Anthropic abre escritório em Singapura e assina acordo com o Governo sobre segurança e adoção da IA

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Anthropic Opens Singapore Office and Signs Government Pact on AI Safety and Adoption

Um novo escritório aproxima os testes de IA dos serviços públicos

A Anthropic abriu o seu quinto escritório na Ásia-Pacífico em Singapura, a 14 de outubro de 2026, associando a sua expansão comercial a um acordo com o Governo que abrange a segurança da inteligência artificial, a cibersegurança, a avaliação de modelos e a resposta a incidentes. A empresa afirma que mais de 1 500 engenheiros e técnicos da Agência de Tecnologia do Governo de Singapura já utilizam o Claude Code, enquanto o seu Índice Económico coloca Singapura em segundo lugar entre 121 países na utilização do Claude.ai em relação à população.

Índice
  1. Um novo escritório aproxima os testes de IA dos serviços públicos
  2. O que abrange o acordo com o Governo
  3. Porque precisam os novos modelos de avaliações de segurança
  4. Singapura quer respostas mais rápidas quando ocorrem incidentes
  5. Três anos de testes antes da abertura do escritório
  6. O que fará a equipa de Singapura
  7. Como as agências governamentais estão a utilizar o Claude
  8. Bancos, equipas de investimento e empresas tecnológicas alargam a utilização
  9. O que significa uma utilização intensiva para a força de trabalho de Singapura
  10. Principais pontos

O escritório fica em Raffles Place, o centro financeiro de Singapura. O evento de inauguração teve lugar no Capella Singapore, um dia depois de Benjamin Mann, cofundador da Anthropic, e Chng Kai Fong, secretário permanente do Ministério do Desenvolvimento Digital e da Informação, terem assinado o memorando de entendimento durante a Singapore International Cyber Week. A ministra do Desenvolvimento Digital e da Informação, Josephine Teo, e Michael Sellitto, responsável pela política da Anthropic na Ásia-Pacífico, testemunharam a assinatura.

O anúncio da abertura do escritório da Anthropic em Singapura apresenta uma parceria que combina a adoção prática com o escrutínio técnico. A empresa tenciona trocar informações sobre normas de teste, partilhar investigação sobre a utilização da IA e ajudar empresas e funcionários públicos a desenvolver competências para utilizar a tecnologia de forma responsável.

Singapura já utiliza o Claude no desenvolvimento de software governamental, na banca, em atividades de investimento, no apoio às vendas e em serviços de compras em linha. O acordo enquadra estes usos em expansão numa preocupação central do Governo: perceber o que os sistemas de IA cada vez mais capazes conseguem fazer, onde podem causar danos e com que rapidez os criadores partilharão informações quando algo correr mal.

O que abrange o acordo com o Governo

O Ministério do Desenvolvimento Digital e da Informação e a Anthropic identificaram três grandes áreas de cooperação: segurança da IA e cibersegurança, bem como avaliação de modelos; investigação sobre a adoção e os seus efeitos; e utilização responsável no Governo e nas empresas. Os intercâmbios técnicos abrangerão métodos de avaliação, normas de teste e resposta a incidentes.

Chng, secretário permanente do ministério, descreveu a confiança do público como condição para uma adoção mais ampla:

A abordagem de Singapura à IA sempre consistiu em promover a inovação sem deixar de acompanhar os riscos em evolução. A confiança é fundamental para que empresas, trabalhadores e público possam utilizar a IA com segurança.

A Anthropic tenciona também disponibilizar conhecimentos técnicos e em matéria de políticas à medida que Singapura desenvolve as suas regras para a IA. Procurará formas de ajudar as pequenas e médias empresas a adotar a IA e de apoiar os esforços do Governo para desenvolver competências nesta área entre os funcionários públicos.

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O memorando define áreas de cooperação, mas não um calendário operacional detalhado. Não foram anunciadas datas para os intercâmbios técnicos, a divulgação de estudos ou a conclusão de um processo de resposta a incidentes. Será a concretização destes mecanismos a determinar o funcionamento da parceria para além da cerimónia de assinatura.

