Suspenso o processamento de 14 registos enquanto a investigação se alarga
O Conselho Médico do Nepal está a analisar 283 processos de médicos estrangeiros de 12 países, depois de suspender o processamento do registo de 14 médicos devido a certificados suspeitos. A investigação incide também sobre uma questão distinta: se as faculdades de Medicina incluem médicos nos seus quadros docentes apesar de estes trabalharem noutro local e não darem aulas a estudantes no Nepal.
Índice
- Suspenso o processamento de 14 registos enquanto a investigação se alarga
- O que foi apurado na verificação dos certificados
- Como a ausência de docentes pode afetar as admissões
- Estudantes e instituições são alvo de verificações distintas
- Inspeções também sob escrutínio
- Acusações anteriores mostram a importância dos dados sobre docentes
- Aumento de vagas intensifica debate sobre capacidade de ensino
- A cronologia abrange alertas antigos e medidas recentes
- A verificação junto de entidades estrangeiras continua por concluir
- Pontos principais
A investigação começou depois de o conselho ter descoberto que um médico autorizado a exercer no Nepal trabalhava também no seu país de origem. A verificação de alguns documentos junto das autoridades reguladoras indianas revelou, em seguida, que os certificados apresentados para o registo no Nepal não tinham sido emitidos pelas autoridades neles indicadas.
O conselho, que regula a atividade dos médicos e dos dentistas, constituiu uma comissão de investigação liderada pelo membro do conselho Dr. Chhabi Panthi. O mandato da comissão abrange os registos, a situação laboral e as atividades profissionais, incluindo não só as faculdades de Medicina, mas também hospitais privados, organizações não governamentais e organizações não governamentais internacionais.
Os números dizem respeito a diferentes fases e âmbitos da investigação. As estimativas iniciais apontavam para entre 300 e 500 médicos estrangeiros a trabalhar no país, na sua maioria provenientes da Índia. Outra informação referia planos para analisar cerca de 500 processos. A atualização mais recente identifica 283 processos efetivamente em análise, não 283 casos confirmados de irregularidades.
O secretário interino do conselho, Dr. Dipendra Pandey, descreveu as suspeitas relativas aos quadros docentes das faculdades ao anunciar a investigação:
Constituímos uma comissão para analisar os documentos apresentados por todos os médicos estrangeiros que pretendem exercer no Nepal. Suspeitamos que as faculdades de Medicina privadas trazem médicos estrangeiros apenas para os apresentar durante as nossas visitas de fiscalização.
Esta suspeita liga a investigação documental às decisões sobre o número de estudantes de Medicina que as faculdades podem admitir. Os reguladores têm de apurar tanto se um médico possui credenciais autênticas como se desempenha efetivamente a função docente que a instituição lhe atribui.
O que foi apurado na verificação dos certificados
Uma das principais preocupações diz respeito aos certificados de boa conduta profissional. Estes documentos confirmam que um médico está registado junto da entidade reguladora competente no seu país de origem e que mantém uma situação profissional regular. São distintos das qualificações académicas e ajudam outra entidade reguladora a avaliar um pedido para exercer medicina.
O conselho afirmou, num comunicado público, que alguns dos certificados apresentados não tinham sido emitidos pelas autoridades competentes e que alguns documentos tinham sido oficialmente confirmados como falsos. Suspendeu temporariamente o processamento do registo dos médicos que apresentaram documentos falsos e de outros cujos documentos continuavam a ser examinados.
Esta distinção é importante. Pandey explicou que a falsificação de um certificado não significa necessariamente que o médico não esteja registado na Índia. Um médico pode ter um registo médico válido e, ainda assim, apresentar um documento inválido para obter autorização para exercer noutro país.
Pandey explicou por que motivo o conselho suspendeu os pedidos:
Suspendemos o processo de registo depois de recebermos uma resposta a indicar que os certificados não tinham sido emitidos pelo conselho competente.
