Uzbequistão vence a Olimpíada de Xadrez de Samarcanda enquanto Sindarov se prepara para desafiar Gukesh

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Uzbekistan Wins Samarkand Chess Olympiad as Sindarov Prepares to Challenge Gukesh

Dois títulos em quatro anos, com um título mundial à vista

O Uzbequistão terminou a Olimpíada de Xadrez de 2026, em Samarcanda, com 20 dos 22 pontos de encontro possíveis, ao vencer a Ucrânia por 2,5–1,5 na última ronda e garantir o seu segundo título Open, depois do conquistado em Chennai, em 2022. A Índia e a Alemanha ficaram a dois pontos, conquistando, respetivamente, a prata e o bronze.

Índice
  1. Dois títulos em quatro anos, com um título mundial à vista
  2. Como o Uzbequistão garantiu o ouro
  3. Uma equipa jovem com profundidade comprovada
  4. Índia conquista a prata e Alemanha regressa ao pódio
  5. China vence a prova feminina e surgem novos talentos
  6. O percurso de Sindarov de Goa a Genebra
  7. Porque o encontro pelo título pode ser mais equilibrado do que indicam as classificações
  8. Uma biblioteca e um museu vão acolher o encontro
  9. O que o sucesso do Uzbequistão muda no país
  10. Pontos principais

A vitória decisiva foi alcançada pelo suplente Mukhiddin Madaminov, de 19 anos, que derrotou o campeão europeu ucraniano Roman Dehtiarov, enquanto as outras três partidas terminaram empatadas. No primeiro tabuleiro, Nodirbek Abdusattorov completou as 11 rondas sem derrotas e conquistou o ouro individual, com uma performance de 2869 no torneio.

O Uzbequistão vira agora as atenções do triunfo coletivo para um título individual. Javokhir Sindarov, membro das duas equipas olímpicas uzbeques vencedoras do ouro, vai desafiar o campeão mundial em título, o indiano Gukesh Dommaraju, na Fondation Martin Bodmer, em Cologny, perto de Genebra. A prova decorre de 22 de novembro a 12 de dezembro, estando a primeira partida marcada para 24 de novembro.

Ambos terão 20 anos quando o encontro começar, formando o par mais jovem da história dos encontros do campeonato do mundo. Sindarov chega com o ouro por equipas, uma vitória invicta no Torneio de Candidatos e uma classificação superior à do campeão. Gukesh traz a experiência de ter conquistado o título frente a Ding Liren, em 2024.

O próximo confronto dá ao Uzbequistão a oportunidade de juntar o título mundial individual absoluto ao sucesso por equipas. A vitória na Olimpíada mostrou também a força que rodeia Sindarov: o resultado final dependeu dos contributos de toda a equipa, e não de uma única estrela.

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Como o Uzbequistão garantiu o ouro

O Uzbequistão venceu dez encontros e perdeu apenas um, frente à Alemanha, na oitava ronda. Uma vitória por 3,5–0,5 frente à Arménia, na penúltima ronda, colocou os anfitriões numa posição confortável antes do confronto com a Ucrânia.

O relato oficial da Olimpíada da FIDE regista a vitória decisiva de Madaminov na última ronda e o seu resultado individual invicto de 5,5 pontos em sete partidas. Frente a Dehtiarov, converteu um final com torres e peões, em que a movimentação precisa do rei e o cálculo cuidadoso acabaram por decidir a partida.

Abdusattorov empatou com Igor Kovalenko, Sindarov com Vasyl Ivanchuk e Nodirbek Yakubboev com Ihor Samunenkov. Estes três empates, que valeram meio ponto cada, juntamente com a vitória de Madaminov, deram o resultado de 2,5–1,5.

A Olimpíada utiliza dois sistemas de pontuação relacionados. Cada partida individual vale um ponto em caso de vitória e meio ponto em caso de empate. O resultado dos quatro jogos determina o encontro por equipas, que atribui dois pontos de encontro por uma vitória e um por um empate. As dez vitórias do Uzbequistão renderam, assim, 20 pontos de encontro em 11 rondas.

