Taiwan regista 29 aeronaves chinesas e 15 navios, mas os números oficiais são contraditórios

10 min de leitura
Taiwan Reports 29 Chinese Aircraft and 15 Vessels, With Conflicting Official Figures

Registadas 23 incursões para lá da linha mediana do estreito de Taiwan

O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan terá detetado 29 saídas de aeronaves militares chinesas, seis navios da Marinha e nove navios oficiais nas imediações da ilha, durante um período de monitorização que terminou às 6h do dia 21. Dessas saídas, 23 atravessaram a linha mediana do estreito de Taiwan, tendo sido registada atividade a norte, no centro, a sudoeste e a leste de Taiwan.

Índice
  1. Registadas 23 incursões para lá da linha mediana do estreito de Taiwan
  2. O que significam os números de aeronaves e navios
  3. Voos chegaram às aproximações orientais de Taiwan
  4. Patrulha acompanhada por treino de longo alcance
  5. Atividade repetida e pressão sobre Taiwan
  6. Menos patrulhas nos primeiros nove meses
  7. A construção naval acrescenta uma dimensão de longo prazo
  8. O que envolve a resposta diária
  9. Principais pontos

Taiwan respondeu com aeronaves militares, navios da Marinha e sistemas de mísseis costeiros. Entre as aeronaves reportadas estavam caças, bombardeiros, uma aeronave de alerta e controlo aéreo e drones, enquanto os navios operavam em águas que se estendem do noroeste de Taiwan até à costa leste da ilha.

Há uma informação contraditória no site em inglês do ministério. O seu boletim de atividade militar, com as datas de 20 e 21 de agosto, indica sete navios da Marinha chinesa, seis navios oficiais e nenhuma aeronave militar chinesa. O relato que menciona as 29 saídas identifica a operação como tendo ocorrido a 20 de outubro, com os totais diários divulgados na manhã seguinte. As datas e os números não podem ser conciliados com base na informação publicada, pelo que o boletim de agosto e o relato de outubro são aqui apresentados separadamente.

O principal desenvolvimento descrito no relato de outubro é a operação conjunta de aeronaves e navios em várias aproximações a Taiwan. As 23 travessias reportadas da linha mediana corresponderam a cerca de 79% das 29 saídas do dia. Uma saída corresponde a um voo de uma aeronave para uma missão; várias saídas podem envolver a mesma aeronave a voar mais do que uma vez.

O que significam os números de aeronaves e navios

O total marítimo de 15 referido para outubro era composto por seis navios da Marinha chinesa e nove navios oficiais. É importante manter estas categorias separadas: os navios da Marinha pertencem às forças armadas, enquanto os navios oficiais são embarcações governamentais cujas agências e tipos específicos não foram identificados no relato.

O boletim em inglês de agosto usa a sigla PLAN para a Marinha do Exército de Libertação Popular, a Marinha chinesa. Os sete navios da Marinha e os seis navios oficiais totalizam 13 embarcações. O ministério afirma que as forças armadas de Taiwan monitorizaram esses navios e empregaram aeronaves de patrulha aérea de combate, navios da Marinha e sistemas de mísseis costeiros em resposta.

Taiwan pode enviar aeronaves de patrulha para monitorizar navios mesmo quando não são detetadas aeronaves chinesas. Em ambos os relatos, a resposta envolveu a vigilância da atividade marítima e a manutenção de forças preparadas para reagir. A resposta reportada consistiu em monitorização e mobilização militar, sem referência a qualquer troca de tiros.

Publicidade

Voos chegaram às aproximações orientais de Taiwan

O relato detalhado dos voos enumera caças J-10 e J-16, caças-bombardeiros JH-7, bombardeiros H-6, aeronaves de alerta e controlo aéreo KJ-500 e drones. Estas aeronaves desempenham funções distintas: os caças podem proteger outras aeronaves ou realizar ataques, os bombardeiros transportam armamento a maiores distâncias e as aeronaves de alerta antecipado usam radar para ajudar a acompanhar a atividade e coordenar as forças.

A distribuição geográfica regista 19 saídas em zonas ocidentais, incluindo 13 nas zonas norte e central. Enumera também sete saídas a sudoeste e três a leste. As aeronaves na zona leste foram descritas como aeronaves de combate e drones.

