IVA fica aquém da meta apesar de as receitas totais estarem quase totalmente em linha com o previsto
O Cazaquistão arrecadou 5,921 biliões de tenges em imposto sobre o valor acrescentado entre janeiro e setembro de 2026, ficando 685,8 mil milhões de tenges aquém da meta, apesar de as receitas totais do orçamento republicano terem ficado a apenas 6 mil milhões de tenges do previsto. Os números apresentam duas medidas diferentes do desempenho orçamental: a arrecadação global ficou perto das expectativas, enquanto um dos maiores impostos falhou a previsão em mais de 10%.
Índice
- IVA fica aquém da meta apesar de as receitas totais estarem quase totalmente em linha com o previsto
- Onde se concentra a quebra na receita de IVA
- Empresas digitais estrangeiras superaram as expectativas
- Como as receitas fiscais totais cumpriram, ainda assim, o plano
- O que Zhumangarin diz que a reforma trouxe
- Os orçamentos republicano e do Estado contam histórias diferentes
- Um défice anunciado menor, mas uma diferença maior sem petróleo
- Proteção social e serviço da dívida dominam a despesa
- O que o último trimestre terá de esclarecer
- Pontos principais
Os dados de execução do orçamento republicano a 1 de outubro apontam para um défice de 2,904 biliões de tenges, abaixo dos 3,005 biliões previstos para o período. As receitas atingiram 16,528 biliões de tenges e a despesa totalizou 18,744 biliões. No entanto, o défice excluindo as receitas petrolíferas ultrapassou a meta, chegando aos 7,261 biliões de tenges, face aos 7,031 biliões previstos.
A quebra na receita de IVA surge enquanto o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia Nacional, Serik Zhumangarin, defende uma reforma fiscal que aumentou a taxa de IVA para 16%. Disse que a reforma gerou mais 3 biliões de tenges ao longo de nove meses e previu um crescimento das receitas de, pelo menos, 3,6 biliões de tenges até ao final do ano.
Estas declarações não são necessariamente incompatíveis com o incumprimento da meta para o IVA. As receitas podem aumentar face ao ano anterior e, ainda assim, ficar aquém de uma previsão orçamental ambiciosa. A distinção é importante neste caso: os números da arrecadação medem o desempenho face ao plano, enquanto o argumento do ministro se centra no crescimento e na contribuição da reforma.
Onde se concentra a quebra na receita de IVA
O IVA é um imposto sobre o consumo cobrado através das empresas que vendem bens e serviços. O orçamento do Cazaquistão divide as receitas em várias categorias, incluindo atividade interna, importações e pagamentos associados a empresas estrangeiras. As três maiores categorias ficaram todas abaixo das respetivas metas.
O IVA sobre bens produzidos no Cazaquistão, trabalhos realizados e serviços prestados rendeu 2,694 biliões de tenges, o equivalente a 92,35% do previsto. Uma classificação orçamental separada para bens importados gerou 1,740 biliões de tenges, ou 86,27% da meta.
Os bens importados de Estados-membros da União Económica Eurasiática geraram mais 1,172 biliões de tenges em IVA. Esta categoria atingiu 83,78% do previsto, o desempenho mais fraco entre as três maiores categorias. A quebra foi de 16,22% face ao montante esperado, em comparação com 13,73% na categoria separada das importações e 7,65% nos bens e serviços nacionais.
Em conjunto, as duas categorias de importação renderam 2,912 biliões de tenges, ligeiramente mais do que os 2,694 biliões arrecadados com bens e serviços nacionais. O desempenho mais fraco das importações afetou, por isso, uma parte significativa das receitas de IVA, e não apenas uma pequena parcela da base tributável.
Os números identificam as áreas em que as receitas ficaram aquém das expectativas, mas não explicam porquê. Não distinguem os efeitos dos volumes de importação, dos preços, das taxas de câmbio, dos reembolsos, do calendário dos pagamentos ou do cumprimento das obrigações fiscais. O simples incumprimento de uma meta de arrecadação não demonstra que a atividade tributável tenha diminuído na mesma proporção.
