Vietname conquista ouro e prata na mesma final
Đỗ Thanh Hải conquistou a primeira medalha de ouro do Vietname nos quintos Jogos Paralímpicos Asiáticos, em Aichi-Nagoya, no Japão, a 21 de outubro de 2026, deixando para trás o colega de equipa Lê Tiến Đạt na final masculina dos 100 m bruços SB5. Hải terminou em 1 minuto e 33,91 segundos, com Đạt a conquistar a prata em 1:36,63 e o iraniano Ali Rashidabadi a ficar com o bronze em 1:47,78.
Índice
- Vietname conquista ouro e prata na mesma final
- Uma rivalidade conhecida, com um vencedor diferente
- O que os tempos revelam sobre a evolução de Hải
- O treino por detrás do ouro
- Reconhecimento para os nadadores e a equipa
- Quatro medalhas, com mais nadadores perto do pódio
- 22 de outubro traz novas oportunidades de medalhas
- Uma pequena delegação numa grande competição
- Pontos principais
O resultado deu ao Vietname duas das suas primeiras quatro medalhas nos Jogos e inverteu a ordem dos nadadores vietnamitas em relação à edição anterior, em Hangzhou. Hải terminou com 2,72 segundos de vantagem sobre Đạt, que, por sua vez, ficou 11,15 segundos à frente do medalhado de bronze.
O Vietnam Government News confirmou, no seu comunicado de 21 de outubro, os tempos finais e as primeiras medalhas do país na natação nesta competição. O comunicado dessa noite registou também uma prata conquistada anteriormente por Lê Văn Công nos 49 kg masculinos de halterofilismo e um bronze no lançamento do dardo para Nguyễn Thị Ngọc Thúy.
O Vietname ocupava provisoriamente o 18.º lugar no quadro de medalhas, com um ouro, duas pratas e um bronze. A natação tinha contribuído com metade desse total numa só prova, dando à delegação o seu primeiro campeão no terceiro dia oficial da competição.
Uma rivalidade conhecida, com um vencedor diferente
Hải e Đạt já tinham ocupado os dois primeiros lugares desta prova nos Jogos Paralímpicos Asiáticos anteriores. Em Hangzhou, Đạt venceu em 1:34,04 e Hải conquistou a prata em 1:35,11. A edição anterior teve o nome Hangzhou 2022, mas realizou-se em 2023, o que explica os dois anos associados a essa competição.
O tempo vencedor de Hải no Japão foi 1,20 segundos mais rápido do que o tempo com que conquistou a prata em Hangzhou. Đạt foi 2,59 segundos mais lento do que na sua vitória anterior. O Vietname manteve os dois primeiros lugares, mas o nadador mais rápido da equipa foi outro.
A comparação permite medir com precisão a evolução de Hải. O seu tempo de 1:33,91 foi também 0,13 segundos mais rápido do que o tempo com que Đạt conquistou o ouro nos Jogos anteriores. Para dois nadadores que têm competido juntos repetidamente em grandes eventos, uma pequena diferença no cronómetro bastou para alterar a ordem das medalhas.
Đạt afirmou que a equipa vietnamita de natação trabalhou arduamente nos treinos e que ele e Hải estavam satisfeitos por contribuírem com medalhas para a delegação paralímpica nacional. A sua prata prolongou o sucesso do Vietname numa prova em que ambos têm mantido um nível competitivo em sucessivas competições continentais.
O que os tempos revelam sobre a evolução de Hải
Hải chegou ao Japão com a experiência dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, onde alcançou a final masculina dos 100 m bruços SB5 e terminou em quinto lugar, com 1:35,61. A sua vitória nos Jogos Paralímpicos Asiáticos foi alcançada num tempo 1,70 segundos mais rápido.
Đạt terminou em quarto lugar na mesma prova em Paris, na sua primeira participação em Jogos Paralímpicos. Os resultados em França deixaram ambos os nadadores perto do pódio paralímpico, antes de regressarem à competição continental e ocuparem os dois primeiros lugares no Japão.
O quadro de resultados do recinto indicava o recorde mundial da prova em 1:24,65 e o recorde asiático em 1:28,80. O tempo vencedor de Hải ficou 9,26 segundos aquém do recorde mundial e 5,11 segundos aquém do recorde asiático. Estes valores mostram quais são os próximos objetivos de desempenho, para lá da vitória nesta final.