Assim, o total comunicado de 14 casos suspensos não corresponde ao número de médicos cuja falta de qualificações médicas tenha sido provada. A suspensão do processamento do registo também não é o mesmo que o cancelamento de uma licença existente. Essas decisões exigem conclusões e deliberações próprias.
Como a ausência de docentes pode afetar as admissões
A Comissão de Educação Médica determina o número de vagas com base em critérios que incluem as infraestruturas, o número e as qualificações dos docentes, o volume de doentes dos hospitais e outros requisitos. A dimensão do corpo docente é relevante porque o número de estudantes aprovado deve refletir a capacidade da instituição para os formar.
Responsáveis do conselho suspeitam que algumas faculdades trazem temporariamente médicos estrangeiros para o Nepal antes das inspeções, apresentam-nos como docentes e permitem que regressem depois aos seus empregos habituais. Estas situações são descritas como docentes-fantasma ou fictícios: médicos contabilizados como professores sem desempenharem as funções académicas correspondentes.
A alegada prática pode fazer uma faculdade parecer ter mais docentes do que aqueles de que dispõe ao longo do ano letivo. Segundo os responsáveis, poderá ser utilizada para aumentar ou manter o número de vagas nos cursos MBBS, que conferem o grau de Licenciatura em Medicina e Cirurgia. A informação mais abrangente refere também decisões sobre vagas nos cursos MD, MS e noutros programas de Medicina.
A investigação terá de distinguir os verdadeiros docentes visitantes ou estrangeiros das declarações laborais enganosas. A nacionalidade, por si só, não prova a existência de irregularidades. As questões relevantes são saber se o médico está devidamente registado, se os dados laborais são exatos e se o ensino prometido é efetivamente ministrado.
Estudantes e instituições são alvo de verificações distintas
Segundo responsáveis do conselho, estudantes queixaram-se de que determinados médicos constam das listas de docentes das faculdades, mas não lhes dão aulas. Estas queixas dizem respeito à realidade do ensino, que não pode ser apurada apenas através da verificação dos certificados.
O Ministério da Educação iniciou, em separado, uma análise dos registos do corpo docente e das informações fornecidas pelos estudantes, incluindo fotografias, vídeos e outras provas. Essa análise poderá ajudar a determinar se os funcionários indicados nos registos das instituições estavam efetivamente presentes e desempenhavam funções docentes.
O conselho pediu esclarecimentos por escrito às faculdades de Medicina e de Medicina Dentária, às instituições de ciências da saúde e aos hospitais que recomendaram médicos estrangeiros sem verificar os documentos. Os representantes das instituições foram convocados para prestar declarações no âmbito da investigação. Também foi pedido aos candidatos e aos médicos nepaleses que apoiaram os pedidos que expliquem o seu envolvimento e compareçam quando necessário.
Poderá ser exigido às instituições que apresentem os médicos ao conselho para que as suas identidades e documentos sejam verificados. O comunicado público atribui às organizações que recomendam candidatos a responsabilidade de verificar a autenticidade dos documentos, em vez de se limitarem a encaminhar os pedidos.
O Ministério afirmou que serão responsabilizados aqueles que se prove terem recorrido a falsas declarações sobre o corpo docente para influenciar o número de vagas ou o reconhecimento das faculdades. Entre as possíveis sanções aplicáveis aos médicos contam-se a suspensão ou o cancelamento da licença, mas a investigação divulgada ainda não determinou quantas pessoas poderão ser alvo dessas medidas.
Inspeções também sob escrutínio
Segundo responsáveis do conselho, representantes do Conselho Médico do Nepal integravam anteriormente as equipas que inspecionavam as faculdades e avaliavam o número de vagas. Afirmam que a Comissão de Educação Médica já não inclui um representante do conselho nas suas equipas de fiscalização. O conselho informou a comissão sobre a investigação.
