1MDB negoceia acordo com o Deutsche Bank sobre uma reclamação de 1,11 mil milhões de dólares, com audiência marcada para 26 de outubro

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1MDB Pursues Deutsche Bank Settlement Over US$1.11 Billion Claim as October 26 Hearing Nears

Proposta de acordo chega aos tribunais malaios

A 1Malaysia Development Berhad (1MDB), da Malásia, está a negociar um possível acordo com o Deutsche Bank relativo a uma reclamação de aproximadamente 1,11 mil milhões de dólares, com uma audiência marcada para 26 de outubro de 2026. As negociações poderão resolver mais um litígio bancário no âmbito dos esforços da Malásia para recuperar o dinheiro perdido no escândalo da 1MDB, embora não tenham sido divulgados o valor do acordo nem os termos acordados.

Índice
  1. Proposta de acordo chega aos tribunais malaios
  2. O que abrange a reclamação
  3. Deutsche Bank mantém a sua defesa
  4. Como o processo contra os bancos foi reduzido
  5. As transferências na origem do litígio
  6. Nome dos beneficiários e conta da Good Star
  7. Recuperações continuam aquém das obrigações declaradas
  8. Processo contra a White & Case continua em separado
  9. Datas e decisões a acompanhar
  10. Pontos principais

O advogado Lim Chee Wee, que representa a 1MDB, revelou as negociações durante uma sessão no Tribunal Federal, em Putrajaya, na segunda-feira, 12 de outubro. Disse que o Tribunal Superior de Kuala Lumpur já tinha sido informado da proposta. A comissária judicial do Tribunal Superior, Rihada Rafie, está a conduzir o processo contra o Deutsche Bank.

A revelação surgiu durante um requerimento separado que envolve o escritório de advogados White & Case LLP, mostrando que várias frentes do contencioso da 1MDB continuam ativas em simultâneo. Um possível acordo com um dos réus não resolveria automaticamente as reclamações contra os restantes.

Lim descreveu a situação ao tribunal:

"Já informámos o Tribunal Superior de que existe uma proposta de acordo entre o nosso cliente (a 1MDB) e o Deutsche Bank. A audiência desse processo está marcada para 26 de outubro, perante a comissária judicial do Tribunal Superior, Rihada Rafie", afirmou Lim.

O Deutsche Bank continua a defender a sua posição. O comunicado do banco não confirmou qualquer pagamento acordado, e Lim recusou divulgar mais pormenores após a sessão. Para já, trata-se de conversações sobre um possível acordo, não de uma recuperação anunciada.

O que abrange a reclamação

A reclamação contra o Deutsche Bank (Malaysia) Berhad remonta a um processo instaurado em maio de 2021. Relatos publicados na altura indicam que o montante reclamado à subsidiária era de 1,11 mil milhões de dólares, acrescido de juros. Descrições mais recentes arredondam o valor para 1,1 mil milhões de dólares.

As alegações incluem negligência, incumprimento contratual, conspiração para defraudar ou prejudicar e assistência desonesta. São reclamações apresentadas pela 1MDB, não conclusões estabelecidas de responsabilidade do banco. A assistência desonesta refere-se à alegação de que uma parte ajudou conscientemente a cometer uma irregularidade relacionada com obrigações perante outra parte.

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Uma descrição do processo contra o Deutsche Bank identifica três transferências bancárias, entre 2009 e 2011, como estando em causa. Segundo relatos, uma decisão de julho de 2025 rejeitou a tentativa do banco de arquivar a ação com base nos prazos de prescrição, permitindo que a reclamação prosseguisse. Essa decisão processual não estabeleceu, por si só, se o banco era responsável pelas perdas alegadas.

Os relatos divergem quanto ao valor da ação original, que envolvia vários réus. Um refere uma ação de 1,83 mil milhões de dólares, apresentada a 7 de maio de 2021, enquanto outro indica 4,77 mil milhões de dólares. O pedido de 1,11 mil milhões de dólares especificamente identificado contra o Deutsche Bank é consistente nos relatos que discriminam a reclamação contra o banco. Os totais divergentes não devem ser tratados como equivalentes nem como o montante atualmente em discussão nas negociações.

