O Baluchistão explica a maior parte do aumento
O Paquistão registou pelo menos 1.415 mortos e 558 feridos em ataques terroristas e operações de segurança entre julho e setembro de 2026, segundo o Center for Research and Security Studies (CRSS). O número de mortos aumentou quase 83% face aos 774 do trimestre anterior, invertendo a descida registada no início do ano.
Índice
- O Baluchistão explica a maior parte do aumento
- Duas províncias concentram quase todas as vítimas mortais
- Uma inversão acentuada após o segundo trimestre
- O que os totais de incidentes permitem ou não concluir
- Aumentam as perdas entre civis e forças de segurança, a par das mortes de militantes
- TTP lidera número trimestral de mortos em ataques reivindicados
- Diferentes armas provocam diferentes padrões de danos
- Ataques em Kohat e Dera Ismail Khan mostram o impacto local
- Os números não permitem resolver alegações políticas
- Principais conclusões
O Baluchistão esteve na origem da maior parte desta alteração. O número de mortos na província aumentou de 265 para 829, acrescentando 564 vítimas mortais ao aumento nacional de 641. Isso significa que o Baluchistão foi responsável por cerca de 88% da subida, ultrapassando também Khyber Pakhtunkhwa tanto em número de mortos registados como de incidentes.
O relatório de segurança do CRSS regista pelo menos 385 incidentes em todo o país. Os seus dados juntam mortos em ataques e em operações contra grupos armados, uma distinção importante para interpretar o aumento em destaque. As 1.415 vítimas mortais não são todas civis nem pessoas mortas por militantes.
As pessoas classificadas pelo CRSS como fora da lei representam 921 mortos, os civis 254 e os elementos das forças de segurança 240. Embora o maior aumento se tenha verificado na categoria dos fora da lei, também subiu acentuadamente o número de mortos entre civis e elementos das forças de segurança. O total combinado chegou a 494, face a 321 no segundo trimestre.
O CRSS descreve esta alteração como a maior escalada entre trimestres consecutivos desde 2021. Trata-se de uma afirmação sobre o ritmo do aumento, não de prova de que todos os indicadores de violência tenham atingido o valor absoluto mais elevado desde esse ano.
Duas províncias concentram quase todas as vítimas mortais
O Baluchistão e Khyber Pakhtunkhwa registaram, em conjunto, 1.385 mortos, cerca de 98% do total nacional. O Baluchistão representou aproximadamente 59%, com 829 vítimas mortais, e Khyber Pakhtunkhwa mais de 39%, com 556.
A concentração também se verificou no número de incidentes. O Baluchistão registou 186 incidentes e Khyber Pakhtunkhwa 173. Em conjunto, os 359 incidentes destas províncias corresponderam a cerca de 93% do total nacional de 385.
O padrão dos feridos foi diferente. Khyber Pakhtunkhwa registou 376 feridos, mais de 67% do total nacional, contra 163 no Baluchistão, cerca de 29%. Em conjunto, as duas províncias representaram 539 dos 558 feridos, ou aproximadamente 97%.
Estes números mostram por que razão uma única classificação provincial não capta todo o impacto. O Baluchistão teve mais mortos e incidentes, mas Khyber Pakhtunkhwa registou mais do dobro dos feridos. O relatório não fornece informações sobre a gravidade dos ferimentos, incapacidades permanentes ou duração dos tratamentos hospitalares.
Uma inversão acentuada após o segundo trimestre
O número de mortos no Baluchistão tinha descido de 443 no primeiro trimestre para 265 no segundo, uma redução de cerca de 40%. A subida posterior para 829 representou um aumento de aproximadamente 213%, levando o número de vítimas mortais muito acima do registado no início do ano.
A evolução em Khyber Pakhtunkhwa entre o segundo e o terceiro trimestre foi menos acentuada, mas também negativa. O número de mortos subiu de 475 para 556, um aumento de aproximadamente 17%. As 81 vítimas mortais adicionais constituíram o segundo maior contributo provincial para o aumento nacional.
A sequência trimestral mostra a rapidez com que a melhoria anterior foi invertida:
- Janeiro a março de 2026: o Baluchistão registou 443 vítimas mortais.
- Abril a junho de 2026: o Baluchistão registou 265 vítimas mortais, Khyber Pakhtunkhwa 475 e o Paquistão 774.
- Julho a setembro de 2026: o Baluchistão registou 829 vítimas mortais, Khyber Pakhtunkhwa 556 e o Paquistão 1.415.
As alterações noutras regiões foram muito menores em termos absolutos. O número de mortos no Punjab desceu de 12 para oito, no Sind de 14 para 12 e em Gilgit-Baltistan de três para zero. Na parte da Caxemira administrada pelo Paquistão, identificada pelo CRSS como AJK, o número de mortos aumentou de cinco para 10. Essa duplicação correspondeu a mais cinco mortos, contra o aumento de 564 no Baluchistão.