Empresas digitais estrangeiras superaram as expectativas
Algumas categorias menores de IVA tiveram um desempenho superior ao previsto. Os pagamentos associados a não residentes geraram 239,6 mil milhões de tenges, atingindo 109,96% da meta. As empresas estrangeiras de internet que vendem bens por via eletrónica ou prestam serviços eletrónicos a particulares pagaram 70,1 mil milhões de tenges, chegando a 172,06% do previsto.
A categoria das empresas digitais superou a meta em 72,06%, destacando-se em termos percentuais. A sua dimensão, porém, era muito menor. Os 70,1 mil milhões de tenges arrecadados representaram cerca de 1,2% do total das receitas de IVA e aproximadamente um décimo da quebra de 685,8 mil milhões de tenges.
Outros 5,4 mil milhões de tenges resultaram da recuperação de montantes de IVA em excesso anteriormente reembolsados, mas não confirmados numa inspeção tributária, bem como das penalizações associadas. Estes pagamentos dizem respeito a reembolsos anteriores e a verificações posteriores, e não simplesmente a impostos cobrados sobre vendas correntes.
O contraste mostra por que razão os bons resultados de uma categoria menor não conseguiram compensar o incumprimento das metas nas principais categorias nacionais e de importação. Os maiores fluxos continuaram a determinar o resultado global: a arrecadação de IVA atingiu 89,62% dos 6,607 biliões de tenges previstos.
Como as receitas fiscais totais cumpriram, ainda assim, o plano
Apesar da quebra no IVA, as receitas fiscais totais do orçamento republicano chegaram a 12,972 biliões de tenges, ligeiramente acima da meta de 12,966 biliões. Com base nestes totais arredondados e na quebra de IVA indicada, os restantes impostos, em conjunto, terão superado os respetivos planos em cerca de 692 mil milhões de tenges.
Este cálculo explica como o orçamento fiscal pôde cumprir a meta global apesar de uma quebra acentuada no IVA. Não identifica quais os outros impostos que compensaram essa diferença. Os dados divulgados não especificam o desempenho detalhado desses impostos.
As restantes categorias de receita evoluíram em sentidos opostos. As receitas não fiscais totalizaram 245 mil milhões de tenges, face aos 276 mil milhões previstos, atingindo 88,77% da meta. As transferências recebidas chegaram aos 3,304 biliões de tenges, acima dos 3,277 biliões previstos em 27 mil milhões de tenges.
Assim, as receitas totais ficaram perto do previsto: 16,528 biliões de tenges, face a 16,534 biliões. Isto corresponde a cerca de 99,96% de execução. É um resultado global bastante mais forte do que o desempenho do IVA, por si só, sugere, embora deixe o Governo dependente de outras receitas para compensar a quebra do imposto sobre o consumo.
O que Zhumangarin diz que a reforma trouxe
Zhumangarin, vice-primeiro-ministro e ministro da Economia Nacional, disse que o impacto da reforma fiscal tinha sido inicialmente estimado em 4 biliões de tenges. Situou em 3 biliões de tenges o montante adicional gerado ao longo de nove meses e previu um crescimento das receitas de, pelo menos, 3,6 biliões de tenges até dezembro.
Numa conferência de imprensa após uma reunião do Governo, defendeu o contributo da reforma. Em tradução, afirmou:
Atualmente, a reforma fiscal é a única fonte de dinheiro líquido na economia.
O ministro disse que o crescimento económico atingiu 4,2%, apesar de a produção petrolífera ter sido 6 milhões de toneladas inferior, da valorização do tenge e do abrandamento do crédito ao consumo. Estes foram os fatores que referiu na sua avaliação da economia. As suas declarações não incluíram uma discriminação numérica dos efeitos destes fatores na arrecadação de IVA.
