Usbequistão inicia a construção de uma central nuclear num projeto de 9,5 mil milhões de dólares que combina reatores pequenos e grandes

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Uzbekistan Starts Nuclear Plant Construction as $9.5 Billion Project Combines Small and Large Reactors

Primeira betonagem em Jizzakh

O Usbequistão iniciou oficialmente, a 4 de junho de 2026, a construção da sua primeira central nuclear, com a betonagem inicial de 133 metros cúbicos de betão para um pequeno reator no distrito de Farish, região de Jizzakh. O complexo previsto combinará dois reatores com uma potência de 55 megawatts cada e duas unidades VVER-1000, de dimensão muito superior, perfazendo uma capacidade elétrica total de 2.110 megawatts.

Índice
  1. Primeira betonagem em Jizzakh
  2. O que torna a central integrada?
  3. Como evoluiu o projeto
  4. Porque houve duas cerimónias de construção
  5. O que abrange a licença de segurança
  6. Quanta eletricidade poderá fornecer?
  7. Quem vai pagar o projeto?
  8. Emprego, formação e uma cidade científica proposta
  9. Outros projetos internacionais da Rosatom
  10. Pontos principais

O presidente Shavkat Mirziyoyev e o presidente russo Vladimir Putin autorizaram o início dos trabalhos através de uma ligação por vídeo entre o estaleiro de construção e São Petersburgo. Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), dirigiu-se aos participantes no local. A corporação nuclear estatal russa Rosatom está a construir a central em parceria com a Agência de Energia Atómica do Usbequistão, a Uzatom.

O comunicado da Rosatom sobre o início da construção identifica a primeira fundação como pertencendo a um pequeno reator modular com tecnologia RITM-200N. Os reatores de maior dimensão fazem parte do mesmo projeto integrado, mas as unidades pequenas serão construídas primeiro.

O projeto reúne um grande investimento na produção de eletricidade, uma nova indústria nuclear e um financiamento avultado. Azim Akhmedkhadzhaev, diretor da Uzatom, indicou que o preço base do contrato é de 9,5 mil milhões de dólares. Quando estiver em pleno funcionamento, a central deverá produzir 17,2 mil milhões de quilowatts-hora por ano, segundo a Rosatom.

O que torna a central integrada?

O projeto do Usbequistão prevê dois tipos de reatores nucleares, de dimensões diferentes, no mesmo local. Cada unidade VVER-1000 foi concebida para produzir cerca de 1.000 megawatts de eletricidade, enquanto cada unidade RITM-200N produzirá 55 megawatts. A Rosatom descreve esta combinação como a primeira central nuclear integrada do mundo.

Um megawatt mede a quantidade de eletricidade que um gerador pode produzir num dado momento. Um quilowatt-hora mede a eletricidade produzida ou consumida ao longo do tempo. O primeiro valor descreve a capacidade da central; a estimativa de produção anual indica a quantidade de eletricidade que deverá fornecer durante um ano.

Os dois reatores de grande dimensão representam 2.000 dos 2.110 megawatts do projeto, ou cerca de 95% da capacidade prevista. Os reatores pequenos asseguram os restantes 110 megawatts. Por isso, a sequência de construção é importante: a primeira unidade pequena é um passo inicial rumo a uma produção de eletricidade muito maior.

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O RITM-200N é um reator arrefecido a água, adaptado de tecnologia utilizada em quebra-gelos nucleares russos. A vida útil prevista é de 60 anos. Os pequenos reatores modulares, frequentemente designados pela sigla SMR, são concebidos para produzir menos energia por unidade do que os reatores convencionais de grande dimensão. Grossi descreveu o projeto do Usbequistão como a primeira encomenda de exportação de um SMR.

Como evoluiu o projeto

O acordo de maio de 2024 previa inicialmente seis unidades RITM-200N, com uma capacidade conjunta de 330 megawatts. O plano evoluiu depois para uma combinação de reatores pequenos e grandes, com documentos de cooperação assinados em setembro de 2025 e um acordo suplementar de construção assinado a 24 de março de 2026.

