O prazo de 31 de dezembro tem um âmbito jurídico mais restrito
O Decreto 320/2026/ND-CP do Vietname estabelece 31 de dezembro de 2026 como prazo de transição para a ligação e autenticação, junto de contas de identidade electrónica, das contas de transacções electrónicas abrangidas, criadas antes de 28 de setembro de 2026. As contas bancárias têm um prazo distinto, até 30 de junho de 2027. Nenhuma destas datas deve ser interpretada como uma instrução geral para todos os utilizadores do Facebook ou do TikTok ligarem, por iniciativa própria, uma conta pessoal ao VNeID.
Índice
- O prazo de 31 de dezembro tem um âmbito jurídico mais restrito
- O que abrange, de facto, a disposição relativa às redes sociais
- Que sectores e contas comerciais estão abrangidos?
- As datas que distinguem as obrigações
- Uma política de identidade mais abrangente não substitui o decreto
- Regras de verificação existentes e limites de privacidade
- O VNeID alarga o acesso a cidadãos estrangeiros
- Mais documentos, menos burocracia repetida
- Prestações sociais e detalhes ainda por esclarecer
- Principais pontos
A distinção depende da categoria de conta abrangida pela regra. As redes sociais estão entre as actividades mencionadas, mas o requisito diz respeito a contas de transacções electrónicas ao abrigo da Lei das Transacções Electrónicas de 2023, e não a todas as contas pelo simples facto de pertencerem a uma rede social. A forma como os utilizadores concluem a verificação dependerá também da ligação que cada plataforma estabelecer com o sistema de identificação electrónica.
O decreto governamental sobre identificação electrónica, publicado em 13 de agosto de 2026 e em vigor a partir de 28 de setembro de 2026, altera o Decreto 69/2024/ND-CP. O seu âmbito vai além da verificação nas redes sociais: alarga os critérios de elegibilidade para cidadãos estrangeiros, acrescenta procedimentos para integração de documentos e cria um enquadramento para o recebimento de prestações sociais através da aplicação nacional de identificação.
Há, portanto, que distinguir dois desenvolvimentos. O Vietname está a prosseguir uma política abrangente de ligação dos serviços digitais a identidades verificadas. No entanto, a disposição transitória específica aplica-se a uma categoria definida de contas existentes e concede aos bancos mais tempo do que a outros serviços abrangidos. Interpretar essa disposição como um prazo geral para ligar contas ao Facebook elimina distinções importantes tanto para os utilizadores como para os prestadores de serviços.
O que abrange, de facto, a disposição relativa às redes sociais
O artigo 19.º acrescenta disposições ao artigo 40.º do Decreto 69/2024/ND-CP relativas à ligação e autenticação de contas de transacções electrónicas. A referência à Lei das Transacções Electrónicas de 2023 é fundamental para compreender o âmbito: a categoria jurídica é mais específica do que a expressão corrente «conta de rede social».
Para os leitores, uma conta de transacções electrónicas pode ser entendida como uma conta utilizada num sistema para realizar transacções electrónicas. Esta explicação não substitui a definição legal nem futuras orientações de aplicação. A questão decisiva é saber se determinada conta se enquadra na categoria abrangida pelo decreto, e não apenas se o seu titular utiliza o Facebook, o TikTok ou outra plataforma.
Isto não significa que todos os perfis comuns nas redes sociais estejam isentos. Significa que a afirmação de que todos os titulares de perfis têm de ligar pessoalmente uma conta ao VNeID até 31 de dezembro vai além do que a disposição descrita permite concluir. A classificação completa de cada conta e o processo prático de verificação continuam a depender de orientações das autoridades e das plataformas.
Compete ao Ministério da Segurança Pública liderar a emissão de orientações, a inspecção e os esforços para assegurar a aplicação da medida. O ministério deve coordenar-se com outros ministérios e organismos para resolver dificuldades. Os utilizadores devem, por isso, distinguir um aviso oficial de uma plataforma sobre uma conta específica de uma alegação que circula e atribui a mesma obrigação a todos.
Que sectores e contas comerciais estão abrangidos?
Uma descrição pormenorizada do requisito enumera 11 áreas: educação, literacia digital, valores mobiliários, telecomunicações, banca, comércio electrónico, facturas electrónicas, empresas de transporte, empresas de turismo, produtos farmacêuticos e serviços médicos, e redes sociais no Vietname. A categoria dos produtos farmacêuticos e serviços médicos reúne várias actividades relacionadas numa única área.
