Taiwan prevê nova supervisão dos conselhos de administração de sete gestoras de fundos após infrações de investimento da Cathay

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Taiwan Plans New Board Oversight for Seven Fund Managers After Cathay Investment Violations

Gestoras com NT$1 bilião enfrentam novos requisitos de governação

A Comissão de Supervisão Financeira de Taiwan (FSC) anunciou 10 medidas a 13 de outubro de 2026 para reforçar a governação das sociedades gestoras de fundos de investimento, depois de um caso envolvendo a Cathay Securities Investment Trust ter exposto falhas na verificação de conflitos de interesses, nos controlos de investimento e na divulgação pública. Prevê-se que sete grandes gestoras sejam obrigadas a nomear administradores sem conflitos de interesses relevantes e a criar comités de governação empresarial até ao final de junho de 2027.

Índice
  1. Gestoras com NT$1 bilião enfrentam novos requisitos de governação
  2. Como um cargo não declarado no conselho de administração levou a uma infração de investimento
  3. Porque têm os novos administradores uma designação jurídica diferente
  4. Que ativos contam para o limiar?
  5. Cinco medidas previstas até ao final de 2026
  6. Novas regras para cargos noutras entidades e verificações
  7. Regras de divulgação respondem a um atraso de vários meses
  8. Da infração à reforma
  9. Legislação autónoma alargaria o quadro jurídico
  10. Principais pontos

O limiar proposto é de NT$1 bilião em ativos sob gestão no mercado interno, calculado com base na média mensal do ano civil anterior. Segundo valores preliminares de janeiro a agosto de 2026, as sete empresas são a Cathay, a Yuanta, a Capital, a Fubon, a Fuh Hwa, a Allianz e a Uni President. A sua inclusão é uma estimativa, não uma determinação definitiva com base no cálculo anual completo.

O pacote surge na sequência de uma coima de NT$6 milhões aplicada à Cathay, anunciada a 1 de setembro. Oito fundos e 22 contas de gestão discricionária compraram ações da Alchip Technologies depois de um administrador não ter declarado o cargo que ocupava no conselho de administração dessa empresa. Os investimentos violaram as restrições relativas a operações com partes relacionadas e provocaram perdas.

Só a nova exigência relativa ao conselho de administração e ao comité se aplica às gestoras que atinjam o limiar de ativos. As outras nove medidas abrangem todo o setor das sociedades gestoras de fundos de investimento. Incidem sobre a responsabilização da gestão, os controlos internos e externos, os cargos noutras entidades, a formação dos administradores e a divulgação de incidentes graves.

Está prevista a conclusão de cinco medidas até ao final de 2026 e de outras cinco até ao final de junho de 2027. As regras pormenorizadas ainda terão de passar pelos procedimentos de notificação regulamentar; estas datas correspondem, por isso, ao calendário de implementação previsto pelo regulador e não significam que todos os requisitos já estejam em vigor.

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Como um cargo não declarado no conselho de administração levou a uma infração de investimento

O caso da Cathay começou quando o antigo administrador Guo Mingjian passou a exercer simultaneamente funções de administrador independente da Alchip Technologies, cotada em Taiwan com o código 3661. Não comunicou esse cargo à Cathay, deixando incompletos os registos da gestora sobre relações relevantes.

Esses registos são importantes porque a ligação de um administrador a outra empresa pode fazer com que as ações dessa empresa fiquem sujeitas às restrições aplicáveis a investimentos envolvendo partes relacionadas. Uma relação que não conste dos registos também pode ficar de fora das verificações utilizadas para analisar as transações propostas.

As infrações ocorreram entre o final de maio de 2025 e janeiro de 2026. Envolveram tanto fundos como contas de gestão discricionária, nas quais um cliente autoriza a gestora a tomar decisões de investimento. No conjunto, os oito fundos e as 22 contas correspondiam a 30 veículos ou mandatos de investimento afetados. Este número não representa a quantidade de investidores individuais.

As verificações periódicas dos departamentos responsáveis também não detetaram o cargo não declarado. O caso envolveu, portanto, mais do que a falta de uma declaração por parte de uma pessoa: os controlos destinados a verificar essa declaração não detetaram a omissão. Embora tenham sido comunicadas perdas, não foi indicado um montante total; por isso, a coima de NT$6 milhões não deve ser entendida como uma medida das perdas dos investidores.

