Mulher morta em Jeju após apresentar quatro queixas à polícia; smartwatch de segurança arrancado do pulso

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Jeju Woman Killed After Four Reports to Police, With Safety Watch Torn From Her Wrist

Quatro queixas antes do ataque fatal

Uma mulher na casa dos 40 anos, que denunciara quatro vezes às autoridades o antigo companheiro por perseguição, ameaças de divulgação de imagens íntimas e violência no namoro, foi mortalmente esfaqueada na cidade de Jeju, depois de lhe ter sido arrancado do pulso o smartwatch de emergência que a polícia lhe tinha atribuído. Os investigadores encontraram o dispositivo danificado junto à entrada de casa.

Índice
  1. Quatro queixas antes do ataque fatal
  2. O que aconteceu às queixas anteriores?
  3. Cronologia das queixas e das medidas de protecção
  4. Como foi retirado o smartwatch
  5. Um ataque numa rua movimentada
  6. O que previa a avaliação do risco
  7. Porque é importante não ter sido emitida uma ordem de restrição
  8. O que os investigadores vão apurar
  9. Os números nacionais revelam pedidos de ajuda repetidos
  10. Pontos principais

A esquadra de polícia de Jeju Seobu afirmou que o suspeito, um homem na casa dos 60 anos, esperou que a mulher regressasse a casa antes de a agarrar e arrastar na direcção do seu veículo. A maioria dos relatos situa o ataque às 1h38 de 12 de Outubro, junto a um hotel em Yeon-dong. A polícia deteve-o às 5h08 em Geonip-dong, três horas e 30 minutos depois.

As quatro queixas diziam respeito a dois episódios de perseguição em Outubro do ano anterior, a uma denúncia de violência sexual em 5 de Março e a violência no namoro em Maio. Nenhuma delas resultou numa ordem que restringisse o acesso do homem à mulher. Ainda assim, a polícia avaliou o risco, acompanhou-a periodicamente e entregou-lhe um smartwatch e um alarme pessoal em Setembro.

O caso revela uma distinção importante para compreender a protecção de que dispunha: a polícia inscrevera a mulher num programa de assistência de segurança, mas as queixas anteriores não deram origem a processos criminais em curso nem a uma ordem de restrição. Os investigadores estão agora a investigar o homicídio, enquanto a forma como as queixas foram tratadas está a ser alvo de escrutínio.

O que aconteceu às queixas anteriores?

De acordo com o relato policial mais pormenorizado, as duas denúncias de perseguição de Outubro foram resolvidas no local e com advertências, depois de a mulher ter dito que a situação estava ultrapassada e que não queria avançar com um processo formal. A queixa de Maio por violência no namoro dizia respeito a visitas do homem ao local de trabalho da mulher ou a interferências com a sua actividade profissional.

A polícia afirmou que os agentes a ouviram em Maio e a encorajaram a apresentar queixa formal e a pedir medidas de protecção, mas ela recusou avançar. Esse relato não explica por que motivo recusou nem permite concluir que o perigo tivesse desaparecido.

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A queixa de 5 de Março teve um percurso diferente. Foi registada formalmente e dizia respeito à alegação de que o homem ameaçara divulgar um vídeo de relações sexuais. A polícia afirmou que a mulher apresentou mais tarde uma declaração dizendo que não queria que ele fosse punido e não compareceu para ser ouvida. Os investigadores encerraram o caso por falta de provas suficientes.

Este pormenor qualifica a descrição inicial de que os quatro casos tinham sido resolvidos no local, bem como outros relatos que sugerem que nenhum chegou a ser formalizado. A queixa de Março foi investigada antes de ser encerrada. Os relatos também divergem quanto ao número de denúncias em Maio: vários referem contactos repetidos nesse mês, enquanto a contagem policial detalhada contabiliza uma queixa em Maio, num total de quatro. A distinção entre um pedido de ajuda e um processo criminal formalmente registado é central para a explicação da polícia.

Cronologia das queixas e das medidas de protecção

A sequência estende-se por cerca de um ano, tendo sido relatados novos contactos indesejados depois de as queixas anteriores terem sido encerradas. Um dos relatos indica expressamente que a queixa de Março foi apresentada em 2026, enquanto outro situa em 2025 as denúncias de perseguição do Outubro anterior. Segundo esta cronologia, as medidas de protecção de Setembro e o homicídio de Outubro ocorreram em 2026.