Porque precisam os novos modelos de avaliações de segurança

Mann disse, na Builder Summit, no Capella Singapore, que o treino de um novo modelo de IA não dá aos seus criadores uma visão completa das suas capacidades. O treino é o processo pelo qual um modelo aprende padrões a partir de dados; a avaliação é feita durante o desenvolvimento e depois dele, para testar o seu comportamento em tarefas específicas.

Mann, cofundador da Anthropic, apontou o Instituto de Segurança da IA de Singapura como potencial parceiro para analisar essas capacidades e riscos:

Quando treinamos um novo modelo, ninguém sabe realmente quais são exatamente as suas capacidades. A colaboração com institutos de segurança da IA, como o novo instituto de Singapura e outros em todo o mundo, é muito importante para compreender os riscos e benefícios destes novos modelos à medida que são desenvolvidos.

A Anthropic afirma realizar intercâmbios semelhantes com institutos de segurança a nível internacional. A partilha de informação técnica pode dar aos Governos uma visão mais próxima dos modelos poderosos e ajudar os criadores a melhorar os seus testes. Em termos simples, o trabalho consiste em verificar o que um sistema de IA consegue fazer de forma fiável, identificar comportamentos perigosos e acordar como devem ser tratados os problemas.

Sellitto afirmou que Singapura não tem acesso prioritário a modelos da Anthropic ainda não lançados. As organizações em Singapura podem candidatar-se ao programa de ciberverificação da empresa para aceder aos seus modelos mais recentes já lançados, com vista a realizar testes internos de cibersegurança. O programa permite testar aplicações de segurança, enquanto a parceria com o Governo proporciona um canal de cooperação mais amplo.

Singapura quer respostas mais rápidas quando ocorrem incidentes

K Shanmugam, ministro sénior de Singapura e ministro coordenador da Segurança Nacional, apelou às grandes empresas tecnológicas para partilharem informação mais rapidamente, à medida que os riscos da IA aumentam. Os seus comentários, a 13 de outubro, colocaram a rapidez e a transparência no centro das expectativas do Governo.

Shanmugam apresentou em termos diretos o pedido de Singapura às empresas tecnológicas:

O principal pedido de Singapura, tal como de muitos outros países, foi: quando acontece alguma coisa, podemos ter transparência total de imediato?

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Sellitto afirmou que a Anthropic se comprometia a partilhar informações sobre ciberincidentes tão rapidamente quanto fosse responsável fazê-lo e a ajudar os Governos a compreender e regulamentar a tecnologia. Respondia também ao apelo do primeiro-ministro Lawrence Wong à criação de um organismo independente global para regular a IA.

A resposta a incidentes é, por isso, uma componente prática do memorando. Quando um sistema de IA está envolvido num problema de segurança, os responsáveis e os criadores precisam de saber o que aconteceu e como o conter. O pedido de Singapura de transparência imediata e o compromisso da Anthropic com a divulgação responsável colocam o momento da partilha de informação no centro da cooperação futura.

Três anos de testes antes da abertura do escritório

A relação da Anthropic com Singapura começou em 2023, quando a empresa aderiu ao ambiente de testes de avaliação de IA generativa gerido pela Autoridade para o Desenvolvimento dos Meios de Informação e Comunicação (IMDA) e pela Fundação AI Verify. Um ambiente de testes é um contexto controlado onde as organizações podem experimentar métodos de avaliação e observar o comportamento dos sistemas antes de os utilizarem de forma mais ampla.

Mais tarde, a Anthropic trabalhou com as duas organizações num projeto de red teaming em inglês, mandarim, malaio e tâmil. Red teaming consiste em desafiar deliberadamente um sistema para encontrar vulnerabilidades, incluindo respostas inseguras ou falhas perante instruções difíceis. Testar em quatro línguas permite analisar o comportamento para além do inglês.

Singapura desenvolveu também parcerias com outras grandes empresas de IA. Esta sequência mostra como o acordo com a Anthropic se integra num programa mais amplo de adoção e trabalho em matéria de segurança:

  • 2023: a Anthropic aderiu ao ambiente de testes de avaliação de IA generativa gerido pela IMDA e pela Fundação AI Verify.
  • Maio de 2026: Singapura assinou um acordo com a OpenAI para apoiar a inovação na aplicação da IA.
  • Junho de 2026: a IMDA e a Microsoft assinaram um memorando sobre segurança da IA e cibersegurança.
  • 13 de outubro de 2026: a Anthropic e o ministério responsável pela área digital assinaram o memorando durante a Singapore International Cyber Week.
  • 14 de outubro de 2026: a Anthropic anunciou o acordo e inaugurou o seu escritório em Singapura, no Capella Singapore.