Porque têm os novos administradores uma designação jurídica diferente

A FSC prevê introduzir administradores sem conflitos de interesses relevantes, uma função destinada a assemelhar-se à de um administrador independente. Estes administradores formariam um comité de governação empresarial responsável por identificar conflitos, planear medidas preventivas e desenvolver regras internas e procedimentos operacionais.

Huang Houming, vice-diretor-geral do Gabinete de Valores Mobiliários e Futuros da FSC, explicou que as sociedades gestoras de fundos de investimento administram grandes somas em nome de muitos beneficiários, apesar de não serem sociedades emitentes cotadas em bolsa. A sua influência, afirmou, pode ser comparável à das sociedades emitentes cotadas, o que justifica requisitos de governação mais exigentes.

A diferença de terminologia tem uma finalidade jurídica. A Lei dos Fundos de Investimento em Valores Mobiliários e de Consultoria ainda não prevê o sistema de administradores independentes e comités de auditoria concebido para estas empresas. Numa primeira fase, a FSC recorrerá a regulamentos subordinados, despachos administrativos e diretivas, em vez de usar designações legais que a lei aplicável ainda não consagrou.

O novo comité desempenharia uma função de supervisão comparável à de um comité de auditoria, mas o mandato anunciado centra-se nos conflitos de interesses e nas regras internas conexas. O número de administradores, as suas qualificações, responsabilidades e mecanismos de responsabilização ainda estão por definir, tendo o atual quadro dos administradores independentes como referência.

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Que ativos contam para o limiar?

O cálculo proposto não se limita aos fundos de oferta pública. Inclui fundos privados, mandatos de gestão discricionária e atividades de consultoria em que a empresa tem autoridade para decidir como são investidos os ativos dos clientes. O valor determinante é a média mensal dos ativos sob gestão no mercado interno durante o ano anterior, e não simplesmente os ativos registados numa única data de reporte.

Esta distinção é importante para a lista preliminar das sete empresas. A estimativa relativa ao período de janeiro a agosto de 2026 identifica prováveis candidatas, ao passo que o cálculo anual proposto exige um período de medição mais longo. O estatuto definitivo de cada empresa terá de ser avaliado com base nesse cálculo e nas regras aprovadas.

Os relatos divergem ligeiramente quanto ao limite: vários referem um limiar de NT$1 bilião ou mais, enquanto outro indica ativos superiores a NT$1 bilião. A diferença seria relevante para uma empresa exatamente no limite. A redação regulamentar final terá de determinar qual o critério aplicável.

O âmbito mais restrito da exigência relativa ao conselho de administração não deve desviar a atenção da abrangência do pacote. As sociedades gestoras de fundos de investimento mais pequenas também terão de cumprir as outras nove medidas, incluindo declarações de conflitos de interesses, controlos de negociação, auditorias, cargos noutras entidades e divulgação de informação.

Cinco medidas previstas até ao final de 2026

A primeira fase centra-se nas responsabilidades e nos controlos da estrutura de gestão existente. A FSC pretende que as empresas ponham em prática as funções dos conselhos de administração e dos diretores-gerais, estabeleçam mecanismos eficazes de responsabilização e reforcem as funções de conformidade, auditoria interna e gestão de riscos.

As cinco medidas da primeira fase são:

  • Reforçar a governação e a integridade das operações, clarificando as responsabilidades da direção de topo.
  • Exigir que as empresas reforcem os seus próprios controlos internos e a gestão de riscos.
  • Recorrer a verificações externas para analisar o funcionamento dos sistemas de controlo interno.
  • Estabelecer declarações de relações relevantes e controlos das transações associadas.
  • Exigir formação contínua dos administradores sobre conflitos de interesses e questões relacionadas.

Em conjunto, estas medidas respondem a diferentes falhas expostas pelo caso da Cathay. As declarações ajudam a identificar as relações existentes; os controlos de negociação usam essa informação para impedir investimentos proibidos; e as verificações internas e externas analisam se o processo funciona efetivamente. A formação dos administradores pretende melhorar a identificação e a gestão de conflitos antes que uma declaração em falta dê origem a uma falha mais ampla.

O pacote também atribui responsabilidades a um nível superior ao dos trabalhadores que processam cada transação. Espera-se que os conselhos de administração e os diretores-gerais garantam o funcionamento eficaz das funções de conformidade, auditoria e gestão de riscos, em vez de tratarem um formulário de declaração como garantia suficiente.

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Novas regras para cargos noutras entidades e verificações

A segunda fase inclui uma diretiva que regulará os cargos noutras entidades exercidos por pessoas responsáveis pelas sociedades gestoras de fundos de investimento. As gestoras terão de integrar os mecanismos de gestão pertinentes nos seus sistemas de controlo interno e aplicá-los.

