MTR suspende reparações não aprovadas em pilares de Tung Chung West; Governo fixa prazo para relatório até 16 de novembro

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Reparações nos pilares suspensas enquanto a investigação se alarga

O Departamento de Estradas de Hong Kong exigiu que a MTR apresente um relatório de investigação detalhado até 16 de novembro de 2026, depois de a operadora ferroviária ter descoberto reparações não aprovadas em pilares de betão no estaleiro da estação de Tung Chung West. O departamento afirma que se mantém o objetivo de abrir a extensão da linha de Tung Chung em 2029.

Índice
  1. Reparações nos pilares suspensas enquanto a investigação se alarga
  2. Como são os espaços alegados
  3. O que aconteceu entre outubro e 16 de novembro?
  4. Porque é importante a ligação entre o pilar e o piso superior
  5. Investigadores terão de analisar os desenhos e as decisões tomadas no local
  6. O que tem de acontecer para as reparações serem retomadas?
  7. Quem é responsável por fiscalizar os trabalhos?
  8. O incidente altera o calendário de abertura?
  9. Principais pontos

A MTR disse que uma inspeção de rotina, em outubro, detetou que tinha sido utilizado material para preencher as extremidades superiores de alguns pilares ao nível da plataforma, sem aprovação prévia. Ordenou de imediato à empreitada principal, a joint venture Bouygues-Dragages, que suspendesse as reparações e começou a examinar os pilares e os procedimentos de construção, tanto ao nível da plataforma como do átrio.

A operadora afirma que a situação não envolve a segurança estrutural. A investigação surge na sequência de alegações de que cerca de 30 pilares ao nível do átrio têm espaços de aproximadamente 20 a 30 centímetros entre o topo de betão e a face inferior do piso superior, deixando à vista as armaduras de aço.

A confirmação da MTR diz respeito a reparações não aprovadas ao nível da plataforma, enquanto as alegações sobre cerca de 30 pilares se referem ao átrio. A operadora não confirmou esse número nem respondeu diretamente se os pilares do átrio foram betonados sem chegar ao piso superior. A investigação abrange, por isso, tanto os locais onde ocorreram problemas como a forma como os trabalhos foram executados.

Como são os espaços alegados

As fotografias descritas nas notícias mostram quatro pilares com cerca de oito a nove metros de altura e uma secção transversal de aproximadamente meio metro por meio metro. Dois parecem ter betão até ao topo, enquanto os outros dois apresentam espaços sob o piso superior.

Alegadamente, o átrio tem cerca de 60 pilares, dos quais aproximadamente 30 terão espaços semelhantes. Com base nesses números, as alegações dizem respeito a cerca de metade dos pilares desse nível. A MTR descreveu a descoberta confirmada como envolvendo alguns pilares da plataforma, sem divulgar um total.

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Segundo as notícias, são visíveis varões de aço nos espaços. Estes varões são armaduras: aço colocado no interior do betão para ajudar a estrutura concluída a suportar esforços. A preocupação suscitada pelas fotografias é saber se cada pilar foi concluído de modo a suportar o peso que lhe foi atribuído no projeto.

A distinção entre uma construção ainda inacabada e trabalhos concluídos é central para a investigação. A MTR afirmou ter detetado o processo de preenchimento não aprovado durante a inspeção de trabalhos ainda por concluir. A análise posterior abrange os pilares concluídos e os procedimentos utilizados na sua construção.

O que aconteceu entre outubro e 16 de novembro?

A inspeção da MTR e a resposta do Governo decorreram ao longo de várias semanas. O Departamento de Estradas recebeu uma notificação formal a 2 de novembro e, em seguida, realizou inspeções no local e reuniu-se com a operadora antes de fixar o prazo para a entrega de um relatório detalhado.