Os anfitriões conquistaram cerca de 91 por cento do máximo de 22 pontos de encontro. A Índia e a Alemanha somaram 18 cada, o equivalente a nove vitórias em encontros. A vantagem de dois pontos do Uzbequistão correspondeu, portanto, a uma vitória completa de equipa.

Uma equipa jovem com profundidade comprovada

Quatro dos cinco jogadores da equipa, Abdusattorov, Sindarov, Yakubboev e Shamsiddin Vokhidov, já tinham conquistado o ouro em Chennai. Os cinco jogadores presentes em Samarcanda tinham entre 19 e 24 anos. O treinador Rustam Kasimdzhanov, antigo campeão mundial da FIDE, orientou um grupo que combinava juventude com a experiência de já ter vencido em conjunto.

Abdusattorov somou 8,5 pontos em 11 partidas no primeiro tabuleiro, onde defrontou o principal jogador de cada equipa adversária. O seu ouro individual seguiu-se às medalhas de prata no primeiro tabuleiro nas Olimpíadas de 2022 e 2024. Em Samarcanda, ganhou 18 pontos de classificação.

A performance estima a força de jogo demonstrada num determinado torneio, com base nos resultados e na força dos adversários. A performance de 2869 de Abdusattorov foi a mais elevada da prova. Após a competição, a sua classificação habitual colocou-o em quinto lugar no ranking mundial em tempo real.

Abdusattorov descreveu a conquista após a vitória:

Este é o momento de maior orgulho da minha vida. É uma conquista extraordinária para a nossa equipa e para o Uzbequistão. Estou verdadeiramente feliz.

Sindarov conquistou o bronze individual no segundo tabuleiro, enquanto Yakubboev levou a prata no terceiro. Yakubboev ganhou também 14,4 pontos de classificação, chegando aos 2712 e entrando no grupo de jogadores classificados acima dos 2700. O contributo de Madaminov garantiu que o lugar de suplente fosse também uma fonte de pontos decisivos.

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Índia conquista a prata e Alemanha regressa ao pódio

A Índia garantiu o segundo lugar depois de empatar 2–2 com a Hungria na última ronda. Arjun Erigaisi derrotou Peter Leko, compensando a vitória de Gleb Dudin sobre Gukesh. As outras duas partidas terminaram empatadas.

Gukesh chegou a essa ronda com 8,5 pontos em dez partidas. A derrota deixou-o com a prata individual no quarto tabuleiro, enquanto Dudin conquistou o ouro na primeira posição de suplente. Ainda assim, Gukesh ganhou 7,1 pontos de classificação ao longo da Olimpíada, embora a derrota final lhe tenha custado 6,9 pontos nesse dia.

A Alemanha venceu os Países Baixos por 2,5–1,5, com Matthias Bluebaum a derrotar Jorden van Foreest e a garantir o ponto decisivo. O bronze foi a primeira medalha da Alemanha na competição Open por equipas desde a prata conquistada em Istambul, em 2000, pondo fim a uma espera de 26 anos.

Frederik Svane disputou as 11 rondas sem derrotas, somou 8,5 pontos e conquistou o ouro no terceiro tabuleiro, com uma performance de 2796. A Alemanha obteve nove vitórias e duas derrotas, frente à China e à Índia, e foi a única equipa a vencer o Uzbequistão.

Estados Unidos, Azerbaijão, Arménia e Hungria terminaram com 17 pontos de encontro, tendo os norte-americanos ficado em quarto lugar após os cálculos adicionais utilizados para desempatar as equipas. A China terminou em oitavo. A Inglaterra ficou em 12.º, com 16 pontos.

China vence a prova feminina e surgem novos talentos

A China venceu a secção feminina ao derrotar o Vietname por 3–1 na última ronda. O Cazaquistão conquistou a prata, após um empate 2–2 com a Polónia, enquanto a Índia ficou com o bronze, graças ao desempate, depois de empatar 2–2 com a Geórgia.

Zhu Jiner liderou a China no primeiro tabuleiro, terminando invicta, com sete pontos em nove partidas, e conquistando o ouro individual. Lu Miaoyi, de 16 anos, também não sofreu derrotas: somou 9,5 pontos em 11 partidas e venceu no terceiro tabuleiro.

