Setembro deixa a Coreia 1,83 milhões de chegadas aquém do total do ano passado
A Coreia do Sul recebeu 17,11 milhões de visitantes estrangeiros entre janeiro e setembro de 2026, ficando a 1,83 milhões de chegadas dos 18,94 milhões registados durante todo o ano de 2025. A despesa dos visitantes estrangeiros com cartões turísticos cresceu ainda mais rapidamente, atingindo 15,94 biliões de won, cerca de 12 mil milhões de dólares, à medida que mais viajantes entraram por aeroportos e portos fora da região metropolitana de Seul.
Índice
- Setembro deixa a Coreia 1,83 milhões de chegadas aquém do total do ano passado
- Um ano forte, construído ao longo de vários meses
- China lidera, enquanto Taiwan cresce mais rapidamente
- Despesa com cartões cresce mais do que o número de visitantes
- Portas de entrada regionais ganham importância
- Alterações nos vistos ajudam a alargar a base de visitantes
- Campanhas culturais enfrentam custos de viagem mais elevados
- Coreia cresce mais depressa do que os concorrentes regionais
- Queixas revelam pressão sobre os serviços para visitantes
- Principais pontos
O Ministério da Cultura, do Desporto e do Turismo afirmou, a 22 de outubro, que as chegadas aumentaram 21,5 por cento face aos 14,08 milhões registados nos mesmos nove meses de 2025. O país já tinha atingido 90,3 por cento do total anual do ano passado, e o ministério previa que esse valor fosse ultrapassado durante outubro.
Em setembro chegaram 2,06 milhões de visitantes, mais 21,1 por cento do que um ano antes. Foi o terceiro mês consecutivo acima dos dois milhões, depois dos 2,09 milhões de julho e dos 2,25 milhões de agosto. O fluxo sustentado no verão e no início do outono deixa a Coreia do Sul perto do anterior marco anual, ainda com três meses por contabilizar.
Os ganhos trazem também um desafio prático: proporcionar uma melhor experiência a um número maior de visitantes. As queixas turísticas apresentadas até julho já tinham ultrapassado o total de todo o ano de 2025. O alojamento, as compras e os serviços de táxi estão entre as áreas que motivam queixas, apesar de o Governo atribuir a atração de mais viajantes à simplificação dos procedimentos de entrada e à promoção turística.
Um ano forte, construído ao longo de vários meses
O crescimento da Coreia do Sul não se limitou a um único feriado ou grande evento. As chegadas mensais ultrapassaram os dois milhões em cinco ocasiões até setembro, incluindo março e abril, além dos três meses a partir de julho.
Os principais marcos mostram como o ano evoluiu:
- Março: chegaram aproximadamente 2,05 milhões de visitantes estrangeiros.
- Abril: as chegadas atingiram 2,03 milhões.
- Julho: as chegadas atingiram 2,09 milhões.
- Agosto: 2,25 milhões de chegadas elevaram o total acumulado para 15,05 milhões.
- Setembro: 2,06 milhões de chegadas elevaram o total acumulado para 17,11 milhões.
O comunicado sobre as chegadas de turistas do ministério, de 28 de setembro, baseado em estatísticas da Organização de Turismo da Coreia, indicou que tanto as chegadas de agosto como o total até agosto atingiram os níveis mais elevados em 30 anos. As chegadas até agosto aumentaram 21,6 por cento, uma taxa de crescimento quase igual à mantida até setembro.
O ano começou com um primeiro trimestre recorde, durante o qual a Coreia do Sul recebeu 4,76 milhões de visitantes estrangeiros, mais 23 por cento. As autoridades associaram o aumento de março ao regresso dos BTS, incluindo o concerto do grupo a 21 de março na Praça Gwanghwamun, no centro de Seul.