As descrições da lista sectorial variam. Algumas incluem também electricidade e alojamento, enquanto a lista pormenorizada de 11 áreas inclui educação, literacia digital, facturas electrónicas e transportes. Estas descrições não devem ser tratadas como listas jurídicas equivalentes. As empresas cujas actividades se situem perto desses limites precisam de consultar a redacção operativa do decreto e as instruções de aplicação pertinentes para determinar se estão abrangidas.
No comércio electrónico, a distinção é mais explícita. O requisito descrito aplica-se a vendedores, pessoas que vendem através de transmissões em directo e profissionais de marketing de afiliados ao abrigo da Lei do Comércio Electrónico de 2025. Os profissionais de marketing de afiliados promovem produtos ou serviços e podem receber uma comissão quando as suas recomendações geram vendas. A regra não é apresentada como exigindo que todas as contas usadas exclusivamente para comprar produtos sejam ligadas.
A diferença é importante quando uma plataforma permite várias actividades. Uma pessoa que compra produtos, um comerciante que gere uma loja e um criador de conteúdos que recebe comissões podem utilizar o mesmo serviço, mas não têm necessariamente as mesmas obrigações. A abrangência deve depender da função relevante da conta e da regra jurídica, não apenas do nome da plataforma.
As datas que distinguem as obrigações
O prazo de transição diz respeito a contas abrangidas criadas antes da entrada em vigor do decreto. Não deve ser interpretado como um período geral de adaptação para todas as contas abertas depois de 28 de setembro. O tratamento das contas criadas posteriormente deve ser determinado pelos requisitos aplicáveis e pelos procedimentos das plataformas.
As principais datas são:
- 25 de junho de 2024: foi publicado o Decreto 69/2024/ND-CP, o quadro de identificação electrónica que está a ser alterado.
- 13 de agosto de 2026: foi publicado o Decreto 320/2026/ND-CP.
- Terceiro trimestre de 2026: um programa nacional de trabalho distinto estabelece como meta a investigação de soluções técnicas para ligar redes sociais ao VNeID.
- 28 de setembro de 2026: o Decreto 320 entra em vigor e estabelece a data-limite usada para as contas existentes ao abrigo da disposição transitória.
- 31 de dezembro de 2026: as contas existentes abrangidas, com excepção das bancárias, têm de concluir a ligação e autenticação. As plataformas digitais nacionais também têm um prazo de integração.
- 30 de junho de 2027: termina o prazo específico para as contas bancárias existentes abrangidas.
O prazo bancário termina seis meses de calendário depois do prazo de dezembro. Trata-se de uma prorrogação para um sector, não de uma indicação de que outras plataformas abrangidas podem adiar o trabalho até junho.
As plataformas digitais nacionais têm uma responsabilidade relacionada, mas distinta: devem integrar contas de identidade electrónica para início de sessão, autenticação e transacções até 31 de dezembro de 2026. A obrigação de uma plataforma disponibilizar estas funcionalidades não é o mesmo que dizer a cada pessoa que execute manualmente os mesmos passos de ligação.
Uma política de identidade mais abrangente não substitui o decreto
O programa de trabalho de 2026 do Comité Director Central para a Ciência, Tecnologia, Inovação e Transformação Digital insere o VNeID numa agenda nacional mais vasta. O secretário-geral To Lam, que preside ao comité, assinou o programa. Este prevê que os organismos estudem soluções técnicas para integrar serviços de redes sociais com o VNeID até ao terceiro trimestre de 2026, no respeito pela legislação vietnamita e pelos compromissos internacionais.
As descrições desse programa exprimem uma ambição mais vasta de ligar todas as contas de redes sociais a credenciais de identidade verificadas. Esse objectivo político é mais abrangente do que a categoria de contas descrita na disposição transitória do decreto. Uma meta de investigação, um objectivo político e um prazo vinculativo para contas têm finalidades distintas e não devem ser confundidos numa única instrução.
O Ministério da Segurança Pública tem também a tarefa de redigir uma Lei da Identificação e Autenticação Electrónicas e de desenvolver o VNeID como plataforma digital nacional. O programa prevê um funcionamento fiável na infraestrutura dos centros de dados nacionais, inclusive em períodos de elevada procura, e um acesso comum através da identidade para cidadãos e empresas que tratem de assuntos com organismos públicos.
