enquanto os produtores de matérias-primas básicas entraram num período sazonalmente mais lento.
A indústria de bens de consumo registou um PMI de 48,8, menos 1,9 pontos. O seu índice de novas encomendas caiu mais de três pontos, para menos de 49. Os setores com elevado consumo de energia registaram um PMI de 47,3, menos 0,7 pontos, enquanto os têxteis, os produtos minerais não metálicos e a transformação de metais não ferrosos apresentaram índices de produção e encomendas abaixo de 50.
Zhang Liqun, analista da Federação Chinesa de Logística e Compras, apontou a procura como a principal preocupação e defendeu um apoio mais célere, incluindo o aumento do investimento público em bens e serviços fornecidos pelo Estado.
«A insuficiência da procura está a aumentar a pressão descendente sobre a economia», afirmou Zhang.
A sequência mostra como o abrandamento se desenvolveu:
- Setembro: A indústria transformadora regressou brevemente à expansão, com 50,1, apoiada em parte pelas encomendas feitas antes do feriado e pela procura externa de Natal.
- Início de outubro: As viagens e as despesas durante o Dia Nacional impulsionaram os transportes, o alojamento e o entretenimento.
- Até 28 de outubro: As autoridades tinham disponibilizado a totalidade dos 800 mil milhões de yuans ao abrigo de um novo instrumento de financiamento de políticas para projetos prioritários.
- 31 de outubro: O inquérito mensal indicou contração na indústria transformadora e na construção, enquanto os serviços ficaram no limiar dos 50.
Fábricas de tecnologia e equipamentos continuam em expansão
Os fabricantes de equipamentos ferroviários, navais e aeroespaciais, bem como os produtores de computadores, equipamentos de comunicações e eletrónica, registaram índices de produção e novas encomendas de pelo menos 53,0. Estes valores ficaram bastante acima dos do conjunto da indústria transformadora.
Os índices de produção da indústria de equipamentos e da indústria transformadora de tecnologia avançada mantiveram-se acima de 50 durante 27 meses consecutivos. O índice de novas encomendas dos fabricantes de equipamentos subiu para mais de 51 em outubro, apoiado em parte por trabalhos ligados ao programa governamental de infraestruturas «Seis Redes».
Os resultados das empresas ilustraram a distância entre os negócios tecnológicos mais fortes e os setores expostos à fraca procura no mercado da habitação. A Zhongji Innolight, fabricante de módulos óticos que ligam servidores e comutadores em centros de dados de inteligência artificial, registou um lucro líquido no terceiro trimestre quase três vezes superior ao do período homólogo. A fabricante de mobiliário por medida Oppein Home reportou uma queda de 80 por cento no lucro líquido trimestral.
As infraestruturas de inteligência artificial criam procura de componentes especializados que transportam grandes volumes de dados entre máquinas. As vendas de mobiliário dependem mais diretamente da compra, decoração ou renovação de casas pelas famílias. O inquérito de outubro e os resultados das empresas mostraram que estes setores evoluem em direções muito diferentes.
Pequenos fabricantes enfrentam maior pressão
As grandes empresas industriais registaram um PMI de 50,2, menos 0,4 pontos do que em setembro, mas ainda ligeiramente acima do limiar de expansão. O valor das empresas médias caiu 1,3 pontos para 48,4, enquanto o das pequenas empresas recuou 1,4 pontos para 47,5.
A diferença entre as grandes e as pequenas empresas atingiu 2,7 pontos, com valores de 50,2 e 47,5, respetivamente. As empresas médias e pequenas registaram níveis de atividade inferiores e quedas mensais mais acentuadas do que os grandes fabricantes.
O índice de emprego na indústria transformadora manteve-se em 48,4, sem alteração face a setembro e abaixo do limiar. As existências de matérias-primas também se situaram em 48,4, embora o índice tenha subido 0,2 pontos, indicando uma redução mais lenta dos stocks. O índice dos prazos de entrega dos fornecedores avançou ligeiramente, de 50,1 para 50,2.
As expectativas dos fabricantes eram mais positivas do que a atividade atual. O índice de expectativas quanto à produção e à atividade empresarial situou-se em 53,4. Assim, as empresas mantiveram alguma confiança nas perspetivas futuras, apesar da quebra das encomendas e da produção em outubro.
Custos dos fatores de produção sobem mais depressa do que os preços à saída da fábrica
O índice dos preços de compra de matérias-primas pelos fabricantes caiu quatro pontos para 56,8. O índice dos preços de venda à saída da fábrica recuou 2,3 pontos para 51,7. Ambos permaneceram acima de 50, o que significa que os preços continuaram a subir no conjunto do inquérito, embora os aumentos se tenham tornado menos generalizados.
Alguns metais não ferrosos e outras matérias-primas ficaram mais baratos, ajudando a aliviar os custos de compra. A transformação de petróleo e combustíveis, as fibras químicas, a borracha e os plásticos continuaram sujeitos a maiores pressões sobre os preços, com índices de compra e venda acima de 60, num contexto de subida dos preços internacionais do petróleo bruto.
O índice dos preços de compra manteve-se 5,1 pontos acima do índice dos preços de venda, com valores de 56,8 e 51,7. Para os fabricantes que enfrentam uma quebra das encomendas, esta relação entre os custos dos materiais e os preços cobrados aos clientes torna-se especialmente importante: as empresas precisam de obter receitas de vendas suficientes para cobrir os custos de produção.
As empresas dos serviços e da construção enfrentaram uma pressão semelhante. O índice combinado dos preços dos fatores de produção foi de 51,5, enquanto o índice dos preços de venda se situou em 49,5. Os custos operacionais aumentaram no conjunto do inquérito, ao passo que os preços cobrados aos clientes diminuíram.