O que os totais de incidentes permitem ou não concluir
Os relatos divergem quanto ao número nacional de incidentes. O CRSS indica pelo menos 385, enquanto outra fonte refere 585. Ambos apresentam os mesmos valores para o Baluchistão e Khyber Pakhtunkhwa: 186 e 173, respetivamente.
As percentagens provinciais são compatíveis com o total do CRSS. Os 186 incidentes do Baluchistão correspondem a cerca de 48% de 385, e os 173 de Khyber Pakhtunkhwa a cerca de 45%. Se o denominador fosse 585, essas proporções seriam, respetivamente, cerca de 32% e 30%.
As restantes categorias de incidentes do relatório também totalizam 385: cerca de 154 operações de segurança, 145 ataques associados a vítimas civis e 86 associados a elementos das forças de segurança. Por isso, este artigo utiliza o valor principal do CRSS, assinalando a existência de um relato divergente.
Outra distinção diz respeito ao aumento de 83%, frequentemente citado. O cálculo compara o número de mortos, de 774 para 1.415. Não demonstra um aumento de 83% no número de ataques ou operações, uma vez que o texto do relatório não indica um total nacional de incidentes equivalente para o segundo trimestre.
Aumentam as perdas entre civis e forças de segurança, a par das mortes de militantes
O CRSS registou 921 mortos entre as pessoas que classificou como fora da lei, cerca de 65% de todas as vítimas mortais. Esta categoria subiu de 453 no segundo trimestre, um aumento de aproximadamente 103%. As 468 vítimas mortais adicionais representaram cerca de 73% do aumento nacional.
O número de mortos civis subiu de 187 para 254, um aumento de cerca de 36%. As mortes de elementos das forças de segurança aumentaram de 134 para 240, aproximadamente 79%. A diferença entre os dois grupos diminuiu de 53 mortos no segundo trimestre para apenas 14 no terceiro.
Os números de feridos revelam um impacto ainda maior sobre civis e elementos das forças de segurança. Houve 284 feridos civis e 247 feridos entre as forças de segurança, num total de 531, cerca de 95% do total. A categoria dos fora da lei representou 27 feridos.
Os feridos entre as forças de segurança aumentaram de 117 para 247, aproximadamente 111%, enquanto os feridos civis subiram de 205 para 284, cerca de 39%. Estes aumentos mostram que o maior número de mortos militantes registados não coincidiu com uma redução das perdas entre as pessoas que estavam a ser protegidas ou que desempenhavam funções de segurança.
As categorias devem também ser entendidas como classificações do CRSS. Os dados agregados não permitem estabelecer a identidade, o estatuto jurídico ou as circunstâncias da morte de cada pessoa, nem determinar, por si só, se determinadas operações foram legais.
TTP lidera número trimestral de mortos em ataques reivindicados
Entre os grupos que reivindicaram ataques, o TTP registou o maior número de mortos no terceiro trimestre. Reivindicou 13 ataques associados a 117 mortos e 65 feridos.
O Exército de Libertação do Baluchistão (BLA) reivindicou cinco ataques que causaram 34 mortos e 42 feridos. O grupo Hafiz Gul Bahadur, identificado pelo CRSS como HGB-IUM, reivindicou três ataques que provocaram 27 mortos e 129 feridos, o maior número de feridos entre os grupos destacados.
A classificação muda consoante o período analisado. Desde 2021, o relatório atribui 706 mortos a ataques reivindicados pelo TTP e 650 a ataques reivindicados pelo BLA. No entanto, no acumulado de 2026 até ao terceiro trimestre, o total do BLA foi superior: 173 mortos, contra 165 associados ao TTP.
Estes totais dizem respeito a ataques reivindicados e não constituem uma atribuição completa de todas as mortes no país. Não incluem todas as vítimas mortais de operações de segurança, e as reivindicações, por si só, não comprovam a responsabilidade. Por isso, o facto de o Baluchistão ser a província com mais mortos não pode ser entendido como uma classificação direta da letalidade de qualquer grupo específico.
Diferentes armas provocam diferentes padrões de danos
Nove atentados suicidas com veículos que transportavam engenhos explosivos improvisados causaram 81 mortos e 204 feridos. Um engenho explosivo improvisado é uma bomba montada fora da produção militar convencional; um veículo pode transportar a carga explosiva até ao alvo. Estes ataques provocaram 285 vítimas, o maior total combinado entre os métodos indicados pelo CRSS.
O total foi mais de oito vezes superior às 35 vítimas registadas em três outros atentados suicidas. Os ataques armados, porém, provocaram mais mortos: 61 incidentes causaram 147 vítimas mortais e 116 feridos.
Os tiroteios apresentaram uma proporção diferente. Em 58 incidentes, o CRSS registou 72 mortos e 18 feridos, ou seja, quatro mortos por cada ferido. Dezasseis ataques com drones causaram 13 mortos e 48 feridos, quase quatro feridos por cada morto.
