Homicídio em Seul expõe falhas na proteção após expiração de ordem de afastamento

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Seoul Killing Exposes Protection Gaps After Restraining Order Expired

Ataque fatal ocorreu 11 dias após o fim das medidas de proteção

Um homem de 26 anos, suspeito de ter esfaqueado mortalmente a mãe da mulher com quem era casado, em Seul, e de ter raptado a mulher, de quem estava separado, a 11 de outubro, era investigado por violência doméstica desde agosto. As medidas que o proibiam de se aproximar ou contactar a mulher expiraram a 30 de setembro. A polícia pediu a renovação das medidas a 6 de outubro, mas o tribunal ainda não tinha tomado uma decisão quando ocorreu o ataque.

Índice
  1. Ataque fatal ocorreu 11 dias após o fim das medidas de proteção
  2. O que aconteceu em Munjeong-dong
  3. A mulher foi localizada antes da detenção
  4. Como começou a investigação por violência doméstica
  5. Seis dias de intervalo até ao pedido de renovação das medidas
  6. Três buscas sem êxito e uma entrevista a que faltou
  7. Porque não foi possível usar o smartwatch de emergência
  8. A avaliação do risco está sob escrutínio
  9. O que falta esclarecer aos investigadores
  10. Principais pontos

A esquadra de Songpa informou que o suspeito, identificado pelo apelido Kim, foi detido por volta das 12h35 numa zona arborizada de Yangyang, na província de Gangwon, cerca de sete horas depois de ter fugido de Seul. A mulher, que terá 23 anos, foi encontrada viva, com escoriações ligeiras. A mãe, na casa dos 50 anos, morreu depois de ter sido transportada para o hospital em paragem cardiorrespiratória.

A investigação revelou várias falhas distintas na resposta antes do homicídio: uma ordem de proteção expirada, três tentativas infrutíferas de executar um mandado de busca, uma entrevista policial a que o suspeito faltou e um smartwatch de emergência que estava desligado. A polícia tinha avaliado Kim como apresentando um elevado risco de voltar a exercer violência, mas não considerou urgente detê-lo de imediato.

Os investigadores disseram que Kim admitiu, em termos gerais, as acusações durante o interrogatório, embora, segundo relatos, tenha descrito o homicídio como acidental. A polícia estava a investigar o motivo e a possibilidade de o ataque ter sido planeado. Disse que tencionava pedir um mandado de detenção a 12 de outubro, com acusações que deverão incluir homicídio de ascendente e sequestro agravado.

O que aconteceu em Munjeong-dong

O ataque ocorreu perto da casa da família da mulher, em Munjeong-dong, no distrito de Songpa, no sudeste de Seul. A polícia recebeu uma chamada de emergência por volta das 5h38, dando conta de que um homem tentava arrastar uma mulher e de que outra mulher estava caída no chão.

Moradores disseram ter ouvido pedidos de ajuda. Uma pessoa afirmou que várias pessoas tentaram prestar primeiros socorros com toalhas; outra disse que ligou para os serviços de emergência depois de encontrar a mulher ferida. Os relatos também descrevem a mulher a ser arrastada pelos cabelos antes de ser forçada a entrar num veículo.

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Os relatos divergem quanto à hora exata do esfaqueamento. Alguns situam-no por volta das 5h30 ou das 5h40, enquanto outro indica as 5h58. A chamada de emergência, registada às 5h38, confirma que a polícia foi alertada naquela manhã, mas a sequência exata dos acontecimentos ainda precisa de ser esclarecida.

A mãe foi transportada para o hospital, mas não foi possível salvá-la. Kim terá fugido de carro com a mulher em direção à província de Gangwon. Mais tarde, a polícia informou ter encontrado uma pequena faca de fruta que se acredita ter sido usada no ataque.