Um responsável do conselho suspeita também de que as faculdades recebem aviso prévio das visitas de inspeção. Isso poderá permitir que uma instituição reúna temporariamente docentes e atraia mais doentes para dar a impressão de que o hospital universitário tem muita atividade.
Estas são alegações, não conclusões estabelecidas contra instituições identificadas no âmbito da investigação atual. Ainda assim, explicam por que motivo a verificação dos certificados, por si só, não resolveria a questão: uma inspeção pode registar quem está presente num determinado dia, mas não provar quem dá aulas regularmente.
O volume de doentes é outra parte da mesma preocupação. Uma faculdade de Medicina precisa de atividade clínica que permita aos estudantes aprender. Um dia de inspeção excecionalmente movimentado não demonstra, por si só, que existam oportunidades de aprendizagem clínica comparáveis ao longo do ano.
Acusações anteriores mostram a importância dos dados sobre docentes
A investigação atual surge após um longo historial de notícias sobre docentes substitutos no Nepal. Dados históricos atribuídos a uma lista do Conselho Médico do Nepal de 2015 identificaram 212 médicos como docentes substitutos. A distribuição divulgada incluía 71 no College of Medical Sciences, em Bharatpur, 46 no Nobel Medical College, em Biratnagar, e 36 no Universal Medical College, em Bhairahawa.
Estes três números somam 153, cerca de 72% dos 212 casos comunicados. Referem-se a alegações históricas e não devem ser entendidos como conclusões sobre os atuais quadros docentes dessas instituições nem como parte dos 14 casos de registo atualmente em investigação.
Uma investigação relacionada do Conselho Médico do Punjab terá identificado mais de 400 falsos docentes em quatro faculdades privadas no Punjab, em Haryana e em Himachal Pradesh. No Maharishi Markandeshwar Medical College, em Solan, 74 dos 155 docentes inscritos foram identificados como membros-fantasma, cerca de 48%.
A comparação regional ilustra a distinção central da investigação nepalesa. Uma pessoa pode ser um médico qualificado e, ainda assim, ser apresentada de forma inexata como docente efetivo de uma determinada faculdade. Também foram noticiados casos de médicos inscritos como docentes no Nepal enquanto trabalhavam no Butão, nas Caraíbas, nos Emirados Árabes Unidos ou na Índia, bem como alegações de docentes-fantasma em faculdades de Medicina Dentária.
Aumento de vagas intensifica debate sobre capacidade de ensino
Uma decisão atribuída à Comissão de Educação Médica de aumentar as vagas de MBBS de 100 para 130 e as vagas de BDS de 50 para 60 levou o médico e ativista da educação médica Dr. Gobinda KC a emitir, em agosto de 2025, um ultimato de uma semana. BDS é a sigla de Licenciatura em Cirurgia Dentária.
Nos limites anunciados, as alterações correspondem a aumentos de 30% para MBBS e de 20% para BDS. KC, cirurgião ortopédico sénior associado ao Hospital Universitário de Ensino de Tribhuvan, exigiu que o Governo revertesse a decisão no prazo de uma semana.
A sua objeção centrou-se na questão de saber se a expansão era sustentada por uma capacidade docente adequada. Este debate está diretamente relacionado com as alegações atuais: se os números relativos ao corpo docente forem inexatos, as decisões neles baseadas poderão sobrestimar o número de estudantes que uma faculdade pode formar de forma responsável.
Os resultados divulgados dos exames de licenciamento também dão contexto, mas não provam qualquer relação. A taxa de aprovação citada foi de 31% em janeiro de 2025, contra 42% em setembro de 2022, uma diferença de 11 pontos percentuais. Só esses números não permitem concluir que a falta de docentes tenha causado reprovações nem determinar que faculdades foram responsáveis.
As pressões no mercado de trabalho tornam a situação ainda mais complexa. O Instituto de Medicina terá recebido mais de 600 candidaturas para um pequeno número de vagas de médico, entre 40 e 80 candidaturas por lugar. Esta concorrência torna especialmente relevantes as alegações de ausência de docentes, embora a investigação não tenha apurado se as nomeações fictícias afastaram candidatos qualificados.