A GovTech está também a trabalhar com a Google DeepMind na deteção de burlas diretamente nos dispositivos, no momento em que ocorrem. Em conjunto, estes projetos ligam o interesse de Singapura no desenvolvimento da IA a necessidades concretas dos serviços públicos e da cibersegurança.

O que fará a equipa de Singapura

O escritório da Anthropic em Singapura segue-se aos seus escritórios na Coreia do Sul, no Japão, na Índia e na Austrália. Dale Finlay, diretor-geral da empresa para a ASEAN, afirmou que o foco local é levar os produtos da empresa aos clientes e expandir uma equipa que já serve organismos governamentais, grandes empresas, empresas tecnológicas e startups.

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A 14 de outubro, a Anthropic tinha anunciado 12 vagas locais nas áreas de vendas, marketing, recrutamento e finanças. A empresa não divulgou o número atual de trabalhadores em Singapura nem a dimensão que pretende alcançar.

Finlay apontou o talento técnico de Singapura, as instituições de investigação e as elevadas expectativas quanto à fiabilidade e segurança da IA como motivos para a expansão. No anúncio da empresa, explicou o que significaria uma presença local permanente:

Estamos empenhados em Singapura a longo prazo. Os nossos clientes daqui exigem um padrão extremamente elevado da IA, sobretudo no que diz respeito à fiabilidade e à segurança. Ter uma equipa no terreno permite-nos estar ainda mais próximos das organizações que recorrem ao Claude para resolver os seus problemas mais difíceis.

A Anthropic reuniu também a sua comunidade de programadores durante a semana da inauguração. Mais de 300 programadores participaram na Builder Summit Singapore e mais de 700 num encontro da comunidade realizado no início da semana. Estes eventos ligam a abertura do escritório às pessoas que já estão a desenvolver produtos e serviços com o Claude.

Como as agências governamentais estão a utilizar o Claude

A adoção pela GovTech é um dos indicadores mais claros do papel que o Claude já desempenha em Singapura. Segundo a Anthropic, mais de 1 500 engenheiros e técnicos utilizam o Claude Code para modernizar sistemas governamentais e acelerar a disponibilização de software.

O Claude Code é uma ferramenta de IA que presta assistência em tarefas de programação, incluindo a escrita e a depuração de código. A Anthropic afirma que ajuda as equipas da GovTech a desenvolver e manter serviços digitais com maior eficiência e à escala nacional. O número de adoção refere-se aos utilizadores técnicos; o anúncio não quantifica o tempo poupado pela GovTech.

A Agência de Cibersegurança de Singapura está a explorar de que forma o Claude poderá contribuir para a defesa cibernética do país. Esse trabalho está numa fase exploratória, enquanto a utilização no desenvolvimento de software da GovTech já está em curso. As duas aplicações ilustram diferentes funções da tecnologia: ajudar a criar serviços públicos e apoiar os esforços para proteger sistemas digitais.

Mann afirmou que, quando a relação começou, três anos antes, os primeiros modelos da Anthropic eram demasiado limitados para permitir uma colaboração substancial com o Governo. O seu relato associa a adoção atual à melhoria das capacidades dos modelos, enquanto o memorando acrescenta um canal para estudar os riscos que acompanham essas melhorias.

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Bancos, equipas de investimento e empresas tecnológicas alargam a utilização

A DBS utiliza o Claude nas suas operações em Singapura para o desenvolvimento de software e a produtividade no dia a dia, afirma a Anthropic. Estas aplicações enquadram-se nas políticas de segurança e governação do banco. A GIC, o fundo soberano de Singapura, está a implementar o Claude nas suas equipas de investimento e serviços empresariais.

A Anthropic afirma que as organizações de setores regulamentados podem utilizar o Claude através do Amazon Bedrock, com a inferência a decorrer na região. A inferência é o processo pelo qual um modelo treinado processa um pedido e produz uma resposta. O local onde esse processamento ocorre é importante para as organizações sujeitas a requisitos rigorosos no tratamento de dados.

