Taiwan planeia usar barcos e aeronaves civis para mapear potenciais praias de invasão

9 min de leitura
Taiwan Plans Civilian Boat and Aircraft Surveys of Potential Invasion Beaches

Barcos de pesca ajudariam a mapear as defesas costeiras de Taiwan

As forças armadas de Taiwan planeiam contratar barcos de pesca e aeronaves civis para mapear potenciais praias de invasão chinesa, recorrendo a sensores comerciais para estudar águas pouco profundas a que os navios de maior porte não conseguem aceder. O trabalho proposto abrangeria troços da costa, incluindo Zhuwei, em Taoyuan, Wazihwei, no distrito de Bali, na Nova Taipé, e Sishu, em Tainan.

Índice
  1. Barcos de pesca ajudariam a mapear as defesas costeiras de Taiwan
  2. Que praias seriam estudadas?
  3. As alterações sazonais tornam as medições antigas menos úteis
  4. Som debaixo de água, lasers acima dela
  5. Como os mapas apoiariam o planeamento defensivo
  6. As unidades militares manteriam a análise sensível
  7. Um papel mais importante para a tecnologia comercial
  8. Pontos principais

A iniciativa seria gerida pela Divisão de Inovação na Defesa do Ministério da Defesa Nacional. Empresas privadas de topografia recolheriam medições no mar e no ar, que unidades militares reuniriam depois em mapas tridimensionais detalhados para planear defesas contra desembarques anfíbios, nos quais as tropas se aproximam da costa vindas do mar.

Os barcos concentrar-se-iam em águas costeiras até 3 metros de profundidade. As aeronaves mediriam o terreno das praias e, quando o equipamento e as condições da água o permitissem, as características do fundo. Em conjunto, os levantamentos ajudariam os responsáveis pelo planeamento a compreender a transição entre o fundo do mar e a praia, uma zona que as embarcações de desembarque e os veículos anfíbios teriam de atravessar.

Um alto responsável militar, que falou sob anonimato, descreveu a abordagem como uma estreia para a Marinha e afirmou que esta poderia recolher informação sobre as condições operacionais costeiras dezenas de vezes mais depressa do que os métodos anteriores. A divisão de tarefas proposta deixaria a recolha de medições a cargo de empresas civis contratadas e a sua conversão em planos operacionais a cargo das forças armadas.

Que praias seriam estudadas?

Os responsáveis pelo planeamento da defesa de Taiwan usam a expressão "praias vermelhas" para designar locais costeiros considerados adequados a um assalto anfíbio chinês. Estimativas atribuídas ao Ministério da Defesa, a grupos de reflexão norte-americanos e ao Instituto de Investigação para a Defesa Nacional e Segurança de Taiwan apontam para cerca de quatro a 20 potenciais locais de desembarque.

Este intervalo reflete diferentes avaliações dos potenciais locais de desembarque. Zhuwei e Wazihwei estão entre os locais identificados a norte, enquanto Sishu fica na cidade de Tainan, no sudoeste. A sua inclusão confere ao levantamento proposto um alcance geográfico que vai além de um único troço da costa.

Publicidade

Os responsáveis pelo planeamento também alargaram o conceito para incluir "praias vermelhas compostas", onde instalações portuárias se encontram junto a ambientes adequados a operações aerotransportadas. Estes locais exigem uma avaliação de várias características interligadas: o acesso pelo mar, o terreno utilizável em terra, as infraestruturas portuárias e as zonas onde as forças poderiam chegar por via aérea.

Os mapas previstos reuniriam esses ambientes adjacentes numa representação geográfica comum. Para os responsáveis pelo planeamento militar, a tarefa prática consiste em compreender como uma aproximação por águas pouco profundas se liga ao terreno imediatamente para lá da linha de costa.

As alterações sazonais tornam as medições antigas menos úteis

As 192.ª e 151.ª frotas da Marinha recolheram anteriormente dados hidrográficos durante exercícios de treino. O levantamento hidrográfico mede a profundidade da água e as características subaquáticas, ajudando a compreender a forma do fundo do mar e as condições que afetam a circulação na água.

