Sismo no Tibete faz 16 mortos e coloca equipas de socorro perante réplicas, neve e estradas cortadas

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Tibet Earthquake Kills 16 as Rescuers Face Aftershocks, Snow and Blocked Roads

Sismo durante a noite obriga milhares de pessoas a abandonar as suas casas

Um sismo de magnitude 7,0 no norte do Tibete fez 16 mortos e 65 feridos, 11 dos quais em estado grave, enquanto as equipas de socorro procuravam sobreviventes em aldeias danificadas e as autoridades retiravam mais de 12 000 residentes para locais seguros. A neve, os ventos fortes e as estradas bloqueadas por rochas caídas ameaçavam atrasar as operações.

Índice
  1. Sismo durante a noite obriga milhares de pessoas a abandonar as suas casas
  2. O que revelam os números de vítimas
  3. Sismo superficial numa região montanhosa
  4. Equipas de socorro procuram sobreviventes nas aldeias durante a noite
  5. Como se desenrolou a emergência
  6. Alojamento torna-se urgente devido ao frio
  7. Neve e estradas bloqueadas ameaçam o acesso
  8. Famílias abandonam casas onde receiam voltar a entrar
  9. Desastres anteriores mostram a vulnerabilidade da região
  10. Pontos principais

O sismo ocorreu às 22h33 de quinta-feira no condado de Drachen, também identificado como condado de Baqen ou Baqing, na região de Nagchu, na região autónoma de Xizang, na China, habitualmente conhecida como Tibete. Nagchu também se escreve Nagqu. O epicentro situou-se perto do município de Maru, numa zona montanhosa pouco povoada a nordeste da capital regional, Lhasa.

Às 10h de sexta-feira, o centro de comando da cidade para resposta ao sismo contabilizava 11 feridos graves e 54 feridos ligeiros. O número de mortos mantinha-se em 16, enquanto as equipas continuavam a procurar sobreviventes em edifícios e a verificar as comunidades.

As autoridades disseram que 339 agregados familiares tinham casas destruídas ou danificadas e que 20 cercados para animais tinham sofrido danos. Outras descrições contabilizaram 339 casas ou edifícios residenciais destruídos, não sendo clara a divisão exata entre casas destruídas e danificadas.

O fornecimento de eletricidade e as telecomunicações foram afetados na sede do condado. As famílias passaram a noite no exterior, em tendas junto à estrada ou dentro dos automóveis, enquanto bombeiros, agentes da polícia e residentes locais trabalhavam na escuridão.

O que revelam os números de vítimas

O balanço de 65 feridos divulgado na manhã de sexta-feira pelo centro de comando para resposta ao sismo é o mais completo: 11 feridos graves e 54 com ferimentos menos graves. As atualizações anteriores indicavam números mais baixos, à medida que as avaliações prosseguiam.

Cerca de 17% dos feridos estavam em estado grave, segundo o cálculo com base nos números do centro de comando: 11 em 65. O tratamento destas pessoas era uma prioridade imediata, a par da procura de possíveis sobreviventes presos nos escombros.

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O Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou operações de socorro e assistência médica, descrevendo uma emergência agravada pela altitude e pelo frio. Pediu também que fossem enviados rapidamente para a região equipamentos e ajuda destinados aos residentes afetados.

Xi definiu assim as prioridades das operações de socorro:

«(Temos) de fazer todos os esforços para realizar operações de busca e salvamento e tratar os feridos da melhor forma possível, a fim de minimizar o número de vítimas»,

As equipas de socorro continuavam a avaliar as aldeias na sexta-feira. As autoridades ainda não tinham divulgado um número completo de desaparecidos nem uma avaliação final dos danos em toda a zona afetada.

Sismo superficial numa região montanhosa

O Centro de Redes Sísmicas da China situou a profundidade do sismo nos 10 quilómetros. Numa avaliação, o Serviço Geológico dos Estados Unidos situou-a nos 18 quilómetros, com o epicentro a cerca de 190 quilómetros a nordeste de Nagqu e aproximadamente 390 quilómetros a nordeste de Lhasa.

Ambas as estimativas indicam que se tratou de um sismo superficial. Quando uma rutura ocorre relativamente perto da superfície, a energia sísmica percorre uma distância menor antes de chegar a edifícios e pessoas. Os danos dependem também da resistência das estruturas locais, das condições do terreno e da distância à rutura.

Lhawang Dagpo, vice-chefe do município de Maru, disse que o sismo provocou fissuras nas paredes do edifício dos serviços municipais. Os fortes abalos também foram sentidos em Qamdo e Nyingchi, alargando a zona onde os residentes sentiram o tremor para além das comunidades mais próximas do epicentro.

