A aprovação continua dependente de verificações de segurança
A Coreia do Sul poderá suspender ou revogar a autorização concedida à Google para exportar dados cartográficos nacionais detalhados se a empresa não cumprir as condições de segurança, afirmou a ministra dos Solos, Hong Ji-seon, durante uma audição da Assembleia Nacional. O aviso coloca a supervisão contínua do Governo no centro de uma decisão que abriu caminho à expansão dos serviços do Google Maps, após anos de pedidos recusados.
Índice
- A aprovação continua dependente de verificações de segurança
- O que a decisão de fevereiro permite, na prática
- Por que motivo a central de Gori suscitou perguntas
- De pedidos recusados a uma autorização condicional
- O que a Google tem de implementar
- Alterações visíveis, verificação por concluir
- Turismo e concorrência apontam em direções diferentes
- Pressão comercial e regras para outras empresas
- Pontos principais
O Governo aprovou condicionalmente, a 27 de fevereiro de 2026, a exportação de mapas à escala de 1:5.000. No entanto, a 21 de outubro, a Google ainda não tinha apresentado formalmente os resultados que comprovassem a conclusão das alterações exigidas, segundo informações do Ministério dos Solos. A verificação do Governo tem de ocorrer antes de os dados saírem da Coreia do Sul.
Hong afirmou que as autoridades verificariam o cumprimento das condições antes da exportação e, depois, com regularidade. As suas declarações surgiram na sequência de perguntas do deputado Jeong Dong-man sobre a apresentação, no Google Maps, da localização de edifícios e da disposição das instalações da central nuclear de Gori, em Busan.
A disputa centra-se agora na aplicação prática das condições: que locais sensíveis serão ocultados, quem tratará os dados originais, com que rapidez os mapas poderão ser alterados e se as autoridades poderão interromper as transferências em caso de emergência de segurança. A Google já tinha começado a ocultar algumas instalações de relevo, incluindo o complexo presidencial conhecido como Cheong Wa Dae e o Ministério da Defesa, mas vários outros requisitos ainda aguardavam confirmação do Governo.
O que a decisão de fevereiro permite, na prática
O anúncio de aprovação condicional do Ministério dos Solos, Infraestruturas e Transportes define um processo controlado para exportar informação selecionada. Os parceiros da Google na Coreia do Sul têm de tratar os dados cartográficos originais em servidores nacionais; depois, o Governo tem de analisar os dados editados antes de autorizar a sua transferência para o estrangeiro.
Uma escala de 1:5.000 significa que um centímetro no mapa corresponde a 50 metros no terreno. Permite cartografar edifícios e estradas em detalhe, o que pode apoiar a navegação e as indicações de percurso. Para as autoridades de segurança, esse mesmo nível de detalhe torna especialmente importante o tratamento de locais sensíveis.
A exportação está limitada à informação mínima necessária para a navegação e orientação de percursos. As curvas de nível, que representam a forma e a altitude do terreno, ficam excluídas por serem consideradas sensíveis pelo Governo. As restrições abrangem também a apresentação de coordenadas geográficas, os números usados para identificar uma localização exata.
O órgão de avaliação atuou ao abrigo da lei sul-coreana que regula a criação e a gestão de dados espaciais. O ministério afirma que o órgão envolve nove entidades governamentais e especialistas do setor privado, incluindo o Instituto Nacional de Informação Geográfica, os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros e o Serviço Nacional de Informações. As condições vão além dos ficheiros cartográficos e abrangem imagens e a resposta contínua da Google aos pedidos do Governo.
Por que motivo a central de Gori suscitou perguntas
As críticas de Jeong incidiram sobre o que era possível ver nos serviços da Google: a localização dos edifícios e a disposição das instalações da central nuclear de Gori. O deputado usou esse exemplo para questionar se as salvaguardas do Governo protegeriam devidamente as infraestruturas sensíveis.
As condições de fevereiro exigem que as imagens de satélite e aéreas do território sul-coreano apresentadas no Google Maps e no Google Earth sejam sujeitas a tratamento de segurança, nos termos da legislação aplicável. Exigem também que as instalações militares e de segurança sejam ocultadas nas imagens históricas do Google Earth e no Street View.
As imagens históricas são relevantes porque permitem consultar fotografias antigas, em vez de apenas a imagem mais recente. O Street View oferece outra forma de observar um local, através de fotografias tiradas ao nível do solo. Assim, os requisitos do Governo abrangem várias formas pelas quais uma instalação sensível pode surgir nos serviços da Google.