Deutsche Bank mantém a sua defesa

O Deutsche Bank contesta os fundamentos da reclamação da 1MDB desde o início do processo. Em 2021, um porta-voz afirmou que o banco não tinha recebido os documentos do processo e desconhecia os fundamentos de uma reclamação legítima.

Em resposta às notícias mais recentes sobre as negociações, o banco afirmou que a sua situação é diferente da dos outros réus e apontou para desenvolvimentos em processos relacionados. O Deutsche Bank declarou:

Continuamos convictos da nossa posição no processo, sustentada pelas circunstâncias específicas do nosso caso, que o distinguem dos casos dos outros réus, bem como pelos desenvolvimentos recentes em processos semelhantes que envolvem outras partes e ainda estão a decorrer.

O banco acrescentou:

"Qualquer eventual acordo teria de ter isso em conta", afirmou.

O comunicado deixa em aberto a possibilidade de um acordo, mantendo ao mesmo tempo a defesa do banco. Não identifica os outros processos que o Deutsche Bank considera relevantes, não explica de que forma esses desenvolvimentos poderiam influenciar um pagamento nem revela se alguma proposta inclui uma admissão de responsabilidade.

Como o processo contra os bancos foi reduzido

O processo original identificava sete réus: Deutsche Bank (Malaysia) Berhad, Coutts & Co, JPMorgan (Switzerland), PetroSaudi International, PetroSaudi Holdings (Cayman), o empresário Tarek Obaid e Patrick Mahony. Além da reclamação contra o Deutsche Bank, a 1MDB reclamava 800 milhões de dólares à subsidiária suíça do JPMorgan e 1,03 mil milhões de dólares a uma unidade suíça do Coutts, acrescidos de juros.

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O JPMorgan e o Coutts foram retirados da ação a 13 de novembro de 2025, deixando o Deutsche Bank como o único réu bancário ainda no processo. Isso não significa que fosse o único réu. Um dos relatos indica também que Mahony foi retirado desta ação e visado num processo separado.

A alteração da lista de réus é relevante porque a ação original reunia reclamações contra bancos, empresas e indivíduos. Um acordo com o Deutsche Bank resolveria a reclamação contra esse banco, mas não necessariamente todas as alegações relacionadas com as transações.

Quando os processos de recuperação foram iniciados, em 2021, o Ministério das Finanças da Malásia afirmou que a 1MDB e uma antiga subsidiária tinham apresentado 22 ações cíveis para reclamar ativos avaliados em mais de 23 mil milhões de dólares. Esse valor indicava a dimensão das reclamações em curso, não o dinheiro já recuperado nem um montante que os tribunais tivessem ordenado aos réus que pagassem.

As transferências na origem do litígio

O testemunho prestado no processo criminal separado contra Najib Razak apresenta um relato mais pormenorizado de uma importante transferência de 2009 processada pelo Deutsche Bank. A 21 de abril de 2025, Raymond Yeoh Chen Seong, antigo diretor-executivo do Deutsche Bank (Malaysia) Berhad, testemunhou que a 1MDB alterou as instruções para uma transferência inicial de mil milhões de dólares, destinada à empresa de joint venture 1MDB PetroSaudi Limited.

As instruções revistas dividiram o pagamento em duas parcelas, de 700 milhões e 300 milhões de dólares. O Deutsche Bank enviou 700 milhões de dólares para uma conta no RBS Coutts e 300 milhões de dólares para uma conta no JPMorgan, seguindo instruções da 1MDB.

Yeoh, que liderou o banco malaio entre 2006 e 2013, afirmou que a alteração divergia da aprovação do Bank Negara Malaysia. Disse que o banco obteve confirmação de funcionários da 1MDB e que contactou pessoalmente Wan Hanisah, do Departamento de Administração Cambial do banco central, para pedir esclarecimentos.

Ao descrever essa conversa, Yeoh disse ao Tribunal Superior:

"Wan Hanisah disse que não cabia ao BNM pronunciar-se e que se tratava de uma decisão empresarial da 1MDB", afirmou Yeoh.

Este foi o testemunho de Yeoh sobre a resposta do banco central, não uma nova declaração do Bank Negara Malaysia. Foi também prestado no processo criminal contra Najib, não constituindo uma decisão final sobre a responsabilidade civil do Deutsche Bank.

