Cancelamento do exame de acesso à medicina coloca reformas da NTA sob escrutínio
A Agência Nacional de Testes da Índia (NTA) realizou o NEET UG a 3 de maio de 2026, mas cancelou-o a 12 de maio, na sequência de alegações de fuga do enunciado. Cinco meses depois, uma comissão parlamentar propôs alterações que vão da responsabilização legal da agência à forma como são selecionadas as perguntas, financiados os centros de exame e tratados os candidatos que chegam atrasados.
Índice
- Cancelamento do exame de acesso à medicina coloca reformas da NTA sob escrutínio
- Porque quer a comissão que a NTA preste contas ao Parlamento
- O que revelam os números sobre pessoal e processos judiciais
- Um banco de perguntas concebido para limitar o conhecimento antecipado
- Os exames por computador dependem de infraestruturas públicas
- Atrasos, trânsito e tempo de exame sem interrupções
- Possíveis alterações aos critérios de elegibilidade e à estrutura do NEET
- Equidade, fornecedores e compensações para os candidatos
- Um historial contestado e decisões ainda por tomar
- Principais pontos
A Comissão Parlamentar Permanente para a Educação, as Mulheres, as Crianças, a Juventude e o Desporto, presidida por Mukul Wasnik, deputado do Rajya Sabha, apresentou ao presidente do Rajya Sabha, a 9 de outubro de 2026, o seu 382.º relatório, intitulado Reformas e Reforço da Agência Nacional de Testes (NTA). O documento, com 44 páginas, contém 35 observações e recomendações. Foi também enviado ao presidente do Lok Sabha.
A dimensão da atuação da agência ajuda a perceber o que está em causa. Entre 2018 e 2026, realizou mais de 270 exames, com mais de 6,6 crore de participações de candidatos. Cerca de 1,2 crore de candidatos realizam os seus exames todos os anos, incluindo provas importantes para o acesso a cursos de medicina, engenharia e ensino superior. Estes números dizem respeito a participações em exames, não necessariamente a pessoas distintas.
A comissão reconheceu as reformas introduzidas após a polémica em torno do NEET UG de 2024, mas afirmou que o cancelamento em 2026 demonstrou a necessidade de novas alterações processuais e institucionais. Segundo relatos, a polémica mais recente desencadeou protestos estudantis em todo o país e a demissão do então ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.
As propostas combinam maior supervisão parlamentar, especialistas em funções permanentes, um banco de perguntas mais amplo e investimento em centros de exame públicos. Abordam também as consequências para os candidatos, incluindo indemnizações após cancelamentos administrativos e um tratamento independente das queixas. A maioria continua a ser recomendações, não novas regras de exame.
Porque quer a comissão que a NTA preste contas ao Parlamento
A NTA está registada como associação ao abrigo da Lei de Registo de Associações de 1860, em vez de ter sido criada como organismo estatutário por uma lei do Parlamento. A comissão afirmou que, por esse motivo, a agência não responde diretamente perante o Parlamento da mesma forma que um organismo estatutário e não lhe apresenta um relatório anual.
A comissão quer que o departamento da Educação desenvolva um quadro parlamentar adequado para que a agência preste contas às duas câmaras. Defende que os recursos e os mecanismos de responsabilização da NTA devem corresponder à dimensão das responsabilidades que lhe foram confiadas.
A comissão, presidida por Wasnik, formulou essa recomendação no relatório:
O departamento da Educação poderá introduzir um quadro parlamentar adequado que assegure a responsabilização da NTA perante o Parlamento.
A comissão recomendou também a apresentação anual ao Parlamento de relatórios sobre os casos registados, investigados e levados a julgamento ao abrigo da Lei dos Exames Públicos (Prevenção de Meios Desleais) de 2024. Assim, seria possível distinguir alegações de investigações e processos judiciais, em vez de tratar todas as queixas como prova de irregularidades.
Um mecanismo separado e independente da NTA faria auditorias à segurança dos exames, investigaria as queixas dos candidatos e apresentaria relatórios diretamente ao Ministério da Educação. A prestação de contas ao Parlamento e o escrutínio independente teriam objetivos distintos: a primeira garantiria a responsabilização pública; o segundo examinaria falhas operacionais fora do sistema de queixas da própria agência.