A cronologia abrange alertas antigos e medidas recentes
Os acontecimentos divulgados vão desde investigações anteriores sobre os quadros docentes até à atual verificação. As datas de publicação indicam quando as medidas mais recentes foram tornadas públicas, mas não identificam necessariamente a data de cada decisão subjacente.
- 2015: Uma lista do Conselho Médico do Nepal terá identificado 212 docentes substitutos em faculdades de Medicina.
- Agosto de 2025: O Dr. Gobinda KC emitiu um ultimato de uma semana contra os aumentos divulgados das vagas de MBBS e BDS.
- 19 de agosto de 2026: Foram divulgadas publicamente a suspensão temporária do processamento dos registos pelo conselho e os pedidos de esclarecimentos.
- 20 de agosto de 2026: Foram divulgados pormenores sobre a comissão que investiga credenciais, situação laboral e suspeitas de docentes-fantasma.
- Atualização posterior, datada de 23 Bhadau: A análise foi descrita como abrangendo 283 processos de 12 países, com conclusão prevista para depois do Tihar.
A data de 23 Bhadau é indicada segundo o calendário nepalês, sem que a atualização especifique o ano. Não deve ser convertida numa data gregoriana precisa sem essa informação. Do mesmo modo, o objetivo do conselho de concluir os trabalhos depois do Tihar não estabelece um prazo fixo.
A verificação junto de entidades estrangeiras continua por concluir
Panthi afirma que o conselho contactou entidades reguladoras médicas no estrangeiro para verificar qualificações e certificados, mas a maioria das respostas continua pendente. Já chegaram algumas respostas. Enquanto não responderem as restantes autoridades, o conselho não poderá concluir a verificação de todos os processos com o mesmo grau de rigor.
O conselho afirma também que as mudanças na sua liderança e composição, a par da disponibilidade limitada de alguns membros da comissão, atrasaram os trabalhos. Pretende concluí-los depois do Tihar, embora não tenha anunciado uma data exata.
Continuam por esclarecer várias questões centrais: quantos documentos adicionais serão considerados inválidos, que instituições tinham conhecimento de eventuais declarações falsas, se os registos do corpo docente afetaram a atribuição de vagas e que medidas serão tomadas. As notícias não estabelecem um número final de docentes-fantasma nem identificam um conjunto de sanções já aplicado às faculdades.
Panthi sublinhou que a investigação não deve ser interpretada como uma acusação contra todos os médicos estrangeiros que trabalham no Nepal:
Não estamos a dizer que as credenciais de todos os médicos estrangeiros são falsas ou suspeitas. Vamos investigar se as faculdades fizeram uso indevido das credenciais em seu benefício.
As conclusões decisivas terão, por isso, de abordar duas questões distintas: a autenticidade dos documentos profissionais e a exatidão das declarações das instituições sobre os seus quadros docentes. Certificados autênticos não resolveriam uma alegação de ausência de ensino, tal como um certificado inválido, por si só, não provaria que uma faculdade manipulou a atribuição das suas vagas.
Pontos principais
- O conselho está a analisar 283 processos de médicos estrangeiros, relativos a 12 países.
- O processamento do registo de 14 médicos foi suspenso devido a dúvidas sobre os certificados.
- A investigação abrange a situação laboral e as funções docentes, além das credenciais.
- O Ministério da Educação está a analisar, em separado, os registos do corpo docente e as provas fornecidas pelos estudantes.
- A maioria das respostas das entidades reguladoras médicas estrangeiras continua pendente.
- O conselho pretende concluir os trabalhos depois do Tihar, sem anunciar um prazo público fixo.
- Não foi estabelecido um número final de docentes-fantasma nem foram concluídas sanções contra as faculdades.






