Duas hipóteses de medalha sobrevivem a uma qualificação difícil
Carlos Yulo qualificou-se em segundo lugar no solo, com 14.500 pontos, e em sexto no salto, com 14.266, nos Campeonatos do Mundo de Ginástica Artística de 2026, em Roterdão, mantendo vivas duas hipóteses de título apesar de ter falhado a final do concurso completo individual.
Índice
- Duas hipóteses de medalha sobrevivem a uma qualificação difícil
- Solo deixa Yulo ao alcance do líder
- Yulo planeia uma série de solo mais difícil
- Dois saltos diferentes garantem o sexto lugar
- Quedas põem fim à candidatura no concurso completo
- Yulo diz não ter lesões após as dores nos Jogos Asiáticos
- Eldrew e Besana ficam de fora das finais
- Três títulos mundiais como alicerce
- As datas que marcam a luta pelas medalhas
- Pontos-chave
O ginasta filipino somou 77.631 pontos nos seis aparelhos e terminou em 34.º lugar na qualificação masculina, no Rotterdam Ahoy. Os próximos objectivos são a final de solo, a 24 de Outubro, e a final de salto, a 25 de Outubro, onde procurará defender o título mundial conquistado em Jacarta, em 2025.
Os resultados de Yulo deixaram-no perto do líder da qualificação de solo, Arsenii Dukhno, que obteve 14.700 pontos. No salto, Jake Jarman, da Grã-Bretanha, e Artur Davtyan, da Arménia, partilharam a melhor média da qualificação, com 14.633.
As duas medalhas de ouro olímpicas que Yulo conquistou em Paris 2024 foram nestes mesmos aparelhos. Em Roterdão, voltaram a ser as suas melhores provas, enquanto as quedas na barra fixa e no cavalo com arções prejudicaram as suas hipóteses de chegar à final, que premeia a consistência nos seis aparelhos.
O relatório da qualificação masculina do Comité Olímpico Internacional confirmou os dois apuramentos de Yulo para as finais por aparelho e o seu 34.º lugar na classificação do concurso completo. Yulo competiu ao lado do irmão mais novo, Karl Eldrew Yulo, que não chegou às finais, tal como o colega de equipa filipino Juancho Miguel Besana.
Solo deixa Yulo ao alcance do líder
Yulo ficou a 0.200 pontos de Dukhno no solo e exactamente 0.200 à frente do israelita Artem Dolgopyat, que se qualificou em terceiro, com 14.300. As pontuações colocaram Yulo entre o líder da qualificação e o campeão mundial de 2023, à entrada da ronda de medalhas.
A sua série começou com uma pirueta e meia ligada a um duplo mortal à frente encarpado, uma combinação acrobática que junta um movimento com rotação a dois mortais para a frente com o corpo flectido pelas ancas. Terminou com um duplo mortal estendido, completando dois mortais com o corpo esticado, seguido de um pequeno salto para trás na recepção.
Frederick Richard, dos Estados Unidos, qualificou-se em quarto, com 14.233, seguido de Jarman, com 14.133, e Yahor Sharamkou, com 14.100. Noam Berkovich, de Israel, e Ryosuke Doi, do Japão, empataram no sétimo lugar, com 14.033, completando o grupo de oito ginastas apurados para a final.
Os 14.500 pontos de Yulo deram-lhe uma margem de 0.467 sobre a pontuação do último qualificado. A sua posição entre os líderes foi alcançada com uma série de dificuldade 5.7, deixando margem para a alteração que disse estar a ponderar para a final.
Yulo planeia uma série de solo mais difícil
Yulo disse que uma alteração à segunda sequência acrobática poderia elevar a dificuldade do seu exercício de solo de 5.7 para 6.0. A dificuldade mede o valor dos elementos executados por um ginasta; a execução avalia a qualidade com que são realizados, incluindo as posições do corpo e as recepções.
Yulo, campeão olímpico em título de solo, falou da possível melhoria e da sua abordagem à final:
A minha segunda sequência, um duplo mortal com pirueta, faria subir a dificuldade para 6.0», disse. «Vou dar tudo nessa prova.
A alteração proposta acrescentaria 0.300 pontos ao valor de dificuldade da série, face aos 0.200 que separaram Yulo de Dukhno na qualificação. A pontuação final dependerá também da execução, pelo que recepções limpas e movimentos controlados serão igualmente importantes para a sua candidatura a uma medalha.
