Uma passadeira vermelha de 83 metros no território de Godzilla
Mais de 300 espectadores assistiram ao elenco de Godzilla -0.0 percorrer uma passadeira vermelha de 83 metros na antiga via rápida KK Line, em Tóquio, a 19 de outubro, levando a estreia japonesa da sequela até Ginza, um bairro devastado pelo monstro no ecrã. A passadeira, concebida para evocar o raio de calor radioactivo de Godzilla, seguiu-se a uma apresentação no palco do TOHO Cinemas Hibiya.
Índice
- Uma passadeira vermelha de 83 metros no território de Godzilla
- Porque é que Ginza tornou a celebração pessoal
- Dois anos depois, Koichi e Noriko são uma família
- Nagasawa regressa após cerca de 22 anos
- Um gabinete de catástrofes e um professor marcado pela guerra
- Yamazaki diz que o Óscar não trouxe pressão
- O elenco descreve um forte impacto emocional
- Uma tela maior e uma estreia internacional
- A recuperação está no centro da história por detrás do espectáculo
- Pontos principais
O realizador, argumentista e criador dos efeitos visuais Takashi Yamazaki juntou-se a Ryunosuke Kamiki, Minami Hamabe, Masami Nagasawa, Hidetaka Yoshioka, Yuki Yamada, Kuranosuke Sasaki, Mio Tanaka e Min Tanaka. Apresentado como o primeiro evento de chegada à passadeira vermelha de Ginza da série de filmes Godzilla, o evento associou a celebração da saga a um local central para a sua destruição.
Godzilla -0.0 estreia-se no Japão a 3 de novembro e na América do Norte a 6 de novembro. Passado em 1949, dois anos após o ataque retratado em Godzilla -1.0, acompanha pessoas cuja recuperação da guerra e da catástrofe é interrompida por um novo confronto com o monstro.
A estreia revelou mais do que uma apresentação pública em maior escala para uma equipa de realizadores galardoada com um Óscar. Os actores descreveram uma família transformada no centro da história, novos especialistas que se juntam à resposta a Godzilla e um filme concluído que, segundo vários deles, os afectou profundamente. Hamabe destacou o ferimento de Noriko e os dois anos vividos pela família como elementos importantes da sequela.
Porque é que Ginza tornou a celebração pessoal
Ginza deu ao evento uma ligação aos filmes que ia além de uma morada reconhecível de Tóquio. Yamazaki brincou com a rapidez com que o bairro recuperara da destruição que lhe infligira na história. À sua volta, os fãs alinhavam-se ao longo da passadeira enquanto os actores acenavam e cumprimentavam a multidão.
Kamiki, que regressa no papel de Koichi Shikishima, descreveu a escala invulgar da ocasião e a sensação de celebrar num local associado aos ataques de Godzilla.
Sinto que estou num sonho.
Nagasawa também descreveu o evento como algo de onírico. Percorreu a passadeira com um vestido de ombros descobertos, acenou aos apoiantes e distribuiu autocolantes. Disse que era a primeira vez que participava num evento num local como aquele e falou do prazer de fazer parte de um filme capaz de proporcionar uma ocasião assim.
Hamabe disse que o encontro já se tornara uma recordação feliz. À compostura que mostrou na passadeira juntava-se uma fonte de nervosismo mais pessoal: estar ao lado de Nagasawa, uma colega sénior da mesma agência de talentos, no primeiro projecto que faziam em conjunto.
Dois anos depois, Koichi e Noriko são uma família
Kamiki e Hamabe regressam às personagens cuja relação mudou desde Godzilla -1.0. Noriko, que sobreviveu ao ataque de Godzilla, é agora mulher de Koichi. Ambos os actores disseram que as suas interpretações tinham de reflectir o tempo que as personagens passaram a construir uma vida em comum.
Hamabe explicou que os espectadores deviam aceitar naturalmente que Koichi e Noriko viveram como família durante dois anos. Ajustou a sua interpretação tendo em conta essa história partilhada. Kamiki disse que ambos ponderaram o que as personagens tinham vivido nesse intervalo e procuraram expressá-lo através da relação entre elas.
O ferimento de Noriko também transita do filme anterior. Hamabe disse que o pormenor brevemente mostrado no final seria uma parte fundamental da sequela, a par da vida da família durante os anos entretanto decorridos. Os comentários na estreia não revelaram a ligação exacta desse ferimento à nova crise.
Sasaki, que regressa como Seiji Akitsu, capitão de um barco, apontou outro sinal visível da passagem do tempo: Akiko, a criança do filme anterior. Elogiou o crescimento da jovem actriz que a interpreta e disse que ela o levara às lágrimas. Referiu também uma cena em que a tripulação do Shinseimaru bebe em conjunto, sugerindo que as relações já conhecidas têm espaço para continuar antes e durante a nova catástrofe.