A configuração atual aumenta a capacidade prevista de 330 para 2.110 megawatts, cerca de 6,4 vezes o valor inicial. Altera também o equilíbrio do projeto: dois reatores grandes produzirão a maior parte da eletricidade, enquanto dois reatores pequenos continuarão a fazer parte do empreendimento.

As principais etapas estendem-se por vários anos:

  • 27 de maio de 2024: a Rússia e o Usbequistão assinaram um protocolo que alargou o acordo de cooperação nuclear de 2018, passando a incluir uma central nuclear modular de pequena dimensão, juntamente com um contrato de construção.
  • 26 de setembro de 2025: a Rosatom e a Uzatom assinaram documentos para alargar a cooperação durante a Semana Atómica Mundial, em Moscovo.
  • Outubro de 2025: começaram as escavações para o primeiro reator pequeno.
  • 23 de março de 2026: o Usbequistão autorizou a utilização do local para instalações nucleares.
  • 24 de março de 2026: as partes assinaram o acordo suplementar para a central integrada.
  • 4 de junho de 2026: foi emitida a licença de construção e foi realizada a primeira betonagem estrutural.

Prevê-se que a primeira unidade, com uma potência de 55 megawatts, alcance a primeira reação nuclear autossustentada no final de 2029. Esta etapa designa-se entrada em estado crítico. A produção de eletricidade começa após novos ensaios e a entrada em serviço. Ainda não foi anunciado um calendário revisto para a entrada em funcionamento das quatro unidades.

Porque houve duas cerimónias de construção

A cerimónia de junho teve lugar mais de dois meses depois de uma celebração anterior do início dos trabalhos. A atividade de construção já incluía escavações extensas e trabalhos preparatórios de betonagem. O evento de junho assinalou o início formal da construção da laje de fundação do edifício do reator.

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Os trabalhadores escavaram cerca de 1,5 milhões de metros cúbicos de terra para abrir um fosso com 13 metros de profundidade. Em março, foram utilizados cerca de 900 metros cúbicos de betão nos trabalhos preparatórios da fundação, seguindo-se o nivelamento e a impermeabilização antes da betonagem estrutural da fundação.

O anúncio oficial do início dos trabalhos da Uzatom refere que a betonagem inicial de junho envolveu 133 metros cúbicos e indica um volume total de betão superior a 10.000 metros cúbicos. A Rosatom aponta um total de 10.000 metros cúbicos; o relato da construção associa esse valor aos trabalhos na fundação.

A Uzatom e a Rosatom explicam que a primeira betonagem estrutural confere formalmente à instalação o estatuto de central nuclear em construção, de acordo com as normas da AIEA. Os trabalhos anteriores prepararam o terreno e a base da fundação para essa etapa.

O que abrange a licença de segurança

O Comité do Usbequistão para a Segurança Industrial, Radiológica e Nuclear emitiu a licença de construção a 4 de junho à Direção Estatal para a Construção da Central Nuclear. A licença diz respeito a uma unidade de produção de energia equipada com um reator RITM-200N.

O comité aprovou a licença após uma análise exaustiva dos documentos do projeto, das decisões técnicas e da justificação de segurança. Esta justificação explica de que forma o projeto proposto responde aos riscos e cumpre as regras que regem a construção e o funcionamento de instalações nucleares.

O Centro Científico e Técnico do Usbequistão para a Segurança Radiológica e Nuclear realizou a análise ao abrigo da legislação nacional e das recomendações da AIEA, com a participação de peritos estrangeiros, incluindo especialistas russos. A autorização do local, emitida a 23 de março, foi uma etapa regulamentar anterior.

O comité manterá a supervisão estatal durante toda a construção, para verificar o cumprimento da licença e dos requisitos de segurança nuclear e radiológica. A AIEA também propôs cooperação técnica para reforçar a regulamentação, a segurança e a capacidade da força de trabalho à medida que o Usbequistão desenvolve a energia nuclear.

Quanta eletricidade poderá fornecer?