O que revelam os números sobre pessoal e processos judiciais
Apenas 23 dos 39 lugares previstos na NTA estavam ocupados, deixando 16 vagos. Isso significa que cerca de 59% dos lugares estavam ocupados e 41% por preencher. Os relatos divergem na descrição: um indica que 41% dos lugares estavam preenchidos, mas essa formulação contradiz o número declarado de 23 em 39.
Os funcionários em funções estavam em regime de destacamento, ou seja, tinham sido temporariamente cedidos por outras entidades públicas. A comissão quer que a NTA tenha especialistas permanentes em psicometria, segurança dos exames, infraestruturas digitais, análise de dados e logística de exames. A psicometria estuda a forma como os testes medem conhecimentos ou capacidades, incluindo se as perguntas produzem resultados fiáveis e justos.
A comissão afirmou que os 16 lugares previstos no Sistema Central de Afetação de Pessoal deveriam reforçar a direção de topo, e não substituir a especialização técnica. Desaconselhou também que funções essenciais fossem atribuídas como responsabilidade adicional, referindo o cargo de diretor-geral entre junho de 2024 e abril de 2026.
A carga de trabalho judicial da agência era considerável. Os registos relativos a 2024 e 2025 indicavam que a NTA era parte em 474 processos judiciais, dos quais 356 diziam respeito ao NEET UG de 2024. Isso corresponde a cerca de 75% do total. O número mostra o peso que uma única polémica em torno de um exame teve nos processos judiciais da agência, embora não demonstre que a NTA tenha sido responsável em todos os casos.
A comissão pediu também à agência que voltasse a concentrar-se nos exames de admissão a instituições de ensino superior. Observou que a NTA continuava a realizar exames de recrutamento, apesar de a comissão Radhakrishnan ter recomendado que novas funções só fossem atribuídas depois de reforçada a capacidade institucional, e não antes.
Um banco de perguntas concebido para limitar o conhecimento antecipado
A principal proposta da comissão para proteger os enunciados é criar um banco de perguntas amplo, diversificado e continuamente atualizado. Em vez de recorrer repetidamente a conjuntos de perguntas conhecidos ou de encomendar um enunciado inteiramente novo todos os anos, a NTA comporia as provas finais a partir de um conjunto muito maior, com recurso a ferramentas digitais.
A salvaguarda pretendida consiste em separar a criação de perguntas individuais do conhecimento sobre o enunciado final. Quem contribui com perguntas não saberia automaticamente quais seriam apresentadas aos candidatos. Os enunciados finais seriam preparados perto da data do exame e verificados por um grupo restrito de especialistas credenciados.
A comissão explicou as suas preocupações com as práticas atuais:
Investir em bancos de perguntas é a defesa mais viável contra as fugas de enunciados a longo prazo. A utilização repetida dos mesmos conjuntos de perguntas ou a prática de pedir aos examinadores que elaborem novos enunciados todos os anos podem pôr em risco a integridade do processo de exame.
Especialistas dos Institutos Indianos de Tecnologia, dos Institutos Indianos de Gestão e dos Institutos Indianos de Ciências Médicas contribuiriam para a elaboração e tradução das perguntas. Os seus antecedentes seriam verificados para identificar questões de integridade e conflitos de interesses, incluindo a propriedade ou o exercício de funções docentes em centros privados de preparação para exames e a participação de familiares no exame.
A comissão propôs também que os especialistas responsáveis pela verificação dos enunciados finais ficassem estritamente isolados até à conclusão do exame. Além disso, recomendou a criação de uma equipa interna de cibersegurança e a utilização de ferramentas de inteligência artificial para identificar padrões suspeitos nas respostas. Esses padrões serviriam de sinais para investigação, não de prova automática de fraude.
Os exames por computador dependem de infraestruturas públicas
A comissão apoiou a passagem do NEET UG do papel para um formato informatizado, reduzindo ao mesmo tempo a dependência de centros de exame privados. A realização digital eliminaria a necessidade de imprimir os enunciados e transportá-los para os centros, permitindo preparar as provas finais mais perto do dia do exame.
Essa mudança aborda uma das vias pelas quais os enunciados podem ser expostos. Não elimina, porém, a necessidade de sistemas digitais seguros, pessoal de confiança ou centros fiáveis. Por isso, a comissão associou a transição ao investimento em instalações públicas, sobretudo em cidades mais pequenas e zonas rurais.