O número relativo às zonas norte e central está incluído no total ocidental. Deve, por isso, ser entendido como uma descrição mais detalhada das zonas sobrevoadas por algumas aeronaves, e não somado a todos os restantes números. O total indicado pelo ministério manteve-se em 29 saídas, 23 das quais terão atravessado a linha mediana.

A linha mediana é uma linha divisória não oficial no estreito de Taiwan, que tem funcionado como zona-tampão prática entre os dois lados. Uma zona de identificação de defesa aérea é uma área mais ampla onde as autoridades procuram identificar aeronaves que se aproximam. A atividade de aeronaves nessa zona pode levar à sua monitorização, mesmo quando estas se encontram fora do espaço aéreo territorial.

Patrulha acompanhada por treino de longo alcance

As forças armadas chinesas terão realizado uma patrulha conjunta de prontidão para combate, paralelamente a exercícios com voos de maior distância sobre águas longínquas, na manhã de 20 de outubro. O ministério de Taiwan identificou aeronaves que descolaram sucessivamente e operaram em conjunto com navios da Marinha.

Uma patrulha conjunta reúne diferentes ramos das forças armadas numa mesma operação. Neste caso, foi reportada a operação conjunta de aeronaves e navios em várias zonas em redor de Taiwan. Estas atividades permitem às forças participantes treinar a coordenação, enquanto Taiwan acompanha os seus movimentos e decide como responder.

A sequência reportada foi a seguinte:

  • Manhã de 20 de outubro: Taiwan começou a detetar caças, bombardeiros, uma aeronave de alerta antecipado e drones chineses a operar com navios da Marinha.
  • Das 6h de 20 de outubro às 6h de 21 de outubro: O período diário de monitorização abrangeu as 29 saídas de aeronaves, os seis navios da Marinha e os nove navios oficiais reportados.
  • Manhã de 21 de outubro: Taiwan divulgou os totais diários e descreveu a sua resposta, que envolveu aeronaves, navios e sistemas de mísseis costeiros.

A atividade marítima terá abrangido uma zona que se estende do noroeste de Taiwan, contorna as aproximações a sul e chega às águas ao largo de Taitung, a leste. Para as forças armadas de Taiwan, a atividade em várias direções exige vigilância para lá da zona central do estreito de Taiwan.

Publicidade

Atividade repetida e pressão sobre Taiwan

A China intensificou a atividade de aeronaves militares e navios da Marinha em torno de Taiwan desde setembro de 2020. Estas operações são habitualmente descritas como táticas de zona cinzenta: ações de pressão destinadas a promover objetivos de segurança sem atingir o nível de um grande conflito armado.

As patrulhas repetidas obrigam Taiwan a mobilizar pessoal, aeronaves, navios e equipamento de vigilância para acompanhar os movimentos e manter a prontidão. O encargo prático resulta tanto da repetição como da dimensão de cada operação. As aeronaves precisam de tripulações e manutenção, os navios exigem pessoal e abastecimentos e os comandantes têm de continuar a avaliar os movimentos em diferentes zonas.

Um balanço que acompanhou o relato das 29 saídas indicava que, no acumulado do mês, tinham sido detetadas 163 saídas de aeronaves e 252 navios. Estes números contabilizam a atividade observada ao longo do tempo. Um navio detetado em vários dias pode ser contado repetidamente no total mensal, tal como uma aeronave pode realizar várias saídas.

Os nove navios oficiais mostram também que o quadro marítimo vai além da Marinha. A monitorização de Taiwan abrange embarcações governamentais, além de navios militares, embora os números diários forneçam diferentes níveis de detalhe sobre as respetivas funções.

Menos patrulhas nos primeiros nove meses

Num relatório apresentado ao parlamento, o Gabinete de Segurança Nacional de Taiwan contabilizou mais de 1450 saídas de aeronaves chinesas associadas às operações que descreveu, entre janeiro e setembro. Registou 28 patrulhas conjuntas de prontidão para combate nesse período, em comparação com mais de 3000 saídas e 31 patrulhas no período homólogo do ano anterior.

O número de patrulhas diminuiu três, ou cerca de 9,7%, passando de 31 para 28. Os números das aeronaves também revelam uma descida significativa, embora ambos tenham sido apresentados como totais acima de um determinado limiar, pelo que não é possível calcular uma variação percentual exata.

