Nove distribuidoras de eletricidade no centro da mais recente iniciativa
O Paquistão está a trabalhar na privatização de 17 empresas públicas, incluindo nove distribuidoras de eletricidade, e a avançar com a gestão privada dos seus três principais aeroportos, em Islamabade, Carachi e Lahore. Muhammad Ali, conselheiro do primeiro-ministro para a privatização e presidente da Comissão de Privatização, apresentou o programa na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, durante a cimeira de CEO em Islamabade.
Índice
- Nove distribuidoras de eletricidade no centro da mais recente iniciativa
- Dez potenciais compradores avançam para a IESCO
- Aeroportos avançam para a concorrência aberta
- Crédito agrícola e seguros seguem vias distintas
- Como o programa mudou desde 2024
- Algumas empresas estão a ser excluídas da venda
- Ali relaciona o investimento privado com a poupança interna
- Remessas superam as exportações de bens em 11,6 mil milhões de dólares
- Os trabalhadores fazem parte do plano de investimento
- Pontos principais
As operações no setor da eletricidade chegaram a uma fase concreta: a direção da comissão aprovou 10 interessados para avançarem no processo de privatização da Islamabad Electric Supply Company Limited (IESCO). Também estão a progredir operações nos setores bancário e segurador, incluindo alterações destinadas a preservar o crédito agrícola no Zarai Taraqiati Bank Limited (ZTBL) e a escolha de um consórcio de consultoria financeira preferencial para a State Life Insurance Corporation of Pakistan.
Os aeroportos estão a ser tratados por outra via. O Governo está a ponderar contratos de gestão ou concessões comerciais, ao abrigo dos quais empresas privadas explorariam as instalações segundo condições acordadas. A posição oficial é a de que investidores nacionais e estrangeiros devem concorrer através de concursos públicos.
Ali apresentou estas operações como parte de um programa económico mais amplo, que liga a fiabilidade do fornecimento de eletricidade, o investimento privado, as exportações e as competências da força de trabalho. Disse que o Paquistão enfrentou graves dificuldades económicas e orçamentais em 2022 e 2023 e que agora precisa de implementar reformas de forma consistente para sustentar o crescimento.
Para as famílias, empresas, agricultores e viajantes, o programa abrange serviços usados todos os dias: fornecimento de eletricidade, crédito agrícola, seguros e operações aeroportuárias. As decisões já anunciadas dizem respeito à elegibilidade dos investidores, à estruturação das operações e aos consultores; será ainda necessário desenvolver trabalho antes de as operações poderem ser concluídas.
Dez potenciais compradores avançam para a IESCO
A IESCO, a Faisalabad Electric Supply Company Limited (FESCO) e a Gujranwala Electric Power Company Limited (GEPCO) constituem o primeiro grupo de distribuidoras de eletricidade selecionadas para privatização. Estas empresas, habitualmente designadas por DISCOs, fornecem eletricidade a casas e empresas através de redes locais e cobram os pagamentos dos clientes.
Entre as 10 entidades aprovadas para a IESCO estão três empresas turcas do setor energético: Aktor Elektrik Enerji Yatirimlari, Genvera Enerji e Cengiz Enerji. Entre os participantes paquistaneses encontram-se a Engro Energy, a Sapphire Fibers, a Novatex e a Bestway Cement, bem como consórcios liderados pela Artistic Milliners, pela Hub Power Holding e pela Hasnaat Brothers Construction.
Os investidores aprovados terão agora acesso a uma sala de dados virtual. Trata-se de um repositório seguro de documentos empresariais que os potenciais compradores analisam para compreender as finanças, as operações e as obrigações de uma empresa antes de decidirem o que oferecer. Essa análise é conhecida como diligência devida.
A direção aprovou também membros adicionais para o consórcio da Artistic Milliners, que já tinha sido qualificado para a operação da FESCO. O consórcio inclui a Lake City Holdings, a Fatima Capital, a Din Ventures e a Fazal Cloth Mills. Este acordo permite a participação no primeiro grupo de operações no setor da eletricidade, sujeita aos requisitos de cada venda.