  • Outubro de 2025: A mulher denunciou duas vezes situações de perseguição. Segundo a polícia, os incidentes terminaram com advertências ou intervenção no local, sem processos criminais formais.
  • 5 de Março de 2026: A polícia registou a queixa relativa a ameaças de divulgação de imagens íntimas. O caso foi posteriormente encerrado por falta de provas suficientes.
  • Maio: Denunciou violência no namoro, incluindo visitas indesejadas ao local de trabalho ou interferências com a sua actividade profissional.
  • 15 de Setembro: Segundo os relatos, a polícia realizou uma entrevista no âmbito do acompanhamento.
  • 16 de Setembro: A polícia entregou-lhe um smartwatch e inscreveu-a no sistema de emergência 112 para acompanhamento de segurança.
  • 22 de Setembro: A polícia entregou-lhe um alarme pessoal.
  • 28 de Setembro: Segundo um relato sobre o acompanhamento no local de trabalho, o alarme tocou quando o homem apareceu, e este fugiu.
  • Outubro: Segundo os relatos, o homem fez-lhe três chamadas telefónicas indesejadas.
  • 12 de Outubro: A maioria dos relatos situa o ataque fatal às 1h38 e a detenção às 5h08.

Os relatos divergem quanto à data do homicídio. Um relato em inglês situa-o em 13 de Outubro, enquanto os relatos coreanos mais pormenorizados e vários outros apontam para 12 de Outubro. A sequência de 12 de Outubro está também associada à hora de detenção referida. Esta discrepância não deve ser interpretada como a existência de um segundo incidente.

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Como foi retirado o smartwatch

Os primeiros relatos indicavam que a mulher usava o smartwatch, mas não conseguiu activá-lo durante o ataque repentino. Pormenores posteriores apontam para que o dispositivo lhe tenha sido arrancado junto a casa, antes de ser levada para o local onde foi esfaqueada.

Segundo os relatos, o suspeito disse aos investigadores que lhe puxou pelo braço quando ela tocou no pulso onde estava o dispositivo. A polícia encontrou o relógio com o fecho danificado junto à entrada do edifício. Um dos relatos diz que ela foi arrastada cerca de 100 metros desde casa até ao local do ataque, junto à estrada.

O relato inicial indica que o suspeito admitiu ter-lhe retirado o relógio para impedir que pedisse ajuda. Um relato policial mais pormenorizado é menos conclusivo: os investigadores afirmaram que ainda não tinham apurado se ele sabia de antemão que ela usava o dispositivo ou se conhecia a sua função de emergência. A explicação que lhe é atribuída deve, por isso, ser distinguida da avaliação policial.

O smartwatch fora concebido para enviar um alerta de emergência à central do 112 quando o botão fosse premido e permitir à polícia localizar quem o usava. Durante o ataque, não foi enviado qualquer alerta através do dispositivo. As provas descritas até agora dizem respeito à sua remoção e à incapacidade da mulher para o usar, não a uma avaria electrónica confirmada.

Um ataque numa rua movimentada

Os investigadores acreditam que o homem esperou junto a casa da mulher que ela regressasse, agarrou-a e obrigou-a a dirigir-se ao veículo que tinha estacionado. Os relatos indicam que o esfaqueamento ocorreu junto a um hotel em Yeon-dong, perto da residência da mulher. Não permitem reconstituir todas as etapas do trajecto entre o edifício, o veículo e a berma da estrada.

Segundo os relatos, testemunhas que ligaram para o 112 descreveram um homem a arrastar uma mulher pelo passeio enquanto a agredia. Disseram também que a deixou caída junto à estrada e se foi embora de carro. A mulher foi levada para o hospital, mas morreu devido aos ferimentos.

O local ficava junto a uma estrada com quatro faixas de trânsito, perto de lojas de conveniência, restaurantes e estabelecimentos de diversão nocturna. Os relatos descrevem uma zona onde há habitualmente movimento de pessoas e táxis até tarde. As chamadas das testemunhas levaram a polícia ao local, mas não impediram os ferimentos fatais.