  • 2023: Teve início a construção da estação de Tung Chung West.
  • Outubro de 2026: A MTR detetou reparações de preenchimento não aprovadas durante uma inspeção de rotina a trabalhos inacabados.
  • Outubro de 2026: O Departamento de Estradas inspecionou separadamente as zonas do átrio, analisando sobretudo pilares em que a betonagem ainda não tinha começado.
  • 2 de novembro: A MTR notificou o Departamento de Estradas de problemas na qualidade da construção dos pilares e de tentativas de reparação através de um método não aprovado.
  • 3 e 4 de novembro: Técnicos do Departamento de Estradas deslocaram-se ao local para verificar a situação.
  • 6 de novembro: O departamento reuniu-se com a MTR para discutir o incidente e o andamento da investigação.
  • 16 de novembro: A MTR tem de apresentar o relatório de investigação detalhado, duas semanas após a notificação.

O departamento também instruiu a MTR a pressionar o empreiteiro para preparar um plano de reparação detalhado e realizar os trabalhos necessários a expensas próprias. Pretende que sejam adotadas medidas para proteger o calendário geral da construção, assegurando ao mesmo tempo que os trabalhos cumprem as normas exigidas.

Porque é importante a ligação entre o pilar e o piso superior

Ho Wing-ip, engenheiro sénior de instalações elétricas e de edifícios, explicou que a capacidade de um pilar para suportar a estrutura depende da forma como o betão e as armaduras se ligam à laje do piso superior. Uma laje é a camada estrutural ampla que forma um piso.

O betão é particularmente eficaz a resistir à compressão, a força de esmagamento provocada pelo peso exercido para baixo. Se o topo do pilar ficar aquém da laje, o percurso previsto para transmitir esse peso através do pilar poderá estar incompleto. Ho estimou que, se apenas as armaduras chegarem à laje, a capacidade de suporte do pilar poderá ficar abaixo de 10% da capacidade prevista no projeto.

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Ho afirmou que, se as armaduras também não estiverem ligadas à laje, o pilar não conseguirá cumprir a função de suporte para a qual foi concebido. A sua avaliação depende do estado real da ligação, do número de pilares afetados e do peso já construído acima deles.

Ho explicou a incerteza em declarações traduzidas do cantonês:

Sem conhecer o peso total do edifício acima da laje e sem saber quantos pilares não têm betão, não é possível apresentar um valor exato. Pessoalmente, acho que não deverá representar um perigo do ponto de vista da engenharia.

A posição declarada pela MTR é que a situação não envolve a segurança estrutural. Ho afirmou igualmente que a fase da construção acima dos pilares é relevante para avaliar o perigo imediato. A investigação terá de analisar o estado físico dos pilares, bem como as cargas que suportam atualmente.

Investigadores terão de analisar os desenhos e as decisões tomadas no local

Ho apontou várias explicações possíveis que os investigadores deverão analisar: dimensões em falta nos desenhos de projeto, dimensões mal interpretadas ou reduzidas durante a construção, ou trabalhos executados com recurso a um desenho antigo. Apresentou-as como hipóteses que exigem investigação.

As verificações que sugere vão além da medição do espaço visível. Os investigadores terão de comparar as dimensões previstas com o que foi construído, identificar os desenhos utilizados e apurar quais os trabalhadores e supervisores responsáveis por cada fase.

A MTR está a analisar os procedimentos de construção, bem como os próprios pilares. A investigação abrange, assim, duas questões: a forma como os trabalhos originais foram executados e a forma como uma tentativa posterior de preencher o topo dos pilares avançou sem a aprovação necessária.

A operadora afirma que tem procedimentos rigorosos de garantia da qualidade para projetos ferroviários. O Departamento de Estradas comprometeu-se, separadamente, a rever os processos de fiscalização no local e de aceitação da qualidade, incluindo a forma como a construção é verificada antes de ser aceite.

O que tem de acontecer para as reparações serem retomadas?

A joint venture Bouygues-Dragages tem de entregar à MTR um relatório abrangente e propor trabalhos corretivos. O processo suspenso só poderá ser retomado depois de o plano ser aprovado pela MTR e de serem obtidas todas as restantes aprovações necessárias para esses trabalhos.