O Centro de Redes Sísmicas da China registou 413 réplicas até às 7h de 23 de outubro, incluindo 393 de magnitude inferior a 3,0 e 20 de magnitude igual ou superior a 3,0. Das 20 réplicas de maior magnitude, 15 tiveram magnitude entre 3,0 e 3,9 e cinco entre 4,0 e 4,9; nenhuma atingiu magnitude 5,0 ou superior. A réplica mais forte teve magnitude 4,3. As réplicas são sismos que se seguem à rutura principal, à medida que o terreno circundante se ajusta. Os abalos sucessivos dificultam a entrada das equipas em edifícios danificados e aumentam a incerteza dos residentes que aguardam para saber se as suas casas são seguras.

Equipas de socorro procuram sobreviventes nas aldeias durante a noite

Os bombeiros resgataram um residente que estava preso numa aldeia por volta das 2h20 de sexta-feira, cerca de três horas e 47 minutos após o sismo principal. Outras equipas procuraram sobreviventes em povoações próximas e avaliaram edifícios danificados.

As autoridades de combate a incêndios e de socorro de Xizang mobilizaram 347 operacionais, 82 veículos e mais de 4200 equipamentos de socorro. O contingente nacional de bombeiros e socorro foi indicado como sendo composto por 350 elementos e 83 veículos. Os números referem-se a mobilizações muito semelhantes, não a grupos que possam ser simplesmente somados.

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Às 6h30, tinham chegado ao local 120 operacionais e 27 veículos do contingente nacional, enquanto os restantes seguiam a caminho. Os números da mobilização local incluíam também um contingente dos bombeiros municipais com 110 elementos e 25 veículos, bem como 225 agentes e militares da Polícia Armada, com 18 veículos.

Mais de 300 agentes da polícia foram enviados para as comunidades mais atingidas. A polícia de Nagqu disse que os agentes inspecionaram casas à procura de danos e ajudaram os residentes a deslocarem-se para locais mais seguros. Entre os destacados para a operação estavam agentes de trânsito e da polícia comunitária.

As autoridades do condado mobilizaram também mais de 1600 residentes locais para apoiar os trabalhos de socorro. A sua participação alargou a operação para além das equipas especializadas, enquanto as autoridades verificavam comunidades dispersas, transportavam abastecimentos e ajudavam os residentes a abandonar as casas danificadas.

Como se desenrolou a emergência

As primeiras horas foram marcadas por operações de socorro, entregas de emergência e uma resposta governamental alargada. Várias operações decorreram em simultâneo: enquanto as equipas procuravam sobreviventes nos edifícios, outros elementos organizavam alojamento.

  • Quinta-feira, 22h33: O sismo de magnitude 7,0 atingiu a região de Nagchu.
  • Sexta-feira, cerca das 2h20: Os bombeiros resgataram um residente preso numa aldeia.
  • Sexta-feira, até às 4h30: Começaram a chegar abastecimentos de emergência enviados pelas autoridades nacionais, regionais, municipais e do condado.
  • Sexta-feira, até às 6h30: Um contingente nacional de bombeiros e socorro tinha 120 operacionais e 27 veículos no local.
  • Sexta-feira, 10h: O centro de comando da cidade para resposta ao sismo registava 16 mortos e 65 feridos, incluindo 11 feridos graves.

As autoridades nacionais elevaram o nível de resposta de emergência de IV para III e enviaram grupos de trabalho para apoiar as operações locais de socorro e assistência. Xizang também ativou uma resposta de nível III para assistência em caso de catástrofe.

A mudança significou uma resposta nacional reforçada, à medida que se tornava mais clara a dimensão da emergência. As equipas enfrentavam várias tarefas urgentes: chegar às aldeias danificadas, tratar os feridos e encontrar alojamento seguro para as pessoas desalojadas.

Alojamento torna-se urgente devido ao frio

Mais de 12 000 pessoas foram transferidas para locais mais seguros. Agentes da polícia e bombeiros montaram tendas enquanto eram enviados abastecimentos de emergência para a zona afetada.

Entre os abastecimentos mobilizados contavam-se 1000 unidades habitacionais pré-fabricadas, 3239 tendas, 2821 camas dobráveis e 4280 edredões, além de roupa de inverno. As unidades pré-fabricadas são estruturas feitas por módulos, que podem ser transportadas e montadas para proporcionar alojamento temporário.

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As entregas de emergência incluíam também quatro geradores e 1000 lanternas. Com o fornecimento de eletricidade interrompido, a energia e a iluminação portáteis eram necessidades práticas para os trabalhos noturnos e para os residentes alojados fora de casa.

O número de equipamentos dá uma ideia da dimensão da operação de alojamento, mas a entrega dos materiais e a disponibilização de alojamento são etapas distintas. As tendas precisam de terreno adequado e têm de ser montadas, enquanto as unidades habitacionais precisam de ser transportadas e instaladas. As autoridades ainda não tinham anunciado quando todos os desalojados teriam acesso a alojamento temporário.