SB5 é uma classificação usada na natação paralímpica para a prova de bruços. As classificações agrupam os atletas de acordo com o impacto das suas deficiências na natação, ajudando a organizar a competição em função da capacidade desportiva. As letras e o número fazem parte do nome da prova porque os nadadores competem na classe correspondente, e não contra todos os atletas inscritos na piscina.
O treino por detrás do ouro
Hải, nascido em 1990, ficou paralisado das duas pernas após uma febre grave, quando tinha três anos. A sua evolução na natação dependeu muito do desenvolvimento da força da parte superior do corpo, com treino com pesos, exercícios na barra fixa e outros exercícios de preparação física a complementarem o tempo passado na água.
A sua carreira inclui agora três participações nos Jogos Paralímpicos: Rio, em 2016, Tóquio, em 2021, e Paris, em 2024. Tóquio manteve o nome oficial dos Jogos de 2020, apesar de estes se terem realizado no ano seguinte. Entre essas participações e as competições regionais, Hải acumulou uma experiência que vai muito além deste primeiro ouro do Vietname no Japão.
Nguyễn Đăng Viễn, treinador de Hải, descreveu um nadador cujos hábitos de treino têm sido essenciais para os seus resultados. Numa tradução para inglês das suas declarações, afirmou:
Thanh Hải é um aluno dedicado, tem talento e segue sempre o plano de treino. Por isso, o sucesso de hoje não é uma coincidência.
Hải pretende qualificar-se para os Jogos Paralímpicos de 2028, nos Estados Unidos. A sua próxima prova no Japão, contudo, era já no dia seguinte: os 100 m costas S6 masculinos, a 22 de outubro. A passagem dos bruços para as costas exigia preparação para um estilo diferente pouco depois da conquista da medalha.
Reconhecimento para os nadadores e a equipa
A ministra da Cultura, dos Desportos e do Turismo, Lâm Thị Phương Thanh, felicitou a delegação vietnamita após o ouro e a prata na piscina. Elogiou Hải, Đạt e a equipa de natação pela perseverança, determinação e treino contínuo.
A ministra pediu também aos atletas, treinadores e membros da delegação que protegessem a saúde, mantivessem a forma física e competissem com confiança durante os dias restantes. A mensagem tinha uma aplicação prática imediata, dado que estavam previstas mais provas de natação e atletismo para 22 de outubro e o encerramento dos Jogos para 24 de outubro.
Nguyễn Trọng Hổ, chefe da delegação vietnamita e diretor-adjunto da Administração do Desporto do Vietname, afirmou que a Herbalife atribuiria a Hải um prémio de 50 milhões de đồng vietnamitas, cerca de 1900 dólares, pela medalha de ouro. O comunicado anunciou a atribuição do prémio, mas não indicou a data do pagamento.
Lý Đại Nghĩa, diretor do Centro de Treino e Competição da Cidade de Ho Chi Minh, felicitou também os treinadores e os dois nadadores, que representam a cidade. Elogiou o contributo de ambos para o total de medalhas do Vietname na competição continental.
Quatro medalhas, com mais nadadores perto do pódio
As primeiras quatro medalhas do Vietname vieram de três modalidades. Hải e Đạt conquistaram o ouro e a prata na natação, Công ganhou a prata no halterofilismo e Thúy conquistou o bronze no atletismo, no lançamento do dardo.
Công, de 42 anos, conquistou a medalha na categoria masculina de 49 kg a 19 de outubro. Medalhado com ouro, prata e bronze em anteriores Jogos Paralímpicos, acrescentou mais uma medalha continental antes de a equipa de natação conquistar a primeira vitória do Vietname nesta edição dos Jogos.
Outros nadadores vietnamitas ficaram perto das medalhas. Vi Thị Hằng ficou em quarto lugar nos 50 m mariposa S7 femininos, com 41,17 segundos, a 0,37 segundos do bronze. Mais tarde, terminou também em quarto lugar na final feminina dos 50 m livres S8.
Trịnh Thị Bích Như também ficou em quarto lugar, nos 100 m bruços SB5 femininos, enquanto Võ Thanh Tùng terminou em quinto nos 100 m bruços SB4 masculinos. O resultado de Hằng na mariposa foi o mais próximo de uma medalha, com menos de quatro décimos de segundo a separá-la do pódio.
Estes resultados mostram por que razão o número de medalhas da delegação ainda podia aumentar graças a vários nadadores, e não apenas a Hải e Đạt. O Vietname teve atletas a chegar às finais em diferentes estilos e classificações, embora a dupla vietnamita dos 100 m bruços SB5 tenha alcançado o melhor resultado.