Ali incluiu a energia a preços acessíveis e fiável entre as suas principais prioridades económicas. A distribuição de eletricidade liga, assim, duas vertentes do seu programa: a reestruturação das empresas públicas e a melhoria das condições em que outras empresas produzem bens, empregam trabalhadores e concorrem por encomendas de exportação.
Aeroportos avançam para a concorrência aberta
A declaração da Comissão de Privatização sobre o programa aeroportuário, divulgada como comunicado de imprensa n.º 02/2026, confirma que o Aeroporto Internacional de Islamabade passou a integrar o programa ativo de privatizações, a par dos processos relativos ao Aeroporto Internacional Jinnah, em Carachi, e ao Aeroporto Internacional Allama Iqbal, em Lahore.
A comissão aponta os contratos de gestão e as concessões comerciais de longo prazo como possíveis modelos. Um contrato de gestão designa um operador para gerir atividades acordadas. Uma concessão atribui direitos de exploração e comerciais por um período definido, com responsabilidades estabelecidas num contrato.
Em novembro de 2025, o Governo decidiu substituir os acordos negociados entre governos por concursos públicos para a exploração dos três aeroportos. A comissão afirmou que o forte interesse dos investidores motivou a alteração e que os investidores locais e estrangeiros elegíveis teriam oportunidades iguais de participação.
A comissão abordou também alegações sobre um acordo aeroportuário com os Emirados Árabes Unidos. Afirmou que nunca foi assinado qualquer contrato de arrendamento desse tipo para Islamabade ou qualquer um dos outros aeroportos. As conversações envolveram entidades dos Emirados Árabes Unidos, da Turquia e da Arábia Saudita, bem como outras partes interessadas internacionais.
Os objetivos declarados do Governo são melhorar os serviços, aumentar as receitas, modernizar as infraestruturas e atrair investimento privado. Para os passageiros, esses objetivos dizem respeito à qualidade das instalações e das operações aeroportuárias. As funções exatas de um operador e a forma de avaliar o seu desempenho dependerão do contrato que vier a ser celebrado.
Crédito agrícola e seguros seguem vias distintas
A operação do ZTBL está a ser estruturada em torno do seu papel no financiamento da agricultura. A direção da Comissão de Privatização aprovou alterações à estrutura da operação e ao plano de reestruturação, na sequência de instruções do primeiro-ministro para manter o foco do banco no financiamento da agricultura e dos agricultores após a privatização.
Para os agricultores, este requisito é importante porque a operação prevista diz respeito tanto à propriedade como à continuidade da missão do banco. A abordagem aprovada procura manter o financiamento agrícola como função central, ao mesmo tempo que o Governo altera a propriedade e a organização da instituição.
A State Life encontra-se numa fase de consultoria. A direção escolheu um consórcio liderado pelo Deutsche Bank como candidato mais bem classificado para a nomeação de consultor financeiro e formou uma comissão para negociar o Acordo de Serviços de Consultoria Financeira. Um consultor ajuda a preparar e estruturar uma operação e a orientar o processo de venda.
As medidas anunciadas incluem a diligência devida dos investidores para a IESCO e negociações do contrato de consultoria para a State Life; não foram indicadas datas de conclusão, preços finais nem condições pormenorizadas para estas operações e para os acordos aeroportuários.
Como o programa mudou desde 2024
Em 14 de maio de 2024, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif alargou a política de privatização do Governo e anunciou planos para privatizar todas as empresas públicas, com exceção das classificadas como estratégicas. A abordagem anterior centrava-se nas empresas deficitárias. A política mais abrangente passou a incluir a própria propriedade pública de empresas comerciais na análise.
A lista apresentada em 2024 incluía 25 entidades e ativos. Abrangia a Pakistan International Airlines, o Roosevelt Hotel, em Manhattan, duas seguradoras, quatro centrais elétricas e 10 empresas de produção e distribuição de eletricidade. Duas das centrais tinham uma capacidade superior a 1.200 megawatts cada. Nessa altura, o Governo estava também a discutir uma operação entre governos envolvendo o First Women Bank e os Emirados Árabes Unidos.