O suspeito foi detido em Geonip-dong, depois de fugir. Um dos relatos situa o local da detenção a cerca de seis quilómetros do local do ataque. A polícia está a analisar gravações de videovigilância, imagens de câmaras de veículos e os seus movimentos para reconstituir com maior precisão a sequência dos acontecimentos.

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O que previa a avaliação do risco

A polícia classificou a mulher como pessoa protegida de grau B, com acompanhamento uma vez de dois em dois meses. Um relato sobre o sistema de classificação indica que o grau B se aplica quando, num ano, há pelo menos duas chamadas de emergência e dois casos registados. O grau A, segundo o mesmo relato, corresponde a pelo menos três de cada e a acompanhamento mensal.

Os critérios referidos não explicam, por si só, a classificação atribuída a esta mulher. Várias das suas queixas não deram origem a processos formais, e o registo completo da avaliação não foi divulgado. Por isso, não é possível reconstituir a decisão contando simplesmente as quatro queixas.

As medidas de Setembro mostram que a polícia continuou a reconhecer a existência de um risco para a segurança, mesmo depois de as queixas terem sido encerradas. Além de lhe entregar o smartwatch e o alarme pessoal, inscreveu-a no sistema 112 por recear uma eventual retaliação violenta.

O incidente no local de trabalho, alegadamente ocorrido em 28 de Setembro, é particularmente relevante. Segundo um relato, o alarme pessoal tocou quando o homem apareceu, e este fugiu. Isso sugere que o alarme interrompeu um encontro, mas não impediu contactos posteriores. Os registos não permitem apurar se o incidente alterou o grau de risco atribuído à mulher, a frequência do acompanhamento ou a ponderação de restrições ao homem.

Porque é importante não ter sido emitida uma ordem de restrição

A polícia afirmou que o encerramento das queixas anteriores, a relutância da mulher em prosseguir e a falta de declarações suficientes ou de outras provas limitaram a sua capacidade de pedir medidas restritivas. Não foi emitida qualquer ordem que impedisse o homem de se aproximar dela.

Vários relatos referem também uma alteração à Lei sul-coreana sobre a punição dos crimes de perseguição: tinha sido abolida a disposição que impedia a punição contra a vontade expressa da vítima. Segundo esses relatos, a lei revista obriga a polícia a tratar um caso de perseguição mesmo quando a vítima não quer que o alegado autor seja punido.

Um pedido para que alguém não seja punido e a falta de provas são questões diferentes. Eliminar a possibilidade de a vítima impedir um processo não elimina a necessidade de provar a existência de um crime. Significa, contudo, que a relutância em pedir a punição não pode, por si só, explicar por que motivo uma denúncia de perseguição não foi investigada.

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A questão por esclarecer é o que a polícia avaliou e registou em cada fase. O facto de a mulher ter recusado algumas medidas não permite concluir que todas as opções de investigação ou protecção possíveis tivessem sido esgotadas. Do mesmo modo, a alteração da lei referida não prova, sem acesso aos autos, que uma determinada ordem teria necessariamente sido emitida.

O contraste neste caso é concreto: a mulher tinha um dispositivo que podia pedir ajuda numa emergência, mas, segundo os relatos, não havia qualquer ordem que impedisse o homem de se aproximar dela. São formas diferentes de protecção, e o equipamento dependia de ela conseguir utilizá-lo.

O que os investigadores vão apurar

A polícia está a investigar o motivo e se o homicídio foi planeado. Segundo os relatos, o suspeito afirmou que agiu depois de a mulher se recusar a encontrar-se com ele. Os investigadores estão também a analisar a alegação de que tinha emprestado dinheiro a um conhecido dela por seu intermédio e queria ser reembolsado.

A existência e as condições dessa alegada dívida não foram comprovadas na investigação relatada. O que o suspeito diz é uma alegação sobre o motivo, não uma explicação confirmada dos acontecimentos nem uma justificação para o ataque.

A polícia está também a investigar relatos de que ele comprou a arma cerca de um mês antes do homicídio. A compra antes do ataque poderá ser relevante para apurar se houve planeamento, mas os investigadores ainda não tinham anunciado qualquer conclusão a esse respeito.