O balanço posterior que acompanhou o relato de 21 de outubro indicou um total acumulado de 32 patrulhas conjuntas e mais de 1510 saídas de aeronaves associadas. Isso representa mais quatro patrulhas conjuntas após os primeiros nove meses do ano. Estes números descrevem a atividade abrangida por esse balanço, enquanto a contagem mensal separada regista as aeronaves e os navios detetados em torno de Taiwan.

O gabinete referiu também que aeronaves e navios chineses recolheram informações durante o exercício Han Kuang 42 de Taiwan, no qual as forças taiwanesas testavam as suas capacidades de combate. Observar os exercícios de um adversário pode fornecer informações sobre a forma como as suas forças se mobilizam, comunicam e reagem sob pressão.

Publicidade

A construção naval acrescenta uma dimensão de longo prazo

O relatório World Defense Shipbuilding Report oferece uma perspetiva mais abrangente da construção naval. Indica que, em 2024 e 2025, foram construídas 636 208 toneladas de navios de combate chineses, em comparação com 270 509 toneladas nos Estados Unidos. O total da China foi cerca de 2,35 vezes superior ao norte-americano.

A comparação era diferente em 2022 e 2023, quando o relatório contabilizou 202 520 toneladas para a China e 245 703 toneladas para os Estados Unidos. Entre os dois períodos, a tonelagem de construção reportada pela China passou para mais do triplo do valor anterior, enquanto o número norte-americano aumentou cerca de 10%.

A tonelagem mede a dimensão combinada dos navios contabilizados. A capacidade naval também depende do armamento, dos sensores, do treino, da manutenção e dos tipos de navios disponíveis. Os números da construção descrevem o ritmo e a dimensão da produção, enquanto os dados diários de Taiwan registam as forças que operavam nas imediações da ilha durante um determinado período.

A relação com Taiwan é prática: uma Marinha com mais navios tem maior capacidade para manter destacamentos, realizar exercícios e fazer rodar navios nas operações. As patrulhas diárias e a construção naval decorrem em escalas temporais diferentes, mas ambas influenciam os recursos que Taiwan tem de considerar ao planear a sua defesa.

O que envolve a resposta diária

A resposta anunciada por Taiwan combinou aeronaves, navios da Marinha e sistemas de mísseis costeiros. As aeronaves podem identificar e acompanhar a atividade aérea, os navios podem monitorizar movimentos no mar e as unidades de mísseis garantem uma capacidade de defesa a partir de terra. A utilização conjunta destes meios oferece aos comandantes várias formas de observar e responder.

Os números de outubro indicam que a maioria das saídas de aeronaves reportadas atravessou a linha mediana, com atividade também nas aproximações orientais, além das zonas a oeste e a sudoeste de Taiwan. Os navios envolvidos acrescentaram uma componente marítima à operação. A tarefa imediata das forças armadas de Taiwan era manter a vigilância nessas zonas e conservar as forças prontas enquanto a atividade decorria.

Os números do Gabinete de Segurança Nacional acrescentam um segundo aspeto: a redução do número de patrulhas ao longo de nove meses pode coexistir com a continuidade da pressão através de operações pontuais, exercícios de longo alcance e observação dos exercícios taiwaneses. Os totais diários e os números relativos a períodos mais longos respondem a diferentes questões sobre a dimensão e a persistência da atividade.

Publicidade

Principais pontos

  • O relato de outubro mencionou 29 saídas de aeronaves chinesas, seis navios da Marinha e nove navios oficiais em torno de Taiwan.
  • Terão sido 23 as saídas que atravessaram a linha mediana do estreito de Taiwan, cerca de 79% do total.
  • Um boletim em inglês do ministério, datado de 20 e 21 de agosto, indica, em contrapartida, sete navios da Marinha, seis navios oficiais e nenhuma aeronave.
  • A operação de outubro terá envolvido caças, bombardeiros, uma aeronave de alerta antecipado e drones, com atividade nas aproximações orientais de Taiwan.
  • Taiwan respondeu com aeronaves militares, navios da Marinha e sistemas de mísseis costeiros.
  • O Gabinete de Segurança Nacional registou 28 patrulhas conjuntas entre janeiro e setembro, em comparação com 31 no período homólogo do ano anterior.
Partilhar este artigo

Também pode gostar