As principais etapas mostram como a política passou de um anúncio abrangente a decisões sobre operações individuais:
- 14 de maio de 2024: Sharif anunciou a privatização de empresas públicas, exceto as entidades estratégicas, dando prioridade às empresas deficitárias.
- Novembro de 2025: O Governo optou por concursos públicos para os acordos de exploração dos três aeroportos.
- 1 de dezembro de 2025: A direção da Comissão de Privatização recomendou a inclusão de três empresas no programa e a retirada de outras duas.
- Na declaração da comissão sobre os aeroportos, em 2026: A comissão confirmou a inclusão do aeroporto de Islamabade no programa ativo.
- 22 de outubro de 2026: Ali apresentou, na cimeira de CEO em Islamabade, o trabalho relativo a 17 empresas e a gestão privada de três aeroportos.
O número de 2024 referia-se a uma lista de entidades e ativos abrangidos pelo programa, enquanto o número mais recente de Ali diz respeito às empresas em que a comissão está a trabalhar. A comissão também tem estado a avaliar quais as empresas adequadas para uma operação, pelo que a composição do programa é uma decisão política em aberto.
Algumas empresas estão a ser excluídas da venda
A declaração da comissão sobre a reunião de dezembro apresenta pormenores sobre essa avaliação. Na sua 243.ª reunião, em 1 de dezembro de 2025, presidida por Ali, a direção analisou uma avaliação da Comissão de Investimento relativa a 15 empresas indicadas pelos ministérios.
Apenas três obtiveram parecer favorável à inclusão recomendada: a Saindak Metals Limited, a Pakistan Minerals Development Corporation e a National Insurance Company Limited. As outras 12 foram consideradas inadequadas para privatização. Isso significa que apenas um quinto das empresas analisadas nessa avaliação avançou para possível inclusão.
A direção recomendou, em separado, a retirada da Sindh Engineering Limited e da Utility Stores Corporation. A Sindh Engineering está inativa desde 2007–08, e os seus únicos ativos tangíveis eram terrenos afetados por litígios. A Utility Stores cessou atividade na sequência de uma decisão do Governo, e as suas responsabilidades excediam substancialmente os seus ativos.
A comissão afirmou que os ministérios poderiam ponderar outras opções, incluindo a liquidação, para as empresas inadequadas para venda. A liquidação consiste em encerrar uma organização e tratar dos seus ativos e dívidas. As decisões de dezembro mostram por que motivo um programa de privatizações também exige escolhas sobre empresas que deixaram de funcionar ou cujas obrigações dificultam uma venda.
Ali relaciona o investimento privado com a poupança interna
Ali organizou as suas propostas económicas num quadro de cinco eixos chamado TRUST: direcionar recursos para setores competitivos, manter as reformas, mobilizar capital privado, aumentar as exportações e desenvolver competências. Defendeu que estas prioridades deviam avançar em conjunto.
Muhammad Ali, conselheiro do primeiro-ministro para a privatização, descreveu a confiança e a continuidade das políticas como elementos centrais desta abordagem:
O segredo do desenvolvimento está numa palavra: confiança.
A poupança interna do Paquistão correspondia a 14% do produto interno bruto, face a 34% no Bangladesh e 30% na Índia, segundo os dados citados por Ali. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos numa economia. A taxa de poupança mostra que parte desse valor é poupada, em vez de consumida.
Com base nestes valores, a taxa do Paquistão ficava 20 pontos percentuais abaixo da do Bangladesh e 16 pontos abaixo da da Índia. Ali recorreu a esta comparação para defender o aumento da poupança destinada a financiar o investimento, a par de mais investimento estrangeiro e de apoio a novas empresas.
Defendeu também uma melhor documentação da atividade económica, para que uma parte maior fosse abrangida pelo sistema fiscal. O seu objetivo declarado era alargar a base tributária sem aumentar o encargo das pessoas e empresas que já pagam impostos. Ali argumentou que a privatização e as parcerias com empresas privadas poderiam trazer capital e conhecimentos especializados para empresas e infraestruturas, libertando recursos públicos para serviços essenciais.
