Deva morre aos 75 anos: o cinema tâmil recorda o compositor por detrás do som inconfundível de Rajinikanth

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Deva dies at 75: Tamil cinema remembers the composer behind Rajinikanth's signature sound

Dos ritmos gaana de Chennai a mais de 400 filmes

Deva, o compositor cuja música acompanhou o famoso genérico de «Superstar» de Rajinikanth e levou os ritmos gaana de Chennai ao cinema comercial, morreu em Chennai a 17 de outubro de 2026, aos 75 anos. O funeral estava marcado para 18 de outubro, em Mangadu, perto de Arcot, no distrito de Ranipet, com honras oficiais do Estado de Tamil Nadu.

Índice
  1. Dos ritmos gaana de Chennai a mais de 400 filmes
  2. O trabalhador de televisão que foi ouvido a tocar piano
  3. Os filmes que marcaram a sua ascensão
  4. A importância da música do genérico de Rajinikanth
  5. Gaana, canções de dança e melodias mais suaves
  6. Canções que passaram a fazer parte da vida pública
  7. A Malásia ajudou as suas melodias a chegar mais longe
  8. Uma conversa difícil sobre Padayappa
  9. O realizador a quem chamava «o meu realizador»
  10. O público jovem trouxe nova energia aos seus concertos
  11. Principais pontos

Os seus restos mortais permaneceriam na sua residência em T. Nagar, Chennai, até às 13h00 de 18 de outubro, para que admiradores e colegas pudessem prestar-lhe homenagem, antes de serem levados para a sua aldeia natal. Entre os que se reuniram em sua casa estavam cantores da comunidade gaana do norte de Chennai.

O vice-presidente C.P. Radhakrishnan atribuiu a Deva a composição de música para mais de 400 filmes em tâmil, telugu, malaiala e canarês. A sua obra foi de Annamalai e Baashha às bandas sonoras românticas de Aasai e Kadhal Kottai, e às comédias de Kamal Haasan Avvai Shanmugi e Panchathanthiram.

Relatos hospitalares descreveram a sua morte após um ataque cardíaco, na sequência do internamento no Surya Hospital, por volta das 8h30; o realizador Suresh Krissna, relatando o que lhe contara o filho de Deva, descreveu uma paragem cardíaca súbita depois de o compositor se ter levantado, feito a barba e tomado café. Não foi divulgado um comunicado médico detalhado que esclarecesse a sequência dos acontecimentos.

As roupas brancas que usava habitualmente, a voz rouca e áspera e o humor descontraído tornaram-no reconhecível para lá do estúdio de gravação. Os anos mais intensos da sua carreira foram a década de 1990 e o início dos anos 2000, quando conquistou um público considerável a par do consagrado Ilaiyaraaja e do emergente A.R. Rahman. As suas canções também foram muito além do cinema, chegando a multidões em festivais, salas de concertos no estrangeiro e, em Singapura, à despedida de um antigo presidente.

O trabalhador de televisão que foi ouvido a tocar piano

Nascido Devanesan Chokkalingam a 20 de novembro de 1950, Deva seguiu um percurso até à composição que incluiu trabalho longe dos holofotes. O antigo director da Doordarshan M.S. Perumal recordou-o a trabalhar como assistente de estúdio, ajudando nas tarefas práticas da produção televisiva.

Perumal lembrou-se de ouvir um piano quando regressava de uma inspecção a um cenário de estúdio. Seguiu o som e encontrou o jovem Devanesan a tocar. Depois de perguntar por ele, Perumal soube que já fazia música com Chandrabose para produções teatrais que envolviam a actriz Manorama.

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Perumal conseguiu então que compusesse para Vayalum Vaazhvum, com letras de Thondarampattu Vasu. Seguiu-se trabalho em dramas televisivos. Segundo Perumal, alguns colegas queixaram-se a altos responsáveis por atribuírem responsabilidades musicais a um assistente de estúdio, mas ele continuou a apoiar Deva.

Quando surgiram oportunidades no cinema, Deva pediu conselho a Perumal. Este incentivou-o a demitir-se e a dedicar-se ao cinema. A sua vida profissional também incluiu um período no Departamento de Obras Públicas de Tamil Nadu, embora não se especifiquem as datas desses empregos.