A mulher foi localizada antes da detenção

Detetives de Songpa trabalharam com a polícia de Gangwon para localizar o veículo. Relatos mais pormenorizados situam a descoberta da mulher e do carro usado na fuga por volta das 10h30, em Yangyang, cerca de cinco horas após a chamada de emergência. Kim foi detido nas proximidades, por volta das 12h35.

Esta sequência distingue o resgate da mulher da captura do suspeito. Vários relatos iniciais descreveram ambos os acontecimentos como tendo ocorrido cerca de sete horas após o ataque, mas relatos posteriores indicam que ela foi localizada cerca de duas horas antes dele.

Segundo relatos, Kim separou-se da mulher a meio da subida da montanha, antes de a polícia o apanhar. As circunstâncias dessa separação, incluindo se a abandonou ou tentou continuar a fugir, continuam a fazer parte da investigação. As escoriações ligeiras que apresentava são compatíveis com os relatos de que não sofreu ferimentos físicos graves.

A polícia levou Kim para a esquadra de Songpa por volta das 18h30. Questionado sobre as vítimas e o motivo da fuga, recusou-se a explicar publicamente as suas ações.

Kim, o suspeito investigado pelo homicídio e rapto, disse aos jornalistas:

Explicarei tudo durante a investigação.

Como começou a investigação por violência doméstica

Segundo relatos, o casal registou o casamento em fevereiro e separou-se cerca de seis meses depois. A maioria dos relatos refere um processo de anulação do casamento, enquanto alguns mencionam um processo de divórcio. A anulação contesta a validade jurídica de um casamento, ao passo que o divórcio põe fim a um casamento válido. O estado exato do processo não foi divulgado publicamente.

A polícia teve conhecimento dos alegados abusos depois de Kim lhe ter pedido que localizasse a mulher, em agosto. Agentes da esquadra de Yongsan, em Seul, encontraram-na, mas ela pediu-lhes que não dissessem ao marido onde estava. Em seguida, denunciou alegados episódios de violência doméstica.

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Um relato pormenorizado situa esse encontro a 22 de agosto e a transferência do caso para a esquadra de Gwonseon, em Suwon, a 27 de agosto. A transferência ocorreu na sequência de alegações de agressões em Suwon, na província de Gyeonggi, onde o casal tinha vivido.

A polícia obteve um depoimento segundo o qual Kim tinha atingido repetidamente a cabeça da mulher com os punhos. À medida que a investigação prosseguia, os agentes terão recebido depoimentos sobre outras alegadas infrações. Kim prestava serviço social em Gunpo, na província de Gyeonggi, e a polícia procurou interrogá-lo sobre as acusações de violência doméstica.

Seis dias de intervalo até ao pedido de renovação das medidas

As medidas de proteção iniciais obrigavam Kim a sair da residência, proibiam-no de se aproximar a menos de 100 metros da mulher e impediam-no de a contactar por telefone, mensagem de texto ou outros meios de telecomunicação. As medidas terminaram a 30 de setembro.

Os relatos divergem quanto à data de início e ao historial processual. Um refere uma ordem em vigor de 22 de agosto a 30 de setembro. Outro diz que a polícia pediu medidas provisórias de emergência a 26 de agosto. Ambos confirmam o termo das medidas a 30 de setembro e o pedido de renovação apresentado a 6 de outubro.

Entre o termo das medidas e o novo pedido decorreram seis dias, seguidos de mais cinco até ao ataque de 11 de outubro. O pedido, por si só, não repôs as medidas: a polícia ainda aguardava uma decisão judicial quando Kim terá ido a casa da família.

As medidas provisórias destinam-se a impedir que um alegado agressor se aproxime ou contacte uma vítima enquanto o processo decorre. Os relatos sobre este caso referem medidas com duração máxima de um mês, renováveis uma vez. Referem também medidas policiais de emergência, destinadas a colmatar situações urgentes, geralmente quando uma nova denúncia de violência apresenta indícios de uma ameaça iminente.

