Mari Alkatiri constituído arguido na investigação ao navio Haksolok, enquanto persistem dúvidas sobre os gastos e a entrega

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Mari Alkatiri Named Suspect in Haksolok Ship Investigation as Spending and Delivery Remain Unresolved

Declarações de um suspeito após anos sem entrega

Mari Alkatiri, antigo presidente da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno (RAEOA), prestou declarações aos procuradores em Díli, a 5 de outubro de 2026, na qualidade de suspeito numa investigação relacionada com a sua administração e a aquisição do navio Haksolok. A embarcação foi contratada por 13,7 milhões de euros em 2014 e lançada à água em Portugal a 26 de maio de 2017, mas ainda não chegou a Timor-Leste.

Índice
  1. Declarações de um suspeito após anos sem entrega
  2. O que aconteceu na Procuradoria
  3. Investigação descrita como 80% concluída
  4. De um contrato em 2014 a sucessivos prazos falhados
  5. O que revelam realmente os valores gastos
  6. Dotações orçamentais não são o mesmo que pagamentos
  7. Contratação direta e colapso financeiro do construtor
  8. A tentativa de salvar a Atlantic Eagle
  9. O que continua por esclarecer sobre o navio e o processo
  10. Principais pontos

A investigação diz respeito a alegada administração danosa e a outros possíveis crimes relacionados com a compra e gestão da embarcação. Uma fonte do Ministério Público afirmou que 58 pessoas tinham sido constituídas arguidas no processo, geralmente identificado como NUC 0017/20.PGGCC. Essa condição não prova culpa. Os procuradores continuam a recolher provas, e a presunção de inocência mantém-se até uma decisão judicial definitiva.

As despesas do Estado através da RAEOA são estimadas entre 24 e 28 milhões de dólares. Um relato de uma auditoria da Câmara de Contas indica pagamentos de 24,5 milhões de dólares entre 2014 e 2018, enquanto um relatório de fiscalização parlamentar descreve dotações orçamentais distintas que totalizam quase 35 milhões de dólares. Estes valores medem coisas diferentes e não podem ser tratados como totais equivalentes.

A questão central vai além da entrega falhada: foram usados dinheiros públicos para financiar um navio, infraestruturas relacionadas e esforços para resolver os problemas financeiros do construtor, mas o serviço de transporte de passageiros previsto nunca se concretizou. A investigação reúne agora questões sobre contratação, pagamentos, gestão e tentativas de recuperar um projeto que continua em Portugal há mais de nove anos desde o seu lançamento.

O que aconteceu na Procuradoria

Alkatiri compareceu na Procuradoria, em Colmera, acompanhado pela sua advogada particular, cujo nome é referido nas notícias como Soraya Marques ou Soraia Marques. Chegou num veículo particular, acompanhado por segurança pessoal. As notícias divergem quanto ao horário: várias indicam que compareceu por volta das 10h30, enquanto outra afirma que chegou cerca das 10h00 e saiu por volta das 11h00, depois de prestar declarações durante quase uma hora.

Alkatiri, também identificado como secretário-geral do FRETILIN e presidente interino, recusou comentar o teor das suas declarações. À saída, disse aos jornalistas que pretendia acompanhar o processo até ao fim. As suas declarações, traduzidas do tétum, incluíram:

Quero acompanhar este processo até ao fim, não tenho obrigação de falar convosco.

O antigo ministro dos Transportes e Comunicações Pedro Lay prestou declarações como testemunha nessa manhã, segundo as notícias, às 8h00. Lay ocupou o cargo ministerial entre 2007 e 2012. A sua comparência como testemunha é distinta da alegada constituição de Alkatiri como suspeito; as notícias não identificam Lay como suspeito.

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Investigação descrita como 80% concluída

A 15 de maio de 2026, o procurador-geral Nelson de Carvalho afirmou que a investigação ao Haksolok estava 80% concluída. Descreveu o processo como complexo e disse que uma equipa por si criada após assumir funções continuava o trabalho.

Nessa altura, o Ministério Público tinha constituído mais de 50 pessoas arguidas. O número de 58 referido em outubro é mais preciso, mas a descrição anterior não permite determinar exatamente quantas pessoas foram acrescentadas entre maio e outubro. Nenhum dos valores significa que todas as pessoas envolvidas tenham sido acusadas ou venham a ser julgadas.

As referências ao processo também variam ligeiramente. A maioria das notícias usa NUC 0017/20.PGGCC, uma acrescenta o sufixo MP e outra apresenta um sufixo diferente relativo ao serviço. Na ausência de um documento processual publicado, estas variações não devem ser interpretadas como prova da existência de investigações distintas ao Haksolok.

Uma comparência separada de Alkatiri, a 25 de maio, dizia respeito a uma alegada fraude fiscal, ao abrigo do processo NUC 0036/25.PGGCC. Essa referência difere do número do processo Haksolok. As notícias não demonstram que a alegação fiscal e a investigação ao navio façam parte do mesmo processo.

