Telemóveis Android ganham uma nova forma de comprovar a identidade
O Japão lançou o My Number Card para Android a 20 de outubro de 2026, permitindo às pessoas com telemóveis compatíveis guardar no Google Wallet uma versão digital do seu cartão de identificação oficial e utilizá-la para comprovar a identidade, a idade e a morada junto dos serviços aderentes. O software de transmissão do Google Wallet recebeu certificação ministerial a 17 de outubro, três dias antes do lançamento.
Índice
- Telemóveis Android ganham uma nova forma de comprovar a identidade
- O que muda face ao serviço Android já existente?
- Onde podem ser utilizadas as novas verificações
- Que telemóveis Android são compatíveis?
- O que é necessário para o registo
- As verificações de idade podem revelar menos dados pessoais
- As empresas precisam de um leitor e de clientes dispostos a utilizá-lo
- As verificações de identidade em linha alargam o serviço para além dos balcões
- Como se chegou a esta fase do lançamento
- Principais pontos
A alteração aproxima o Android do serviço lançado para iPhone a 24 de junho de 2025. Os utilizadores de Android já tinham acesso a certificados eletrónicos desde maio de 2023, mas o novo serviço permite também apresentar, diretamente a partir do telemóvel, dados pessoais verificados, como o nome, a data de nascimento ou a morada.
No final de setembro de 2026, havia 104,72 milhões de My Number Cards em circulação no Japão, o equivalente a 84,5% da população. A utilização conjunta do serviço para iPhone e do serviço de certificados eletrónicos já existente para Android contava com 9,79 milhões de utilizadores. O lançamento alarga as possibilidades de utilização para os utilizadores de Android de um cartão que a maioria dos residentes já possui.
O guia do serviço para telemóveis da Agência Digital indica que o serviço é gratuito para quem tenha um My Number Card e um telemóvel compatível. O registo é feito através da versão mais recente da MynaApp, a aplicação utilizada para aceder ao Mynaportal e a serviços relacionados.
Há duas condições práticas que determinam se alguém pode utilizar as novas verificações de identidade: o telemóvel em causa tem de ser compatível com a nova funcionalidade e a loja, o organizador do evento ou o balcão governamental tem de estar equipado para a ler. O Android 12, por si só, não é suficiente, e a aceitação depende do prestador do serviço.
O que muda face ao serviço Android já existente?
O serviço de certificados eletrónicos anteriormente disponível no Android já permitia aos utilizadores iniciar sessão no Mynaportal, consultar informações sobre medicamentos, despesas médicas e pensões, entregar declarações de impostos e notificações de mudança de residência, bem como obter documentos, como cópias de certificados de residência, em lojas de conveniência.
Um certificado eletrónico funciona como uma credencial digital que ajuda um serviço a verificar quem está a iniciar sessão ou a apresentar um pedido. A nova função de verificação de atributos permite comprovar dados específicos sobre a pessoa, incluindo o nome, a idade ou a morada.
As orientações sobre a verificação de atributos da Agência Digital, atualizadas a 20 de outubro, descrevem o registo jurídico que sustenta esta função. Emitido ao abrigo da Lei My Number, Lei n.º 27 de 2013, o registo combina informações inscritas no cartão com dados que permitem ao destinatário verificar a sua autenticidade e a sua ligação à pessoa que as transmite.
Para o utilizador, a diferença é concreta. Um telemóvel que antes o ajudava a entrar num sítio Web administrativo pode agora também fornecer dados pessoais verificados a uma empresa aderente ou a um balcão. Nas operações compatíveis, a autenticação facial ou por impressão digital pode substituir o PIN de quatro algarismos, embora seja necessário introduzir as palavras-passe de assinatura sempre que tal seja exigido.
Onde podem ser utilizadas as novas verificações
Prevê-se que as lojas e os prestadores de serviços utilizem a nova função para registo de membros, entrada em eventos e outras verificações de identidade. Entre as utilizações previstas contam-se também empresas que compram bens usados e prestadores que tratam de pedidos de abertura de contas ou de contratos.
A verificação da idade é outra aplicação importante. Um vendedor aderente de bebidas alcoólicas ou tabaco poderá confirmar se o cliente cumpre o requisito de idade. Poderão ser feitas verificações semelhantes em festivais universitários, espaços de entretenimento ou serviços com restrições de idade ou descontos.
Os serviços locais poderão confirmar a morada para conceder descontos a residentes em autocarros, parques de estacionamento ou museus. Um residente poderá comprovar que reúne as condições necessárias através do telemóvel, sem retirar o cartão físico, desde que o operador seja compatível com o serviço.
A Agência Digital inclui ainda, entre as utilizações em telemóveis, o Mynaportal, certificados emitidos em lojas de conveniência, o e-Tax e credenciais de seguro de saúde em instituições médicas e farmácias aderentes. A aceitação pode variar entre Android e iPhone e consoante o serviço. A agência recomenda que as pessoas levem o cartão físico quando o local de destino só o aceitar.
