Vídeo no BMO Stadium motiva pedidos de medidas
Um espetador com uma camisola do Los Angeles FC gritou repetidamente «ni hao» ao capitão da Coreia do Sul, Son Heung-min, após o empate 2-2 do LAFC com o LA Galaxy no BMO Stadium, levando a pedidos de investigação e de uma possível interdição do estádio. O jogo garantiu ao LAFC um lugar nos play-offs da Major League Soccer, mas o episódio, ocorrido enquanto Son agradecia o apoio dos adeptos, desviou as atenções dessa conquista.
Índice
- Vídeo no BMO Stadium motiva pedidos de medidas
- O que aconteceu quando Son deixou o relvado?
- Porque é que a saudação foi considerada racista
- Adeptos pedem investigação e restrições
- As datas e os acontecimentos relacionados com o vídeo
- Son já foi alvo de insultos racistas
- Conquista nos play-offs ofuscada
- Pontos-chave
O vídeo, que circulou nas redes sociais e foi objeto de notícias a 27 de outubro de 2026, mostra Son a olhar na direção da pessoa que lhe gritava. O adepto que publicou o vídeo disse que o espetador tentava obter o autógrafo de Son num boné, repetindo a saudação em mandarim.
Adeptos criticaram o comportamento como racista por tratar o jogador coreano como chinês com base na sua aparência. Alguns pediram que lhe fossem retirados os privilégios associados ao bilhete de época, caso os tivesse. Outros instaram o LAFC e a MLS a investigar o caso e a tomar medidas para evitar incidentes semelhantes.
Até à publicação das notícias de 27 de outubro, nem o LAFC nem a direção da MLS tinham divulgado qualquer comunicado oficial. Não tinham sido anunciados a identidade do espetador, o estatuto do seu bilhete nem eventuais medidas disciplinares.
O que aconteceu quando Son deixou o relvado?
Son dava a volta ao relvado para agradecer o apoio dos adeptos depois do empate quando ocorreu o incidente, segundo a pessoa que publicou as imagens. O espetador vestia a camisola do clube do próprio Son, e encontrava-se, assim, entre pessoas reunidas para apoiar o LAFC.
Segundo a pessoa que publicou o vídeo, o espetador dirigiu repetidamente a saudação a Son enquanto tentava obter um autógrafo. As imagens também mostram Son a virar-se para o espetador. As notícias publicadas a 27 de outubro não incluíam qualquer comentário público de Son sobre o episódio.
O adepto que partilhou a gravação disse que alertou a segurança do estádio, mas o espetador já tinha saído da Secção 111. Segundo esse adepto, os funcionários da segurança disseram que pouco podiam fazer naquele momento, uma vez que a pessoa já não se encontrava no local.
Outros adeptos reconheceram o espetador como alguém que assistia frequentemente aos jogos, disse a pessoa que publicou o vídeo. Essa alegação contribuiu para os pedidos de medidas que limitassem o seu acesso ao estádio, embora assistir regularmente aos jogos e ter um bilhete de época sejam coisas distintas.
Porque é que a saudação foi considerada racista
«Ni hao» significa «olá» em mandarim. As críticas dos adeptos centraram-se no uso repetido da expressão perante um jogador coreano conhecido, e não no significado habitual da saudação. Tratar uma pessoa do Leste Asiático como chinesa, sem ter em conta a sua identidade, reduz diferentes nacionalidades e culturas a um único estereótipo.
Son representa a Coreia do Sul e é o capitão da seleção nacional de futebol do país. A crítica foi a de que o espetador ignorou essa identidade enquanto tentava chamar a sua atenção. Segundo a pessoa que publicou o vídeo, houve um pedido de autógrafo durante o episódio, juntamente com um comportamento que os adeptos consideraram desrespeitoso.
O incidente também foi descrito como uma microagressão racista. O termo refere-se a uma observação ou ação que transmite um estereótipo ou desprezo racial, por vezes através de palavras que, fora do contexto, parecem banais. Neste caso, o contexto, a repetição e a pessoa a quem se dirigiam explicam as críticas.
Os adeptos que partilharam o vídeo descreveram as palavras como ofensivas e rejeitaram a ideia de que pudessem ser simplesmente desvalorizadas como uma piada ou um engano. Um adepto mostrou-se incrédulo por o incidente ter acontecido em Los Angeles em 2026. A reação centrou-se na forma como Son foi tratado, mesmo durante uma breve interação após o jogo.
Adeptos pedem investigação e restrições
Os adeptos instaram o LAFC e a MLS a investigar o incidente e a ponderar medidas para evitar que se repita. Entre os pedidos mais veementes estavam o cancelamento dos privilégios associados ao bilhete de época do espetador e a sua interdição do estádio; a pessoa que publicou o vídeo pediu uma interdição vitalícia.
Em geral, um bilhete de época dá acesso aos jogos em casa agendados pelo clube. A sua revogação retiraria esse acesso recorrente. Uma interdição do estádio restringiria a assistência de forma mais abrangente, incluindo a entrada com outros bilhetes, dependendo das condições impostas.
O relato da pessoa que publicou o vídeo indica ao clube um local específico, a Secção 111, e descreve o episódio. Explica também por que motivo o adepto procurou uma resposta para além da interação imediata com a segurança: o espetador já se tinha ido embora antes de os funcionários poderem abordar a queixa na sua presença.