De um contrato em 2014 a sucessivos prazos falhados

O contrato com a Atlantic Eagle Ship Building foi assinado a 22 de setembro de 2014. O V Governo Constitucional escolheu o construtor, e o projeto de construção e a respetiva dotação orçamental foram posteriormente transferidos para a RAEOA.

O calendário de entrega sofreu atrasos antes do lançamento da embarcação. Um relato de uma auditoria anterior da Câmara de Contas identifica 30 de outubro de 2015 como o prazo inicial, seguido de 22 de janeiro de 2016. Nenhuma das datas resultou na entrega. Os principais marcos indicados são:

  • 22 de setembro de 2014: O Governo assinou o contrato de construção com a Atlantic Eagle Ship Building.
  • 30 de outubro de 2015 e 22 de janeiro de 2016: Os sucessivos prazos de entrega foram ultrapassados.
  • 26 de maio de 2017: O Haksolok foi lançado à água na Figueira da Foz, em Portugal.
  • Outubro ou novembro de 2017: As notícias indicam meses diferentes para a chegada prevista a Timor-Leste. A embarcação não chegou em nenhum deles.
  • 2018: Segundo as notícias, subcontratantes retiveram a embarcação devido a montantes por pagar.
  • 2021 e 2022: Passaram os prazos de entrega prometidos pelo antigo presidente da RAEOA, Arsenio Paixão Bano.
  • 25 de julho de 2025: A Comissão C do Parlamento visitou o estaleiro português e reportou irregularidades.
  • 15 de maio de 2026: O procurador-geral descreveu a investigação como 80% concluída.
  • 5 de outubro de 2026: Alkatiri prestou declarações na qualidade de suspeito.

A distinção entre lançamento e entrega é importante. O lançamento coloca uma embarcação na água; não significa, por si só, que a construção, os testes, a aceitação ou a transferência para o operador previsto estejam concluídos.

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O que revelam realmente os valores gastos

O preço inicial do contrato, de 13,7 milhões de euros, é distinto dos 24 a 28 milhões de dólares que, segundo as notícias, foram gastos através da RAEOA. Uma comparação percentual direta exigiria uma taxa de câmbio acordada e definições de despesa equivalentes. O total em dólares parece incluir também custos que vão além do próprio navio.

Segundo as conclusões divulgadas da auditoria da Câmara de Contas à RAEOA, relativa ao período de 2016 a 2018, os pagamentos relacionados com o Haksolok entre 2014 e 2018 ultrapassaram os 24,5 milhões de dólares. Cerca de 21,38 milhões de dólares foram pagos à Atlantic Eagle, incluindo 18,29 milhões atribuídos ao navio e 3,1 milhões a um pontão e a uma passerelle.

O mesmo relato da auditoria indica quase 1,1 milhões de dólares pagos à ISQ, 1,44 milhões à ENVC/EMPORDEF e aproximadamente 154 mil dólares a Luís Pité, identificado como representante do armador. Os valores arredondados não permitem uma reconciliação completa do total indicado, pelo que devem ser entendidos como uma discriminação dos pagamentos divulgados, e não como um registo contabilístico integral.

Os 21,38 milhões de dólares atribuídos à Atlantic Eagle representam cerca de 87% do total auditado de 24,5 milhões. Esta comparação mostra onde foi aplicado a maior parte do dinheiro registado, mas não determina se algum pagamento individual foi ilícito.

Dotações orçamentais não são o mesmo que pagamentos

A Comissão C do Parlamento, responsável pelas finanças públicas, referiu aprovações de 17 milhões de dólares, seguidas de 14 milhões e, depois, de quase 4 milhões para a construção. Em conjunto, estas dotações ascendem a quase 35 milhões de dólares.

Uma dotação autoriza a utilização de dinheiro; uma despesa regista dinheiro efetivamente pago. Por isso, os valores da comissão não podem substituir diretamente os 24,5 milhões de dólares da auditoria ou a estimativa mais ampla de despesas entre 24 e 28 milhões de dólares. As notícias não esclarecem se todas as dotações foram pagas, se algumas substituíram montantes anteriores ou como o seu âmbito se compara com os pagamentos auditados.

Outra questão por esclarecer prende-se com a documentação. O relato da auditoria relativa ao período de 2016 a 2018 afirma que os responsáveis não apresentaram documentos comprovativos das despesas de 2019 a 2021. Esta lacuna, segundo a notícia, limita a possibilidade de rastrear as despesas posteriores e reconciliar os diferentes totais. Por si só, não prova que os documentos em falta ocultem um crime.

Há também uma notícia de que o valor do contrato foi pago na totalidade em 2017, antes da conclusão da construção. Será necessário apurar as condições desses pagamentos, as etapas de construção exigidas e quem os autorizou para avaliar responsabilidades. O pagamento integral e a conclusão física são acontecimentos distintos.

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Contratação direta e colapso financeiro do construtor

A RAEOA escolheu a Atlantic Eagle por contratação direta, em vez de concurso público. Segundo uma notícia, Alkatiri e Luís Pité propuseram a empresa e a escolha foi apresentada como urgente.

