China terá bloqueado negócio de 5,4 mil milhões de dólares da SoftBank para comprar a divisão de robótica da ABB devido a preocupações com os dados

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China Reportedly Blocks SoftBank's $5.4 Billion Deal for ABB Robotics Over Data Concerns

Uma grande aquisição no setor da robótica enfrenta um veto chinês

A China terá informado o SoftBank Group de que não aprovará a compra, por parte do investidor japonês, do negócio de robótica da ABB por 5,375 mil milhões de dólares, pondo em risco um negócio que integraria cerca de 7.000 trabalhadores e aproximadamente 500.000 robôs instalados na estratégia de inteligência artificial de Masayoshi Son. A China representa cerca de 30% da atividade da divisão, o que torna a sua decisão determinante para a operação.

Índice
  1. Uma grande aquisição no setor da robótica enfrenta um veto chinês
  2. O que a SoftBank acordou comprar
  3. Como decorreu o processo de aprovação
  4. Porque é que a China é tão importante para a robótica da ABB
  5. Porque é que os dados dos robôs fazem parte da disputa
  6. O que significa este revés para a estratégia de IA de Son
  7. Porque é que as ações da SoftBank já estavam a cair
  8. O que a SoftBank e a ABB têm de decidir agora
  9. Pontos-chave

A ABB afirmou que a SoftBank a informou de que o Gabinete do Mecanismo de Trabalho para a Análise da Segurança dos Investimentos Estrangeiros da China tinha proibido a aquisição do negócio de robótica da ABB no país. O gabinete faz parte da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o principal organismo de planeamento económico da China. Notícias que citam pessoas familiarizadas com o assunto apontaram como motivo da objeção preocupações com a transferência de dados de robótica para o estrangeiro, onde poderiam ajudar a treinar modelos de IA, incluindo os desenvolvidos pela OpenAI. A SoftBank é um dos principais investidores da OpenAI.

A decisão noticiada foi divulgada a 5 de novembro. O comunicado da ABB não especificou os motivos da decisão nem referiu preocupações relacionadas com transferências de dados ou treino de IA. Nas notícias fornecidas não estava disponível qualquer decisão publicada ou comunicado do regulador chinês que explicasse a decisão. Questionado sobre o assunto a 5 de novembro, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, remeteu as perguntas para as autoridades chinesas competentes. A ABB afirmou que as empresas mantinham um diálogo estreito e continuavam a trabalhar na operação. Desconhecia-se se uma candidatura revista poderia obter aprovação e quando poderia surgir uma nova decisão.

Para Son, presidente executivo da SoftBank, a aquisição representava um grande passo rumo à IA física: inteligência artificial ligada a máquinas capazes de se deslocar, manipular objetos e executar tarefas no mundo real. Para a ABB, grupo suíço de engenharia, a venda era uma saída planeada de um negócio que gerou cerca de 2,3 mil milhões de dólares em receitas em 2024.

O que a SoftBank acordou comprar

A SoftBank assinou o acordo a 8 de outubro de 2025 para adquirir 100% do negócio de robótica da ABB. A operação atribuiu-lhe um valor empresarial de 5,375 mil milhões de dólares, normalmente arredondado para 5,4 mil milhões. O valor empresarial mede o valor de um negócio tendo em conta a sua dívida e liquidez.

A divisão da ABB reúne uma atividade industrial consolidada, com clientes como a BMW, uma base instalada global de aproximadamente 500.000 robôs e milhares de trabalhadores. Essas máquinas já em funcionamento dão à empresa presença em fábricas onde a produção está em curso.

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A unidade de robótica representou cerca de 7% das receitas do grupo ABB em 2024. A sua venda retiraria, assim, uma parcela relativamente pequena das vendas da ABB, transferindo, porém, um negócio completo, com os seus próprios clientes, trabalhadores, tecnologia e operações de produção.

A SoftBank planeava concluir a compra em meados ou na segunda metade de 2026, sujeita à aprovação dos reguladores. Esta condição é importante porque a assinatura de um acordo de aquisição e a transferência da propriedade são etapas distintas. Os reguladores podem impedir a conclusão mesmo depois de comprador e vendedor terem acordado os termos comerciais.

