O gás chega ao Nepal, mas as famílias continuam com dificuldades para reabastecer as botijas
Os residentes de Catmandu têm tido dificuldade em obter gás de cozinha, apesar das garantias de que os abastecimentos estão a entrar no Nepal e a chegar à capital. Durante a perturbação causada pelo feriado de Dashain, Keshav Joshi, de Gothatar, disse que passara uma semana a tentar arranjar uma botija, sem que os distribuidores locais lhe dessem uma data concreta de entrega. Manish Khadayat, de Chandragiri, disse que não conseguia comprar gás desde o início de Dashain e que dependia de refeições servidas em restaurantes.
Índice
- O gás chega ao Nepal, mas as famílias continuam com dificuldades para reabastecer as botijas
- Encerramentos durante o feriado interromperam as últimas etapas do abastecimento
- O que mostram os dados de fevereiro
- A manutenção das refinarias e os problemas com as marcas aumentaram a pressão
- Seis centros disponibilizaram um sistema de troca limitado
- Distribuição de emergência e controlo das compras adicionais
- Uma vasta rede de botijas continua a depender de um fluxo regular
- As datas por detrás das repetidas perturbações
- Pontos principais
A Nepal Oil Corporation (NOC) afirmou que o transporte de gás a granel para a capital prosseguia e que a oferta estava a acompanhar a procura. Os distribuidores de gás atribuíram a escassez durante o feriado ao encerramento temporário das unidades de enchimento, as fábricas que transferem gás de petróleo liquefeito (GPL) de grandes camiões-cisterna para as botijas usadas nas cozinhas.
Os dados de uma avaliação distinta, realizada em fevereiro, mostram a dimensão do desafio de distribuição. A NOC afirmou que eram fornecidas diariamente mais de 45 000 botijas ao vale de Catmandu, face a um consumo habitual de 40 000 a 45 000. Mesmo com esse volume, alguns agregados familiares continuavam à espera de reabastecimento.
A perturbação durante o feriado e a escassez de fevereiro envolveram vários pontos de pressão: encerramentos de fábricas, manutenção de refinarias na Índia, documentação de transporte, dificuldades na troca de botijas entre marcas e compras de botijas adicionais. Para os residentes, a questão prática era saber se um distribuidor próximo tinha uma botija cheia que pudessem levar para casa.
Encerramentos durante o feriado interromperam as últimas etapas do abastecimento
Gyaneshwar Aryal, presidente da Federação dos Distribuidores de Gás, afirmou que a maioria das unidades de gás deixou de funcionar por altura de Phulpati, um dia importante durante Dashain. As fábricas começaram a reabrir no domingo, e Aryal esperava que a distribuição regressasse à normalidade em poucos dias.
Antes de chegar a um agregado familiar, o gás passa por várias etapas. O GPL a granel chega em grandes camiões-cisterna, habitualmente chamados «gas bullets». As unidades de enchimento enchem as botijas, que depois seguem para os clientes através dos distribuidores. Uma interrupção na fase de enchimento pode deixar as lojas sem stock, mesmo que os camiões-cisterna continuem a chegar.
A semana sem conseguir reabastecer a botija de Joshi e a dependência de refeições preparadas de Khadayat mostram o impacto imediato dessa interrupção. As famílias têm de perder tempo à procura de gás ou encontrar outra forma de cozinhar. O caso de Khadayat mostra também como a escassez pode levar os agregados familiares a gastar mais em refeições compradas fora de casa.
A expectativa de Aryal de que a situação melhorasse dependia da reabertura das fábricas e da chegada de botijas cheias aos distribuidores. Durante a perturbação de fevereiro, os engarrafadores alertaram igualmente que levar o abastecimento de volta às lojas demoraria algum tempo, mesmo depois de aumentarem as entregas.
O que mostram os dados de fevereiro
Manoj Kumar Thakur, vice-diretor da NOC, afirmou que a distribuição tinha regressado à normalidade na maioria das zonas do vale durante a avaliação de fevereiro, embora algumas ainda registassem atrasos. Esperava que o abastecimento normalizasse por completo no prazo de uma semana.
A NOC afirmou que cerca de 100 camiões-cisterna de gás a granel estavam a obter autorização aduaneira e a entrar no Nepal pelos pontos fronteiriços do sul. Vinte e três engarrafadores abasteciam o vale, estando a maioria nos distritos de Dhading e Chitwan.
A empresa estimou em mais de 45 000 as botijas entregues diariamente. Em comparação com o limite inferior do consumo habitual, 40 000 botijas, isso representava mais de 5 000 botijas adicionais por dia. Face ao limite superior, 45 000, a margem extra era menor. Essas entregas adicionais tinham também de responder aos clientes cujas compras tinham sido adiadas.