A versão para telemóvel não pode ser utilizada como carta de condução Myna. Quem utiliza o My Number Card físico como documento de habilitação para conduzir deve continuar a cumprir os requisitos desse serviço distinto.
Que telemóveis Android são compatíveis?
Os telemóveis elegíveis têm de utilizar o Android 12 ou posterior e dispor de um chip de segurança que cumpra os requisitos do serviço. A nova função de verificação de atributos utiliza o StrongBox, um ambiente de hardware protegido concebido para manter as operações de segurança sensíveis separadas das aplicações habituais do telemóvel.
A lista de dispositivos compatíveis publicada a 19 de outubro abrange modelos vendidos no mercado japonês. Os utilizadores devem instalar a atualização de segurança mais recente. Um telemóvel importado com o mesmo nome de produto pode não ser elegível, pelo que é importante confirmar o modelo exato.
Entre os exemplos contam-se o Google Pixel 6, o Samsung Galaxy S24, o Sony Xperia 1 VI e o Sharp AQUOS R9 pro. A lista inclui também determinados modelos Pixel e Galaxy posteriores, os AQUOS R10, R11 e sense10 da Sharp, o arrows Alpha2 da FCNT e dispositivos selecionados da Motorola, OPPO e Xiaomi.
Um asterisco junto a um modelo na lista de compatibilidade da agência indica que este suporta a verificação de atributos. No Google Wallet, os telemóveis que só suportam certificados eletrónicos apresentam uma indicação em japonês que significa funcionalidade limitada. Os serviços já existentes, incluindo o início de sessão no Mynaportal e a emissão de documentos em lojas de conveniência, continuam disponíveis.
A Agência Digital prevê que o número de modelos compatíveis aumente à medida que o StrongBox se generalize. A escolha da tecnologia teve em conta a segurança, os custos de desenvolvimento e de funcionamento e o trabalho internacional em matéria de credenciais digitais que podem ser verificadas pelos destinatários. A escolha da tecnologia, a implementação e as alterações às principais aplicações contribuíram para que o lançamento para Android ocorresse cerca de um ano e quatro meses depois do serviço para iPhone.
O que é necessário para o registo
Os utilizadores precisam do My Number Card físico para configurar o serviço, embora o objetivo seja reduzir a frequência com que têm de o transportar depois. Precisam também da palavra-passe de assinatura do cartão, composta por seis a 16 letras e algarismos, e do PIN de quatro algarismos utilizado para ler os dados inscritos no cartão.
O telemóvel tem de ter as versões mais recentes da MynaApp, do Google Wallet e da aplicação Osaifu-Keitai. O registo começa na MynaApp, onde os utilizadores aceitam as condições e seguem as instruções para confirmar a identidade e adicionar a credencial.
O procedimento inclui registar movimentos faciais com a câmara frontal, introduzir o PIN e a palavra-passe de assinatura exigidos e ler o chip IC do cartão físico. Em seguida, os utilizadores definem o PIN ou a palavra-passe necessários para a credencial no telemóvel e concluem as definições de autenticação do dispositivo depois de receberem a notificação de que a emissão foi concluída.
Quem já utiliza certificados eletrónicos Android tem, ainda assim, de concluir os passos de registo facial e leitura do cartão físico para adicionar a verificação de atributos. Pode continuar a utilizar os certificados eletrónicos existentes enquanto decide se pretende registar a nova função.
A Agência Digital indica que quem se tiver esquecido das duas credenciais exigidas para o cartão deve redefini-las no balcão municipal correspondente à sua residência registada. Por isso, verificar o PIN e a palavra-passe antes de começar é uma forma prática de evitar que o registo seja interrompido.
As verificações de idade podem revelar menos dados pessoais
Um cliente que compre bebidas alcoólicas poderá ter de comprovar apenas que tem pelo menos 20 anos. A aplicação de verificação permite fazer essa confirmação limitada sem revelar o nome e a morada da pessoa. A empresa recebe o dado necessário para a transação, em vez de consultar todas as informações impressas no cartão físico.
Outras verificações compatíveis podem utilizar o nome, a morada, a data de nascimento ou uma fotografia. As informações pedidas dependem do serviço e da finalidade da verificação. O sistema de atributos reúne esses dados com as informações necessárias para confirmar que são autênticos e pertencem à pessoa que os transmite.
A aplicação de verificação presencial limita a conservação de informações pessoais no histórico e proíbe capturas de ecrã. Ainda é possível consultar dados limitados, como a data e a hora da verificação e o ano em que o cartão caduca.
A aplicação dispõe também de uma função de exportação de provas em PDF para procedimentos que exijam um registo da verificação, incluindo utilizações relacionadas com a Lei japonesa de Prevenção da Transferência de Produtos do Crime. As verificações de idade correntes e as verificações de identidade regulamentadas envolvem, por isso, necessidades de informação distintas.
As empresas precisam de um leitor e de clientes dispostos a utilizá-lo
As lojas, os municípios e os organizadores de eventos precisam de software de leitura compatível para poderem aceitar a credencial para telemóvel. A Agência Digital disponibiliza gratuitamente a sua aplicação de verificação presencial do My Number Card, que contava com cerca de 602 000 transferências por altura do lançamento.