As metas económicas dão uma ideia da dimensão desta agenda. O programa visa que a economia digital represente 14,5% do PIB em 2026, e que a ciência, a tecnologia, a inovação e a transformação digital, em conjunto, representem 17,5%. São metas, não resultados comunicados. O indicador mais amplo excede em três pontos percentuais a meta da economia digital, mas as duas categorias não devem ser somadas como se fossem contributos separados.
Regras de verificação existentes e limites de privacidade
A ligação ao VNeID não é o primeiro requisito de identificação imposto às redes sociais no Vietname. O Decreto 147/2024 exige que as plataformas verifiquem as contas através de números de telefone vietnamitas ou de números de identificação pessoal. Ao abrigo desse quadro, as contas não verificadas não podem publicar nem partilhar conteúdos. A verificação de contas existente e a ligação ao sistema nacional de identidade electrónica estão relacionadas, mas não são processos idênticos.
A Directiva 57 prevê igualmente a verificação da identidade de utilizadores de redes sociais, assinantes de telecomunicações, nomes de domínio e endereços IP. Estas medidas ajudam a perceber por que razão uma alegação geral de ligação universal a uma identidade pode parecer plausível, mesmo quando a disposição específica sobre o prazo tem um âmbito mais restrito.
Os requisitos de privacidade impõem limites à forma como a verificação é realizada. A Lei da Protecção de Dados Pessoais, em vigor desde janeiro de 2026, proíbe as plataformas de recolher imagens ou vídeos de documentos de identificação para autenticação e exige transparência na recolha de dados. Um requisito de verificação não deve, por isso, ser entendido como autorização para uma plataforma pedir qualquer tipo de comprovativo de identidade que escolha.
O quadro alterado de identificação electrónica exige também a confidencialidade das informações das contas de identidade electrónica e o cumprimento da legislação de protecção de dados pessoais. As suas regras protegem a vida privada, os segredos pessoais e os segredos familiares. Estas obrigações fazem parte da aplicação da medida, não são uma consideração opcional a ter em conta depois de as contas terem sido ligadas.
O VNeID alarga o acesso a cidadãos estrangeiros
O artigo 7.º alterado permite que cidadãos estrangeiros que entrem legalmente no Vietname ou aí residam legalmente solicitem uma conta de identidade electrónica, sem distinção entre os níveis 1 e 2. Os critérios de elegibilidade vão além da residência: incluem também a entrada legal no país. A conta é disponibilizada mediante pedido, não é criada automaticamente para todos os visitantes estrangeiros.
O procedimento de registo descrito exige que os requerentes se apresentem num serviço de imigração dependente da polícia provincial. Devem apresentar um passaporte válido ou outro documento de viagem internacional aceite, preencher o formulário TK01 e fornecer uma fotografia facial e impressões digitais. O formulário inclui um número de telefone registado e, se disponível, um endereço de correio electrónico.
O processamento demora, segundo a descrição, dois dias úteis quando o sistema de imigração já dispõe da fotografia facial e das impressões digitais do requerente, ou cinco dias úteis quando não dispõe desses dados. Os prazos contam-se a partir da recepção de um pedido completo. Não incluem o tempo adicional eventualmente necessário para obter uma marcação ou corrigir divergências nos registos de imigração.
O acesso na prática continua a ser uma questão distinta da elegibilidade legal. Visitas de curta duração, registos limitados no Vietname e diferenças entre os dados do passaporte e os dados de imigração podem exigir instruções ou correcções adicionais. Os trabalhadores estrangeiros e os representantes de empresas devem também distinguir as suas contas de identidade pessoais da conta de identidade electrónica de uma organização. A elegibilidade para o VNeID não significa que todos os serviços estejam imediatamente ligados ou disponíveis para todos os requerentes.
Mais documentos, menos burocracia repetida
O decreto acrescenta ao catálogo de integração 66 tipos de documentos individuais e 140 tipos de documentos de organismos e organizações. No total, estas categorias abrangem 206 tipos de documentos, com mais do dobro de tipos relativos a organizações do que de tipos individuais. Estes números descrevem o catálogo, não a quantidade de registos já carregados nem de serviços já em funcionamento.
Entre os exemplos de documentos individuais estão certidões de nascimento, passaportes, vistos, certificados de matrícula de veículos e cartas de condução. Entre os exemplos relativos a organizações estão licenças comerciais, licenças de importação e exportação, certificados de registo de espécimes de selos e certificados de denominação de identificação. As alterações mais amplas dizem também respeito a informações de identidade, seguros e terrenos.