A China alcançou estes resultados sem várias das suas jogadoras mais consagradas, incluindo a campeã mundial Ju Wenjun, Hou Yifan, Lei Tingjie e Tan Zhongyi. A equipa mais jovem obteve os resultados necessários para terminar em primeiro lugar.

A inglesa Bodhana Sivanandan, de 11 anos, somou oito pontos em 11 partidas e estabeleceu um recorde mundial de idade ao tornar-se grande mestre feminina, superando a marca de Hou, de 2006. Conquistou também a sua segunda norma de qualificação para o título de mestre internacional. Ainda precisava de uma terceira norma e de uma classificação de 2400; a sua classificação, incluindo a Olimpíada, era de 2382.

A prova de Samarcanda foi descrita como a maior Olimpíada de sempre, com 397 equipas nas duas secções, representando 205 federações. A competição Open contou com 206 equipas. Estes números dão conta da dimensão do torneio, enquanto os resultados individuais mostraram jovens jogadores a progredir em vários países.

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O percurso de Sindarov de Goa a Genebra

Sindarov conquistou a oportunidade de disputar o campeonato através de duas grandes vitórias em torneios. Em 2025, venceu a Taça do Mundo da FIDE, em Goa, aos 19 anos, tornando-se o mais jovem vencedor da prova. Derrotou o chinês Wei Yi no desempate final.

Wei tinha disputado 27 partidas sem derrotas nessa Taça do Mundo antes de perder para Sindarov na fase decisiva. Ambos se qualificaram para o Torneio de Candidatos, a competição que escolhe o desafiante ao campeão mundial em título.

No Chipre, na primavera de 2026, Sindarov terminou o Torneio de Candidatos invicto, com dez pontos em 14 partidas. Garantiu o primeiro lugar a uma ronda do fim, ao empatar com Anish Giri. O resultado transformou a sua revelação na Taça do Mundo num lugar no encontro pelo título.

As principais etapas da sua progressão são:

  • 2022: Sindarov ajuda o Uzbequistão a conquistar o seu primeiro título Open na Olimpíada de Chennai.
  • 2025: Vence a Taça do Mundo da FIDE, em Goa, derrotando Wei Yi na final.
  • Primavera de 2026: Vence o Torneio de Candidatos no Chipre, invicto, com 10/14.
  • Setembro de 2026: Ajuda o Uzbequistão a conquistar o segundo ouro olímpico em Samarcanda.
  • 24 de novembro de 2026: Está marcada, perto de Genebra, a sua primeira partida do campeonato do mundo frente a Gukesh.
  • 12 de dezembro de 2026: Está previsto um desempate se o encontro clássico terminar empatado.

Porque o encontro pelo título pode ser mais equilibrado do que indicam as classificações

Sindarov saiu de Samarcanda com uma classificação de 2782, em quarto lugar no ranking em tempo real e 72 pontos à frente de Gukesh, que ocupava o 29.º lugar. Magnus Carlsen, o jogador com a classificação mais elevada do mundo, apontou Sindarov como favorito, destacando os resultados irregulares do campeão nos últimos tempos.

A maior vantagem de Gukesh é a experiência direta de um encontro do campeonato do mundo. Derrotou Ding por 7,5–6,5 ao fim de 14 partidas em Singapura, em 2024, tornando-se, aos 18 anos, o mais jovem campeão mundial absoluto. Genebra será a sua primeira defesa do título.

Wei Yi, grande mestre chinês que perdeu para Sindarov em Goa e ajudou Ding a preparar o bem-sucedido encontro pelo campeonato de 2023, prevê um confronto equilibrado. Disse que Sindarov tinha evoluído consideravelmente e se tornara um jogador mais completo, beneficiando do apoio do Governo.

Wei destacou também a experiência de Gukesh sob a pressão do campeonato:

E Gukesh tem a experiência de disputar um encontro do campeonato do mundo. Penso que muitos jogadores acham que Sindarov vai vencer facilmente, mas não me parece.