Nagasawa regressa após cerca de 22 anos
Nagasawa interpreta Makoto Aoyama, uma talentosa meteorologista destacada de um serviço meteorológico para o Gabinete de Contra-medidas para Catástrofes de Grande Escala. A sua personagem leva conhecimentos de meteorologia para uma organização que enfrenta uma ameaça extraordinária.
O papel marca a terceira participação de Nagasawa na série Godzilla, cerca de 22 anos depois de Godzilla: Final Wars, de 2004. Nesse filme e em Godzilla: Tokyo SOS, de 2003, interpretou anteriormente uma das Shobijin, as pequenas figuras gémeas associadas a Mothra.
Nagasawa disse estar feliz por regressar a uma produção de Godzilla e que há muito queria trabalhar com Yamazaki. Descreveu Godzilla como um espelho da sua época, cuja imagem muda com o passar do tempo. A versão de Yamazaki, afirmou, parece tão vívida e realista que poderia entrar no mundo habitado pelas pessoas.
O reencontro com a saga proporcionou-lhe também a primeira colaboração com Hamabe. Nagasawa disse estar encantada por estar ao lado de uma actriz que conhecia desde criança. Hamabe admitiu que a ocasião a deixou mais nervosa do que outros eventos e que, durante a apresentação anterior no palco, se tinha atrapalhado repetidamente ao falar.
Um gabinete de catástrofes e um professor marcado pela guerra
Yoshioka regressa como Kenji Noda, agora director do Gabinete de Contra-medidas para Catástrofes de Grande Escala. O cargo coloca uma personagem conhecida à frente de uma resposta organizada, enquanto Aoyama, interpretada por Nagasawa, se junta a ele após ser destacada pelo serviço meteorológico.
Min Tanaka entra na história como o professor Kanji Murakami, um biólogo que carrega profundas feridas psicológicas da guerra. A sua personagem acrescenta mais alguém cuja experiência da nova crise é moldada pelo que aconteceu antes do regresso de Godzilla.
Tanaka, de 81 anos, disse que o seu envolvimento começou durante uma refeição com Yamazaki. Numa conversa sobre os papéis que gostaria de interpretar, mostrou interesse numa personagem que expressasse abertamente toda a gama de emoções. Seguiu-se o convite para participar em Godzilla.
O papel também implicou correr bastante. Tanaka brincou que passara grande parte da vida a fugir e suspeitava que os realizadores quisessem especificamente filmar um homem da sua idade em movimento. O seu relato acrescenta um pormenor físico a uma produção discutida sobretudo pelos seus efeitos e intensidade emocional.
Yamada regressa como Shiro Mizushima, membro da tripulação do Shinseimaru, Sasaki como o capitão Akitsu e Mio Tanaka como Tatsuo Hotta, antigo capitão do contratorpedeiro Yukikaze. Sakura Ando também regressa do filme anterior. Em conjunto, os actores que voltam mantêm a rede de pessoas que enfrentou Godzilla antes da chegada dos novos especialistas.
Yamazaki diz que o Óscar não trouxe pressão
Godzilla -1.0, lançado em 2023, arrecadou 7,65 mil milhões de ienes nas bilheteiras japonesas e venceu mais de 50 prémios de cinema no Japão e no estrangeiro. A vitória na categoria de efeitos visuais na 96.ª edição dos Óscares tornou-o no primeiro filme asiático a vencer nessa categoria.
Ainda assim, Yamazaki disse que não sentiu pressão ao fazer a sequela. Voltou a acumular as funções de realizador, argumentista e responsável pelos efeitos visuais, o trabalho que cria ou combina imagens no ecrã para além do que pode ser captado durante as filmagens. As três funções ligam a concepção da história à aparência final da destruição e das sequências com a criatura.
Kamiki disse que o entusiasmo de Yamazaki durante a produção superou até o que vira no filme anterior. O actor descreveu uma equipa que, estimulada por essa energia, se perguntava como poderia cada pessoa criar algo ainda mais surpreendente.
Depois de ver o filme concluído, Kamiki telefonou a Yamazaki e passou cerca de uma hora a partilhar a sua reacção. Na estreia, os dois brincaram sobre a duração da conversa. Kamiki insistiu que o realizador ficara satisfeito por ouvir a sua opinião e lhe agradecera.
Yamazaki descreveu a sequela como o filme de Godzilla que queria fazer e instou o público a preparar-se para o seu conteúdo arrojado. As suas declarações, a par dos relatos do elenco, apresentaram a nova produção como uma tentativa de ir mais longe, em vez de se limitar a repetir o êxito do filme anterior.