O artigo 8.º alterado distingue a sincronização automática da integração solicitada pelo titular da conta. Os documentos que não sejam segredos de Estado podem ser actualizados automaticamente quando a autoridade emissora dispõe de uma base de dados ligada ao sistema de identificação electrónica. Quando a autoridade não dispõe dessa base de dados, o titular solicita a integração através do VNeID, e a entidade emissora competente tem cinco dias úteis para receber, analisar e aprovar o pedido.
As autoridades ligadas ao sistema devem actualizar imediatamente as informações alteradas. Se um impedimento objectivo o impossibilitar, o texto estabelece um prazo máximo de 24 horas após a disponibilização dos dados actualizados e de, no máximo, cinco minutos quando um cidadão solicita directamente uma actualização através da aplicação. Estes prazos para actualização de documentos são distintos dos prazos de dois ou cinco dias úteis descritos para o registo de contas de cidadãos estrangeiros.
O artigo 4.º alterado determina que organismos, organizações e pessoas que tratem de procedimentos administrativos, serviços públicos, transacções civis e outras actividades devem utilizar as informações integradas, em vez de exigir o original ou uma cópia de um documento já integrado no VNeID. O artigo 8.º estabelece também limites de acesso: os organismos públicos podem utilizar as informações no âmbito das suas funções, enquanto outros que acedam aos registos de outra pessoa necessitam, em geral, do consentimento dessa pessoa, sem prejuízo das regras previstas para representantes legais e herdeiros.
Prestações sociais e detalhes ainda por esclarecer
O decreto introduz uma conta de prestações sociais na aplicação nacional de identificação. Permite ao titular de uma identidade integrar informações de uma conta de pagamentos, carteira electrónica ou conta de dinheiro móvel para receber assistência, pensões, prestações sociais e outros fundos legalmente devidos. Esta é mais uma razão para não descrever o decreto apenas como uma medida relativa às redes sociais.
A alteração surge na sequência do pagamento digital em dinheiro de 2025, quando o Vietname organizou a distribuição de ofertas de 100 000 dongs por pessoa a mais de 106 milhões de cidadãos, num montante total anunciado de cerca de 11 biliões de dongs. Os pagamentos podiam ser recebidos em dinheiro ou através de contas bancárias ligadas ao VNeID. A nova disposição relativa à conta de prestações sociais cria um mecanismo definido para vários canais de pagamento e categorias de apoios, em vez de se limitar a uma única distribuição comemorativa.
No que diz respeito às redes sociais e a outros serviços comerciais, continuam por esclarecer vários aspectos práticos. As disposições descritas não especificam um procedimento universal de ligação, uma classificação completa dos perfis pessoais nas redes sociais nem um calendário específico para o Facebook e o TikTok. Também não determinam aqui que sanção ou restrição de conta se aplicaria caso o prazo de ligação não fosse cumprido.
Os próximos passos são, por isso, concretos: orientações do Ministério da Segurança Pública, coordenação com as autoridades sectoriais e instruções de cada prestador sobre o respectivo processo de ligação. Os utilizadores e as empresas têm de identificar as contas abrangidas, confirmar o prazo aplicável e seguir o procedimento definido para esse serviço. O prazo de dezembro é importante, mas não sustenta a afirmação de que todos os utilizadores de redes sociais têm de efectuar, por iniciativa própria, a mesma operação de ligação ao VNeID.
Principais pontos
- O Decreto 320/2026/ND-CP entra em vigor em 28 de setembro de 2026 e altera o quadro de identificação electrónica do Vietname.
- O requisito de ligação diz respeito a contas de transacções electrónicas abrangidas, não constitui uma instrução geral declarada para todos os perfis do Facebook ou do TikTok.
- As contas abrangidas criadas antes de 28 de setembro têm prazo até 31 de dezembro de 2026, excepto as bancárias, cujo prazo termina em 30 de junho de 2027.
- O âmbito do comércio electrónico especifica vendedores, vendedores através de transmissões em directo e profissionais de marketing de afiliados, não todas as contas usadas para fazer compras.
- As plataformas digitais nacionais têm de integrar funcionalidades de identidade electrónica até 31 de dezembro de 2026.
- Os cidadãos estrangeiros que entrem legalmente no Vietname ou aí residam legalmente podem solicitar contas VNeID sem distinção entre níveis.
- O decreto alarga as funcionalidades de integração de documentos e de pagamento de prestações sociais, mantendo os requisitos de privacidade e consentimento.
- A classificação das contas e os passos para a ligação dependem de orientações oficiais e da aplicação de cada plataforma.






