Trabalhadores vietnamitas resgatam idosa em sismo mortal em Kumamoto

5 min de leitura
Trabalhadores vietnamitas resgatam idosa em sismo mortal em Kumamoto

Tragédia abala comunidade vietnamita no Japão

Um potente sismo de magnitude 7,1 atingiu a província de Kumamoto a 28 de julho, matando pelo menos 38 pessoas e ferindo mais de 100. Entre as vítimas estava Tran Van Son, um cidadão vietnamita que chegou ao Japão em janeiro ao abrigo de um programa governamental de trabalhadores estrangeiros. Morreu quando uma grua desabou na fábrica onde trabalhava. Sete outros trabalhadores vietnamitas no mesmo local escaparam sem ferimentos. Uma mulher vietnamita ficou também ferida, e muitos trabalhadores migrantes perderam as suas casas, o que os forçou a ir para centros de evacuação.

Índice
  1. Tragédia abala comunidade vietnamita no Japão
  2. Cinco trabalhadores salvam vizinha dos escombros
  3. A vida dos trabalhadores estrangeiros em Kumamoto
  4. Resposta oficial e relações diplomáticas
  5. Desafios enfrentados pelos trabalhadores migrantes
  6. Contexto do sismo e medidas de segurança
  7. Recuperação e perspetivas futuras
  8. Pontos-chave

O desastre expôs o papel crescente da mão de obra estrangeira na sociedade envelhecida do Japão. Os cidadãos vietnamitas formam agora a segunda maior comunidade estrangeira do país, com mais de 630 000 residentes e cerca de 480 000 empregados. Muitos trabalham na indústria transformadora, na agricultura, na construção e nos cuidados a idosos, através de programas que respondem a graves carências de mão de obra.

Publicidade

Cinco trabalhadores salvam vizinha dos escombros

Cinco homens vietnamitas que trabalhavam numa quinta de brócolos na cidade de Yatsushiro agiram rapidamente quando o sismo ocorreu. Depois de os abalos pararem, repararam que a casa vizinha tinha desabado. A mulher idosa que vivia sozinha, com quase 90 anos, estava presa no interior. Os homens, que tinham chegado ao abrigo do programa de trabalhadores qualificados especificados e viviam nas proximidades há um a quatro anos, juntaram-se aos residentes locais para limpar os escombros.

Chamaram por ela e obtiveram resposta. Com uma serra emprestada e as próprias mãos, removeram telhas, vigas e escombros, apesar dos abalos contínuos. Ao fim de cerca de 30 minutos, abriram uma passagem e retiraram a mulher para um local seguro. Sofreu uma fratura na perna, mas manteve-se consciente. Um dos socorristas, Le Huy Tuan, de 25 anos, disse mais tarde que o grupo só pensava em libertá-la o mais depressa possível. Os vizinhos elogiaram a ação rápida que provavelmente lhe salvou a vida.

A vida dos trabalhadores estrangeiros em Kumamoto

Kumamoto registou um rápido crescimento da sua população vietnamita devido às fábricas e explorações agrícolas locais. Muitos chegam através do Programa de Formação de Estagiários Técnicos ou do seu sucessor, o programa de trabalhadores qualificados especificados. O sistema mais recente oferece melhores salários e proteções do que o antigo modelo de estagiários, que foi criticado pelos baixos salários e pelas longas horas de trabalho. Os trabalhadores vietnamitas ocupam frequentemente funções na metalurgia, em fábricas de semicondutores e na agricultura, onde a mão de obra local é escassa.

Após o sismo, os cinco socorristas enfrentaram as suas próprias dificuldades. A sua casa sofreu danos e dormiram em carros ou contentores enquanto o abastecimento de água escasseava. Grupos da comunidade vietnamita entregaram mais tarde água potável e alimentos a trabalhadores afetados do Vietname, da Indonésia e do Camboja.

Publicidade

Resposta oficial e relações diplomáticas

O Consulado-Geral do Vietname em Fukuoka distribuiu mantimentos pelos centros de evacuação. O primeiro-ministro do Vietname, Le Minh Hung, enviou condolências à primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Le Hoai Trung, expressou também solidariedade ao homólogo japonês. Estes gestos sublinharam a estreita cooperação bilateral em matéria de migração laboral e socorro em catástrofes.

As autoridades japonesas criaram abrigos secundários em hotéis e restabeleceram gradualmente os serviços de eletricidade e água. As operações de resgate em locais danificados, como o Aeon Mall Kumamoto e uma fábrica de papel, concluíram-se em poucos dias, desviando o foco para a recuperação e o apoio aos evacuados.

Desafios enfrentados pelos trabalhadores migrantes

Muitos vietnamitas na região vivem em habitações antigas perto de fábricas ou explorações agrícolas. O sismo danificou dezenas destas casas, deixando trabalhadores sem abrigo ou serviços básicos. A escassez de água afetou a higiene e os esforços de combate a incêndios em Yatsushiro e nas localidades vizinhas. Associações comunitárias usaram as redes sociais para coordenar a ajuda e partilhar atualizações.

Apesar de preocupações públicas ocasionais em relação aos residentes estrangeiros, o resgate destacou a cooperação quotidiana entre trabalhadores vietnamitas e vizinhos japoneses. Agricultores e residentes locais expressaram gratidão pelas ações dos cinco homens.

Publicidade

Contexto do sismo e medidas de segurança

O Japão regista atividade sísmica frequente. O acontecimento de 28 de julho registou 6 superior na escala de intensidade japonesa em Yatsushiro. Os abalos secundários prosseguiram durante dias, dificultando os trabalhos de resgate. As autoridades mobilizaram as Forças de Autodefesa e bombeiros de várias províncias. Os serviços de comboios de alta velocidade foram suspensos e alguns voos foram cancelados no Aeroporto de Aso Kumamoto, por precaução.

Os especialistas observam que os edifícios mais antigos continuam vulneráveis. Muitos trabalhadores estrangeiros residem em estruturas deste tipo perto de zonas industriais, o que aumenta a sua exposição durante sismos fortes.

Recuperação e perspetivas futuras

No início de agosto, os supermercados tinham reaberto e as entregas de água chegaram à maioria das áreas. As associações vietnamitas prosseguiram os esforços de ajuda humanitária, enquanto os trabalhadores regressavam aos empregos sempre que possível. O incidente reforçou a importância das redes comunitárias para as populações migrantes durante crises.

O Japão continua a depender da mão de obra estrangeira para sustentar setores-chave. Acontecimentos como o resgate em Kumamoto ilustram como estes trabalhadores se integram na vida local e contribuem para além dos seus locais de trabalho.

Publicidade

Pontos-chave

  • Um sismo de magnitude 7,1 atingiu a província de Kumamoto a 28 de julho, matando 38 pessoas, incluindo um trabalhador vietnamita.
  • Cinco trabalhadores qualificados especificados vietnamitas resgataram uma mulher na casa dos 90 anos de uma casa desabada em Yatsushiro.
  • Mais de 630 000 cidadãos vietnamitas vivem no Japão, muitos empregados na indústria transformadora e na agricultura.
  • Grupos da comunidade vietnamita distribuíram água e alimentos a trabalhadores afetados de vários países.
  • O primeiro-ministro do Vietname enviou condolências oficiais ao Japão após o desastre.
  • A recuperação centrou-se no restabelecimento do abastecimento de água e na transferência dos evacuados para abrigos secundários.
Partilhar este artigo

Também pode gostar