Disse também que o número de pessoas coletivas registadas para efeitos de IVA aumentou em 37 000, face a aumentos anuais habituais de 4 000 a 6 000. O aumento divulgado é, portanto, mais de seis vezes superior ao limite máximo desse intervalo habitual. Uma base de registos mais ampla pode aumentar o universo de contribuintes, mas o número de registos, por si só, não revela quanto paga cada empresa.
Zhumangarin afirmou que o IVA representa mais de 37% das receitas orçamentais. Nos números do orçamento republicano, os 5,921 biliões de tenges de IVA divididos pelas receitas totais de 16,528 biliões correspondem a cerca de 35,8%. Não é possível conciliar com precisão a percentagem indicada pelo ministro com este cálculo sem conhecer o âmbito orçamental e o denominador de receitas que utilizou.
Os orçamentos republicano e do Estado contam histórias diferentes
O orçamento republicano é o orçamento do Governo central. O orçamento do Estado, de âmbito mais alargado, inclui os orçamentos republicano e locais; por isso, os valores das receitas e das despesas não devem ser tratados como equivalentes aos valores do orçamento central.
Entre janeiro e setembro, os dados mais abrangentes do orçamento do Estado apontam para receitas de 22,94 biliões de tenges, despesas de cerca de 25 biliões e um défice de 3,1 biliões. As receitas fiscais atingiram 19,28 biliões de tenges, enquanto as transferências totalizaram 2,77 biliões, incluindo transferências do Fundo Nacional.
O relato da conferência de imprensa de Zhumangarin apresenta, separadamente, receitas do orçamento do Estado de 19,3 biliões de tenges e indica que aumentaram 3 biliões face ao ano anterior. Esse valor de 19,3 biliões aproxima-se dos 19,28 biliões de receitas fiscais do Estado divulgados separadamente, mas não corresponde às receitas totais do Estado, de 22,94 biliões. As descrições são diferentes e não é apresentada uma reconciliação detalhada.
Os cálculos oficiais do défice também incluem empréstimos orçamentais e operações com ativos financeiros. Isso explica por que razão a simples subtração das receitas divulgadas às despesas não reproduz o défice anunciado. No orçamento republicano, essa subtração dá 2,216 biliões de tenges, e não o défice indicado de 2,904 biliões. Os ajustamentos necessários para explicar a diferença não são discriminados aqui.
Um défice anunciado menor, mas uma diferença maior sem petróleo
O défice republicano ficou 101 mil milhões de tenges abaixo da meta para o período de nove meses. A despesa também ficou aquém do previsto: 18,744 biliões de tenges, face a 18,813 biliões, uma diferença de 69 mil milhões. As receitas ficaram apenas ligeiramente abaixo da meta.
O défice excluindo as receitas petrolíferas evoluiu no sentido oposto. Ao atingir 7,261 biliões de tenges, ultrapassou em 230 mil milhões a meta para o período. Esta medida mostra a diferença orçamental sem as receitas petrolíferas e ajuda a distinguir a posição orçamental sustentada por essas receitas da posição sem elas.
A meta anual ajustada para o défice republicano é de 4,595 biliões de tenges. A meta anual para o défice excluindo o petróleo é de 9,060 biliões, dos quais cerca de 80,1% já tinham sido atingidos a 1 de outubro. Em comparação, tinham sido atingidos cerca de 63,2% da meta anual para o défice global.
À escala mais abrangente do orçamento do Estado, o défice excluindo o petróleo chegou a 7,46 biliões de tenges. A diferença face ao valor republicano reflete o âmbito distinto dos orçamentos. Ambas as medidas mostram uma diferença substancialmente superior aos respetivos défices globais.
Proteção social e serviço da dívida dominam a despesa
A assistência e a segurança social foram a maior categoria de despesa republicana, com 5,042 biliões de tenges. As transferências representaram 4,136 biliões e o serviço da dívida, 2,734 biliões. Em conjunto, estas três categorias corresponderam a cerca de 63,6% dos 18,744 biliões de tenges em despesas divulgados.