A NOC afirmou ter recebido 26 000 toneladas de GPL até 15 de fevereiro, face a uma quota mensal de 45 000 toneladas. Isso correspondia a cerca de 58% da quota até essa data. A quota mede a quantidade atribuída para o mês, enquanto o valor recebido regista o que tinha chegado até à data do balanço.
Diwan Bahadur Chand, presidente da Associação Nepalesa de Gás LP, afirmou que os clientes ainda poderiam ter de esperar um ou dois dias para reabastecer uma botija. Descreveu a recuperação prevista em termos do acesso habitual às lojas:
Poderá demorar cerca de uma semana até os clientes conseguirem obter uma botija sempre que se desloquem às lojas próximas», afirmou Chand. «O abastecimento está a melhorar dia após dia.
A manutenção das refinarias e os problemas com as marcas aumentaram a pressão
Representantes do setor atribuíram a perturbação do abastecimento em fevereiro à manutenção da refinaria de Barauni, na Índia, durante novembro e dezembro. O abastecimento foi temporariamente transferido para outra refinaria, o que criou dificuldades de transporte, incluindo atrasos na obtenção de autorizações.
A mudança de refinaria pode exigir alterações nos percursos dos camiões-cisterna e na documentação que os autoriza. Representantes do setor afirmaram que esses atrasos interromperam a cadeia de abastecimento habitual, aumentando a pressão antes de as botijas chegarem à rede de retalho do Nepal.
A Nepal Gas, descrita como a marca com a maior base de consumidores do país, foi uma das primeiras a ser afetadas. As perturbações relacionadas com a refinaria e os conflitos internos na empresa afetaram a sua rede de distribuição. Os clientes que procuravam essa marca aumentaram então a procura noutras.
A questão das marcas é importante porque uma botija vazia tem de voltar a passar por um sistema de enchimento e distribuição. Os clientes relataram dificuldades em trocar uma botija de uma empresa por uma botija cheia de outra. Assim, o gás disponível sob outra marca podia continuar inacessível a um agregado familiar que tivesse uma botija vazia.
Seis centros disponibilizaram um sistema de troca limitado
A Associação da Indústria de Gás LP do Nepal anunciou um programa especial de venda e troca de botijas para o período de 25 a 31 de Ashoj, com atendimento diário das 9h30 às 16h30. O sistema abrangia seis locais no vale de Catmandu e foi organizado em coordenação com a NOC e com a colaboração da Federação dos Distribuidores de Gás.
O presidente da associação, Diwan Chand, afirmou que o programa respondia às queixas de que os consumidores não conseguiam obter gás facilmente durante o período festivo nem trocar botijas entre marcas. Os locais e as marcas abrangidos eram:
- Sifalchaur, na Gas and Oxygen Traders: Everest e Sugam Gas.
- Pepsicola: Sagar Gas.
- Junto ao portão da zona industrial de Balaju: Nepal, HP, Geeta, Rajdhani e Triveni Gas.
- Sukedhara: Baba e Shree Gas.
- Kalanki: Sai Baba e Shree Krishna Gas.
- Harisiddhi, em Lalitpur: Shree Ram Gas.
O sistema de troca aplicava-se apenas às botijas das empresas associadas que abasteciam o vale e apenas nos centros designados. Os clientes continuavam a ter de confirmar se a sua botija era elegível.
A associação afirmou que tinham sido vendidas e distribuídas 4 213 661 botijas durante Bhadra. Disse também que as importações das refinarias indianas decorriam sem problemas quando anunciou o programa festivo. Os centros especiais procuravam facilitar o acesso ao gás disponível, incluindo para os clientes dependentes de uma marca específica.
Distribuição de emergência e controlo das compras adicionais
Durante a escassez de fevereiro, os engarrafadores instalaram um depósito temporário no escritório da NOC em Teku. Nepal Gas, Everest Gas e Sugam Gas estavam entre as principais marcas ali distribuídas para aliviar a pressão sobre os pontos de venda. Thakur afirmou que, com a melhoria do abastecimento, eram cada vez menos os consumidores a deslocarem-se ao escritório.
A NOC publicou também um aviso com os números de contacto das marcas alvo de queixas, incluindo Nepal Gas, Everest Gas, Sai Baba Gas e Shree Krishna Gas. Aconselhou os consumidores com problemas nas lojas a contactar diretamente as empresas ou a comprar botijas nas fábricas.
Thakur associou a recuperação à diminuição das compras de botijas adicionais. O vice-diretor da NOC apelou aos consumidores para que não acumulassem reservas:
O abastecimento de gás de cozinha está a normalizar, pelo que os consumidores não precisam de armazenar botijas», afirmou Thakur. «Quando os consumidores deixarem de acumular botijas, o sistema de distribuição funcionará sem problemas.