A polícia disse não ter confirmado que Kim se tivesse aproximado ou contactado a mulher enquanto as medidas iniciais estavam em vigor. Ela não apresentou outra denúncia de abusos durante esse período. Estes pormenores ajudam a explicar a versão da polícia, mas não demonstram que o risco tenha desaparecido quando a ordem expirou.

Três buscas sem êxito e uma entrevista a que faltou

A polícia tinha obtido um mandado de busca para recolher provas na investigação por violência doméstica, mas as três tentativas de o executar falharam. Os agentes disseram que Kim não se encontrava no local de trabalho nem na residência. Segundo relatos, faltou ao trabalho durante vários dias.

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Um relato pormenorizado situa o mandado a 18 de setembro e as buscas infrutíferas a 22 e 28 de setembro no local de trabalho, seguidas de outra a 6 de outubro em casa. Outro indica que o mandado foi emitido a 4 de setembro. A discrepância quanto à data de emissão não foi esclarecida, embora os relatos concordem que cerca de três tentativas falharam.

Um mandado de busca autoriza os investigadores a procurar provas; é diferente de um mandado de detenção do suspeito. Posteriormente, a polícia marcou um interrogatório de Kim para 10 de outubro. Ele não compareceu e os agentes remarcaram a entrevista para 13 de outubro. O ataque ocorreu a 11 de outubro, entre essas duas datas.

Os relatos também divergem quanto à certeza da medida policial seguinte. Um agente afirmou que a polícia tencionava deter Kim caso faltasse à comparência de 13 de outubro. Outro relato diz que os investigadores considerariam pedir um mandado de detenção ou recorrer a outras medidas coercivas de investigação se ele voltasse a recusar-se a comparecer.

A sequência documentada é mais precisa do que uma afirmação genérica de que a polícia não conseguiu impedir a violência: os investigadores tinham autorização para recolher provas, não conseguiram executar o mandado, Kim não compareceu à entrevista marcada e aguardavam uma nova comparência quando ocorreu o ataque fatal.

Porque não foi possível usar o smartwatch de emergência

A polícia tinha fornecido à mulher um smartwatch de emergência como parte das medidas de proteção pessoal. Este tipo de dispositivo permite pedir assistência policial urgente. Não pode desempenhar essa função se estiver desligado ou sem bateria.

Os relatos divergem quanto à data em que foi entregue. Vários relatos pormenorizados indicam 2 de setembro, enquanto outro aponta para 2 de outubro. Dois relatos dizem que o dispositivo estava desligado desde 15 de setembro, uma sequência compatível com a entrega em setembro, e não em outubro.

A polícia suspeitava que a bateria se tivesse esgotado por não ter sido carregada, mas outro relato refere que a causa da falha ainda estava a ser investigada. O que está estabelecido é mais limitado: o relógio não funcionou durante o esfaqueamento e o rapto. Não há confirmação de que tenha sofrido uma avaria técnica.

A mulher também estava alojada numa casa de proteção fora de Seul porque Kim conhecia a sua morada. Um relato diz que visitou a casa da mãe no dia do ataque, enquanto outros descrevem a casa da família como um local onde se refugiara. As circunstâncias dessa visita não foram totalmente esclarecidas.

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Nem o relógio inativo nem a visita responsabilizam a vítima. O caso envolve várias medidas de proteção distintas, incluindo alojamento, um dispositivo de alerta de emergência, restrições legais e uma investigação criminal em curso. No momento do ataque, o relógio não podia ser usado e as restrições judiciais já não estavam em vigor.

A avaliação do risco está sob escrutínio

Segundo relatos, a polícia considerava elevado o risco de Kim voltar a exercer violência. Alguns relatos referem que o caso da mulher foi classificado na categoria de risco mais elevado para efeitos de proteção. Ainda assim, os agentes disseram que a detenção não lhes pareceu imediatamente urgente porque ela não apresentava ferimentos externos evidentes.