Defendeu um calendário claro e faseado para concretizar a recomendação do Comité de Alto Nível de Especialistas de criar 1000 centros públicos seguros de exames por computador. A NTA deveria também ajudar a financiar laboratórios de informática em escolas e faculdades, sob a condição de estarem disponíveis para a realização de exames, com pelo menos um centro em cada distrito.
Segundo relatos, o Governo central anunciou a passagem do NEET UG para exames por computador a partir do ano seguinte, ou seja, 2027, no contexto das notícias de outubro de 2026. A posição da comissão foi mais condicional: a transição deveria ser acompanhada por um investimento substancial em infraestruturas e por uma estratégia nacional de acessibilidade digital.
Não foram especificados o calendário concreto de implementação, a cobertura distrital nem as medidas para candidatos sem familiaridade com computadores. A comissão propôs utilizar o excedente acumulado da NTA para criar centros públicos e realizar exames de simulação. O porta-voz do Congresso, Jairam Ramesh, avaliou esse excedente em 590 crore de rupias e alegou que permanecia em depósitos a prazo, em vez de ser investido nos estudantes e nas infraestruturas.
Atrasos, trânsito e tempo de exame sem interrupções
A comissão propôs que os candidatos que chegassem com alguns minutos de atraso pudessem entrar depois de assinarem uma declaração a registar o atraso. Teriam apenas o tempo restante do exame, sem qualquer tempo adicional em circunstância alguma.
Em certos casos, isso substituiria a exclusão automática por um procedimento de admissão documentado. A recomendação reconhece que podem ocorrer atrasos legítimos, mantendo ao mesmo tempo uma hora de conclusão comum para todos. Não especifica uma hora-limite universal para a entrada nem todas as condições de segurança que regeriam a admissão.
A comissão recomendou também um período separado de 15 minutos, antes ou depois do exame, para os vigilantes concluírem a recolha de assinaturas e as formalidades de verificação. O objetivo é evitar interrupções administrativas enquanto os candidatos respondem às perguntas.
Para reduzir perturbações evitáveis nas deslocações, propôs alterar a Lei dos Exames Públicos (Prevenção de Meios Desleais) de 2024, de modo a permitir que as administrações distritais impeçam a realização de manifestações, procissões e ajuntamentos públicos em dias de exames importantes. As medidas de trânsito e de ordem pública deveriam ser organizadas antecipadamente.
A NTA já tinha emitido recomendações para que os candidatos chegassem cedo e tivessem em conta estes eventos. A proposta da comissão atribuiria às autoridades locais uma responsabilidade maior na prevenção de perturbações, em vez de deixar os candidatos a geri-las sozinhos. Não foi indicada uma data para a apresentação ou votação da alteração proposta.
Possíveis alterações aos critérios de elegibilidade e à estrutura do NEET
A comissão pediu ao Ministério da Educação que estudasse limites razoáveis de idade e de tentativas para exames importantes, incluindo o NEET UG, em consulta com o Ministério da Saúde e outros intervenientes. Identificou o UGC NET como possível exceção.
Atualmente, o NEET UG não tem limite de tentativas nem um limite máximo efetivo de idade, segundo a comissão, que assinalou a participação de candidatos com mais de 70 anos. O relatório não estabeleceu uma idade máxima nem um número de tentativas específicos. Por isso, a recomendação de estudar limites não deve ser interpretada como uma alteração dos critérios de elegibilidade já em vigor.
A comissão propôs também estudar um formato em duas fases: um exame preliminar comum para as áreas da medicina, seguido de exames principais especializados para diferentes cursos. Defendeu que os candidatos a cursos de enfermagem ou AYUSH poderiam ser avaliados e classificados separadamente dos candidatos a vagas em MBBS. AYUSH refere-se a sistemas indianos de medicina e disciplinas relacionadas, incluindo a ayurveda e a homeopatia.
A comissão descreveu o NEET UG como um exame único que abrange mais de 22 lakh de candidatos e várias vias de admissão. Pretendeu também que os critérios mínimos de aprovação fossem revistos anualmente, para que o número de candidatos aprovados correspondesse melhor às vagas disponíveis. Ser aprovado num exame não é o mesmo que garantir a admissão, uma vez que o número de vagas continua a ser limitado.
Equidade, fornecedores e compensações para os candidatos
A comissão recomendou auditorias anuais dos resultados dos exames por estado, género, conselho de ensino, língua de instrução e categoria social. Afirmou que a NTA dispunha de dados de inscrição por estado, mas não de informação equivalente sobre o sucesso desses candidatos.