A NOC instruiu os engarrafadores a impedir que os distribuidores fornecessem duas botijas a um único cliente, a evitar a criação de escassez artificial e a distribuir de acordo com as necessidades. A empresa afirmou que hotéis e restaurantes pareciam ter acumulado botijas, embora não tivesse recebido relatos de encerramentos de grandes estabelecimentos por falta de gás.
O Departamento de Comércio, Abastecimento e Proteção do Consumidor criou uma equipa de inspeção do mercado após queixas de ativistas dos direitos dos consumidores. A sua tarefa era acompanhar a distribuição em todo o vale, enquanto os agregados familiares continuavam a relatar dificuldades em encontrar botijas para reabastecer.
Uma vasta rede de botijas continua a depender de um fluxo regular
A NOC afirmou que havia mais de 10 milhões de botijas de GPL em circulação no país. A sua distribuição aproximada situava cerca de 3 milhões junto dos consumidores, 3 milhões nas unidades de enchimento, para serem reabastecidas, e outros 3 milhões na cadeia de distribuição. Estas categorias arredondadas totalizavam cerca de 9 milhões de botijas.
A empresa estimou que o enchimento de 3 milhões de botijas exigia aproximadamente 45 000 toneladas de GPL por mês. Manter essa rede em funcionamento exige que as botijas vazias regressem, que as fábricas as encham e que os distribuidores recebam as reposições a um ritmo que acompanhe as compras dos agregados familiares.
Catmandu já tinha enfrentado perturbações numa fase anterior da cadeia de abastecimento. As cheias em Bhote Koshi, Rasuwa, bloquearam importantes vias de abastecimento durante uma crise grave anterior. Gauri Kumari Yadav, então ministra da Indústria, do Comércio e do Abastecimento, demitiu-se na sequência dessa crise. O ministério é agora dirigido por Deepak Kumar Shah.
O ministério está a trabalhar numa proposta para classificar as botijas destinadas a uso doméstico e comercial, e foi criado um grupo de trabalho para a estudar. Estas categorias separariam as necessidades das famílias das de empresas como hotéis e restaurantes. Não foram anunciadas datas de implementação nem regras detalhadas.
As datas por detrás das repetidas perturbações
As datas referidas correspondem a diferentes episódios de pressão sobre o abastecimento. Os encerramentos durante o feriado afetaram o funcionamento das fábricas, o programa especial de trocas procurou facilitar o acesso durante as festividades e a avaliação de fevereiro descreveu a recuperação após problemas nas refinarias e na distribuição.
- Bhadra: A associação do setor registou vendas e distribuição de 4 213 661 botijas.
- Por altura de Phulpati, durante Dashain: A maioria das empresas de gás suspendeu temporariamente as operações, segundo a Federação dos Distribuidores de Gás.
- De 25 a 31 de Ashoj: Seis centros no vale deveriam realizar vendas especiais e trocas de botijas elegíveis.
- Novembro e dezembro: Representantes do setor afirmaram que a manutenção da refinaria de Barauni perturbou os esquemas habituais de abastecimento.
- 15 de fevereiro: A NOC registou a receção de 26 000 toneladas, face a uma quota mensal de GPL de 45 000 toneladas.
As previsões de recuperação foram feitas em dias: Aryal esperava melhorias depois da reabertura das fábricas, enquanto Thakur e Chand esperavam que a escassez de fevereiro se atenuasse por completo em cerca de uma semana. Para os agregados familiares, a recuperação significava poder trocar uma botija vazia numa loja próxima sem ter de fazer várias deslocações nem esperar sem saber por quanto tempo.
Pontos principais
- Residentes de Gothatar e Chandragiri relataram dificuldades em obter gás de cozinha durante a perturbação de Dashain.
- Os distribuidores associaram a escassez durante o feriado ao encerramento das unidades de enchimento, enquanto a NOC afirmou que o transporte de gás a granel prosseguia.
- Durante uma avaliação distinta, em fevereiro, a NOC informou que as entregas diárias ultrapassavam as 45 000 botijas, face a uma procura habitual de 40 000 a 45 000 no vale.
- Representantes do setor associaram essa perturbação à manutenção da refinaria de Barauni e aos atrasos nas autorizações de transporte.
- Um programa festivo designou seis centros para vendas e trocas limitadas entre marcas de botijas.
- As autoridades introduziram distribuição de emergência, inspeções ao mercado e restrições à compra de várias botijas.
- Um grupo de trabalho está a estudar classificações distintas para botijas de uso doméstico e comercial.