O actor Sarathkumar recordou, à parte, o seu próprio papel na apresentação de Deva ao mundo do cinema. Estas memórias situam várias pessoas no percurso do compositor, de um emprego assalariado e da música para teatro até ao cinema comercial.

Os filmes que marcaram a sua ascensão

Mattukkara Mannaru, estreado em 1986, é identificado como a estreia de Deva na composição para cinema. Vaikasi Poranthachu trouxe-lhe maior reconhecimento em 1990 e o seu primeiro Prémio Estadual de Cinema de Tamil Nadu para Melhor Director Musical. Annamalai, estreado em 1992, tornou-se um importante ponto de viragem.

Mais tarde, Deva foi distinguido pelo trabalho em Aasai e recebeu o prémio Kalaimamani do governo de Tamil Nadu. Ficou conhecido como Thenisai Thendral, uma expressão tâmil que evoca uma brisa de música melodiosa.

As principais etapas da sua carreira mostram como o seu público foi crescendo:

  • 1986: Mattukkara Mannaru assinalou a sua estreia como compositor de música para cinema.
  • 1990: Vaikasi Poranthachu trouxe-lhe maior reconhecimento e o seu primeiro Prémio Estadual de Cinema.
  • 1992: Annamalai deu início à sua colaboração com Suresh Krissna e apresentou o duradouro genérico «Superstar» de Rajinikanth.
  • 1995: Baashha reforçou a sua associação à imagem de Rajinikanth no grande ecrã.
  • 1997: Porkkaalam incluiu Thanjavooru Mannu Eduthu, mais tarde associada ao antigo presidente de Singapura S.R. Nathan.
  • 2023: Antes de um concerto em Kuala Lumpur, Deva falou sobre como os ouvintes malaios ajudaram as suas melodias a chegar a públicos de todo o mundo.
  • 18 de outubro de 2026: As suas cerimónias fúnebres estavam marcadas para essa data, com honras oficiais do Estado.

A sua produção foi particularmente intensa durante a década de 1990. Foi-lhe atribuída música para 36 filmes em 1996, o equivalente a três filmes por mês ao longo desse ano. O número dá uma ideia da procura pelo seu trabalho no auge da carreira.

A importância da música do genérico de Rajinikanth

Annamalai ofereceu ao público uma introdução musical que se tornou parte da identidade de Rajinikanth. Deva compôs a música que acompanhava o genérico «Superstar», transformando o aparecimento do nome do actor num momento de expectativa antes do início da história.

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Suresh Krissna, que realizou Annamalai, recordou que queria transformar o título que o público já usava para Rajinikanth num logótipo visual. Os cineastas trabalharam com recursos técnicos modestos e não faziam ideia de quanto tempo a apresentação iria durar. Krissna disse que esta se manteve até Jailer 2.

Rajinikanth apontou Annamalai, Baashha e Arunachalam como três grandes êxitos cuja música foi composta por Deva. Nesses filmes, o compositor criou tanto canções como temas dramáticos que ajudavam o público a reconhecer a presença de uma personagem em poucos segundos.

A sua música de fundo também servia a comédia. A banda sonora que acompanhava as cenas de Goundamani em Sooriyan continuou a ser uma parte bem conhecida do encanto do filme. A música de fundo é a componente instrumental que acompanha uma cena, usada para criar tensão, acentuar uma piada ou orientar as emoções do público.

Gaana, canções de dança e melodias mais suaves

A tradição gaana de Chennai foi central para a imagem pública de Deva. Enraizada nas comunidades trabalhadoras da cidade, recorre a linguagem directa, expressões locais e ritmos fortes para transmitir experiências do quotidiano. Deva ajudou a levar esse som a um público muito mais vasto através do cinema.

Deva explicou a sua ligação a este género numa entrevista anterior, falando como compositor de Chennai:

Sou natural de Chennai, e o gaana é inseparável dos habitantes de Chennai... Pode soar cru, mas a musicalidade deste género é muito profunda.

O seu repertório também incluía kuthu, um estilo enérgico associado à dança, composições devocionais e canções românticas suaves. Esta variedade permitiu-lhe trabalhar em filmes de géneros muito diferentes, sem depender de um único som.