Como decorreu o processo de aprovação

A Comissão Europeia aprovou a operação sem condições em março. Assim, as empresas obtiveram aprovação numa jurisdição importante, enquanto as análises noutras regiões prosseguiram. Segundo o relato mais recente da operação, a aprovação dos EUA continuava pendente.

A SoftBank esperava, segundo notícias, obter a aprovação chinesa até à semana anterior à notícia de 5 de novembro. Esta mudança obrigaria a empresa a reavaliar uma operação que passara mais de um ano a preparar.

  • 8 de outubro de 2025: a SoftBank assinou o acordo para comprar o negócio de robótica da ABB, avaliado em 5,375 mil milhões de dólares.
  • Março de 2026: a Comissão Europeia aprovou a aquisição sem condições.
  • Meados a final de 2026: período inicialmente previsto pelas empresas para concluir a operação.
  • Final de outubro: as aprovações chinesa e norte-americana continuavam pendentes.
  • 5 de novembro: a rejeição chinesa noticiada tornou-se pública, e a SoftBank avaliava se poderia voltar a pedir aprovação.

A aprovação na Europa não resolve a análise da China. Cada jurisdição avalia a operação segundo as suas próprias regras e prioridades. Para uma empresa industrial que opera em vários mercados importantes, a conclusão depende da obtenção das autorizações necessárias para concretizar o negócio acordado.

Porque é que a China é tão importante para a robótica da ABB

A China é o maior mercado de robótica da ABB, representando cerca de 30% da atividade da divisão. Por outras palavras, cerca de três em cada dez partes do negócio estão ligadas a esse mercado. O país é também o maior mercado mundial de robôs industriais.

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A ABB tem um centro de produção na China e uma equipa de robótica no país com mais de 2.000 pessoas. As operações chinesas fazem, portanto, parte do negócio a adquirir, a par da tecnologia e das relações com clientes desenvolvidas noutros locais.

A concorrência local também se intensificou. Os números citados para o mercado chinês de robótica industrial atribuem aos fabricantes nacionais uma quota de 58% em 2024, acima dos 47% anteriores. Trata-se de uma subida de 11 pontos percentuais, que levou os fornecedores chineses de menos de metade do mercado a uma posição maioritária.

Segundo notícias, o negócio de robótica da ABB chegou a deter mais de 70% do mercado chinês no seu auge histórico, embora não tenha sido indicada uma data para esse valor. Os números mais recentes do mercado nacional ilustram a pressão concorrencial que os fornecedores estrangeiros enfrentam atualmente: os fabricantes chineses conquistam agora uma fatia maior das encomendas no maior mercado nacional do setor.

Porque é que os dados dos robôs fazem parte da disputa

As preocupações chinesas noticiadas centram-se na informação gerada pelas operações de robótica e na possibilidade de esta ser transferida para o estrangeiro para treinar sistemas de IA. A presença da OpenAI na carteira de investimentos da SoftBank liga diretamente essa preocupação à estratégia mais ampla do comprador.

Os robôs industriais usam informação para executar tarefas, como a posição de um objeto, o movimento necessário para o agarrar e se uma ação foi bem-sucedida. Consoante o sistema, câmaras e outros sensores podem ajudar uma máquina a adaptar-se ao ambiente. A informação gerada por estes processos pode ser útil no desenvolvimento de software que ensina as máquinas a executar tarefas físicas.

Uma fábrica contém também informação comercialmente sensível sobre a forma como os produtos são fabricados. As decisões sobre quem controla os dados operacionais, onde são armazenados e quem os pode utilizar podem, por isso, ser importantes tanto para os fabricantes como para os governos.

A vasta base instalada da ABB ajuda a explicar a relevância dos dados nesta aquisição. A SoftBank compraria uma operação de robótica consolidada ao mesmo tempo que investe fortemente em IA. A objeção regulatória noticiada aproxima estas duas vertentes da sua estratégia.

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O que significa este revés para a estratégia de IA de Son

Son colocou a robótica no centro das ambições da SoftBank em matéria de IA física. O software que responde a perguntas ou gera texto funciona sobretudo através de um ecrã. A IA física liga o software a equipamentos que têm de atuar de forma fiável em torno de objetos reais, pessoas e processos de produção.

