Lee exige medidas rigorosas perante investigação sobre exposição ao chumbo e injeções na DN Automotive

13 min de leitura
Lee Orders Strict Action as DN Automotive Faces Lead Exposure and Injection Probe

Resultados sobre chumbo e injeções contestadas levam a intervenção presidencial

O Presidente sul-coreano Lee Jae-myung ordenou, a 12 de outubro de 2026, uma investigação exaustiva às alegações de que a fábrica de baterias da DN Automotive em Ulsan administrou repetidamente injeções aos trabalhadores para eliminar metais pesados, apresentando-as como injeções de vitaminas. A intervenção surge na sequência da identificação de 68 violações da Lei de Segurança e Saúde no Trabalho e de medições pormenorizadas que revelaram uma exposição ao chumbo até 5,5 vezes superior ao limite permitido num dos processos de produção.

Índice
  1. Resultados sobre chumbo e injeções contestadas levam a intervenção presidencial
  2. O que Lee pediu aos investigadores que apurassem
  3. Avaliações de rotina e medições pormenorizadas divergiram
  4. O que os trabalhadores dizem ter acontecido antes dos exames
  5. Por que motivo o tipo de injeção é importante
  6. A resposta da empresa às alegações
  7. As medidas de fiscalização começaram meses antes da controvérsia pública
  8. Investigação de saúde abrangerá antigos trabalhadores
  9. Inspeções estendem-se para além da fábrica de Ulsan
  10. Principais pontos

O Ministério do Emprego e do Trabalho informou que remeteu o caso para a polícia, por suspeita de obstrução à atividade empresarial, concluindo que as injeções administradas antes dos exames médicos especiais poderão ter interferido com as medidas governamentais de proteção dos trabalhadores. A Agência Metropolitana de Polícia de Ulsan está a investigar o caso. Em separado, o ministério aplicou coimas administrativas no valor total de 46,2 milhões de won e remeteu para o Ministério Público as violações das normas de segurança no trabalho.

A DN Automotive nega que as injeções tivessem como objetivo manipular os resultados dos exames. A empresa apresenta-as como parte da gestão contínua da saúde dos trabalhadores, enquanto o responsável pelo seu departamento de segurança e saúde afirma que a participação era voluntária. Os trabalhadores descrevem uma situação diferente: alegam que o tratamento foi apresentado de forma enganadora e, em alguns casos, acompanhado de instruções para tirarem licença sem vencimento.

A controvérsia envolve agora três questões distintas: a quantidade de chumbo existente no local de trabalho, o que foi dito aos trabalhadores antes de receberem tratamento médico e se esse tratamento ocultou a exposição durante os exames de saúde. A ordem do Presidente alarga a atenção para além de uma única fábrica: já estão em curso inspeções específicas em 14 outros locais de fabrico de baterias.

O que Lee pediu aos investigadores que apurassem

A porta-voz presidencial principal, Kang Yu-jung, afirmou que Lee recebeu informações do Ministério do Trabalho sobre as medidas tomadas e os planos futuros antes de emitir as suas instruções. Criticou o alegado recurso a medidas prejudiciais para os trabalhadores, com o objetivo de passar avaliações do local de trabalho apesar de os níveis de chumbo ultrapassarem em mais de cinco vezes o limite legal.

Na qualidade de Presidente, Lee descreveu a alegada ocultação de riscos médicos e de exposição a substâncias perigosas como uma violação dos direitos dos trabalhadores. Segundo Kang, afirmou:

Uma empresa que devia proteger a vida e a saúde dos trabalhadores, mas oculta o risco de efeitos secundários, leva os trabalhadores a receber injeções e esconde a exposição a substâncias perigosas, comete uma grave violação dos direitos humanos, que nunca pode ser tolerada.

Publicidade

Instruiu o Ministério do Trabalho e as autoridades de investigação a apurar a extensão da exposição a substâncias perigosas, as circunstâncias em que foram administradas as injeções e se os resultados dos exames de saúde foram ocultados. Pediu que fossem tomadas medidas rigorosas ao abrigo da lei, caso se confirmassem violações.