Aasai, Kadhal Kottai, Nerrukku Ner, Kaalamellam Kadhal Vaazhga e Aahaa ilustraram a sua veia melódica. Avvai Shanmugi, Pammal K. Sambandam e Panchathanthiram integraram a sua música em comédias protagonizadas por Kamal Haasan. Vaalee e Kushi alargaram uma filmografia que também incluía filmes protagonizados por Ajith e Vijay, além de Rajinikanth e Haasan.

Deva também cantava, dando a algumas canções a voz rouca que os ouvintes associavam a si. M.K. Stalin, presidente do DMK, recordou que continuou a cantar para compositores mais jovens, incluindo Anirudh, levando essa voz familiar à música de outra geração.

Canções que passaram a fazer parte da vida pública

A homenagem de Stalin descreveu como as canções de Deva foram além dos filmes em que surgiram. Referiu Naan Autokaaran como uma canção estreitamente associada às praças de táxis de Tamil Nadu e Vaararu Azhagar Vaararu como uma parte inseparável do festival Chithirai de Madurai.

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Estes exemplos mostram duas formas diferentes de a música de cinema passar a fazer parte da vida quotidiana. Uma canção sobre uma profissão pode tornar-se uma expressão partilhada de orgulho entre os trabalhadores. Outra pode tornar-se um som familiar de uma celebração religiosa local, regressando todos os anos com o festival.

Thanjavooru Mannu Eduthu, composta para o filme Porkkaalam, de 1997, ganhou uma associação diferente no estrangeiro. Era uma das canções preferidas do antigo presidente de Singapura S.R. Nathan e foi tocada na sua despedida. Deva descreveu essa ligação como uma honra.

Para um compositor frequentemente associado a animadas canções de dança, a ligação a Singapura também reflectia o alcance da sua música mais suave. Uma canção de cinema passara a fazer parte de uma memória pessoal suficientemente importante para acompanhar uma despedida pública.

A Malásia ajudou as suas melodias a chegar mais longe

A Malásia ocupava um lugar especial no relato de Deva sobre o seu público. Antes de um concerto em Kuala Lumpur, em 2023, disse que os ouvintes de lá tinham ajudado algumas das suas canções românticas a alcançar maior sucesso.

Ao explicar a recepção da sua música fora da Índia, Deva afirmou:

Embora seja conhecido pelas minhas canções gaana, foi apenas através da Malásia que as minhas canções melódicas se tornaram êxitos a nível mundial.

Deva usou Kadhal Kottai para explicar a diferença. Kavalai Padathey tinha sido um grande êxito na Índia, enquanto os ouvintes malaios reagiram com especial entusiasmo à mais suave Nalam Nalamariya Aval. O público no estrangeiro elegeu uma canção diferente da mesma banda sonora como favorita.

Deva também apreciava que os fãs malaios reconhecessem os compositores e outros profissionais que trabalhavam atrás das câmaras. Os concertos davam-lhe a oportunidade de conhecer ouvintes que conheciam a música, embora o seu criador raramente aparecesse no ecrã.

A sua obra também atravessou as indústrias cinematográficas de diferentes línguas da Índia. Entre os seus trabalhos em telugu contam-se Master, Tholi Prema, Auto Driver e Naaga. Suresh Krissna recordou ter colaborado com ele em tâmil, telugu, canarês e malaiala, e numa canção em hindi para Anantha.

Uma conversa difícil sobre Padayappa

A homenagem de Rajinikanth incluiu a memória de quando abordou Deva para lhe dizer que queria escolher A.R. Rahman para Padayappa. Depois de terem feito três filmes de sucesso juntos, o actor disse que hesitou em explicar a mudança.

Rajinikanth recordou que Deva se levantou, lhe apertou a mão e apoiou calorosamente a escolha. Ao descrever a reacção, o actor citou Deva:

Ele (Rahman) é um compositor novo e talentoso. Claro que deve trabalhar com ele.

Rajinikanth descreveu Deva como alguém de coração de ouro. Recordou também as dificuldades que o compositor enfrentou no início, incluindo actuações nas ruas e em casamentos para ajudar a sustentar os irmãos e as respectivas famílias.