Remessas superam as exportações de bens em 11,6 mil milhões de dólares
Os trabalhadores no estrangeiro enviaram cerca de 41,6 mil milhões de dólares para o Paquistão no último ano fiscal, em comparação com aproximadamente 30 mil milhões de dólares obtidos com as exportações de mercadorias, afirmou Ali. A diferença foi de 11,6 mil milhões de dólares: as remessas foram cerca de 39% superiores às exportações de bens.
As remessas são dinheiro enviado para o país por pessoas que trabalham no estrangeiro. As exportações de bens são produtos vendidos a clientes noutros países. Ambas trazem divisas para o Paquistão, mas Ali defendeu que um crescimento sustentado exige uma produção interna mais forte e exportações com maior valor acrescentado.
A agricultura e a transformação alimentar, os têxteis e o vestuário, e as tecnologias da informação e os serviços digitais foram os setores que identificou como prioritários. Disse que o Paquistão devia concentrar-se em atividades em que já tem pontos fortes, que contam com procura internacional, capacidade para criar emprego em larga escala e potencial para gerar divisas.
Ali apontou a China, a Coreia do Sul, o Vietname e o Bangladesh como exemplos de economias que aproveitaram os seus pontos fortes, mantendo uma orientação política consistente. A sua proposta liga o crescimento das exportações ao programa da eletricidade: os produtores precisam de energia fiável, bem como de investimento e de trabalhadores capazes de responder às exigências dos clientes.
Os trabalhadores fazem parte do plano de investimento
A educação e a formação técnica constituíam a vertente de desenvolvimento de competências do quadro de Ali. Defendeu uma formação mais diretamente ligada às necessidades da indústria e argumentou que o Paquistão precisava de desenvolver a sua própria força de trabalho, mesmo quando fosse possível obter maquinaria e capital no estrangeiro.
As mulheres também foram abrangidas pelas suas propostas. Ali defendeu um acesso mais alargado à aquisição de competências e ao emprego, afirmando que uma maior participação das mulheres melhoraria a produtividade e a competitividade. A estas medidas juntou o apoio a novas empresas e o incentivo às empresas paquistanesas para se expandirem para os mercados internacionais.
A dimensão do programa ajuda a explicar o foco do Governo. As estimativas do Fundo Monetário Internacional citadas durante o debate sobre a política de 2024 indicavam que os ativos das empresas públicas correspondiam a 44% do PIB em 2019, e que quase metade dessas empresas teve prejuízos nesse ano. Estes dados históricos descrevem um setor empresarial público de grande dimensão, enquanto as decisões mais recentes da direção mostram o trabalho prático de selecionar investidores, preservar funções institucionais e decidir quais as operações que podem avançar.
A iniciativa atual do Paquistão combina, por isso, várias tarefas: transferir empresas para a propriedade privada, organizar a exploração privada de aeroportos, reestruturar instituições financeiras e encerrar empresas inadequadas para venda. O argumento económico mais amplo de Ali é que estas mudanças precisam de energia fiável, exportações mais fortes, investimento e competências para gerar um crescimento sustentado.
Pontos principais
- A Comissão de Privatização está a trabalhar em 17 empresas públicas, incluindo nove distribuidoras de eletricidade.
- Dez interessados foram aprovados para avançar na privatização da IESCO, incluindo três empresas turcas do setor energético.
- Os aeroportos de Islamabade, Carachi e Lahore estão a ser preparados para modelos de exploração privada através de concorrência aberta.
- O plano revisto para a operação do ZTBL procura preservar o crédito agrícola; a State Life avança para a nomeação de um consultor financeiro.
- Uma avaliação de dezembro de 2025 recomendou a inclusão de três empresas e a retirada da Sindh Engineering e da Utility Stores.
- Ali relacionou a privatização com o investimento, as exportações, a fiabilidade da eletricidade, as competências técnicas e mais oportunidades de emprego para as mulheres.