Esta instrução não constitui uma conclusão judicial de que a empresa tenha enganado os trabalhadores ou falsificado resultados. Essas alegações continuam sob investigação. No entanto, o ministério já anunciou violações distintas das normas de segurança no trabalho e as respetivas medidas de execução.

Avaliações de rotina e medições pormenorizadas divergiram

A DN Automotive fabrica baterias de chumbo-ácido para veículos. O chumbo e o ácido sulfúrico são utilizados na produção, pelo que as medições da exposição no local de trabalho e os exames médicos especiais dos trabalhadores são fundamentais para monitorizar as condições na fábrica.

Desde 2022, as avaliações de rotina do local de trabalho terão registado níveis de exposição ao chumbo dentro dos limites permitidos. Os exames médicos especiais também não assinalaram suspeitas de doença profissional. Posteriormente, medições pormenorizadas realizadas pela Agência Coreana de Segurança e Saúde no Trabalho, conhecida pela sigla KOSHA, revelaram valores muito superiores.

Num processo de carregamento que envolve placas de elétrodos fabricadas com pó de chumbo, as medições ultrapassaram o limite em mais de cinco vezes. No processo de empilhamento, em que os elétrodos positivos e negativos são separados e empilhados, o valor mais elevado registado foi 5,5 vezes superior ao limite. Isso corresponde a 450% acima do limite, e não apenas a 5,5%.

Kim Boo-wook, professor de engenharia de segurança e saúde no trabalho da Universidade Inje, comparou os resultados pormenorizados com as avaliações de rotina:

Comparando os níveis máximos das medições regulares do ambiente de trabalho com os níveis máximos desta medição pormenorizada da KOSHA, verifica-se, em todos os casos, uma diferença de cerca de dez vezes.

A comparação confirma uma discrepância substancial, mas não explica, por si só, a sua causa. Os investigadores terão ainda de determinar como foram feitas as avaliações e por que motivo os resultados divergiram. Os valores divulgados não incluem as concentrações subjacentes, as unidades ou as condições de amostragem necessárias para uma comparação independente.

O que os trabalhadores dizem ter acontecido antes dos exames

Os trabalhadores alegam que as injeções eram organizadas antes dos exames médicos obrigatórios. Um representante sindical afirmou que os trabalhadores recebiam normalmente uma a três injeções e que, em determinados processos, alguns recebiam até quatro, durante o mês ou os dois meses anteriores aos exames anuais.

Publicidade

O trabalhador identificado como Lee Woo-seong afirmou que as injeções eram apresentadas como tratamento com vitaminas, alegando-se que normalmente custariam entre 150 000 e 200 000 won e que deixariam quem as recebesse a sentir-se revigorado. Outro trabalhador, Hyun Sun-cheon, descreveu ter chegado a um hospital, sido questionado sobre se vinha da DN Automotive e recebido uma perfusão intravenosa sem que lhe explicassem o tratamento.

Um documento interno da empresa terá identificado trabalhadores que precisavam de tratamento quelante adicional. Incluía os nomes dos trabalhadores associados a datas de calendário e registos de terceiras e quartas doses. Estes registos indicam que havia um agendamento organizado, embora não permitam determinar, por si só, o que foi dito a cada trabalhador nem se o consentimento foi informado.

Um trabalhador não identificado afirmou que os empregados com níveis elevados de chumbo eram mandados ficar em casa durante duas semanas sem vencimento e receber injeções quelantes nesse período. Outro relatou que a tensão arterial subiu para 180 e que teve visão dupla. Trata-se de relatos dos trabalhadores, não de conclusões médicas confirmadas que estabeleçam que um determinado fármaco causou esses sintomas.

Não foram divulgados o número total de pessoas tratadas, a duração da prática nem a identidade do medicamento. Estes elementos em falta são importantes tanto para investigar se houve consentimento como para avaliar eventuais danos para a saúde.

Por que motivo o tipo de injeção é importante

O tratamento em causa é descrito como quelação, e não como suplementação vitamínica. A quelação utiliza medicamentos que se ligam a determinados metais presentes no organismo, para que possam ser eliminados, nomeadamente através da urina. A finalidade, os riscos médicos e a adequação do tratamento dependem do fármaco, do estado do doente e das circunstâncias em que é administrado.