O contraste está entre a série contínua de sucessos de Sindarov em torneios e a experiência de Gukesh a preparar-se para um encontro longo contra um único adversário, a adaptar-se durante o confronto e a vencê-lo. Os resultados na Olimpíada dão uma indicação recente da forma de ambos; em Genebra, o ritmo será diferente, com preparação repetida contra o mesmo rival.

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Uma biblioteca e um museu vão acolher o encontro

A Fondation Martin Bodmer, em Cologny, será um cenário invulgar para o campeonato. A instituição, perto de Genebra, combina uma biblioteca e um museu e guarda mais de 150 000 documentos, incluindo papiros antigos, manuscritos medievais e livros raros.

A sua biblioteca, a Bibliotheca Bodmeriana, está inscrita no Registo da Memória do Mundo da UNESCO. O colecionador Martin Bodmer reuniu a coleção, e o edifício do museu, concebido pelo arquiteto suíço Mario Botta, foi inaugurado em 2003. A fundação ajudou a financiar o edifício com a venda de um desenho de Miguel Ângelo.

O campeonato está previsto para um máximo de 14 partidas clássicas. O xadrez clássico dá aos jogadores consideravelmente mais tempo para pensar do que os formatos rápidos ou blitz. Se o resultado estiver empatado após essas partidas, o desempate previsto para 12 de dezembro decidirá o vencedor.

O prémio total é de 2,5 milhões de dólares. O modelo de pagamento anunciado atribui 200 000 dólares a cada jogador por cada partida ganha, sendo o restante dividido em partes iguais. Assim, as partidas empatadas deixam uma parte maior do prémio no montante a repartir entre os jogadores.

O que o sucesso do Uzbequistão muda no país

O presidente Shavkat Mirziyoyev celebrou a equipa como uma geração de ouro e destacou as vitórias frente à Índia, à China e aos Estados Unidos, primeiros cabeças de série. Referiu-se também a um novo decreto presidencial destinado a apoiar o desenvolvimento do xadrez. As medidas concretas e o calendário de execução não foram pormenorizados.

Segundo foi noticiado, os cinco jogadores receberam como recompensa 200 000 dólares, uma casa e um Volkswagen cada, enquanto Kasimdzhanov recebeu 50 000 dólares. Os prémios monetários dos jogadores totalizam, por si só, um milhão de dólares, valor que sobe para 1,05 milhões com o pagamento ao treinador, sem contar com o valor das casas e dos automóveis.

A FIDE elegeu também a federação de xadrez do Uzbequistão como a melhor federação de 2026 e distinguiu Sindarov como o melhor jogador masculino. Estes prémios acompanham conquistas nos dois níveis da modalidade: um campeonato por equipas e a qualificação do principal jogador do país para o encontro individual pelo título.

O Uzbequistão já deu um campeão mundial da FIDE, Kasimdzhanov, que venceu em 2004, durante o período em que coexistiam títulos mundiais rivais. Sindarov será o primeiro jogador do país a disputar um encontro pelo campeonato mundial absoluto.

Samarcanda mostrou que o Uzbequistão consegue vencer com o contributo de toda a equipa, de Abdusattorov no primeiro tabuleiro a Madaminov na reserva. Em Genebra, as expectativas nacionais vão concentrar-se em Sindarov, que defrontará um campeão da mesma idade e que já conquistou o título que ambos procuram agora.

Pontos principais

  • O Uzbequistão venceu a Olimpíada Open com 20/22 pontos de encontro, à frente da Índia e da Alemanha, ambas com 18.
  • A vitória de Madaminov sobre Dehtiarov garantiu o triunfo final por 2,5–1,5 frente à Ucrânia.
  • Abdusattorov terminou invicto, com 8,5/11, e conquistou o ouro individual no primeiro tabuleiro.
  • A China venceu a secção feminina, seguida do Cazaquistão e da Índia.
  • Sindarov vai desafiar Gukesh perto de Genebra, estando a primeira partida marcada para 24 de novembro.
  • Ambos terão 20 anos, formando o par mais jovem da história dos encontros do campeonato do mundo.
  • O encontro tem um prémio total de 2,5 milhões de dólares e poderá ter um desempate a 12 de dezembro.
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