A meta anual do Governo é de 23 milhões de visitantes. Para a atingir, seriam necessárias mais 5,89 milhões de chegadas entre outubro e dezembro, uma média de cerca de 1,96 milhões por mês. Esse valor é inferior aos 2,06 milhões de setembro, embora o anúncio de outubro do ministério se tenha centrado em ultrapassar o total de 2025, sem confirmar que a meta anual seria alcançada.
China lidera, enquanto Taiwan cresce mais rapidamente
A China continuou a ser o maior mercado de visitantes da Coreia do Sul, com 5,47 milhões de chegadas até setembro, mais 29,2 por cento do que um ano antes. Os visitantes chineses representaram cerca de 32 por cento do total de 17,11 milhões, tornando este mercado central para o crescimento do turismo no país.
Seguiu-se o Japão, com 3,12 milhões de visitantes, mais 16,9 por cento, segundo os números do ministério citados em vários relatos publicados; outro balanço publicado indica um total de 3,99 milhões para o Japão. Taiwan enviou 1,86 milhões de visitantes, um aumento de 32,4 por cento, enquanto Hong Kong contribuiu com cerca de 550 mil, mais 18,6 por cento.
Em conjunto, a China, Taiwan e Hong Kong representaram aproximadamente 7,88 milhões de chegadas, ou 46 por cento do total. A taxa de crescimento percentual de Taiwan superou a da China, mostrando que o aumento nestes mercados próximos foi mais amplo do que a recuperação do maior mercado, por si só.
Também aumentaram as viagens a partir de destinos mais distantes. As chegadas das Américas atingiram 1,62 milhões, mais 12 por cento, enquanto a Europa contribuiu com 1,19 milhões, mais 20 por cento. Em conjunto, estas duas regiões forneceram 2,81 milhões de visitantes.
Despesa com cartões cresce mais do que o número de visitantes
A despesa dos visitantes estrangeiros com cartões turísticos aumentou 47,7 por cento, para 15,94 biliões de won, até setembro, face aos 10,79 biliões de won registados no mesmo período de 2025. O aumento foi de aproximadamente 5,15 biliões de won, com a despesa a crescer a uma taxa percentual superior ao dobro da das chegadas.
Os dados dos cartões incluem compras em linha e transações presenciais. Abrangem uma parte substancial da atividade comercial turística, embora os viajantes também usem outros meios de pagamento, incluindo dinheiro.
Dividindo o total das despesas com cartões pelo número de chegadas, obtêm-se cerca de 932 mil won por chegada em 2026, contra aproximadamente 766 mil won no mesmo período de 2025. Trata-se de um aumento de cerca de 22 por cento. É uma comparação simples entre dois totais; os gastos individuais dos viajantes variam consoante as compras e a duração da estadia.
Até agosto, o ministério já tinha registado 14,018 biliões de won em despesas turísticas com cartões, mais 48,5 por cento do que os 9,4396 biliões de won de um ano antes. Subtraindo esse valor acumulado ao total arredondado de setembro, estima-se que tenham sido gastos cerca de 1,92 biliões de won adicionais com cartões durante setembro.
Para as empresas que servem viajantes internacionais, esta combinação é importante: o aumento das chegadas é acompanhado por mais despesa com cartões por chegada. Os hotéis, as lojas, os restaurantes e outras empresas turísticas enfrentam, por isso, maiores oportunidades comerciais, mas também uma pressão acrescida sobre a capacidade dos serviços.
Portas de entrada regionais ganham importância
Os aeroportos fora da região da capital receberam 3,24 milhões de chegadas estrangeiras até setembro, mais 37,4 por cento. Estes aeroportos, incluindo Gimhae, Jeju, Cheongju e Daegu, representaram 19 por cento de todas as chegadas internacionais.
Os portos marítimos fora da região da capital receberam mais 1,58 milhões de visitantes, um aumento de 14,5 por cento. Busan, Jeju, Seogwipo, Yeosu e Gunsan estiveram entre as portas de entrada incluídas. Em conjunto, os aeroportos e portos regionais receberam 4,82 milhões de chegadas, ou 28,2 por cento do total nacional.