O elenco descreve um forte impacto emocional
Yoshioka fez o relato mais marcante sobre a experiência de ver o filme concluído. Disse que o impacto o deixou sem conseguir comer durante cerca de dois dias e descreveu o resultado como duas a três vezes mais impressionante do que o argumento que recebera.
Yoshioka também associou a sua recuperação a outro filme de Yamazaki, ALWAYS: Sunset on Third Street 2, dizendo que vê-lo e visitar uma sala IMAX com Mio Tanaka fizeram parte de recuperar o equilíbrio. Os seus comentários foram reacções pessoais de um actor a ver a obra concluída.
Min Tanaka relacionou a sua reacção com a própria vida. Nascido em 1945, o ano em que a guerra terminou, disse que essa história permanecia dentro de si desde a infância. Tremeu durante as filmagens e novamente na primeira exibição, descrevendo uma experiência que nunca antes tivera com um filme.
Nagasawa também disse que a produção concluída a afectou profundamente. A linguagem de choque partilhada por vários actores deu à estreia um tom sério sob as celebrações na passadeira, sobretudo porque a história regressa a pessoas que tentam recuperar de perdas anteriores.
Kamiki falou de uma emoção diferente: alívio. Antes da estreia de Godzilla -1.0, receara que os fãs não o aceitassem. Ver a expectativa deles em relação à sequela fê-lo sentir que fora acolhido na série.
Uma tela maior e uma estreia internacional
Godzilla -0.0 foi realizado ao abrigo do programa Filmed for IMAX, descrito como uma estreia para um filme japonês. A designação diz respeito à produção para exibição em salas IMAX, tornando o formato de ecrã grande parte da identidade de lançamento do filme.
A estreia japonesa seguiu-se a uma exibição na sessão Spotlight Gala do Festival de Cinema de Nova Iorque, onde o filme teve uma recepção entusiástica. Os próximos marcos públicos são as estreias em sala no Japão e na América do Norte, separadas por três dias.
Os planos de lançamento abrangem também a Europa, a América Latina, a Ásia, o Médio Oriente e a Austrália, segundo um calendário global semelhante. Os detalhes da estreia não indicaram datas concretas para esses mercados.
O dia 3 de novembro é celebrado como o Dia de Godzilla, o que liga directamente a estreia japonesa ao aniversário da saga. A sequência prevista de eventos é a seguinte:
- 19 de outubro: estreia japonesa no TOHO Cinemas Hibiya, seguida do evento na passadeira de Ginza, na antiga KK Line.
- 3 de novembro: estreia comercial em todo o Japão, no Dia de Godzilla.
- 6 de novembro: estreia comercial na América do Norte, três dias depois da estreia japonesa.
A recuperação está no centro da história por detrás do espectáculo
O cenário de 1949 e o intervalo de dois anos da sequela ligam pormenores que, de outro modo, poderiam parecer separados: o casamento de Koichi e Noriko, o crescimento de Akiko, o novo cargo de Noda e as memórias da guerra de Murakami. Cada um deles dá um rosto humano ao custo do regresso da catástrofe.
Para a família central, outro ataque ameaça uma casa que tiveram tempo para construir. Para o gabinete de catástrofes, torna-se um problema que exige uma acção organizada e conhecimentos especializados. Para Murakami, a crise chega acompanhada por feridas que persistem desde a guerra.
Ginza foi o local ideal para apresentar a história. O elenco celebrou no meio de um bairro real e movimentado que Yamazaki destruíra no ecrã, enquanto falava de personagens fictícias cuja própria recuperação volta a estar ameaçada. Mio Tanaka, que interpreta Hotta, encerrou o evento com um convite directo ao público.
Preparem-se para o impacto de Godzilla -0.0!
Pontos principais
- Godzilla -0.0 teve a sua estreia japonesa a 19 de outubro, seguida de um evento numa passadeira de 83 metros em Ginza, acompanhado por mais de 300 espectadores.
- A sequela passa-se em 1949, dois anos após o ataque de Godzilla retratado no filme anterior.
- Kamiki e Hamabe regressam como Koichi e Noriko, agora casados, com a vida familiar e o ferimento de Noriko no centro da continuação da história.
- Nagasawa regressa à saga após cerca de 22 anos, como a meteorologista Makoto Aoyama. Min Tanaka junta-se ao elenco como o biólogo Kanji Murakami.
- Yamazaki volta a realizar, escrever e tratar dos efeitos visuais, após a vitória do filme anterior nos Óscares.
- O filme estreia-se no Japão a 3 de novembro e na América do Norte a 6 de novembro.