22 de outubro traz novas oportunidades de medalhas
Hải tinha regresso marcado para os 100 m costas S6 masculinos, a 22 de outubro. Hồ Văn Đao tinha duas provas nesse dia: os 100 m bruços SB7 masculinos e os 100 m costas S8 masculinos. O programa exigia que os nadadores inscritos em várias provas gerissem a recuperação entre corridas.
O Vietname tinha também vários finalistas no atletismo. Nguyễn Viết Đại estava inscrito no lançamento do dardo F33/F34 masculino, enquanto Trương Bích Vân e Nguyễn Thị Hải deviam competir no lançamento do peso F55/F56/F57 feminino.
Thúy, já medalhada com bronze no lançamento do dardo, tinha lugar marcado na final feminina do lançamento do disco F54. Trần Thị Thúy Hằng estava inscrita na final feminina do lançamento do peso F42/F43, e Nguyễn Ngọc Hiệp devia correr as eliminatórias dos 400 m T11 masculinos, em busca de um lugar na final.
Nas classificações do atletismo, a letra identifica o tipo de prova: T é usada nas provas de pista e F nas provas de campo, como os lançamentos. Os números correspondem às classificações dentro da modalidade. Algumas das finais de lançamento previstas para o Vietname juntavam mais do que uma classificação, como indicam os nomes das provas.
O calendário da delegação e as datas seguintes eram os seguintes:
- 18 de outubro: abertura dos quintos Jogos Paralímpicos Asiáticos em Aichi-Nagoya.
- 19 de outubro: Lê Văn Công conquistou a prata nos 49 kg masculinos de halterofilismo.
- 21 de outubro: Đỗ Thanh Hải e Lê Tiến Đạt conquistaram o ouro e a prata nos 100 m bruços SB5 masculinos.
- 22 de outubro: estavam previstas mais provas de natação e atletismo para o Vietname.
- 24 de outubro: encerramento previsto dos Jogos.
Uma pequena delegação numa grande competição
O Vietname enviou 21 atletas para competirem em cinco modalidades: atletismo, natação, halterofilismo, ténis de mesa e badminton. A delegação era composta por 36 pessoas, incluindo seis treinadores, seis dirigentes, um médico e um atleta-guia, além dos competidores.
Os Jogos reuniram cerca de 4000 atletas e dirigentes de 45 Comités Paralímpicos Nacionais. O número inclui pessoal de apoio, além dos atletas, e reflete a dimensão das equipas necessárias para organizar a participação em numerosas modalidades e classificações de deficiência.
A China liderava o quadro de medalhas, com 107 medalhas de ouro, 62 de prata e 57 de bronze, num total de 226. O Japão tinha 29 medalhas de ouro e o Uzbequistão, 28, na classificação detalhada que acompanhava o programa vietnamita de 22 de outubro. Uma atualização da classificação publicada na altura colocava o Uzbequistão em segundo lugar e o Japão em terceiro; a ordem exata naquele momento não estava, por isso, esclarecida.
A Tailândia liderava as delegações do Sudeste Asiático, com 14 medalhas de ouro, 19 de prata e 29 de bronze, num total de 62. O objetivo imediato do Vietname era somar medalhas às quatro já conquistadas, através dos nadadores e atletas ainda previstos para competir antes de 24 de outubro.
Para Hải, a mudança mais evidente foi pessoal e mensurável: passou da prata continental ao ouro, e o seu tempo vencedor foi mais rápido do que tanto o resultado nos anteriores Jogos Paralímpicos Asiáticos como o tempo da final paralímpica de Paris. Para o Vietname, a mesma prova trouxe o primeiro campeão e um segundo nadador ao pódio.
Pontos principais
- Đỗ Thanh Hải conquistou o primeiro ouro do Vietname nos Jogos Paralímpicos Asiáticos de 2026, com o tempo de 1:33,91.
- Lê Tiến Đạt conquistou a prata em 1:36,63, invertendo a ordem das medalhas entre ambos em Hangzhou.
- Hải nadou 1,70 segundos mais depressa do que na final paralímpica de Paris 2024.
- O Vietname tinha quatro medalhas: um ouro, duas pratas e um bronze.
- Estavam previstas mais provas de natação e atletismo para 22 de outubro, antes do encerramento dos Jogos, a 24 de outubro.