A resposta de Hong atribuiu ao Governo a responsabilidade pela verificação antes da exportação e pelas inspeções posteriores. A tarefa prática vai além de ocultar alguns edifícios reconhecíveis: as autoridades têm de avaliar as alterações exigidas nos serviços e nos dados abrangidos pela aprovação.
De pedidos recusados a uma autorização condicional
A tentativa da Google de obter dados cartográficos detalhados da Coreia do Sul remonta a quase duas décadas. O país rejeitou pedidos em 2007 e 2016 por motivos de segurança nacional, e a Google apresentou o seu pedido mais recente em fevereiro de 2025.
Há muito que o Governo considera sensíveis os dados geográficos detalhados, num país onde a Guerra da Coreia terminou com um armistício em 1953, e não com um tratado de paz. A decisão de fevereiro alterou a abordagem, ao permitir a exportação de dados selecionados após o seu tratamento no país e a realização de verificações de segurança.
- 2007 e 2016: a Coreia do Sul rejeitou pedidos anteriores da Google para exportar dados cartográficos detalhados.
- Fevereiro de 2025: a Google apresentou o seu pedido mais recente.
- Novembro de 2025: o órgão de avaliação solicitou medidas adicionais relativas a instalações sensíveis, coordenadas e gestão de servidores.
- 5 de fevereiro de 2026: a Google apresentou um pedido revisto.
- 27 de fevereiro de 2026: o Governo concedeu uma aprovação condicional.
- 21 de outubro de 2026: apesar de já ter começado a ocultar algumas instalações, a Google ainda não tinha apresentado formalmente os resultados do cumprimento das condições.
Esta sequência explica por que razão a decisão de fevereiro e a transferência efetiva para o estrangeiro são etapas distintas. A primeira definiu as condições para que a exportação pudesse avançar. A etapa seguinte exige que o Governo confirme que a Google as cumpriu.
O que a Google tem de implementar
O parceiro coreano da Google tem de tratar os dados originais dentro da Coreia do Sul. Quando instalações militares ou de segurança forem acrescentadas ou alteradas, o parceiro terá de fazer prontamente as correções solicitadas pelo Governo, recorrendo a procedimentos geridos em servidores nacionais.
A Google tem também de estabelecer um sistema para prevenir e responder a incidentes de segurança. O anúncio oficial prevê uma medida técnica de emergência, descrita como um botão vermelho, que permita uma resposta imediata a ameaças urgentes à segurança nacional. As condições incluem um mecanismo para suspender as transferências em caso de emergência.
Um responsável designado pelos mapas da Coreia terá de estar sediado na Coreia do Sul, para manter contacto permanente com o Governo. Isso dará às autoridades um interlocutor local para solicitar correções ou uma resposta urgente.
Segundo o anúncio do ministério, o Governo verificará diretamente o cumprimento das condições antes de autorizar a exportação. O incumprimento reiterado ou uma violação grave pode levar à suspensão ou revogação da autorização. No decorrer da audição, Hong reiterou essa possibilidade enquanto os deputados analisavam a forma como a Google tratava locais sensíveis.
Alterações visíveis, verificação por concluir
Em outubro, a Google já tinha ocultado o complexo Cheong Wa Dae e o Ministério da Defesa nos seus serviços cartográficos. Estas alterações visíveis levaram a especulações no setor da cartografia de que a exportação poderia estar próxima.
As informações do Governo disponíveis a 21 de outubro indicavam que a Google ainda não tinha apresentado formalmente os resultados do trabalho relativo a todas as alterações exigidas. A empresa comunicara às autoridades que a aplicação das mudanças em todos os seus serviços globais exigia um tempo de desenvolvimento considerável.
Não foi indicada uma data para a conclusão da verificação, a primeira transferência de dados ou o lançamento dos serviços alargados. Para os utilizadores que aguardam uma navegação mais detalhada do Google Maps na Coreia do Sul, essas etapas determinarão quando a aprovação de fevereiro se traduzirá num serviço utilizável.
As empresas nacionais de cartografia também contestaram a falta de transparência do processo. Pretendem que sejam divulgados mais pormenores sobre a forma como o Governo verificará o trabalho da Google e criticaram a ausência de uma audição pública para recolher as opiniões do setor.