Os dados de inscrição, por si só, não permitem saber se diferentes grupos têm probabilidades comparáveis de avançar nas várias fases de um exame. A publicação de auditorias aos resultados no relatório anual da NTA e o seu envio ao Ministério da Educação permitiriam essa comparação sem pressupor o que os resultados revelariam.
Um registo nacional proposto de fornecedores de exames excluídos incluiria as pessoas associadas, os motivos da exclusão e a autoridade responsável. Criaria um registo comum para avaliar empresas envolvidas em serviços relacionados com exames. Ramesh alegou que empresas excluídas num estado continuavam a receber contratos públicos noutros.
A comissão quis também que a NTA definisse o seu dever de proteção dos candidatos, que poderia incluir compensações financeiras para quem fosse afetado por cancelamentos administrativos. Pediu prazos fixos para a resolução de queixas e um mecanismo independente para as tratar. Não foram especificados valores de compensação nem prazos vinculativos.
A preparação privada para exames foi outra preocupação. A comissão referiu propinas entre 2 lakh e 5 lakh de rupias, acessíveis às famílias mais abastadas, e alertou que o sistema de exames recompensa a familiaridade com os padrões das perguntas em detrimento da compreensão conceptual. Recomendou regras que abranjam a transparência das propinas, a segurança dos estudantes e a saúde mental, além de uma comunicação mais consistente entre a NTA e o público.
Um historial contestado e decisões ainda por tomar
O Departamento do Ensino Superior disse à comissão que não tinha ocorrido qualquer fuga de enunciados num exame da NTA entre a criação da agência, em 2017, e 2025. O relatório registou o desacordo de alguns membros da comissão e recomendou maior divulgação pública das investigações sobre irregularidades nos exames.
A 11 de outubro, o porta-voz do Congresso, Jairam Ramesh, acusou a NTA e o Ministério da Educação de «grave incompetência e práticas irregulares». Referiu nove casos conhecidos de fuga de enunciados e irregularidades. Essa descrição conjunta não deve ser interpretada como uma contagem verificada de nove fugas comprovadas. Diz também respeito a um período que termina em 2025, distinto do cancelamento de maio de 2026.
A sequência dos acontecimentos e das propostas subsequentes é a seguinte:
- 3 de maio de 2026: a NTA realizou o NEET UG.
- 12 de maio de 2026: o exame foi cancelado na sequência de alegações de fuga do enunciado.
- 9 de outubro de 2026: a comissão de Wasnik apresentou o seu relatório sobre a reforma da NTA.
- 11 de outubro de 2026: o Congresso contestou publicamente a versão do Ministério sobre fugas e irregularidades anteriores.
- 2027: segundo os relatos, este é o ano anunciado para a passagem do NEET UG para exames por computador, sem que tenham sido especificados os detalhes da implementação.
O conjunto de propostas da comissão relaciona a responsabilização institucional com medidas práticas de proteção dos candidatos. Um banco de perguntas e os exames digitais abordam o manuseamento dos enunciados; o pessoal permanente e as auditorias independentes abordam a gestão; os centros públicos e as auditorias aos resultados abordam o acesso e a equidade. Não foi indicado qualquer calendário legislativo, limite de idade ou de tentativas aprovado, plano de compensações ou nova data para o exame. Estas distinções são importantes para os candidatos que planeiam os próximos passos.
Principais pontos
- O NEET UG 2026 realizou-se a 3 de maio e foi cancelado a 12 de maio, na sequência de alegações de fuga do enunciado.
- A comissão parlamentar apresentou 35 observações e recomendações a 9 de outubro de 2026.
- Propôs que a NTA prestasse contas às duas câmaras do Parlamento e fosse sujeita a escrutínio independente em matéria de segurança e queixas.
- Apenas 23 dos 39 lugares previstos na NTA estavam ocupados, deixando cerca de 41% vagos.
- As propostas incluem um banco de perguntas mais amplo, especialistas permanentes e 1000 centros públicos seguros de exames por computador.
- Os candidatos que chegassem atrasados poderiam dispor apenas do tempo restante do exame, enquanto as verificações administrativas teriam um período separado de 15 minutos.
- Os limites de idade e de tentativas, um exame em duas fases e a compensação dos candidatos continuam a ser propostas, não novas regras confirmadas.