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Deva continuou próximo dos irmãos depois de alcançar o sucesso. Os seus irmãos Sabesh e Murali trabalharam em música para cinema, e o filho, Srikanth Deva, tornou-se compositor. Perumal recordou que Deva dizia com orgulho que os irmãos mais novos eram seus superiores no cinema, pois tinham tocado instrumentos para T. Rajendar antes de ele entrar na indústria.

Perumal recordou também que Deva recebeu o prémio Kalaimamani e que, mais tarde, enquanto presidente do Tamil Nadu Eyal Isai Nataka Mandram, passou a poder entregar essa distinção a outros artistas. A sua carreira levou-o de procurar uma oportunidade a ajudar a reconhecer os outros.

O realizador a quem chamava «o meu realizador»

Suresh Krissna descreveu uma amizade que começou profissionalmente com Annamalai e se tornou uma relação quase familiar. Identificou Charukesi como o último filme que fizeram juntos e disse que o trabalho recente dos dois também incluiu Anantha.

Krissna recordou Deva como igualmente caloroso em público e em privado, sempre pronto a partilhar o mérito e mais feliz quando falava de música enquanto tomava café. O realizador disse que Deva tinha descrito recentemente a relação entre ambos de uma forma invulgarmente pessoal:

Disse há pouco algo que me comoveu muito. Disse: “Suresh Krissna é o meu realizador.” Disse-me que nunca diria isso de mais ninguém.

A amizade atravessou décadas e diferentes línguas. Krissna disse que Deva lhe atribuía o mérito de ter levado a sua música a diferentes indústrias e lugares. As suas recordações ligam os grandes marcos públicos de Annamalai às rotinas mais discretas das gravações, das conversas e das colaborações repetidas.

Kamal Haasan recordou o ambiente animado de trabalhar com Deva em Avvai Shanmugi, Pammal K. Sambandam e Panchathanthiram. Silambarasan TR, Nivin Pauly, Karthi, Simran, Vijay Sethupathi, Srinivas e RJ Balaji também lhe prestaram homenagem, recordando o trabalho com ele em Mookuthi Amman.

O público jovem trouxe nova energia aos seus concertos

Rajinikanth recordou que Deva lhe pediu ajuda para lançar uma série de concertos em Singapura, cerca de dois anos e meio antes de morrer. Seguiram-se actuações noutros países. Depois de regressar de uma digressão recente, Deva visitou o actor e falou com entusiasmo dos jovens que celebravam as suas canções.

Krissna descreveu o mesmo entusiasmo. Deva enviava-lhe vídeos dos espectáculos, encantado por ver o público a dançar ao som de músicas compostas muitos anos antes. O realizador recordou a surpresa do compositor ao descobrir que tinha fãs mais jovens:

Ficava surpreendido e dizia: “Meu Deus, a geração Z!” Ficava muito feliz por ver como as pessoas apreciavam a sua música e quantos espectáculos estavam a acontecer.

Os concertos reuniam várias facetas da sua carreira: os ritmos gaana associados a Chennai, as canções românticas apreciadas no estrangeiro e as bandas sonoras conhecidas de grandes filmes tâmeis. Os ouvintes mais jovens descobriam essa música, enquanto aqueles que a tinham ouvido quando foi lançada voltavam a ela com as suas próprias recordações.

A decisão de Tamil Nadu de lhe prestar honras oficiais do Estado acompanhou uma despedida muito mais pessoal por parte de colegas e fãs. Para eles, Deva era o compositor por detrás da entrada de uma estrela, de uma canção de amor preferida, de uma gravação de um festival ou de uma noite de dança.

Principais pontos

  • Deva morreu em Chennai a 17 de outubro de 2026, aos 75 anos.
  • O funeral estava marcado para 18 de outubro, em Mangadu, perto de Arcot, com honras oficiais do Estado de Tamil Nadu.
  • Compôs música para mais de 400 filmes em tâmil, telugu, malaiala e canarês.
  • A sua música para o genérico «Superstar» de Rajinikanth surgiu com Annamalai, em 1992.
  • A sua obra combinava gaana de Chennai, canções de dança enérgicas, melodias românticas, música devocional e bandas sonoras.
  • Os ouvintes da Malásia e de Singapura foram uma parte importante do seu público fora da Índia.
  • A sua família musical inclui o filho Srikanth Deva e os irmãos Sabesh e Murali.
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