Alegadamente, as injeções descritas neste caso procuravam reduzir o nível de chumbo no sangue dos trabalhadores antes dos exames. Foi identificado o risco de lesões renais como um possível efeito do tratamento, mas não foi anunciada qualquer confirmação de que estes trabalhadores tenham sofrido tais lesões.

Foi referido um nível de chumbo no sangue de 30 microgramas por decilitro como limiar para a intervenção das autoridades. Um decilitro corresponde a um décimo de litro. Esta medição no sangue é diferente das medições da exposição no local de trabalho, que chegaram a 5,5 vezes o limite permitido: uma mede a quantidade de chumbo no sangue de uma pessoa; a outra avalia a exposição no ambiente de trabalho.

Esta distinção é essencial para compreender as alegações. Uma injeção que reduza o nível de chumbo no sangue não elimina o chumbo de um processo de produção. Por si só, não explica, portanto, por que motivo as medições no local de trabalho foram consideradas aceitáveis. A investigação terá de analisar separadamente a discrepância na avaliação ambiental e a alegada alteração dos resultados dos exames médicos.

Publicidade

A resposta da empresa às alegações

A DN Automotive afirma que as injeções faziam parte de um programa contínuo de gestão da saúde dos trabalhadores e que não se destinavam a manipular os resultados dos exames. Song Jin-wook, responsável pelo departamento de segurança e saúde da empresa, descreveu a participação como uma escolha voluntária e negou que o tratamento fosse obrigatório.

Esta resposta contrasta com os relatos de trabalhadores que dizem que o tratamento lhes foi apresentado como vitaminas ou associado a instruções para se afastarem do trabalho. A questão central vai, portanto, além de saber se os trabalhadores se deslocaram voluntariamente a uma clínica. Os investigadores terão também de apurar se sabiam que medicamento estavam a receber, se compreendiam os riscos e se podiam recusar sem consequências laborais.

Kim Ju-young, membro da Comissão do Clima, Energia, Ambiente e Trabalho da Assembleia Nacional, levantou a possibilidade de o chumbo ter sido removido do organismo dos trabalhadores antes dos exames. Trata-se de uma questão a investigar, não de uma prova da intenção da empresa.

Não foi anunciada qualquer decisão judicial, conclusão definitiva da investigação policial ou avaliação epidemiológica final. A negação da empresa e as alegações dos trabalhadores devem manter-se distintas das violações das normas de segurança no trabalho já identificadas pelo ministério.

As medidas de fiscalização começaram meses antes da controvérsia pública

O Ministério do Trabalho afirmou que recebeu pela primeira vez informações sobre as alegações no final de janeiro. Em seguida, verificou as denúncias, realizou inspeções de segurança e organizou medições pormenorizadas no local de trabalho. A cronologia mostra que a intervenção das autoridades antecedeu as notícias de outubro e a ordem presidencial.

  • Desde 2022: As avaliações de rotina do local de trabalho terão registado níveis aceitáveis de exposição ao chumbo, enquanto os exames médicos especiais não detetaram suspeitas de doença profissional.
  • Final de janeiro de 2026: O Ministério do Trabalho recebeu informações sobre as práticas alegadas e começou a verificar os factos.
  • De 21 de abril a 7 de maio: O ministério ordenou a suspensão dos processos que envolviam exposição ao chumbo.
  • 18 de setembro: A comissão de avaliação das investigações epidemiológicas da KOSHA aprovou uma investigação de grupo sobre os efeitos na saúde.
  • 8 de outubro: Foi criada uma comissão de nove membros para investigar a exposição ao chumbo e melhorar as condições de trabalho.
  • 11 de outubro: Notícias divulgaram relatos de trabalhadores e um documento interno relativo às injeções.
  • 12 de outubro: O ministério anunciou medidas de fiscalização e o envio do caso para a polícia, enquanto Lee ordenou uma investigação exaustiva.

A suspensão aplicou-se aos processos que envolviam exposição ao chumbo durante o período especificado. Não deve ser interpretada como um encerramento anunciado de toda a fábrica nem como uma ordem que continuasse em vigor em outubro.

Publicidade

A coima administrativa de 46,2 milhões de won também é distinta da investigação criminal. O envio de suspeitas de infração às autoridades dá início a um processo jurídico ou permite que este avance; não determina a condenação nem resolve as alegações de engano.

