Dois imóveis e três contratos de crédito no centro da disputa
Sarwendah e o ex-marido, Ruben Samuel Onsu, deverão recorrer à mediação para resolver quem é responsável pelas prestações mensais de empréstimos superiores a 270 milhões de rupias, perto dos 300 milhões, associados a dois imóveis dados como garantia ao Bank Central Asia (BCA). A primeira audiência teve lugar no Tribunal Distrital de Jacarta do Sul, a 13 de outubro de 2026, sem a presença de Sarwendah ou Ruben.
Índice
- Dois imóveis e três contratos de crédito no centro da disputa
- O que Sarwendah pede ao tribunal que decida
- Ruben nega ter incumprido o acordo
- O que o valor de 12 mil milhões de rupias permite ou não concluir
- A ameaça de leilão que torna a situação urgente
- Porque é que a primeira audiência foi processual
- Mediação marcada para 20 de outubro
- A ação financeira é distinta do conflito familiar mais amplo
- Pontos principais
A ação cível, registada a 28 de setembro com o número de processo 1198/Pdt.G/2026/PN JKT.SEL, diz respeito à execução da escritura notarial n.º 39, um acordo relacionado com o divórcio. Sarwendah alega que as obrigações previstas no acordo não foram cumpridas. A equipa jurídica de Ruben rejeita a acusação e defende que os pagamentos são da responsabilidade de ambos.
Os imóveis são identificados como casas em BDN e Rempoa. Jaenudin, advogado de Sarwendah, disse que as prestações mensais resultam de três contratos de crédito. Referiu também um valor de cerca de 12 mil milhões de rupias, embora as notícias divirjam quanto a saber se corresponde ao valor dos imóveis, à dívida em falta ou ao total das obrigações de crédito.
A primeira audiência incidiu sobre os documentos das partes e os poderes dos respetivos representantes legais, e não sobre uma decisão acerca de quem deve pagar. Ambas as partes concordaram em recorrer a um mediador que não é juiz, tendo sido noticiado que a mediação está marcada para terça-feira, 20 de outubro de 2026.
A disputa imediata é, portanto, mais restrita do que uma nova partilha dos bens do antigo casal. Está em causa saber como um acordo existente atribui a responsabilidade por empréstimos ainda associados a duas casas. Esta distinção é importante, porque decidir quem recebeu um bem e quem tem de continuar a pagar a dívida a ele associada são questões diferentes.
O que Sarwendah pede ao tribunal que decida
Jaenudin descreve a ação como um pedido por wanprestasi, termo jurídico indonésio que se refere ao incumprimento de uma obrigação contratual. Neste caso, Sarwendah pede que sejam cumpridos os compromissos que, segundo a sua equipa jurídica, ficaram registados na escritura notarial n.º 39.
A sua posição é que Ruben é responsável pelas prestações ao BCA. A 7 de outubro, Jaenudin afirmou que a escritura estipulava que Ruben devia efetuar esses pagamentos. Na audiência de 13 de outubro, descreveu a ação como uma forma de esclarecer as interpretações divergentes sobre se o pagamento cabe apenas a Ruben ou a ambos os ex-cônjuges.
Jaenudin, advogado de Sarwendah, explicou que a ação pretende fazer cumprir o acordo, em vez de abrir uma nova disputa sobre a propriedade dos bens comuns:
Gugatan wanprestasi itu berkaitan dengan menagih prestasi seseorang, menagih agar Akta 39 itu berjalan kembali gitu loh, seperti sebelumnya.
Explicou que a ação pretende que a escritura n.º 39 volte a produzir efeitos como antes. Disse que Sarwendah acatará a decisão do tribunal, inclusive se os juízes concluírem que o pagamento deve ser partilhado.
As cláusulas relevantes da escritura não foram reproduzidas integralmente nas notícias sobre o caso. Sem esse texto, não é possível resolver as diferentes interpretações apenas com base nas declarações públicas dos advogados. Não foi noticiada qualquer decisão sobre a responsabilidade na audiência inicial.
Ruben nega ter incumprido o acordo
Minola Sebayang, advogado de Ruben, defende que o acordo atribui a ambos a responsabilidade pelas prestações até à liquidação dos empréstimos. A sua posição contesta diretamente a alegação de Sarwendah de que a obrigação de pagamento cabe a Ruben.
Após a audiência de 13 de outubro, Minola disse que Ruben tinha deixado o acompanhamento do processo a cargo da sua equipa jurídica e que não enviara qualquer mensagem especial para a audiência. Rejeitou também a acusação de incumprimento contratual.
Minola Sebayang, representante de Ruben, expôs a posição da equipa quanto à responsabilidade pelos pagamentos:
Kami tetap berpendapat itu adalah kewajiban para pihak.
Esta declaração significa que a equipa continua a considerar que o pagamento é uma obrigação de ambas as partes, e não apenas de Ruben. Jaenudin afirmou que Sarwendah respeita o direito da outra parte de apresentar essa defesa, embora tenha uma interpretação diferente.