Yulo conquistou o título mundial de solo em Estugarda, em 2019, e a medalha de bronze na prova em Jacarta, em 2025. Roterdão dá-lhe a oportunidade de regressar ao topo do pódio mundial numa disciplina em que já é campeão olímpico.
Dois saltos diferentes garantem o sexto lugar
A qualificação de Yulo para a final de salto dependeu de duas tentativas: 14.000 na primeira e 14.533 na segunda. A média registada, de 14.266, colocou-o em sexto entre os oito finalistas.
Os juízes classificaram o primeiro salto como um Dragulescu, com dificuldade 5.2, mas atribuíram-lhe um valor inferior ao do duplo mortal à frente encarpado com meia pirueta que tentou executar. A decisão reduziu a dificuldade contabilizada nessa tentativa. O segundo salto, um Kas com duplo mortal, valeu-lhe uma pontuação mais alta.
Na qualificação para a final de um aparelho, a nota de salto corresponde à média de dois saltos. A segunda tentativa de Yulo valeu mais 0.533 pontos do que a primeira, ajudando-o a garantir um lugar na final apesar da dificuldade inferior atribuída ao salto inicial.
Ainda assim, Yulo mostrou-se satisfeito com a sua prestação. O campeão mundial de salto em título descreveu a qualificação em termos pessoais:
Talvez esta tenha sido a minha melhor qualificação de sempre no salto», disse. «Na minha opinião, estive mesmo muito bem.
Jarman e Davtyan lideraram, com 14.633, à frente do ucraniano Nazar Chepurnyi, com 14.450, de Dukhno, com 14.350, e do japonês Shohei Kawakami, com 14.283. O norueguês Sebastian Sponevik qualificou-se em sétimo, com 14.233, seguido do britânico Harry Hepworth, com 14.216.
Yulo ficou a apenas 0.017 pontos de Kawakami e 0.033 à frente de Sponevik. Estas margens reduzidas mostram como vários finalistas ficaram próximos, com apenas 0.067 pontos a separar o quarto qualificado, Dukhno, do quinto, Kawakami.
Quedas põem fim à candidatura no concurso completo
O total de 77.631 pontos de Yulo deixou-o de fora da final, que reúne 24 ginastas, com um máximo de dois por país. A prova combina solo, cavalo com arções, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa.
O japonês Oka Shinnosuke liderou a qualificação, com 85.098 pontos, seguido do compatriota Hashimoto Daiki, com 84.632. Dukhno foi terceiro, com 83.866. Yulo terminou 7.467 pontos atrás de Oka nos seis aparelhos.
Yulo caiu no cavalo com arções e na barra fixa. Disse que dificuldades respiratórias afectaram a sua série de barra fixa, depois de ter competido nas barras paralelas, e relacionou o dia difícil com a preparação limitada após os Jogos Asiáticos.
Yulo explicou o que aconteceu na barra fixa:
Depois das paralelas, na barra fixa, não conseguia respirar bem e não conseguia ampliar os movimentos. Por isso, caí», disse. «Acho que me faltou preparação para vir para aqui depois dos Jogos Asiáticos.
A ausência na final pôs fim à possibilidade de melhorar o seu melhor resultado mundial no concurso completo, o oitavo lugar em Liverpool, em 2022. Ao longo da carreira, chegou a três finais mundiais do concurso completo.
Yulo diz não ter lesões após as dores nos Jogos Asiáticos
Yulo disse que as dores que sentira durante os Jogos Asiáticos, terminados a 4 de Outubro, já tinham passado. Apontou a preparação, e não uma lesão persistente, como principal causa das dificuldades na barra fixa e no cavalo com arções.
O ginasta filipino fez o seguinte balanço do seu estado físico após a qualificação:
Estou contente por ter terminado sem qualquer lesão», disse. «As dores com que lidei nos Jogos Asiáticos, que terminaram a 4 de Outubro, já desapareceram.
Yulo chegou a Roterdão depois de conquistar o ouro no solo e no salto nos Jogos Asiáticos, em Aichi-Nagoya, no Japão. A equipa filipina realizou também um estágio em Antibes, França, antes dos Campeonatos do Mundo.
Antes da competição, Yulo tinha descrito os Jogos Asiáticos como parte da preparação para os Mundiais e dito que pretendia competir nos seis aparelhos. Depois da qualificação, concentrou-se em aprender com os erros enquanto se preparava para as duas finais que alcançou.
Yulo descreveu assim a forma como encarou as séries difíceis:
As coisas acontecem e aprendemos», disse. «Cometemos alguns erros, mas vou encará-los como uma lição. Estamos sempre a ganhar uma lição, por isso não vale a pena desanimar.