A proporção regional aumentou de 27,8 por cento até agosto para 28,2 por cento até setembro. Para locais como Busan e Jeju, a entrada internacional direta oferece aos visitantes um ponto de partida fora de Seul e aproxima os transportes locais, o alojamento e outros serviços dos passageiros que chegam.
Os aeroportos da região da capital continuaram a receber o maior volume, cerca de 11,79 milhões de chegadas, com um crescimento de 17,3 por cento. O crescimento dos aeroportos regionais foi mais do dobro dessa taxa. Os portos marítimos perto de Seul registaram um aumento muito mais acentuado, de 70,4 por cento, atingindo aproximadamente 500 mil chegadas, a partir de um total inicial mais baixo.
Alterações nos vistos ajudam a alargar a base de visitantes
O Ministério da Cultura identificou a simplificação da entrada como uma das componentes da sua estratégia turística. Em conjunto com o Ministério da Justiça, flexibilizou os requisitos dos vistos de múltiplas entradas para cidadãos de 11 países do Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas, o Vietname e a Indonésia, a partir de 30 de março de 2026.
Um visto de múltiplas entradas permite ao titular fazer várias visitas durante o período de validade, em vez de pedir autorização para cada viagem. A 28 de maio teve início um programa-piloto temporário que permite a entrada sem visto de grupos de turistas indonésios.
A Organização de Turismo da Coreia também trabalhou através dos seus escritórios no estrangeiro para apoiar um processamento mais rápido dos vistos. As medidas incluíram um centro de apoio em Nova Deli e documentos de candidatura mais simples em Manila. Nas Filipinas, os clientes premium das principais empresas locais de cartões de crédito ficaram dispensados de apresentar determinados documentos financeiros, incluindo comprovativos de saldo bancário e declarações de rendimentos.
Até agosto, as chegadas das Filipinas atingiram cerca de 454 mil, mais 16,1 por cento, enquanto o Vietname forneceu 407 mil, mais 10,5 por cento. A Indonésia contribuiu com 295 mil, um aumento de 22,5 por cento. Singapura, Tailândia e Malásia também registaram aumentos, atingindo, respetivamente, cerca de 243 mil, 230 mil e 207 mil visitantes.
Estes números abrangem o período de janeiro a agosto, e não os nove meses usados no mais recente total nacional. Mostram os mercados que o ministério procurava expandir, a par dos fluxos muito maiores provenientes da China, do Japão e de Taiwan.
Campanhas culturais enfrentam custos de viagem mais elevados
O Ministério da Cultura e a Organização de Turismo da Coreia procuraram transformar o interesse no estrangeiro pelo entretenimento, pela comida e pelo quotidiano coreanos em reservas de viagens. As campanhas recorreram a criadores de conteúdos locais, às redes sociais e a eventos promocionais adaptados a cada mercado.
Uma feira de viagens à Coreia no centro de Singapura atraiu 120 mil visitantes ao longo de três dias. Também se realizaram eventos no Vietname, nas Filipinas e na Malásia. As entidades trabalharam sobretudo com criadores locais que tinham mais de um milhão de seguidores e com grupos já interessados na Coreia.
Segundo o ministério, a subida dos preços do petróleo e das sobretaxas de combustível encareceu as viagens à Coreia do Sul desde março. Em resposta, apoiou promoções de tarifas aéreas com companhias aéreas e agências de viagens em linha. Os voos da Indonésia aumentaram de 3.651 operações só de ida entre janeiro e agosto de 2025 para 3.974 no mesmo período de 2026, uma subida de 8,8 por cento.
Kang Jung-won, vice-ministro da política turística, descreveu a abordagem do Governo no comunicado de setembro:
A melhoria dos procedimentos de entrada e o marketing direcionado estão a atrair uma gama mais diversificada de visitantes à Coreia.