A saúde recebeu 1,361 biliões de tenges e os serviços públicos gerais, 1,124 biliões. A ordem pública, a segurança e as atividades jurídicas, judiciais e prisionais representaram 1,040 biliões de tenges, enquanto a defesa recebeu 1,014 biliões.
Outras dotações incluíram 677 mil milhões de tenges para transportes e comunicações, 572 mil milhões para a educação e 351 mil milhões para a agricultura, a água, a silvicultura, as pescas e as áreas naturais protegidas. A cultura, o desporto, o turismo e a informação representaram 241 mil milhões de tenges.
O orçamento do Estado, de âmbito mais abrangente, mostra por que razão a despesa central, por si só, não descreve os gastos em todo o país. A despesa estatal com a educação foi de 4,98 biliões de tenges, face a 572 mil milhões no orçamento republicano. A despesa estatal com assistência e segurança social chegou a 5,59 biliões de tenges.
Os pagamentos de juros da dívida pública do Estado totalizaram 2,8 biliões de tenges, em comparação com 1,57 biliões para a saúde, 1,68 biliões para os transportes e comunicações e 1,77 biliões para a habitação e serviços públicos. Os custos com juros foram cerca de 1,8 vezes superiores à despesa com a saúde. Os novos empréstimos atingiram 7,29 biliões de tenges, enquanto o reembolso da dívida existente totalizou 3,92 biliões. A diferença entre ambos, de 3,37 biliões, não corresponde, por si só, ao défice orçamental oficial.
O que o último trimestre terá de esclarecer
O plano anual ajustado de receitas do orçamento republicano é de 22,889 biliões de tenges. Depois de arrecadados 16,528 biliões até setembro, seriam necessários mais 6,361 biliões para alcançar essa meta. O orçamento anual ajustado para a despesa é de 26,229 biliões de tenges, dos quais 71,46% tinham sido gastos a 1 de outubro.
Restam, assim, 7,485 biliões de tenges entre a despesa acumulada até setembro e a dotação anual. Estas diferenças são montantes ainda por executar face aos planos anuais, não previsões do que o Governo irá arrecadar ou gastar.
A sequência dos dados e das metas é a seguinte:
- Janeiro a setembro de 2026: período abrangido pelos dados de execução orçamental e pela avaliação do ministro após nove meses.
- 1 de outubro de 2026: data de referência do ponto de situação da execução orçamental.
- 12 de outubro de 2026: data indicada para a publicação do relatório de execução do Ministério das Finanças.
- Final de 2026: prazo para cumprir as metas orçamentais anuais e previsão de Zhumangarin de um crescimento adicional das receitas de, pelo menos, 3,6 biliões de tenges.
Não é indicada uma data concreta para a próxima divulgação nem uma revisão da meta de IVA. Continuam por esclarecer as causas da quebra na receita de IVA, o contributo exato da reforma para o crescimento das receitas e se a arrecadação no último trimestre permitirá colmatar a diferença restante face à meta anual de receitas.
Pontos principais
- As receitas de IVA do orçamento republicano chegaram a 5,921 biliões de tenges, ficando 685,8 mil milhões abaixo da meta para os nove meses.
- As receitas fiscais totais do orçamento republicano superaram ligeiramente o previsto, o que indica que outros impostos compensaram a diferença do IVA.
- O défice republicano foi de 2,904 biliões de tenges, abaixo do previsto, enquanto o défice excluindo o petróleo ultrapassou a meta em 230 mil milhões.
- Zhumangarin atribuiu à reforma fiscal 3 biliões de tenges em receitas adicionais e previu pelo menos 3,6 biliões até dezembro.
- O orçamento do Estado, de âmbito mais abrangente, registou um défice de 3,1 biliões de tenges e 2,8 biliões em pagamentos de juros da dívida.
- Os valores dos orçamentos republicano e do Estado abrangem âmbitos diferentes e não podem ser comparados como totais equivalentes.