O relatório registou ainda 77 mortos em 30 incidentes em que foram encontrados corpos e 31 mortos num único incidente de rapto seguido de homicídio. Nenhuma das categorias registou feridos. Estas entradas descrevem resultados e circunstâncias, sem necessariamente identificar uma arma ou determinar quem foi responsável.
Estas diferenças são importantes para compreender o custo humano. Um método que cause menos mortos pode, ainda assim, deixar muito mais feridos. Os números documentam essa diferença, mas não revelam as consequências médicas nem explicam por que razão cada ataque produziu determinada proporção de mortos e feridos.
Ataques em Kohat e Dera Ismail Khan mostram o impacto local
Relatos de Khyber Pakhtunkhwa descrevem ataques contra instalações policiais, funcionários públicos e equipas de emergência. Dois incidentes datados de setembro ocorreram no trimestre analisado pelo CRSS:
- 18 de setembro: um ataque às antigas instalações da Polícia em Kohat matou 23 pessoas e feriu cerca de 100. Foi noticiado que oito atacantes morreram durante uma operação de limpeza realizada durante a noite.
- 27 de setembro: um ataque em Dera Ismail Khan, com um veículo carregado de explosivos junto a um posto de controlo policial e uma ambulância, matou 14 pessoas, incluindo dois elementos de equipas de socorro, e feriu 35.
Outro relato descreve um ataque com granada ao posto de controlo de Shadi Pur, sob a jurisdição da esquadra de Gombat, em Kohat, que feriu sete agentes da polícia. Foram transportados para o hospital e, segundo as informações divulgadas, estavam fora de perigo. O relato identifica o dia como quarta-feira, mas não indica uma data, pelo que não é possível confirmar se o incidente integra o total trimestral.
Shafi Jan, ministro da Informação de Khyber Pakhtunkhwa, condenou o ataque de Shadi Pur. Numa declaração divulgada pelo seu gabinete, classificou-o como:
extremamente lamentável e cobarde
Jan afirmou também que o governo provincial tinha reforçado a capacidade da polícia e do Departamento de Contraterrorismo e equipado as forças policiais com armas e tecnologia modernas. A declaração não indicou valores que quantificassem essas alterações.
O mesmo relato refere a morte de quatro funcionários do Federal Board of Revenue num tiroteio e de um agente da polícia de trânsito num ataque separado em Dera Ismail Khan, no dia anterior. Como não é indicada uma data, também não é possível atribuir com segurança esses incidentes ao balanço de julho a setembro.
Os números não permitem resolver alegações políticas
A violência tem sido discutida em conjunto com alegações de desaparecimentos forçados, mortes ilegais e pressão sobre governos provinciais. O relatório estatístico do CRSS não investiga essas alegações nem apura por que razão as autoridades federais poderiam tratar de forma diferente as administrações provinciais.
As alegações de que as alianças partidárias explicam as diferentes ameaças de intervenção no Baluchistão e em Khyber Pakhtunkhwa exigem provas independentes dos números de vítimas. Os dados também não demonstram que o governo de Khyber Pakhtunkhwa tenha sido destituído. As notícias aqui analisadas não identificam qualquer ordem formal de destituição, declaração de emergência ou decisão jurídica relacionada.
Do mesmo modo, as interpretações segundo as quais a existência de refúgios no Afeganistão, as queixas políticas ou a privação económica estão na origem de determinados ataques vão além do que estes dados comprovam. O CRSS documenta onde ocorreram as perdas, como foram classificadas as vítimas e que grupos reivindicaram alguns ataques. Não relaciona cada incidente com uma causa nem determina que resposta política evitaria a sua repetição.
Não é indicada qualquer próxima audiência, votação, data-limite política ou divulgação programada de um relatório. A conclusão imediata é mais limitada, mas significativa: a descida do número de mortos não se manteve, a escalada concentrou-se em duas províncias e as perdas aumentaram entre civis e elementos das forças de segurança, bem como entre as pessoas classificadas como militantes.
Principais conclusões
- O CRSS registou pelo menos 1.415 mortos, 558 feridos e 385 incidentes entre julho e setembro de 2026.
- O número de mortos aumentou cerca de 83% face aos 774 do segundo trimestre.
- O Baluchistão registou 829 mortos e foi responsável por aproximadamente 88% do aumento nacional.
- O Baluchistão e Khyber Pakhtunkhwa representaram, em conjunto, cerca de 98% das vítimas mortais.
- O número de mortos civis e entre elementos das forças de segurança subiu de 321 para 494, e o total combinado de feridos chegou a 531.
- O TTP liderou o número de mortos em ataques reivindicados no trimestre, enquanto o BLA liderou o total de 2026 até setembro apresentado no relatório.
- Um relato divergente indica 585 incidentes, mas o total principal do CRSS e a repartição percentual apresentada sustentam o valor de 385.