Kang afirmou que o ministério iria gerir a emissão de vistos e o processamento da imigração nos aeroportos e portos marítimos, mantendo as ações de marketing ligadas à cultura coreana durante o quarto trimestre. Identificou outubro, mês em que decorre a campanha Mês das Viagens, como o período de maior afluência de chegadas internacionais.
Coreia cresce mais depressa do que os concorrentes regionais
A comparação do ministério das chegadas internacionais até agosto mostrou que a Coreia do Sul cresceu mais rapidamente do que o Japão, a Tailândia e o Vietname. As chegadas à Coreia aumentaram 21,6 por cento, enquanto o Vietname registou um crescimento de 14,4 por cento. O total do Japão caiu 2,7 por cento e o da Tailândia diminuiu 3,1 por cento.
O número de visitantes permite contextualizar estas taxas. A Coreia do Sul recebeu aproximadamente 15,05 milhões de chegadas até agosto, contra 27,63 milhões no Japão, 20,94 milhões na Tailândia e 15,91 milhões no Vietname.
Assim, o Japão recebeu cerca de 12,58 milhões de chegadas internacionais a mais do que a Coreia do Sul nesses oito meses. A vantagem do Vietname sobre a Coreia foi muito menor, de aproximadamente 860 mil chegadas.
Para a Coreia do Sul, a comparação revela uma expansão rápida, a par de destinos que continuam a receber mais visitantes. O foco do ministério em alargar as rotas de entrada, simplificar os vistos e promover os mercados de forma direcionada abrange vários aspetos práticos da atração de viajantes, desde a obtenção de autorização para viajar até à procura de um voo adequado.
Queixas revelam pressão sobre os serviços para visitantes
A Organização de Turismo da Coreia recebeu 1.753 queixas turísticas entre janeiro e julho, já acima das 1.744 apresentadas durante todo o ano de 2025. Cidadãos estrangeiros apresentaram 84,3 por cento das queixas.
O alojamento foi responsável por 500 queixas e as compras por 376. Os serviços aeroportuários e das companhias aéreas motivaram 186, os táxis 182 e os hotéis, indicados separadamente do alojamento na discriminação das queixas, 146.
A cobrança excessiva nos táxis é um problema de fiscalização persistente. Dados do Governo Metropolitano de Seul obtidos pelo deputado Mo Kyung-jong registaram 6.481 denúncias de cobrança excessiva de tarifas de táxi a turistas estrangeiros entre 2021 e agosto de 2026. Foram aplicadas sanções administrativas em 204 casos, ou 3,1 por cento. A maioria dos casos foi encerrada sem outras medidas ou terminou com advertências e orientações.
Seul oferece uma recompensa de 500 mil won por denúncias de cobrança excessiva nos táxis a visitantes estrangeiros que levem a medidas administrativas. Nesse período, não foram registados pedidos nem pagamentos de recompensas.
Com o aumento das chegadas, os números das queixas tornam a qualidade dos serviços uma questão concreta. Os visitantes precisam de alojamento fiável, preços transparentes nas lojas e tarifas de transporte justas. O ministério tenciona realizar uma conferência de imprensa para explicar os resultados turísticos do ano e as orientações da sua política para 2027, mas não foi anunciada qualquer data.
Principais pontos
- A Coreia do Sul recebeu 17,11 milhões de visitantes estrangeiros até setembro de 2026, mais 21,5 por cento do que um ano antes.
- O ministério previa que as chegadas de outubro fizessem o total ultrapassar os 18,94 milhões registados durante todo o ano de 2025.
- A despesa turística com cartões aumentou 47,7 por cento, para 15,94 biliões de won, incluindo compras em linha.
- A China enviou 5,47 milhões de visitantes, enquanto as chegadas de Taiwan cresceram 32,4 por cento, para 1,86 milhões.
- Os aeroportos e portos marítimos regionais receberam 4,82 milhões de chegadas, 28,2 por cento do total.
- As alterações nos vistos e as promoções direcionadas acompanharam o crescimento, enquanto as queixas turísticas até julho ultrapassaram o total de todo o ano de 2025.