A Grab utiliza o Claude para alimentar o BriX, o seu assistente de vendas. Segundo a Anthropic, o BriX poupa às equipas de vendas da Grab cerca de 40 000 horas por trimestre e identifica novas oportunidades de venda. Se esse ritmo trimestral se mantivesse ao longo de quatro trimestres, equivaleria a cerca de 160 000 horas num ano, um cálculo baseado no valor divulgado pela empresa.

A Sea, empresa que detém a Shopee, a Garena e a Monee, utiliza o Claude para ajudar o chatbot de apoio ao cliente da Shopee a responder mais depressa e com maior precisão. Segundo a Anthropic, milhares de funcionários da Sea também o utilizam para escrever e depurar código. A Supabase, uma plataforma para programadores com raízes em Singapura, é também utilizadora do Claude Code.

A GIC tem uma relação financeira com a Anthropic, além de ser sua cliente. Investiu pela primeira vez em setembro de 2025, numa ronda de financiamento que totalizou 13 mil milhões de dólares norte-americanos, e liderou uma ronda Série G de 30 mil milhões de dólares em fevereiro de 2026. Estes valores correspondem ao montante total das rondas; os contributos individuais da GIC não foram divulgados.

O que significa uma utilização intensiva para a força de trabalho de Singapura

Singapura ocupa o segundo lugar entre 121 países no mais recente Índice Económico da Anthropic relativo à utilização do Claude.ai em relação à população. A estimativa da empresa aponta para uma utilização 5,81 vezes superior ao nível esperado em função da dimensão da população de Singapura, revelando uma elevada concentração de atividade num mercado relativamente pequeno.

O Índice Económico analisa conversas anonimizadas com o Claude para estudar a utilização da IA em diferentes profissões, setores e tarefas do quotidiano. Ao abrigo do memorando, a Anthropic tenciona partilhar com o Governo de Singapura estudos e dados da iniciativa, dando à parceria uma forma de analisar a adoção juntamente com a segurança técnica.

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Mann afirmou que a perda de postos de trabalho em grande escala causada pela IA era inevitável, embora a Anthropic ainda não tivesse observado esse fenómeno. A sua declaração foi uma previsão sobre o emprego, contrastando com exemplos atuais como o apoio à programação, o apoio às vendas e a automatização do serviço ao cliente.

Os usos atuais em Singapura mostram por que razão a componente laboral do acordo é importante. Os engenheiros da GovTech utilizam a IA para acelerar o trabalho de software, a Grab refere as horas poupadas com um assistente de vendas e os funcionários da Sea recebem ajuda com código. Estudar que tarefas mudam, como as organizações utilizam o tempo poupado e de que competências os trabalhadores precisam ajudará a perceber o impacto da adoção no emprego.

A parceria enquadra estas questões na mesma estrutura que a avaliação de modelos e a resposta a incidentes. Os próximos passos práticos são os intercâmbios técnicos, a partilha de estudos e o apoio a uma adoção responsável. Singapura está a combinar uma base crescente de utilizadores de IA com cooperação direta em matéria de testes, enquanto a Anthropic reforça a sua presença empresarial local num dos seus mercados mais ativos.

Principais pontos

  • A Anthropic inaugurou o seu escritório em Raffles Place a 14 de outubro de 2026, o quinto na Ásia-Pacífico.
  • O memorando com o Governo foi assinado a 13 de outubro e abrange segurança da IA, cibersegurança, avaliação, investigação sobre adoção e resposta a incidentes.
  • Segundo a Anthropic, mais de 1 500 engenheiros e técnicos da GovTech utilizam o Claude Code.
  • Singapura ocupa o segundo lugar entre 121 países na utilização do Claude.ai em relação à população, com um nível 5,81 vezes superior ao esperado.
  • Entre os utilizadores locais estão a DBS, a GIC, a Grab e a Sea, com aplicações que vão da programação ao serviço ao cliente e ao apoio às vendas.
  • A Anthropic anunciou 12 vagas em Singapura, mas não divulgou a dimensão da equipa local nem os objetivos de contratação.
  • Não foram anunciadas datas para os intercâmbios técnicos e a partilha de estudos previstos.
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