Viagens durante os feriados sustentam os serviços, mas as novas encomendas enfraquecem
O índice dos serviços manteve-se em 50,0 em outubro, menos 0,2 pontos do que em setembro. As viagens e despesas de consumo durante o Dia Nacional ajudaram os transportes ferroviários, o alojamento, a cultura, o desporto e o entretenimento a entrar em expansão.
Os transportes marítimos, os serviços postais e os serviços de internet, software e tecnologias da informação registaram índices de atividade empresarial acima de 55,0. As compras em linha sustentaram a procura dos serviços postais, enquanto os serviços de informação continuaram a beneficiar da atividade digital e do desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.
Os serviços financeiros enfraqueceram acentuadamente e explicaram grande parte da ligeira descida do índice dos serviços. Os serviços do mercado de capitais, os seguros e o imobiliário estiveram entre as categorias abaixo do limiar.
As novas encomendas foram mais fracas do que a atividade corrente. O índice de novas encomendas dos serviços caiu 1,5 pontos para 45,2. O índice de emprego nos serviços subiu 0,5 pontos para 46,7, enquanto as expectativas empresariais permaneceram positivas, nos 55,2, menos 0,3 pontos.
Os serviços têm um peso importante no crescimento da China. O setor contribuiu com 66,1 por cento para o crescimento económico no primeiro semestre do ano, mais 5,9 pontos percentuais do que no mesmo período do ano anterior. Isso coloca a contribuição do ano anterior nos 60,2 por cento. Os serviços geraram cerca de dois terços do aumento da produção económica no período mais recente.
A construção enfrenta um problema mais grave nas encomendas
O índice de atividade empresarial da construção caiu 2,3 pontos para 48,0, empurrando o índice não transformador para baixo de 50, apesar da estabilidade dos serviços. O índice de novas encomendas da construção recuou 5,7 pontos para 40,0, e o índice de emprego caiu 2,3 pontos para 42,0.
O índice de encomendas ficou oito pontos abaixo do índice de atividade da construção. Os empreiteiros reportaram um enfraquecimento mais acentuado do trabalho que está a entrar do que daquele que já está em curso, levando a que as atenções se concentrem na carteira de futuros projetos.
As expectativas na construção mantiveram-se acima de 50, nos 52,3, mas caíram 3,1 pontos face a setembro. No conjunto dos serviços e da construção, as novas encomendas recuaram de 46,5 para 44,4, enquanto as expectativas desceram de 55,5 para 54,7.
Wu Wei, analista da federação de logística, defendeu uma coordenação mais estreita entre o financiamento e a execução dos projetos. A questão prática é fazer chegar os fundos de uma dotação aprovada a um projeto que já tenha começado, contratado trabalhadores e iniciado a encomenda de equipamentos e materiais.
O impulso financeiro de Pequim tem agora de chegar aos projetos
Até 28 de outubro, as autoridades tinham disponibilizado 800 mil milhões de yuans ao abrigo de um novo instrumento de financiamento de políticas. O Ministério das Finanças também organizou a utilização de 550 mil milhões de yuans de quotas de endividamento não utilizadas dos governos locais, incluindo 250 mil milhões de capacidade de emissão de dívida especial para províncias com necessidades de financiamento de projetos no quarto trimestre.
Os dois montantes totalizam 1,35 biliões de yuans em dotações de financiamento e capacidade de endividamento. A capacidade de emissão de dívida especial está incluída no total de 550 mil milhões de yuans. O apoio foi dirigido às principais províncias económicas, ao programa «Seis Redes» e a outras áreas prioritárias.
O investimento em infraestruturas caiu 4,2 por cento em termos homólogos nos primeiros três trimestres. Uma execução mais rápida das emissões obrigacionistas e o arranque de projetos poderão gerar encomendas para as empresas de construção e os fornecedores de equipamentos, dando ao impulso financeiro uma via direta para os setores que revelaram fragilidades em outubro.
He Hui, vice-presidente da Federação Chinesa de Logística e Compras, apontou a aceleração da despesa financiada por obrigações especiais, as promoções do comércio a retalho em linha e o crescimento contínuo do setor da inteligência artificial como possíveis fatores de apoio à indústria transformadora em novembro. A desaceleração sazonal de alguns setores deverá limitar a força de qualquer recuperação. Não foi indicada uma data específica para novas medidas de apoio.
O crescimento económico subiu de 4,3 por cento no trimestre anterior para 4,5 por cento no terceiro trimestre, enquanto as expectativas de crescimento anual se mantiveram dentro do intervalo de referência divulgado, entre 4,5 e 5,0 por cento. A atividade mais fraca em outubro torna a conversão do financiamento em encomendas concretas e trabalhos de construção numa questão central para o último trimestre.
Pontos principais
- O PMI da indústria transformadora caiu para 49,3 em outubro, face a 50,1 em setembro, na terceira contração em quatro meses.
- A produção, o total de novas encomendas e as novas encomendas de exportação desceram todos abaixo de 50.
- A indústria transformadora de tecnologia avançada e a produção de equipamentos continuaram em expansão, enquanto as fábricas mais pequenas enfrentaram maior pressão.
- Os serviços mantiveram-se em 50,0, apoiados pelas viagens durante os feriados e pela atividade digital, mas as novas encomendas enfraqueceram.
- A atividade da construção caiu para 48,0, com novas encomendas nos 40,0 e emprego nos 42,0.
- Pequim disponibilizou 800 mil milhões de yuans em financiamento de políticas e organizou 550 mil milhões de yuans de capacidade de endividamento local não utilizada, colocando o foco no arranque dos projetos e na execução da despesa.