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Nome dos beneficiários e conta da Good Star

Segundo o testemunho de Yeoh, a funcionária da 1MDB Stephenny Chow identificou, num e-mail em resposta a uma pergunta do Deutsche Bank, a PetroSaudi International Ltd como destinatária dos 700 milhões de dólares e a 1MDB PetroSaudi Ltd como destinatária dos 300 milhões.

Yeoh afirmou que as verificações de conformidade feitas com os nomes dessas empresas não revelaram sinais de alerta. Reconheceu também que mais tarde se descobriu que a conta que recebeu os 700 milhões de dólares pertencia à Good Star Limited, uma empresa associada a Low Taek Jho.

A distinção entre o nome do destinatário indicado nas instruções de pagamento e o verdadeiro titular da conta é essencial para compreender a transação. As verificações de uma empresa identificada pelo nome e a confirmação de quem é o titular da conta recetora são questões diferentes. O relato de Yeoh explica como o banco afirma ter processado as instruções, mas não determina se essas diligências cumpriram as suas obrigações legais.

A transferência de 700 milhões de dólares correspondeu a 70% do pagamento inicial de mil milhões de dólares, enquanto a transferência de 300 milhões correspondeu a 30%. Estes valores mostram a importância do pagamento à Good Star nessa transação. Não devem ser confundidos com a reclamação cível total de 1,11 mil milhões de dólares nem tratados como uma descrição completa das três transferências que, segundo os relatos, são abrangidas pela ação.

Recuperações continuam aquém das obrigações declaradas

O possível acordo com o Deutsche Bank surge enquanto a Malásia continua a suportar obrigações financeiras substanciais associadas à 1MDB. Os valores do Governo citados nas notícias sobre as negociações indicam obrigações de 51,4 mil milhões de ringgit e recuperações de 31,3 mil milhões de ringgit.

A diferença entre estes valores é de 20,1 mil milhões de ringgit. As recuperações correspondem a aproximadamente 61% das obrigações declaradas, com base na divisão de 31,3 mil milhões por 51,4 mil milhões de ringgit. Esta comparação mostra a dimensão do encargo financeiro que subsiste, mas não estabelece um saldo exato por pagar, uma vez que os valores não esclarecem o calendário nem o tratamento de cada montante recuperado ou obrigação.

Outros acordos com bancos dão contexto. Em 2025, o JPMorgan Chase & Co aceitou pagar 1,4 mil milhões de ringgit num acordo separado relacionado com a 1MDB. Acordos anteriores com a Goldman Sachs e o AmBank Group foram descritos como ascendendo, respetivamente, a 3,9 mil milhões de dólares e 2,83 mil milhões de ringgit.

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Estes valores anunciados não são diretamente comparáveis sem conhecer os termos de cada acordo. O valor de um acordo pode diferir do montante pago de imediato, e os valores em dólares e em ringgit não devem ser somados sem uma taxa de câmbio e uma data de referência comuns. Até agora, não foi divulgado nenhum valor que permita comparar o possível acordo com o Deutsche Bank com estes acordos.

Os procuradores norte-americanos alegaram que pelo menos 4,5 mil milhões de dólares foram desviados da 1MDB entre 2009 e 2014, num esquema internacional que envolveu altos funcionários e pessoas a eles associadas. As autoridades malaias afirmaram que continuam por localizar mais milhares de milhões. O valor alegadamente desviado é distinto das obrigações financeiras da Malásia, dos montantes reclamados em tribunal e dos acordos alcançados.

Processo contra a White & Case continua em separado

A divulgação das negociações do acordo ocorreu enquanto o Tribunal Federal apreciava o pedido da 1MDB para obter autorização para recorrer de uma decisão favorável à White & Case. O fundo pretende contestar uma decisão do tribunal de recurso segundo a qual o Tribunal Superior da Malásia não tinha jurisdição sobre a ação contra o escritório de advogados.

Os relatos apresentam datas diferentes para essa decisão do Tribunal de Recurso: 12 e 20 de agosto de 2026. Ambos descrevem uma decisão sobre jurisdição favorável à White & Case. A data exata diverge, mas o resultado processual relatado é o mesmo.