Esta explicação coloca lado a lado duas avaliações policiais: a preocupação com a possibilidade de nova violência e a decisão de não considerar urgente a detenção. A alegada ausência de ferimentos visíveis não significava que não houvesse acusações, uma vez que a polícia já tinha registado o depoimento dela sobre agressões repetidas na cabeça.

Heo Min-sook, investigadora legislativa do Serviço de Investigação da Assembleia Nacional, alertou que a separação é o período mais perigoso em casos de violência doméstica e outros abusos em relações pessoais. Instou os investigadores a avaliarem com maior rigor o risco de violência nas relações íntimas.

Um balanço divulgado, relativo ao período entre 2022 e julho de 2026, identificou 17 pessoas abrangidas por medidas de segurança policial que foram mortas e 13 vítimas de tentativa de homicídio, num total de 30. Estes números não indicam quantas pessoas receberam proteção durante o período, pelo que não permitem calcular uma taxa de insucesso. Mostram, porém, que a aplicação de medidas de segurança nem sempre impediu ataques fatais ou potencialmente fatais.

O que falta esclarecer aos investigadores

A polícia disse que Kim fez declarações em que admitiu, em termos gerais, as acusações depois de ser levado de volta a Seul. Ainda assim, terá alegado que o homicídio foi acidental e descrito a deslocação a Yangyang como um passeio para apanhar ar fresco. São explicações que lhe são atribuídas, não conclusões aceites pelos investigadores.

Os agentes estavam a investigar se o ataque foi motivado por hostilidade relacionada com o processo de anulação do casamento, com a investigação por violência doméstica ou com outras circunstâncias. Pretendiam também determinar se o ataque tinha sido preparado com antecedência. O facto de ter ocorrido antes do interrogatório policial remarcado não prova, por si só, um motivo.

A acusação coreana de homicídio de ascendente foi traduzida em alguns relatos como parricídio ou matricídio. Neste caso, a pessoa morta era a mãe da mulher do suspeito, não a mãe dele. O sequestro agravado diz respeito à alegada privação forçada da liberdade da mulher; outros relatos descrevem essa conduta como rapto.

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A polícia disse que tencionava pedir um mandado de detenção a 12 de outubro. Esse anúncio não confirma que o tribunal o tenha emitido. Os investigadores também tinham de concluir o interrogatório sobre as anteriores acusações de violência doméstica e esclarecer as buscas infrutíferas, o processo de renovação das medidas de proteção e o facto de o relógio estar inativo.

As principais datas do caso são:

  • 22 de agosto: A polícia terá reunido com a mulher e tomado conhecimento das alegações de violência doméstica.
  • 27 de agosto: O caso terá sido transferido para a esquadra de Gwonseon, em Suwon.
  • 30 de setembro: Expiraram as medidas de proteção iniciais.
  • 6 de outubro: A polícia pediu a renovação das medidas.
  • 10 de outubro: Kim faltou a um interrogatório policial marcado.
  • 11 de outubro: Ocorreram o ataque fatal e o rapto; a mulher foi localizada e Kim foi detido em Yangyang.
  • 12 de outubro: A polícia disse que tencionava pedir um mandado de detenção.
  • 13 de outubro: O interrogatório sobre violência doméstica tinha sido remarcado para esta data antes do ataque.

Principais pontos

  • Uma mulher na casa dos 50 anos morreu depois de ser esfaqueada perto da casa da família, em Seul, a 11 de outubro.
  • A filha terá sido raptada e foi posteriormente encontrada em Yangyang, com escoriações ligeiras.
  • O suspeito, Kim, de 26 anos, foi detido por volta das 12h35, cerca de sete horas depois de fugir.
  • As medidas de proteção expiraram a 30 de setembro; o pedido de renovação apresentado a 6 de outubro ainda aguardava uma decisão judicial.
  • Três tentativas de busca falharam, Kim faltou a um interrogatório a 10 de outubro e o smartwatch de emergência da mulher estava inativo.
  • A polícia estava a investigar o motivo e se o ataque foi planeado, e disse que pediria um mandado de detenção.
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