Eldrew e Besana ficam de fora das finais
Karl Eldrew Yulo somou 67.032 pontos e terminou em 137.º lugar na qualificação do concurso completo. Caiu na segunda sequência acrobática de solo e não chegou a nenhuma final por aparelho.
O Yulo mais novo chegou a Roterdão com medalhas conquistadas em competições anteriores, incluindo o bronze na estreia nos Jogos Asiáticos, o ouro na Taça do Mundo de Antália e dois bronzes na Taça do Mundo do Cairo. Roterdão deu aos irmãos mais uma oportunidade de competirem na mesma prova internacional.
Carlos Yulo disse sentir orgulho no irmão mais novo, apesar de ambos terem tido um dia difícil na qualificação. Na qualidade de irmão mais velho de Eldrew, reflectiu sobre a experiência partilhada:
Acho que hoje não era o nosso dia, e há muitas lições e aprendizagens que levamos connosco», disse. «Tenho mesmo muito orgulho nele, como irmão mais velho, embora seja mais baixo.
Juancho Miguel Besana, que competiu em alguns aparelhos, terminou em 65.º lugar na barra fixa, com 12.733 pontos, e também não chegou às finais por aparelho. Haylee Garcia representou as Filipinas no concurso completo feminino; o resultado ainda não estava disponível.
Três títulos mundiais como alicerce
Yulo chegou a Roterdão com oito medalhas em Campeonatos do Mundo: três de ouro, duas de prata e três de bronze. Conquistou os títulos mundiais no solo, em 2019, e no salto, em 2021 e 2025.
O seu palmarés inclui ainda a prata nas barras paralelas em Kitakyushu, em 2021, a prata no salto e o bronze nas barras paralelas em Liverpool, em 2022, e o bronze no solo em Jacarta, em 2025. A primeira medalha num Campeonato do Mundo surgiu na estreia, em Doha, em 2018.
Paris 2024 acrescentou medalhas de ouro olímpicas no solo e no salto. Os resultados da qualificação em Roterdão mantêm-no na luta nos mesmos dois aparelhos, com um objectivo diferente em cada um: reconquistar o título mundial de solo e defender o título no salto.
O melhor lugar de Yulo na qualificação foi no solo, onde terminou em segundo. No salto, terá de subir a partir do sexto lugar frente a um grupo liderado por dois ginastas empatados com 14.633, embora a sua segunda tentativa já tenha mostrado que consegue obter uma pontuação superior à média da qualificação.
As datas que marcam a luta pelas medalhas
Os campeonatos decorrem de 17 a 25 de Outubro, no Rotterdam Ahoy. A qualificação masculina realizou-se a 17 e 18 de Outubro, seguindo-se as finais por equipas, do concurso completo e dos aparelhos individuais.
- 4 de Outubro: Terminaram os Jogos Asiáticos, menos de duas semanas antes do início da qualificação dos Mundiais.
- 17-18 de Outubro: Realizou-se em Roterdão a qualificação masculina.
- 20 de Outubro: Está marcada a final masculina por equipas.
- 22 de Outubro: Está marcada a final masculina do concurso completo individual.
- 24 de Outubro: Yulo deverá competir na final de solo.
- 25 de Outubro: Yulo deverá competir na final de salto.
O Japão liderou a qualificação por equipas, com 254.529 pontos, à frente da Grã-Bretanha, com 251.460, e da World Gymnastics 2, com 249.162. A China, os Estados Unidos, a Suíça, os Países Baixos e a Colômbia completaram o grupo das oito equipas apuradas.
A final por equipas também tem em jogo o apuramento olímpico: as três melhores equipas garantirão vagas para os Jogos de Los Angeles 2028. Para Yulo, o foco imediato está no fim-de-semana de encerramento, com duas oportunidades para acrescentar medalhas mundiais ao seu palmarés.
Pontos-chave
- Carlos Yulo qualificou-se em segundo no solo, com 14.500 pontos, e em sexto no salto, com 14.266.
- Terminou em 34.º lugar no concurso completo, com 77.631 pontos, e falhou a final.
- Disse que uma melhoria planeada no solo poderá elevar a dificuldade de 5.7 para 6.0.
- A final de solo está marcada para 24 de Outubro e a final de salto para 25 de Outubro.
- Yulo procura reconquistar o título mundial de solo e defender o título no salto.
- Karl Eldrew Yulo e Juancho Miguel Besana não chegaram a nenhuma final masculina por aparelho.