As orientações oficiais da agência indicam que a versão Android suporta a leitura de registos de verificação de atributos desde a versão 2.0.0, lançada a 27 de janeiro de 2026. Os operadores que utilizem essa aplicação ou aplicações adequadas fornecidas por programadores privados podem seguir um procedimento já estabelecido para aceitar os registos.
As organizações que desenvolvem os seus próprios sistemas têm de cumprir etapas adicionais. A agência exige que as aplicações utilizem os registos, acesso às especificações técnicas, testes e autorização para iniciar o serviço. Os programadores que criem o seu próprio software de verificação poderão também precisar de certificação ministerial para esse software.
O registo oficial já inclui produtos de verificação certificados, como as bibliotecas VeriMe para Windows, da Panasonic Connect, certificadas a 31 de julho de 2026, e o myVerifist, da Flight Solutions, certificado a 14 de setembro. Estas soluções oferecem alternativas à aplicação de leitura do próprio Governo.
A aplicação de verificação também suporta determinados cartões de residência e certificados especiais de residente permanente que integram as funções do My Number Card. Também estavam previstas versões para computador: uma versão para Mac durante outubro de 2026 e uma versão para Windows durante o ano fiscal de 2026, que termina em março de 2027. Os planos incluíam ainda uma versão para iPad. O equipamento necessário pode incluir um leitor de cartões IC sem contacto ou um computador com Bluetooth Low Energy.
As verificações de identidade em linha alargam o serviço para além dos balcões
A nova credencial Android também pode ser utilizada para verificações de identidade em serviços em linha, incluindo pedidos e procedimentos contratuais. A Agência Digital descreve duas opções: uma aplicação Android pode solicitar a credencial através da Digital Credential API ou um sítio Web pode obtê-la através do Chrome, utilizando a mesma interface.
Uma API é uma forma definida de os sistemas de software comunicarem entre si. Neste caso, permite que um serviço autorizado solicite informações guardadas no Google Wallet e as transmita aos sistemas que as verificam.
As empresas têm de criar a ligação e o processo de verificação necessários antes de os clientes poderem utilizar estas opções. Os procedimentos da agência incluem desenvolvimento, testes e autorização para o lançamento. Os clientes só beneficiarão quando cada serviço concluir esse trabalho.
O iPhone e o Android suportam agora a combinação principal de certificados eletrónicos e atributos pessoais verificados, embora as ligações técnicas sejam diferentes. O guia da agência indica que o serviço da Apple é compatível com o iPhone XS ou posterior e o iOS 18.5 ou posterior; a elegibilidade para Android depende mais do modelo específico e do respetivo hardware de segurança.
Como se chegou a esta fase do lançamento
O Japão introduziu gradualmente as funções para telemóveis, começando pelos certificados eletrónicos e permitindo mais tarde a apresentação de dados pessoais verificados. As principais datas mostram como o lançamento para Android se enquadra nesta evolução.
- Maio de 2023: início do serviço de certificados eletrónicos para telemóveis Android.
- 24 de junho de 2025: lançamento do My Number Card para iPhone.
- 27 de janeiro de 2026: a versão 2.0.0 da aplicação de verificação para Android passou a suportar a leitura de registos de atributos.
- 17 de outubro de 2026: o software de transmissão do Google Wallet recebeu certificação ministerial.
- 19 de outubro de 2026: a Agência Digital publicou a lista de compatibilidade para Android.
- 20 de outubro de 2026: lançamento do My Number Card para Android com verificação de atributos.
A utilização de telemóveis continua, ainda assim, aquém da posse de cartões físicos. Os 9,79 milhões de utilizadores dos serviços existentes para telemóveis equivaliam a cerca de nove por cada 100 cartões físicos, face aos 104,72 milhões de cartões existentes no final de setembro. A nova função para Android dá a mais titulares um motivo para se registarem, embora a compatibilidade dos dispositivos e a disponibilidade de leitores determinem onde a poderão utilizar.
Os utilizadores continuam também a ter responsabilidades depois da configuração inicial. A Agência Digital recomenda que eliminem a credencial antes de se desfazerem de um telemóvel ou mudarem de modelo. A renovação do My Number Card físico ou dos respetivos certificados eletrónicos implica configurar novamente a versão para telemóvel.
Principais pontos
- O My Number Card para Android foi lançado a 20 de outubro de 2026, acrescentando ao Google Wallet informações verificadas sobre identidade, idade e morada.
- O serviço é gratuito, mas exige um cartão físico para o registo e um telemóvel elegível com Android 12 ou posterior e hardware de segurança adequado.
- Os telemóveis compatíveis apenas com certificados eletrónicos mantêm as funções existentes.
- Os serviços aderentes podem verificar se alguém tem pelo menos 20 anos sem receber o nome e a morada dessa pessoa.
- As empresas e os balcões governamentais precisam de sistemas de leitura compatíveis para aceitar a credencial digital.
- O cartão para telemóvel não pode ser utilizado como carta de condução Myna, e alguns locais continuam a exigir o cartão físico.