A pessoa que publicou o vídeo divulgou também uma fotografia em que o rosto do espetador estava desfocado. A fotografia e a indicação da Secção 111 poderiam servir de ponto de partida para uma investigação, mas não provavam que o LAFC tivesse iniciado uma. Até segunda-feira, o LAFC não se tinha pronunciado publicamente sobre a queixa relativa à segurança nem confirmado qualquer investigação; a MLS também não tinha respondido publicamente nem anunciado medidas disciplinares relacionadas com o incidente.
Para os adeptos que pedem medidas, a questão imediata é a forma como o clube responde a uma alegação que envolve alguém com as suas próprias cores. Os pedidos vão além da punição e visam impedir que os jogadores sejam alvo de tratamento semelhante quando saúdam o público. Uma resposta do LAFC também permitiria aos adeptos perceber melhor o que aconteceu depois de a queixa ter chegado aos funcionários do estádio.
As datas e os acontecimentos relacionados com o vídeo
As notícias publicadas a 27 de outubro situam o incidente depois do empate 2-2 do LAFC com o Galaxy. Uma indica que o jogo teve lugar em Los Angeles a 26 de outubro; outra usa a data de 26 de outubro, segundo a hora da Coreia. Ambas descrevem o mesmo estádio, resultado e episódio, ocorrido enquanto Son agradecia o apoio dos adeptos após o jogo.
A sequência liga um marco desportivo à queixa que se seguiu:
- 14 de outubro de 2026: Son marcou um golo e fez duas assistências na vitória do LAFC por 3-1 sobre o Austin FC, no BMO Stadium.
- 26 de outubro, segundo as notícias sobre o jogo: O LAFC empatou 2-2 com o LA Galaxy, garantindo um lugar nos play-offs.
- Após o jogo com o Galaxy: Segundo o vídeo e a pessoa que o publicou, um espetador gritou repetidamente «ni hao» na direção de Son enquanto este saudava os adeptos.
- 27 de outubro: As imagens começaram a ser divulgadas, acompanhadas de pedidos de investigação e de restrições à presença do espetador no estádio.
Segundo o relato do adepto, a ida à segurança ocorreu depois dos gritos. Esse momento é relevante para compreender a resposta do estádio: a queixa chegou aos funcionários quando o espetador já tinha saído da secção.
Son já foi alvo de insultos racistas
Son foi alvo de insultos racistas durante a sua passagem pelo Tottenham Hotspur, em Inglaterra. Entre os incidentes anteriores contam-se espetadores que lhe dirigiram estereótipos sobre pessoas asiáticas, bem como um gesto racista feito por um adepto do Chelsea.
Em 2017, um adepto do Chelsea que fez um gesto de puxar os cantos dos olhos na direção de Son foi banido por tempo indeterminado do estádio. Esse caso é um exemplo concreto de uma restrição de acesso na sequência de comportamento racista dirigido ao mesmo jogador.
Uma interdição por tempo indeterminado não tem uma data fixa para terminar. A sanção anterior ajuda a explicar por que motivo os adeptos pedem agora ao LAFC que pondere restringir o acesso ao estádio, em vez de se limitar a divulgar um comunicado.
A queixa mais recente também surgiu no meio dos adeptos da equipa atual de Son. A camisola do LAFC do espetador e a alegada tentativa de obter um autógrafo foram elementos centrais do relato, que descreve o alegado abuso durante uma interação apresentada como uma tentativa de um adepto de se aproximar de um jogador.
Conquista nos play-offs ofuscada
O empate do LAFC com o Galaxy garantiu à equipa um lugar nos play-offs, dando-lhe a oportunidade de prolongar a época para além do calendário da fase regular. Em vez disso, o vídeo chamou a atenção do público para o que Son viveu enquanto agradecia o apoio dos adeptos após o resultado.
Menos de duas semanas antes, Son tivera um papel decisivo na vitória sobre o Austin. A 14 de outubro, fez duas assistências e marcou aos 72 minutos, na vitória por 3-1 no BMO Stadium, pondo fim a uma série de quatro jogos da liga sem vencer.
As duas assistências dessa noite elevaram o total de Son na época da MLS para 15, mais do que qualquer outro jogador, incluindo Lionel Messi, do Inter Miami, que tinha 14. O LAFC terminou o jogo com o Austin com 45 pontos e no sexto lugar da Conferência Oeste. O empate posterior com o Galaxy trouxe o marco seguinte: a qualificação para os play-offs.
Para Son, o episódio mais recente ocorreu durante a rotina habitual de agradecer o apoio dos adeptos após um jogo. Para o LAFC, a questão imediata levantada pelos adeptos é responder à queixa sobre o comportamento no seu estádio, enquanto a equipa se prepara para prosseguir a época.
Pontos-chave
- Um vídeo mostra um espetador com uma camisola do LAFC a gritar repetidamente «ni hao» na direção do capitão da Coreia do Sul, Son Heung-min, após o empate 2-2 com o LA Galaxy.
- A pessoa que publicou o vídeo disse que o espetador queria um autógrafo e que já tinha saído da Secção 111 quando a segurança podia intervir.
- Adeptos pediram uma investigação, o cancelamento de eventuais privilégios associados ao bilhete de época e uma possível interdição do estádio.
- Até à publicação das notícias de 27 de outubro, o LAFC e a MLS não tinham divulgado qualquer comunicado oficial. Até segunda-feira, o LAFC não tinha confirmado uma investigação e a MLS não tinha anunciado medidas disciplinares relacionadas com o incidente.
- O empate garantiu ao LAFC um lugar nos play-offs. Son já tinha sido alvo de insultos racistas quando jogava em Inglaterra.