A Rosatom prevê que, quando estiver concluída, a central produza 17,2 mil milhões de quilowatts-hora por ano, o equivalente a 17,2 terawatts-hora. Andrey Petrov, primeiro diretor-geral adjunto da Rosatom para a energia nuclear e presidente da Atomstroyexport, afirma que poderá satisfazer até 14% da procura de eletricidade do Usbequistão.

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Petrov descreveu a contribuição prevista durante a cerimónia de início dos trabalhos:

Quando entrar em funcionamento, a central nuclear poderá satisfazer até 14% da procura de eletricidade do país. Será um forte impulso para o desenvolvimento industrial, tecnológico e económico.

Também foi noticiado que as autoridades usbeques estimam uma contribuição superior a 15%, com uma produção anual de cerca de 16 a 17 mil milhões de quilowatts-hora. A diferença na percentagem da procura é relevante porque depende tanto da produção da central como do consumo de eletricidade do país quando os reatores estiverem em funcionamento.

Prevê-se que o projeto permita poupar mais de 3,5 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, substituindo parte da produção de eletricidade que, de outro modo, recorreria a gás. Assim, o valor da central está ligado a dois recursos: a eletricidade que produz e o combustível que permite ao Usbequistão reservar para outros fins.

Akhmedkhadzhaev, diretor da Uzatom, apresentou o início da construção como parte de um programa nacional de desenvolvimento mais amplo:

Hoje, não estamos apenas a lançar o primeiro betão da fundação da central nuclear. Estamos a lançar as bases de um futuro próspero e sustentável para a República do Usbequistão.

Quem vai pagar o projeto?

Akhmedkhadzhaev descreveu os 9,5 mil milhões de dólares como o preço base do projeto e o montante máximo do contrato. O Usbequistão pretende que os empréstimos cubram 85% a 90% dos custos e está a ponderar conversações com o Novo Banco de Desenvolvimento e outros potenciais parceiros financeiros.

Aplicada ao preço base indicado, essa meta de financiamento por empréstimos corresponde a cerca de 8,1 a 8,6 mil milhões de dólares. Isto mostra a importância central do financiamento para concretizar a central: a maior parte do investimento inicial viria de credores, em vez de despesa direta dos fundos do próprio Usbequistão.

O Usbequistão pretende também que 30% dos trabalhos, fornecimentos ou serviços sejam assegurados localmente. Akhmedkhadzhaev afirmou que a estimativa base não inclui a localização prevista, que poderá influenciar a distribuição das despesas entre fornecedores estrangeiros e empresas usbeques.

Putin prometeu um empréstimo russo à exportação em condições preferenciais, bem como apoio durante toda a vida útil da central. O apoio previsto inclui o fornecimento de combustível para os reatores, assistência técnica, manutenção e gestão de material nuclear usado. O montante do empréstimo, a taxa de juro, o calendário de reembolso e os acordos de financiamento definitivos não foram divulgados.

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Emprego, formação e uma cidade científica proposta

Putin afirmou que se prevê a presença de cerca de 15.000 pessoas no estaleiro de construção. Identificou a instalação, o fornecimento de materiais, os transportes e outros serviços como áreas em que os empreiteiros usbeques poderão obter trabalho.

Esses empregos na construção fazem parte de um esforço mais amplo para desenvolver competências nucleares no país. O Usbequistão precisará de profissionais capazes de operar os reatores, manter os equipamentos, supervisionar a segurança e gerir material nuclear ao longo de várias décadas. O apoio proposto pela AIEA à força de trabalho responde a essa necessidade, em paralelo com a assistência em matéria de regulamentação.

Sevinch Yarkulova e Dmitry Eskin, estudantes da delegação de Tashkent da Universidade Nacional de Investigação Nuclear MEPhI, participaram no início simbólico dos trabalhos. A participação dos dois ligou a cerimónia às instituições de formação que deverão contribuir para preparar a futura força de trabalho.

Petrov descreveu também a proposta da Rosatom para criar uma cidade científica em torno da central, reunindo tecnologias nucleares e afins numa nova comunidade. A proposta alarga as ambições para além da produção de eletricidade, abrangendo a investigação, o emprego técnico e o desenvolvimento industrial.