O Ministério dos Solos opôs-se aos pedidos para envolver empresas privadas na verificação do cumprimento das condições, alegando que isso colocaria empresas concorrentes numa posição em que poderiam avaliar a Google. As autoridades descrevem a fase atual como uma verificação da aplicação de uma decisão de exportação já tomada. A divergência diz, portanto, respeito a quem deve fiscalizar o cumprimento das condições e a que parte desse processo deve ser pública.
Turismo e concorrência apontam em direções diferentes
O órgão de avaliação do Governo identificou potenciais benefícios para os visitantes estrangeiros e para as empresas que utilizam serviços cartográficos. Uma navegação mais detalhada poderia facilitar a procura de percursos e destinos na Coreia do Sul aos viajantes que já usam o Google Maps.
Cris Turner, vice-presidente da Google, saudou a decisão e afirmou que a empresa queria trabalhar com o Governo e com parceiros nacionais na sua aplicação. A sua declaração apresentou a aprovação como uma oportunidade para expandir os serviços da Google num país com um setor tecnológico forte.
James Kim, presidente da Câmara de Comércio Americana na Coreia, também apoiou a decisão, associando-a à posição do país nas indústrias digitais.
Consideramos que a decisão do Governo de permitir a transferência para o estrangeiro dos dados cartográficos de alta precisão da Google é um passo construtivo para reforçar ainda mais a competitividade da Coreia enquanto potência digital global.
As empresas nacionais veem outros interesses comerciais em jogo. A Naver e a Kakao têm posições fortes no mercado cartográfico da Coreia do Sul, e a expansão dos serviços da Google aumentaria a concorrência. Wi Gwang-jae, representante de uma empresa cartográfica local, opôs-se à transferência, sem compensação, para uma empresa estrangeira de infraestruturas cartográficas desenvolvidas com um investimento público substancial.
O órgão de avaliação recomendou que a Google elaborasse medidas para contribuir para o setor da informação espacial da Coreia do Sul, para as empresas de inteligência artificial relacionadas e para um desenvolvimento regional equilibrado. A 21 de outubro, a Google ainda não tinha apresentado um plano desse tipo ao Governo. Estas medidas de contribuição para o setor eram recomendações; os requisitos de segurança é que determinam se os dados podem ser exportados.
Pressão comercial e regras para outras empresas
As autoridades norte-americanas apontaram os requisitos sul-coreanos de armazenamento de dados no país como um potencial entrave ao comércio. Estas regras podem dificultar a utilização dos sistemas que uma empresa já tem no estrangeiro para operar serviços a nível mundial, mesmo quando não impõem impostos de importação ou direitos aduaneiros.
A disputa em torno dos mapas tornou-se, assim, parte de uma tensão mais ampla sobre o acesso ao mercado digital sul-coreano. A decisão anunciada pelo Governo baseia-se em condições de segurança, tendo também em conta o turismo, a tecnologia e o setor cartográfico nacional.
O acordo aprovado permite que os parceiros coreanos da Google tratem os dados no país antes de determinadas informações serem enviadas para o estrangeiro. Dá à Google uma via para expandir os serviços, mantendo o tratamento local dos dados originais e a análise governamental do que será exportado.
Jeong perguntou também se a aprovação da Google dificultaria a rejeição de pedidos semelhantes da Apple ou da Microsoft. Hong afirmou que seriam aplicados os mesmos critérios a essas empresas. Qualquer futuro requerente enfrentaria, portanto, as mesmas questões centrais: proteção de locais sensíveis, tratamento controlado dos dados e cumprimento das verificações do Governo.
Pontos principais
- A Coreia do Sul aprovou condicionalmente, a 27 de fevereiro de 2026, a exportação pela Google de mapas à escala de 1:5.000.
- A ministra dos Solos, Hong Ji-seon, afirmou que a autorização poderia ser suspensa ou revogada se a Google não cumprisse as condições.
- As verificações do Governo têm de ocorrer antes da exportação, seguindo-se análises regulares do cumprimento das condições.
- Os requisitos abrangem imagens sensíveis, restrições às coordenadas, tratamento no país, correções urgentes e resposta a emergências.
- A 21 de outubro, a Google já tinha começado a ocultar algumas instalações, mas ainda não tinha apresentado formalmente os resultados do cumprimento das condições.
- Hong afirmou que seriam aplicados os mesmos critérios a pedidos semelhantes da Apple ou da Microsoft.