A disputa diz respeito, por conseguinte, tanto ao significado do acordo como à questão de saber se alguma das partes deixou de o cumprir. O valor da prestação mensal dá uma ideia da dimensão financeira, mas não determina, por si só, quem é legalmente responsável.
O que o valor de 12 mil milhões de rupias permite ou não concluir
Jaenudin estimou que as prestações mensais ultrapassam os 270 milhões de rupias, aproximando-se dos 300 milhões, no total dos três contratos de crédito. São estimativas, não uma discriminação publicada de cada empréstimo. As notícias não explicam como se distribuem os três contratos pelas duas casas.
Com os valores indicados, 12 meses de pagamentos corresponderiam a cerca de 3,24 mil milhões a 3,6 mil milhões de rupias. Este cálculo mostra a dimensão anual do encargo. Não representa uma declaração de dívida vencida nem o montante que Sarwendah reclama na ação.
É necessário ter particular cautela quanto ao valor separado de 12 mil milhões de rupias. Algumas notícias descrevem-no como o valor dos imóveis, enquanto outras o apresentam como dívida em falta ou total das obrigações de crédito. A descrição citada de Jaenudin refere-se, de forma genérica, ao total na última verificação e não permite esclarecer estas diferentes interpretações.
Estas categorias não são equivalentes. O valor de um imóvel corresponde ao que esse bem vale; o saldo em dívida é o montante que falta pagar; e as prestações mensais podem incluir juros, além do reembolso do capital emprestado. Por isso, os 12 mil milhões de rupias não devem ser apresentados simultaneamente como um valor confirmado dos imóveis e um saldo de dívida confirmado.
As notícias não divulgaram extratos detalhados dos empréstimos, taxas de juro, calendários de pagamento ou um total confirmado de prestações em atraso. Os valores mostram que estão em disputa compromissos de crédito avultados, mas não esclarecem com precisão quanto falta pagar nem quando termina cada contrato.
A ameaça de leilão que torna a situação urgente
A possibilidade de perder um imóvel dado como garantia confere à divergência uma urgência prática que vai além da interpretação da escritura. A equipa jurídica de Sarwendah afirmou que as casas podem ser leiloadas se os empréstimos não forem pagos.
A 6 de agosto de 2026, Abraham Simon, outro advogado de Sarwendah, mostrou o que identificou como uma terceira carta de advertência do banco, datada de 1 de outubro de 2025. Disse que a carta tinha sido dirigida a Sarwendah e Ruben e recebida na casa de BDN.
Segundo a apresentação de Simon, a carta advertia que o banco poderia exercer os seus direitos legais, incluindo leiloar a garantia, caso a dívida não fosse liquidada no prazo indicado. Um imóvel dado como garantia serve de caução de um empréstimo, pelo que o incumprimento dos pagamentos pode sujeitá-lo a medidas de execução por parte do credor.
A carta foi apresentada pelos advogados de Sarwendah, não através de uma declaração pública do BCA. O conteúdo noticiado sustenta a versão de que existiu uma ameaça de leilão, mas não prova que tenha ocorrido um leilão nem que tenha sido fixada uma data para a venda.
A 7 de outubro, Jaenudin afirmou que as casas de BDN e Rempoa tinham sido atribuídas a Sarwendah e estavam em risco caso as prestações não fossem pagas. Esta é a sua versão da distribuição dos bens e das respetivas consequências. Não foi noticiado que o tribunal tenha confirmado essas alegações.
As notícias divergem quanto ao historial dos pagamentos. Nas declarações de 7 de outubro, Jaenudin disse, com alguma incerteza, que os pagamentos tinham sido interrompidos por volta do final de 2023. Nas declarações de 13 de outubro, afirmou que os pagamentos decorriam desde 2024. As versões não esclarecem se se referem a períodos diferentes, a pagamentos interrompidos ou a uma data errada. Não devem ser fundidas numa única cronologia confirmada.
Porque é que a primeira audiência foi processual
Sarwendah não compareceu na audiência inicial porque Jaenudin a aconselhou de que a sua presença ainda não era necessária. Disse que os juízes tinham primeiro de verificar se os documentos das partes estavam completos e confirmar os poderes legais dos advogados que as representavam.
Neste contexto, a verificação da legitimidade processual incluiu confirmar que os advogados tinham poderes válidos para representar os seus clientes. Jaenudin explicou especificamente que precisava de apresentar documentação que comprovasse ser advogado de Sarwendah. Minola também descreveu a ordem de trabalhos como uma análise dos documentos de representação, da petição e das condições para a mediação.
Ruben também não compareceu pessoalmente, tendo ambos os ex-cônjuges sido representados pelas respetivas equipas jurídicas. A ausência nesta audiência processual não demonstra que tenham aceite ou rejeitado a ação.
A ação identifica Ruben Samuel Onsu como réu e um banco como parte adicional, designada no processo indonésio por turut tergugat. Notícias posteriores identificam esse banco como o BCA. Jaenudin disse ter percebido que o BCA estivera presente na primeira audiência, embora não tenha sido noticiada qualquer resposta pública do banco sobre o mérito da disputa.