Um relato pormenorizado refere que o tribunal de recurso considerou que Inglaterra era o foro adequado, invocando a escolha da lei inglesa e os requisitos para notificar processos fora da Malásia. Refere também que o tribunal considerou a reclamação fora do prazo ao abrigo da Lei de Prescrição de 1953 da Malásia, mencionando um prazo de seis anos e o conhecimento público das perdas e da fraude alegadas em 2015 e 2016.

A 1MDB instaurou a ação contra a White & Case em 2024, reclamando 1,83 mil milhões de dólares e 33 milhões de dólares em perdas ao escritório e a Mahony. Alegou que o escritório ajudou a PetroSaudi a cometer fraude e conspirou para prejudicar a 1MDB enquanto representava juridicamente a PetroSaudi. Estas alegações são distintas das decisões sobre o local onde o processo pode ser julgado.

Na sessão de 12 de outubro, Cyrus Das, advogado da White & Case, opôs-se à inclusão de mais de 3 000 páginas de documentos no requerimento da 1MDB. O Tribunal Federal autorizou a junção dos documentos e determinou a apresentação de declarações sob juramento. Foi ordenada a gestão processual para marcar uma audiência com a maior brevidade possível. A autorização para juntar documentos não equivale a autorização para recorrer, e nenhuma destas medidas constitui uma decisão sobre as alegações de fraude subjacentes.

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Datas e decisões a acompanhar

O litígio abrange transações desde 2009, ações instauradas em 2021 e os esforços atuais para chegar a acordos ou recorrer. Os principais marcos noticiados são:

  • 2009: As instruções para o pagamento inicial de mil milhões de dólares da 1MDB foram divididas em transferências de 700 milhões e 300 milhões de dólares.
  • 7 de maio de 2021: A 1MDB instaurou a ação, na qual identificou o Deutsche Bank e outros seis réus.
  • 21 de abril de 2025: O antigo executivo do Deutsche Bank Raymond Yeoh testemunhou sobre as instruções de pagamento no processo criminal contra Najib.
  • Julho de 2025: Segundo relatos, uma decisão rejeitou a tentativa do Deutsche Bank de arquivar a reclamação com base nos prazos de prescrição.
  • 13 de novembro de 2025: O JPMorgan e o Coutts foram retirados da ação.
  • Agosto de 2026: O Tribunal de Recurso decidiu a favor da White & Case quanto à jurisdição, embora os relatos divirjam sobre a data exata.
  • 12 de outubro de 2026: Lim revelou a proposta de acordo com o Deutsche Bank durante uma sessão no Tribunal Federal.
  • 26 de outubro de 2026: Está marcada uma audiência no Tribunal Superior para o processo contra o Deutsche Bank.

A próxima data concreta é 26 de outubro. Lim indicou que poderão ser necessárias novas instruções quanto à realização da audiência. Não foi divulgada qualquer decisão de cancelamento nem uma nova data.

Continuam por esclarecer o montante do possível acordo, se ambas as partes o aceitarão, o calendário de pagamentos e se o acordo incluirá uma admissão de responsabilidade. Também não foi divulgada uma data para a audiência do pedido de autorização para recorrer no processo contra a White & Case. Até ser anunciado um acordo, o processo contra o Deutsche Bank continua pendente, com negociações em curso.

Pontos principais

  • A 1MDB está a negociar um acordo com o Deutsche Bank relativo a uma reclamação de aproximadamente 1,11 mil milhões de dólares, acrescida de juros.
  • O Tribunal Superior foi informado da proposta e tem uma audiência marcada para 26 de outubro de 2026.
  • O Deutsche Bank mantém a sua defesa. Não foram divulgados o valor do acordo nem os termos acordados.
  • O JPMorgan e o Coutts saíram da ação em novembro de 2025, deixando o Deutsche Bank como o único réu bancário ainda no processo.
  • Os valores do Governo indicam recuperações de 31,3 mil milhões de ringgit, face a obrigações financeiras de 51,4 mil milhões associadas ao escândalo.
  • O processo separado contra a White & Case prossegue, tendo o Tribunal Federal autorizado a junção de documentos adicionais ao pedido da 1MDB para obter autorização para recorrer.
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