A contratação direta não é automaticamente ilegal. Permite a uma entidade escolher um fornecedor sem a concorrência habitual quando as regras aplicáveis o autorizam. Segundo as notícias, a questão neste caso é que a compra do navio alegadamente não cumpria os requisitos de urgência ou emergência. Não é referida qualquer decisão jurídica definitiva sobre esta questão.

Disputas financeiras vieram mais tarde complicar a entrega. Segundo as notícias, subcontratantes retiveram a embarcação em 2018 porque a Atlantic Eagle não lhes tinha pago. O construtor entrou posteriormente em falência, e os subcontratantes terão reclamado mais 16,9 milhões de dólares para permitir a saída do navio.

Os 16,9 milhões de dólares correspondem a um montante reclamado, segundo as notícias, e não a um pagamento adicional comprovado por Timor-Leste. Não devem ser adicionados à despesa pública sem provas de que foram pagos. As notícias não especificam a situação atual dessas reclamações nem as condições jurídicas para libertar a embarcação.

As infraestruturas portuárias de Timor-Leste também foram apontadas como motivo do atraso. Uma notícia posterior afirma que os portos dispõem agora de condições adequadas, mas não apresenta uma avaliação detalhada que confirme estarem preparados para o Haksolok. A disputa financeira e a questão das infraestruturas são explicações distintas, e resolver uma não implica necessariamente resolver a outra.

A tentativa de salvar a Atlantic Eagle

A 26 de setembro de 2022, Alkatiri e o então presidente da RAEOA, Arsenio Paixão Bano, visitaram a Figueira da Foz e reuniram-se com autoridades locais. As conversações centraram-se na retoma da atividade da empresa insolvente, associando os esforços para obter o navio a uma tentativa de reativar o construtor.

Ao descrever, na altura, o objetivo da operação, Alkatiri afirmou que era uma forma de:

transformar uma desgraça numa bênção.

A 6 de outubro de 2022, o então primeiro-ministro Taur Matan Ruak afirmou que o Estado tinha adquirido 95% da Atlantic Eagle. Disse que o investimento pretendia dar ao Estado a capacidade de exigir à empresa que concluísse o Haksolok. As notícias não indicam o preço da aquisição nem explicam como se enquadra nos totais de despesa.

Ser proprietário de 95% de uma empresa não significa que um navio esteja 95% concluído, nem a propriedade, por si só, resolve as reclamações dos subcontratantes. São medidas distintas: as ações dizem respeito ao controlo da empresa, enquanto o progresso da construção diz respeito ao estado físico do navio.

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O que continua por esclarecer sobre o navio e o processo

Segundo as notícias, o Haksolok tem 72 metros de comprimento e foi concebido para transportar 377 passageiros. De acordo com uma declaração atribuída ao então vice-ministro Inácio Moreira, em 2017, o objetivo era apoiar as ligações marítimas entre Oé-Cusse e o resto de Timor-Leste e complementar o serviço do Berlin Nakroma.

As notícias divergem quanto à capacidade para veículos. Uma indica espaço para 23 automóveis, enquanto outra refere 15. Sem uma especificação confirmada, nenhum dos valores pode ser apresentado como definitivo. Ambas as notícias concordam quanto à capacidade de passageiros.

Segundo as notícias, a construção está cerca de 80% concluída. Esta estimativa não deve ser confundida com a declaração separada do procurador-geral, segundo a qual a investigação estava 80% concluída em maio de 2026. Nenhuma das percentagens estabelece uma data de entrega ou de decisão do Ministério Público.

A visita da Comissão C ao estaleiro, a 25 de julho de 2025, acrescentou outro nível de escrutínio. A comissão reportou numerosas irregularidades e pediu aos procuradores que dessem especial atenção ao processo. As suas observações inserem-se na fiscalização parlamentar; a determinação de responsabilidades criminais é um processo jurídico distinto.

Não foi indicada qualquer nova data de entrega, audiência judicial, decisão sobre acusações ou conclusão prevista da investigação. As principais questões por resolver são o apuramento final das despesas públicas, a situação das reclamações dos subcontratantes, o trabalho ainda necessário no navio e a existência de provas que sustentem um processo criminal contra algum dos suspeitos.

Principais pontos

  • Mari Alkatiri prestou declarações na qualidade de suspeito a 5 de outubro de 2026, no âmbito da investigação à RAEOA e ao Haksolok.
  • Uma fonte do Ministério Público indicou que havia 58 suspeitos. Pedro Lay compareceu separadamente como testemunha.
  • O Haksolok foi contratado por 13,7 milhões de euros em 2014 e lançado à água em Portugal em maio de 2017, mas não foi entregue.
  • Os gastos divulgados de 24 a 28 milhões de dólares, o total auditado de 24,5 milhões e as dotações orçamentais de quase 35 milhões descrevem medidas contabilísticas diferentes.
  • As disputas com subcontratantes, a falência do construtor e as questões relativas à contratação e aos pagamentos continuam no centro do processo.
  • Não foi divulgada qualquer nova data de entrega ou de audiência judicial. Alkatiri e os restantes suspeitos mantêm a presunção de inocência.
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