Investigação de saúde abrangerá antigos trabalhadores

A KOSHA decidiu, a 18 de setembro, realizar uma investigação epidemiológica de grupo que abrange os trabalhadores atuais e antigos da DN Automotive, incluindo reformados. O objetivo é apurar os efeitos da exposição ao chumbo na saúde de toda a força de trabalho, em vez de analisar apenas os trabalhadores que se encontram atualmente na fábrica.

Uma investigação epidemiológica procura identificar padrões de exposição e doença numa população. Neste caso, pode responder a uma questão que não se resolve nem com uma única medição no local de trabalho nem com uma análise individual ao sangue: se os trabalhadores sofreram efeitos na saúde relacionados com o seu emprego e o histórico de exposição.

O Ministério do Trabalho criou também, a 8 de outubro, a Comissão de Investigação da Exposição ao Chumbo e de Melhoria do Ambiente de Trabalho da DN Automotive. Os nove especialistas foram indicados por representantes dos trabalhadores, da empresa e do Governo. Estão previstas três áreas de trabalho: saúde, ambiente de trabalho e investigação epidemiológica.

Não foram anunciadas uma data de conclusão, o número de participantes nem a data de divulgação dos resultados da investigação de grupo. Continua por apurar quantos trabalhadores sofreram danos confirmados. A inclusão de antigos trabalhadores alarga a investigação para além dos resultados dos exames atuais, mas as conclusões dependerão dos resultados da investigação.

Inspeções estendem-se para além da fábrica de Ulsan

O ministério iniciou inspeções específicas em 14 outros locais de trabalho do mesmo setor de fabrico de baterias. Lee pediu também que se verificasse atentamente se práticas semelhantes noutros locais estavam a comprometer a proteção da segurança e da saúde no trabalho.

Está a ser investigada uma outra fábrica de baterias de chumbo-ácido em Gwangju, por suspeita de recorrer a um tratamento quelante semelhante. Não foram divulgados a identidade da fábrica, o número de trabalhadores envolvidos nem quaisquer conclusões das medidas de fiscalização. Não é claro se essa fábrica está entre os 14 locais abrangidos pelas inspeções específicas.

A investigação mais alargada terá de distinguir o tratamento médico legítimo do tratamento alegadamente utilizado para ocultar a exposição. No caso de Ulsan, continuam por esclarecer as questões relativas ao consentimento, à necessidade médica, ao momento do tratamento, ao envolvimento da empresa e à fiabilidade dos controlos destinados a proteger os trabalhadores.

Os próximos passos imediatos são a investigação policial em curso, as inspeções noutras fábricas e as investigações previstas sobre a saúde e o local de trabalho. Não foi anunciada qualquer data para audições, para a decisão de acusação ou para a divulgação do relatório final. O Presidente exigiu medidas rigorosas, mas serão as provas recolhidas nesses processos a determinar as medidas jurídicas e de proteção que se seguirão.

Publicidade

Principais pontos

  • Lee Jae-myung ordenou, a 12 de outubro, uma investigação exaustiva às alegações de engano relacionadas com injeções na fábrica da DN Automotive em Ulsan.
  • Medições pormenorizadas no local de trabalho revelaram níveis de exposição ao chumbo até 5,5 vezes superiores ao limite permitido no processo de empilhamento.
  • O Ministério do Trabalho identificou 68 violações das normas de segurança no trabalho e aplicou coimas administrativas no valor de 46,2 milhões de won.
  • A polícia de Ulsan está a investigar suspeitas de obstrução à atividade empresarial relacionadas com tratamentos administrados antes dos exames médicos.
  • Os trabalhadores alegam que as injeções lhes foram apresentadas como vitaminas. A DN Automotive nega ter manipulado resultados e afirma que o tratamento fazia parte da gestão voluntária da saúde.
  • Uma investigação de grupo sobre a saúde abrangerá trabalhadores atuais e antigos, incluindo reformados.
  • As inspeções específicas abrangem outros 14 locais de fabrico de baterias. Ainda não foram anunciadas conclusões finais da investigação nem datas para a sua conclusão.
Partilhar este artigo

Também pode gostar