O ambiente costeiro de Taiwan muda com as estações e com a passagem de tufões. Essas alterações podem modificar a forma dos fundos pouco profundos, tornando importante a frequência dos levantamentos. Uma carta náutica regista as condições existentes no momento das medições; os responsáveis pelo planeamento precisam de medições atualizadas quando a costa muda.

Os navios hidrográficos tradicionais têm limitações de flexibilidade, frequência e acesso a águas muito pouco profundas. A utilização proposta de barcos civis mais pequenos responde ao problema do acesso, enquanto as empresas privadas de topografia e o equipamento comercial aumentariam a capacidade de recolher medições detalhadas.

A mudança também permitiria ir além dos dados recolhidos durante os exercícios das frotas. Um trabalho de levantamento dedicado daria às forças armadas outra forma de atualizar a sua representação do terreno costeiro, mantendo as unidades navais responsáveis pela interpretação dos resultados.

Som debaixo de água, lasers acima dela

Os barcos de pesca transportariam sondas multifeixe, instrumentos que emitem impulsos sonoros na água e medem o seu reflexo no fundo do mar. Ao recolher muitas medições numa faixa sob a embarcação, o equipamento consegue criar uma imagem detalhada de declives, canais e outras características subaquáticas.

A zona de levantamento proposta inclui a zona de rebentação, definida como a área entre a linha de costa e cerca de 3 metros de profundidade. Os barcos pequenos trabalhariam neste ambiente pouco profundo, onde os navios hidrográficos de maior porte não conseguem operar. Os dados batimétricos resultantes, ou seja, as medições da profundidade e da forma do fundo subaquático, conteriam pontos de medição muito próximos entre si.

Publicidade

As aeronaves fretadas transportariam equipamento de deteção e medição por luz, geralmente designado LiDAR. Estes instrumentos emitem impulsos laser em direção ao solo e calculam distâncias a partir dos sinais refletidos. Sistemas adequados também podem medir o terreno subaquático pouco profundo, quando a transparência da água e outras condições o permitem.

Os dois métodos proporcionariam perspetivas complementares. Os barcos mediriam o fundo do mar a partir da água, enquanto as aeronaves cobririam o terreno das praias e as zonas pouco profundas adequadas a partir do ar. Os militares reuniriam depois as medições em modelos que mostrassem o terreno e o fundo do mar adjacente em conjunto.

Essa integração é importante porque uma rota de desembarque atravessa ambos os ambientes. Uma carta subaquática detalhada e um mapa separado da praia tornam-se mais úteis para o planeamento quando as respetivas medições estão devidamente alinhadas ao longo da linha de costa.

Como os mapas apoiariam o planeamento defensivo

Os responsáveis pelo planeamento militar usariam os modelos finais para avaliar possíveis rotas de desembarque e identificar locais para minas defensivas e obstáculos. O alto responsável militar que falou sob anonimato referiu que os canais profundos poderiam ser locais potenciais para minas e que os recifes poderiam ser pontos onde os obstáculos ajudariam a bloquear forças em aproximação.

As medições do terreno ajudariam os responsáveis pelo planeamento a analisar as rotas disponíveis para navios, veículos anfíbios e hovercraft. Cada um destes meios aproximar-se-ia da costa através de um ambiente físico determinado pela profundidade da água, pelas características do fundo do mar e pela própria praia.

Como comparação simples, um mapa rodoviário mostra a ligação entre ruas, enquanto um mapa do terreno também mostra declives e barreiras. Os modelos costeiros propostos teriam uma função semelhante junto à linha de água, ajudando as unidades militares a identificar onde a circulação poderia ser mais fácil e onde as defesas a poderiam dificultar.

Os levantamentos forneceriam a base geográfica para essas decisões. A escolha das posições defensivas continuaria a ser uma tarefa militar, realizada depois de especialistas verificarem e combinarem as medições. A recolha de dados em bruto e o planeamento da localização de minas ou obstáculos ocorreriam em fases diferentes.