Grossi afirmou que investidores de outros países estavam interessados no projeto e apontou oportunidades ligadas à economia digital e aos centros de dados. O fornecimento de eletricidade é um dos requisitos dessas indústrias. A produção nuclear exige também garantias de acesso fiável à água, uma questão prática na Ásia Central, onde os recursos hídricos estão sob pressão.

Outros projetos internacionais da Rosatom

Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, enquadrou a etapa alcançada no Usbequistão com desenvolvimentos no Cazaquistão, na Hungria, no Vietname e no Bangladesh. Os projetos encontram-se em fases distintas, desde estudos do local e acordos governamentais até aos preparativos para a entrada em funcionamento dos reatores.

No Cazaquistão, Likhachev afirmou que, em setembro, foi assinado um contrato de engenharia, aprovisionamento e construção para dois reatores VVER-1200 e que os estudos do local estavam perto de ser concluídos. Este tipo de contrato, habitualmente designado pela sigla EPC, abrange o projeto de engenharia, a aquisição de equipamentos e a execução da construção.

A central prevista para Ulken, perto do lago Balkhash, no Cazaquistão, terá uma capacidade conjunta de 2.400 megawatts. Almasadam Satkaliyev, diretor da agência de energia atómica do país, estimou o custo em cerca de 16,4 mil milhões de dólares, incluindo aproximadamente 2 mil milhões para segurança e infraestruturas. As autoridades cazaques apontaram 2027 para o início da construção e o início de 2034 para a entrada em funcionamento do primeiro reator.

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O projeto cazaque prevê uma capacidade de produção cerca de 14% superior aos 2.110 megawatts do Usbequistão, enquanto o custo indicado é cerca de 73% superior ao preço base de 9,5 mil milhões de dólares do projeto usbeque. As estimativas dizem respeito a configurações e categorias de despesa diferentes, incluindo a verba explicitamente prevista pelo Cazaquistão para segurança e infraestruturas.

Na Hungria, Likhachev afirmou que também já tinha sido realizada a primeira betonagem no projeto nuclear de Paks e que os trabalhos decorriam dentro do calendário previsto. A Rússia e o Vietname assinaram um acordo intergovernamental para duas unidades VVER-1200 no local da central nuclear de Ninh Thuan.

O projeto de Rooppur, no Bangladesh, está numa fase mais avançada. Numa atualização datada de 9 de outubro, Likhachev afirmou que a primeira produção de eletricidade da primeira unidade estava prevista para a última dezena de novembro, depois de o combustível nuclear ter sido carregado no núcleo do reator. A atualização não especificava o ano. O núcleo é a parte do reator onde o combustível produz calor através de reações nucleares controladas.

A tarefa imediata do Usbequistão é construir o primeiro reator pequeno. Para concretizar plenamente o contributo previsto para a produção de eletricidade, será necessário concluir as unidades de maior dimensão, garantir o financiamento acordado, manter a supervisão regulamentar e formar uma força de trabalho capaz de operar a central.

Pontos principais

  • O Usbequistão realizou a primeira betonagem estrutural a 4 de junho de 2026, no local de Farish, na região de Jizzakh.
  • O plano atual combina dois reatores com uma potência de 55 megawatts cada e duas unidades VVER-1000, perfazendo um total de 2.110 megawatts.
  • O primeiro reator pequeno tem licença de construção e prevê-se que alcance a primeira reação nuclear autossustentada no final de 2029.
  • A Rosatom prevê uma produção anual de 17,2 mil milhões de quilowatts-hora e um contributo de até 14% da procura nacional de eletricidade.
  • O preço base indicado é de 9,5 mil milhões de dólares, e o Usbequistão pretende financiar 85% a 90% dos custos através de empréstimos.
  • A Rússia prometeu financiamento preferencial e apoio que abrange o combustível, a manutenção e o material nuclear usado, mas os termos do empréstimo não foram divulgados.
  • O comité de segurança do Usbequistão supervisionará a construção, enquanto a AIEA propôs apoio nas áreas da regulamentação, da segurança e da formação da força de trabalho.
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