A ABB daria imediatamente escala à SoftBank neste domínio: uma base de clientes industriais, capacidade de produção, uma força de trabalho experiente e robôs já em funcionamento em todo o mundo. Criar uma operação equivalente exigiria desenvolver estes elementos ao longo do tempo.

A SoftBank já detém uma participação na Boston Dynamics, pelo que a sua exposição à robótica vai além do acordo com a ABB. Ainda assim, a compra proposta representa um compromisso muito maior com um negócio consolidado de robótica industrial.

O investimento da SoftBank na OpenAI também liga as suas ambições à construção de centros de dados nos EUA que apoiam o desenvolvimento e a utilização da IA. A sua estratégia de investimento abrange agora várias atividades interligadas: infraestrutura de computação, modelos de IA e máquinas capazes de transformar instruções de software em ações físicas. O negócio com a ABB reforçaria esta última vertente.

Porque é que as ações da SoftBank já estavam a cair

As ações da SoftBank caíram cerca de 5% durante a manhã de negociação em Tóquio, face a uma descida de aproximadamente 0,5% do Nikkei 225. A queda do título foi cerca de dez vezes superior à descida percentual do índice de referência, mostrando que a pressão vendedora sobre a SoftBank era maior do que no mercado japonês em geral.

As ações pouco se alteraram imediatamente após a notícia da rejeição chinesa. Os investidores já reagiam a uma queda durante a noite da Arm Holdings, empresa de conceção de chips que representa uma participação importante na carteira da SoftBank, depois de as previsões para o trimestre em curso terem ficado aquém das expectativas.

Uma vaga de vendas mais ampla nas ações tecnológicas e de IA aumentou a pressão. A exposição da SoftBank à Arm, à OpenAI e à expansão dos centros de dados nos EUA significa que as suas ações podem reagir a vários fatores em simultâneo, desde a procura de chips até às perspetivas de investimento em IA.

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O momento é importante para compreender a reação do mercado. A maior parte da queda noticiada de 5% já se tinha verificado quando surgiu a notícia da aquisição, colocando o revés na operação de robótica a par de outras preocupações que afetavam a empresa naquela manhã.

O que a SoftBank e a ABB têm de decidir agora

A SoftBank está a avaliar o que correu mal e se pode voltar a pedir aprovação. Uma nova candidatura exigiria que a empresa compreendesse as objeções do regulador e determinasse se alterações à operação ou compromissos quanto ao seu funcionamento poderiam resolvê-las.

Se as transferências de dados forem a principal preocupação, as negociações poderão centrar-se na forma como a informação é armazenada, acedida ou utilizada. Estas medidas poderão ser objeto de discussão; nenhuma das empresas anunciou uma solução proposta ou uma estrutura revista para a operação.

A ABB enfrenta uma decisão diferente se a venda não puder avançar. Continuaria responsável por uma divisão de robótica que acordou vender, incluindo os seus trabalhadores, compromissos com clientes e operações de produção. Teria então de decidir como gerir o negócio e se procuraria outra forma de transferir a sua propriedade.

A consequência imediata é a incerteza para os planos de ambas as empresas. A SoftBank não tem aprovação para uma aquisição destinada a expandir as suas operações de robótica, enquanto a ABB não pode concluir a saída planeada dentro do calendário atual sem as autorizações regulamentares necessárias.

Pontos-chave

  • A ABB afirmou que a SoftBank foi informada de que o gabinete chinês responsável pela análise da segurança dos investimentos estrangeiros tinha proibido a aquisição do negócio de robótica da ABB na China, afetando a operação de 5,375 mil milhões de dólares.
  • Notícias que citam pessoas familiarizadas com o assunto apontaram preocupações com a transferência de dados de robótica para o estrangeiro para utilização no treino de IA, incluindo pela OpenAI; o comunicado da ABB não indicou os motivos da proibição.
  • A China representa cerca de 30% do negócio de robótica da ABB e acolhe uma equipa com mais de 2.000 pessoas.
  • A divisão gerou cerca de 2,3 mil milhões de dólares em receitas em 2024 e emprega aproximadamente 7.000 pessoas em todo o mundo.
  • A Europa aprovou o negócio em março; a análise dos EUA continuava pendente.
  • A SoftBank está a ponderar se voltará a pedir aprovação. Nenhuma das empresas anunciou um plano revisto.
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