Mediação marcada para 20 de outubro
As duas equipas jurídicas concordaram em recorrer a um mediador externo ao sistema judicial. Minola disse que as partes deixaram a escolha ao coletivo de juízes, depois de ponderarem uma longa lista de possíveis mediadores, e que o tribunal nomeou alguém que não é juiz.
Os advogados apontaram a flexibilidade de horários como motivo para essa escolha. Jaenudin disse que um mediador externo poderia acelerar o processo, enquanto Minola afirmou que a agenda de audiências de um juiz poderia dificultar a marcação das reuniões.
A mediação procura alcançar um acordo, em vez de resolver a disputa através de uma sentença contestada. A data noticiada é 20 de outubro de 2026, uma semana após a primeira audiência. Não foram divulgados o nome do mediador nem os termos de um eventual acordo.
Minola disse esperar que Ruben e Sarwendah compareçam pessoalmente, por serem eles, e não os advogados, quem tem de resolver a divergência. Jaenudin sugeriu inicialmente que Sarwendah poderia estar presente, mas afirmou mais tarde que a comparência ainda seria discutida, tendo em conta a situação e os planos de ambas as partes.
As principais datas mostram como a disputa financeira chegou a esta fase:
- 1 de outubro de 2025: Data da terceira carta de advertência do banco, posteriormente apresentada pelos advogados de Sarwendah, relativa ao imóvel de BDN.
- 6 de agosto de 2026: Abraham Simon apresentou a carta de advertência no Tribunal Distrital de Jacarta do Sul.
- 28 de setembro de 2026: Sarwendah registou a ação 1198/Pdt.G/2026/PN JKT.SEL.
- 30 de setembro de 2026: Minola disse que a parte de Ruben respeitava a ação judicial e aguardava uma notificação formal.
- 7 de outubro de 2026: Jaenudin explicou publicamente a divergência sobre as disposições da escritura relativas aos pagamentos.
- 13 de outubro de 2026: A primeira audiência analisou requisitos processuais e organizou a mediação.
- 20 de outubro de 2026: Data prevista para a mediação, segundo as notícias.
A ação financeira é distinta do conflito familiar mais amplo
A disputa decorre em paralelo com divergências sobre os acordos parentais, o apoio financeiro e uma ação relativa à guarda dos filhos. Jaenudin afirma que a ação de Ruben sobre a guarda também se baseia na escritura n.º 39, em particular nas disposições relativas aos encontros com os filhos.
Essa referência comum não significa que todas essas questões façam parte deste processo financeiro. Jaenudin tem limitado repetidamente a ação às obrigações de crédito associadas aos imóveis de BDN e Rempoa, em vez de propor uma nova partilha de todas as casas, veículos e outros bens.
Algumas notícias afirmam, em termos gerais, que as casas e os carros estão excluídos, ao mesmo tempo que identificam as duas casas dadas como garantia como objeto da ação. A distinção mais precisa, segundo a explicação de Jaenudin, está entre fazer cumprir as obrigações associadas a esses imóveis e reabrir a partilha de todo o património do antigo casal.
As alegações separadas relativas à cobrança de dívidas também estão fora deste âmbito restrito. Em agosto, a equipa jurídica de Sarwendah afirmou que as mensagens de cobrança continuaram em abril e maio de 2026 e contribuíram para a decisão de se mudar, para proteger o bem-estar psicológico dos filhos. Mark Adrianus Ambarita, advogado, disse que ela não acreditava ter sido proprietária de um Mini Cooper mencionado nos pedidos de pagamento. Trata-se de alegações dos seus representantes, não de conclusões que estabeleçam quem é responsável por essa dívida relativa ao veículo.
As questões por resolver são concretas: o que determina a escritura, como foram efetivamente pagos os empréstimos, quais os saldos exatos em dívida e se a mediação permitirá chegar a um acordo. O próximo passo previsto é uma tentativa de acordo, não um leilão noticiado nem uma decisão que atribua a uma das partes a totalidade da obrigação de pagamento.
Pontos principais
- A ação de Sarwendah diz respeito às obrigações de pagamento previstas na escritura notarial n.º 39, relativas a duas casas em BDN e Rempoa dadas como garantia ao BCA.
- Jaenudin estima que as prestações mensais dos três contratos de crédito ultrapassam os 270 milhões de rupias e se aproximam dos 300 milhões.
- As notícias descrevem de formas diferentes o total de cerca de 12 mil milhões de rupias, pelo que o seu significado exato continua por esclarecer.
- A parte de Sarwendah afirma que Ruben tem de pagar; a equipa jurídica de Ruben nega o incumprimento e diz que a obrigação é partilhada.
- Os advogados de Sarwendah apresentaram uma advertência bancária datada de 1 de outubro de 2025, mas não foi noticiada qualquer data confirmada para um leilão.
- Nenhum dos ex-cônjuges compareceu pessoalmente na audiência inicial de 13 de outubro. Não foi noticiada qualquer decisão sobre a responsabilidade pelos pagamentos.
- A mediação, com um mediador que não é juiz, foi marcada para 20 de outubro de 2026. A comparência pessoal continuava em discussão.