A MTR afirma que todos os trabalhos corretivos têm de cumprir os requisitos legais aplicáveis antes da aceitação final. Os custos associados serão suportados pelo empreiteiro. O Departamento de Estradas também pediu que as reparações avancem rapidamente assim que estiverem reunidas as condições necessárias.

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Ho afirmou que preencher os espaços com betão e, depois, medir a dureza dos pilares poderia ser uma solução. Referiu ainda a necessidade de verificar se o betão aplicado de novo atingirá a resistência exigida pelo projeto. A sua sugestão depende dos resultados da investigação e da aprovação de um método de reparação.

A MTR não anunciou uma data para retomar as reparações suspensas nem divulgou a solução de engenharia definitiva. A ordem de suspensão aplica-se ao processo de reparação em causa. A descrição da operadora não anuncia a suspensão de todo o projeto de construção da estação.

Quem é responsável por fiscalizar os trabalhos?

A MTR está a desenvolver a extensão da linha de Tung Chung segundo um modelo de propriedade, que a torna responsável pela conceção, construção, exploração e manutenção do projeto. Nos termos do acordo do projeto, as suas responsabilidades de construção incluem a gestão da engenharia e a fiscalização no local.

O Departamento de Estradas acompanha o progresso, a segurança e a qualidade através de visitas ao local e da verificação de processos de construção essenciais. Afirma que adota uma abordagem baseada no risco, orientando a atenção das inspeções em função dos riscos associados a determinados trabalhos.

A inspeção anterior do departamento em Tung Chung West, realizada em outubro, abrangeu zonas do átrio e incidiu sobretudo em pilares cuja betonagem ainda não tinha começado. A fase de construção analisada nessa visita é relevante, uma vez que as alegações atuais dizem respeito a espaços deixados após a betonagem.

O departamento afirma que irá rever os procedimentos de fiscalização e aceitação e manter contacto estreito com o Departamento de Edifícios e outras entidades relevantes durante as reparações. A MTR terá de gerir a resposta do empreiteiro, enquanto o Governo acompanha o cumprimento das regras, a qualidade e a segurança estrutural.

O incidente altera o calendário de abertura?

O Departamento de Estradas afirma que se mantém o objetivo de abrir a extensão da linha de Tung Chung em 2029. O projeto tem um orçamento de cerca de 19,5 mil milhões de dólares de Hong Kong, e prevê-se que a estrutura principal da estação de Tung Chung West fique concluída no primeiro semestre de 2027.

A estação está a ser construída através de um método que avança dos níveis estruturais superiores para os inferiores. As obras começaram em 2023. O departamento pediu à MTR que adote medidas para evitar que a investigação e as reparações perturbem o calendário geral da extensão.

O relatório de 16 de novembro é o próximo prazo anunciado. Deverá fornecer ao departamento um relato detalhado do incidente, enquanto a proposta de reparação do empreiteiro terá de passar pelo processo de aprovação exigido antes de os trabalhos suspensos serem retomados.

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Para os futuros passageiros, a data prevista de abertura mantém-se. Para a equipa de construção, a tarefa imediata é mais concreta: determinar a extensão e a causa dos problemas nos pilares, acordar um método de reparação conforme às normas, concluir os trabalhos a expensas do empreiteiro e obter a aceitação.

Principais pontos

  • A MTR suspendeu reparações de preenchimento não aprovadas no topo de alguns pilares da plataforma da estação de Tung Chung West.
  • Alegadamente, cerca de 30 dos aproximadamente 60 pilares do átrio têm espaços de 20 a 30 centímetros; a MTR não confirmou esse total.
  • A MTR afirma que a situação não envolve a segurança estrutural.
  • O Departamento de Estradas exige um relatório de investigação detalhado até 16 de novembro de 2026.
  • O empreiteiro terá de pagar os trabalhos corretivos e obter as aprovações necessárias antes de as reparações suspensas serem retomadas.
  • O ano previsto para a abertura da extensão da linha de Tung Chung continua a ser 2029.
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