As unidades militares manteriam a análise sensível

A participação civil aumentaria o número de empresas, equipas e responsáveis pelo tratamento de dados envolvidos nos levantamentos costeiros. O esquema de segurança descrito pelo alto responsável militar separa o trabalho de recolha destes intervenientes da análise e do planeamento a cargo das forças armadas.

As empresas contratadas recolheriam medições físicas em bruto. As unidades militares, incluindo o Serviço de Meteorologia e Oceanografia Naval, ficariam responsáveis pela remoção de ruído, integração dos dados, análise tática e definição das coordenadas para as defesas contra desembarques.

Publicidade

A remoção de ruído consiste em identificar e reduzir sinais indesejados ou erros de medição. A integração de dados consiste em reunir diferentes conjuntos de medições num único modelo coerente. Ambos os passos são necessários para que os responsáveis pelo planeamento possam relacionar com confiança os resultados dos levantamentos com as decisões sobre a localização das defesas.

O esquema manteria a interpretação operacional final dentro das unidades militares. As equipas civis forneceriam medições do ambiente físico; os especialistas militares relacionariam essa informação com as necessidades defensivas e com locais específicos.

O desafio de segurança abrange todo este processo, da recolha à transferência e ao tratamento dos dados. Manter o planeamento tático nas forças armadas estabelece uma divisão clara de responsabilidades, enquanto a gestão dos ficheiros dos levantamentos continua a ser uma parte do projeto que exige proteção.

Um papel mais importante para a tecnologia comercial

A iniciativa recorreria a tecnologia comercial pronta a usar, frequentemente designada pela sigla inglesa COTS. Em termos simples, trata-se de equipamento já disponível no mercado, em vez de um novo sistema desenvolvido exclusivamente para as forças armadas. As sondas multifeixe e o varrimento laser aéreo seriam aplicados a uma necessidade de cartografia militar.

O alto responsável militar relacionou a abordagem com o exemplo da Unidade de Inovação na Defesa dos EUA, que aproxima as necessidades militares da tecnologia comercial. No projeto proposto por Taiwan, o objetivo imediato é prático: utilizar a capacidade de levantamento de empresas privadas e plataformas mais pequenas para recolher informação costeira com maior rapidez.

A estimativa do responsável de que a recolha de dados seria dezenas de vezes mais rápida do que anteriormente é a expectativa de desempenho mais clara que foi apresentada. Nas descrições do plano, não foram especificados o orçamento público, a adjudicação de contratos, a data de início dos levantamentos, o prazo de conclusão ou um calendário fixo de atualização.

Para as empresas de topografia e as equipas participantes, a função proposta seria medir, não fazer planeamento militar. Para os especialistas navais, os dados adicionais implicariam trabalho de controlo de qualidade, integração dos levantamentos e atualização da informação geográfica utilizada nas decisões de defesa costeira.

A principal mudança seria a forma como Taiwan obtém conhecimento da sua própria linha de costa. Em vez de depender exclusivamente de navios da Marinha, as forças armadas recorreriam a barcos civis, aeronaves e sensores já disponíveis no mercado, mantendo depois o controlo da análise que transforma essas medições em planos de defesa.

Publicidade

Pontos principais

  • Taiwan planeia contratar empresas civis de topografia, barcos de pesca e aeronaves para mapear potenciais locais de desembarque chineses.
  • Entre os locais identificados estão Zhuwei, em Taoyuan, Wazihwei, na Nova Taipé, e Sishu, em Tainan.
  • Os barcos usariam sondas multifeixe em águas até 3 metros de profundidade, enquanto as aeronaves realizariam levantamentos laser complementares.
  • As unidades militares reuniriam as medições em mapas que apoiariam decisões sobre rotas de desembarque, minas defensivas e obstáculos.
  • As empresas civis contratadas recolheriam os dados em bruto, enquanto os especialistas militares manteriam a responsabilidade pelo seu tratamento e pelo planeamento tático.
  • Um alto responsável militar que falou sob anonimato previu uma recolha de dados muito mais rápida, mas não foi especificado qualquer orçamento ou calendário de execução.
Partilhar este artigo

Também pode gostar