Os danos nos cercados para animais representavam outra preocupação para os agregados familiares afetados. Além de repararem as casas, as famílias com animais tinham de encontrar um abrigo seguro para estes face ao frio.

Neve e estradas bloqueadas ameaçam o acesso

O observatório meteorológico de Nagchu alertou para a possibilidade de aguaceiros de neve intermitentes e ventos fortes na zona do sismo nos três dias seguintes. A acumulação de neve e o gelo nas estradas representavam riscos adicionais para as equipas de socorro e os veículos de abastecimento.

Quedas de rochas já tinham fechado estradas e dificultado o acesso a comunidades situadas a grande altitude. As estradas são essenciais para a resposta, uma vez que o equipamento pesado de socorro, o alojamento pré-fabricado e os abastecimentos em grandes quantidades têm de chegar às aldeias antes de poderem ser utilizados.

As falhas de eletricidade e telecomunicações agravaram as dificuldades. As ligações danificadas podem atrasar os pedidos de ajuda e a troca de informações sobre feridos, vias bloqueadas e necessidades de alojamento.

A conjugação de réplicas, serviços interrompidos e agravamento das condições meteorológicas tornou a operação mais exigente do que uma simples busca em edifícios danificados. As equipas de socorro precisavam também de estradas transitáveis e de locais onde as pessoas retiradas das suas casas pudessem manter-se quentes.

Famílias abandonam casas onde receiam voltar a entrar

Os residentes contaram que foram acordados pelos abalos e ouviram as casas ranger ou estremecer. Alguns fugiram sem sequer se vestirem por completo; outros conduziram até zonas abertas e dormiram nos automóveis.

Vídeos divulgados pelas autoridades locais mostraram pessoas a sair dos edifícios, operacionais de socorro a examinar escombros com lanternas e abastecimentos a serem carregados no escuro. As imagens mostraram também telhados danificados e trabalhadores de emergência a transportar uma pessoa para fora de um edifício afetado.

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Para as famílias retiradas das suas casas, a inspeção dos edifícios era um dos primeiros passos para decidir o que fazer a seguir. A polícia de Nagqu afirmou que inspecionar as casas e ajudar os residentes a mudar-se para locais seguros eram tarefas centrais da operação.

Os danos comunicados em centenas de casas significam que a emergência vai além das operações de socorro iniciais. Mesmo as famílias cujos edifícios continuam de pé precisam de uma avaliação antes de decidirem as reparações, enquanto as que perderam as casas precisam de alojamento por mais tempo.

Desastres anteriores mostram a vulnerabilidade da região

O Tibete e as regiões vizinhas do oeste da China já foram atingidos por outros sismos mortíferos. Em janeiro de 2025, um sismo no condado rural de Tingri, perto do monte Evereste, fez pelo menos 126 mortos.

Em 2010, um sismo de magnitude 7,1 atingiu Yushu, na província vizinha de Qinghai, fazendo pelo menos 2698 mortos e deixando quase 300 desaparecidos. Esses desastres afetaram comunidades e edifícios diferentes, mas fazem parte do historial recente de sismos destrutivos na região.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos alertou que, em geral, as estruturas na zona afetada pelo sismo mais recente eram vulneráveis aos abalos. Emitiu um alerta amarelo relativo a estimativas de mortes causadas pelos abalos e um alerta laranja relativo a perdas económicas estimadas, alertando para a possibilidade de danos substanciais.

Estes alertas são estimativas rápidas destinadas a ajudar as autoridades a avaliar a dimensão provável de uma emergência. Para os residentes de Nagchu, as prioridades imediatas eram mais concretas: resgatar quem ainda estivesse preso, tratar os feridos, restabelecer o acesso e alojar as famílias desalojadas antes da chegada de condições meteorológicas difíceis.

Pontos principais

  • Um sismo de magnitude 7,0 atingiu a região de Nagchu, no Tibete, às 22h33 de quinta-feira.
  • O balanço de sexta-feira de manhã era de 16 mortos e 65 feridos, incluindo 11 feridos graves.
  • As autoridades contabilizaram 339 agregados familiares com casas destruídas ou danificadas e danos em 20 cercados para animais.
  • Mais de 12 000 pessoas foram transferidas para locais seguros. Até às 7h de 23 de outubro, o Centro de Redes Sísmicas da China tinha registado 413 réplicas; a mais forte teve magnitude 4,3.
  • Centenas de operacionais de socorro e agentes da polícia juntaram-se a mais de 1600 residentes locais nos trabalhos de assistência.
  • Foram mobilizadas tendas, alojamentos pré-fabricados, camas, edredões e geradores, enquanto o fornecimento de eletricidade e as telecomunicações continuavam afetados.
  • Aguaceiros de neve, ventos fortes, gelo nas estradas e quedas de rochas ameaçavam dificultar o acesso das equipas de socorro e a entrega de abastecimentos.
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