Os trabalhos anunciados incluem a análise de dados de telemóveis, imagens de videovigilância, gravações de veículos e trajectos percorridos. A polícia afirmou que tencionava pedir um mandado de detenção por suspeita de homicídio e realizar uma autópsia em 13 de Outubro. Estes relatos não confirmam qualquer decisão sobre o mandado, resultado da autópsia, data do julgamento ou conclusão definitiva sobre o planeamento.

Os números nacionais revelam pedidos de ajuda repetidos

O homicídio em Jeju ocorre num contexto em que foram divulgados dados da Agência Nacional de Polícia, apresentados a Seo Myeong-ok, deputado do Partido do Poder Popular e membro da Comissão da Administração Pública e Segurança da Assembleia Nacional. As denúncias de perseguição aumentaram de 14 509 em 2021 para 44 687 no último ano completo referido, mais do triplo.

As denúncias de violência no namoro subiram de 57 305 para 105 327 no mesmo período, um aumento de 83,8%. A categoria mais abrangente, que inclui perseguição, violência no namoro, violência doméstica e maus-tratos de crianças, aumentou de 316 542 para 475 639 denúncias, mais 50,3%. Foram ainda registadas provisoriamente 358 768 denúncias entre Janeiro e Agosto do ano a que se referem os dados.

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Os dados sobre denúncias repetidas são particularmente relevantes, mas exigem cautela. Das 19 316 denúncias repetidas de perseguição, 15 090, ou 78,1%, pertenciam à categoria de pelo menos três denúncias. No caso da violência no namoro, os valores correspondentes foram 25 322 em 32 634, ou 77,6%. No total, 40 412 das 51 950 denúncias repetidas pertenciam a essa categoria, cerca de 77,8%.

Estas estatísticas são agrupadas por vítima e podem incluir diferentes alegados autores ou um autor não identificado. Não mostram que todas as denúncias repetidas diziam respeito à mesma pessoa. Revelam pedidos de ajuda repetidos, não uma contagem exacta de reincidência por suspeito.

O número de smartwatches da polícia atribuídos aumentou de 10 989 em 2021 para 21 974 no último ano completo, quase duplicando. Ainda assim, os dados divulgados sobre efectivos indicam que havia 259 agentes dedicados à protecção de vítimas em 262 esquadras. Segundo os relatos, as esquadras do terceiro escalão administrativo não tinham agentes dedicados, pelo que outros funcionários acumulavam as funções de protecção com as tarefas habituais.

Seo apelou a uma intervenção policial mais precoce perante sinais de perigo e a um reforço do afastamento e das medidas destinadas a impedir novos crimes por parte de suspeitos considerados de alto risco. Os dados nacionais justificam o escrutínio da capacidade de resposta e das denúncias repetidas, mas não permitem concluir que a falta de efectivos tenha causado qualquer decisão específica em Jeju. Para isso, é necessário consultar os registos locais.

Pontos principais

  • Antes do homicídio, a mulher apresentara quatro queixas relacionadas com perseguição, ameaças de divulgação de imagens íntimas e violência no namoro.
  • A queixa de Março deu origem a uma investigação formal, mas foi encerrada por falta de provas suficientes. As restantes queixas terminaram sem processos criminais em curso.
  • A polícia entregou-lhe um smartwatch em 16 de Setembro e um alarme pessoal em 22 de Setembro, mas não foi imposta qualquer ordem de restrição.
  • O smartwatch foi encontrado arrancado junto a casa. Os investigadores ainda não tinham confirmado se o suspeito conhecia de antemão a sua função.
  • A maioria dos relatos situa o ataque às 1h38 de 12 de Outubro e a detenção às 5h08; um relato indica 13 de Outubro como data do homicídio.
  • A polícia estava a investigar o motivo, uma alegada dívida, a compra da arma e um possível planeamento, e tencionava pedir um mandado de detenção por homicídio.
  • Os dados nacionais sobre denúncias repetidas revelam pedidos frequentes de ajuda, mas nem sempre dizem respeito ao mesmo alegado autor.
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