As restrições concretas ainda estão a ser discutidas. A FSC não definiu limites para o número de cargos noutras entidades nem os tipos de funções abrangidos. Por isso, o plano anunciado não deve ser descrito como uma proibição geral de exercer cargos noutras entidades.

As normas revistas de controlo interno e auditoria também incluirão a verificação de informações privilegiadas e a confirmação de alterações nas relações relevantes. A medida responde diretamente ao risco de os registos ficarem desatualizados quando um administrador aceita outro cargo, mas não informa a gestora de investimentos.

A diferença está entre recolher informação e verificá-la. A experiência da Cathay mostrou que confiar na declaração de uma pessoa, sem um processo eficaz para detetar omissões ou alterações, pode deixar os controlos de transação a funcionar com dados incompletos. A combinação prevista de declarações, verificações, auditorias e restrições à negociação pretende colmatar essa lacuna.

Regras de divulgação respondem a um atraso de vários meses

A Cathay detetou as infrações em janeiro de 2026, concluiu o relatório dirigido à FSC em março e só divulgou publicamente o caso no final de junho. A sequência revelou um problema distinto: detetar um incidente não garantia que os investidores fossem informados atempadamente.

Huang afirmou que as atividades de gestão de fundos de investimento e de consultoria não dispõem de um quadro específico para comunicar incidentes inesperados de grande gravidade. As empresas de valores mobiliários e de futuros já estão sujeitas a regras de comunicação de incidentes, enquanto os anúncios de matérias relevantes atualmente aplicáveis ao setor da gestão de fundos se centram sobretudo na atividade dos fundos.

A FSC prevê estabelecer requisitos para que as empresas de gestão de fundos de investimento e de consultoria identifiquem, comuniquem e tratem incidentes inesperados de grande gravidade. Nesse processo, pretende acrescentar um mecanismo vinculativo que exija explicações públicas e divulgação de determinados acontecimentos, além da comunicação ao regulador.

Um cargo de administrador noutra entidade que leve a investimentos proibidos envolvendo partes relacionadas é um exemplo de um incidente que poderá ser abrangido pelo novo quadro. As regras finais distinguirão os acontecimentos que têm de ser comunicados à autoridade daqueles que também terão de ser divulgados publicamente.

Uma medida distinta alargará o âmbito das matérias relevantes que devem ser anunciadas e comunicadas quando os direitos dos beneficiários são afetados de forma significativa. Estão também em análise os canais de divulgação, o conteúdo a divulgar e a informação sobre os efeitos para os beneficiários. Ainda não foi definido qualquer prazo concreto para a comunicação nem o formato final da divulgação.

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Da infração à reforma

Os acontecimentos abrangem tanto os investimentos em causa como a resposta posterior. A cronologia mostra por que razão a FSC está a tratar a prevenção, a deteção e a divulgação como tarefas distintas.

  • Do final de maio de 2025 a janeiro de 2026: fundos e contas de gestão discricionária da Cathay fizeram investimentos que violaram as restrições relativas a partes relacionadas.
  • Janeiro de 2026: a Cathay detetou as infrações.
  • Março de 2026: a Cathay concluiu o relatório dirigido à FSC.
  • Final de junho de 2026: a Cathay divulgou publicamente o caso.
  • 1 de setembro de 2026: a FSC anunciou uma coima de NT$6 milhões.
  • 13 de outubro de 2026: a FSC anunciou as 10 medidas de governação.
  • Final de 2026: prazo previsto para as primeiras cinco medidas.
  • Final de junho de 2027: prazo previsto para as cinco medidas restantes.

A segunda fase combina os novos administradores e comités de governação, as normas revistas de controlo interno e auditoria, as regras relativas a cargos noutras entidades, os requisitos de comunicação de incidentes e de divulgação pública e o alargamento dos anúncios de matérias relevantes. Huang alertou que os regulamentos pormenorizados ainda terão de passar pelos procedimentos de notificação regulamentar.

Legislação autónoma alargaria o quadro jurídico

O pacote administrativo é distinto das alterações propostas à Lei dos Fundos de Investimento em Valores Mobiliários e de Consultoria, que continuam em apreciação no parlamento de Taiwan. O projeto consagraria na lei os administradores independentes e os comités de auditoria e aumentaria a coima máxima por infração de NT$3 milhões para NT$15 milhões.

Esse limite proposto é cinco vezes superior ao atual, calculado dividindo NT$15 milhões por NT$3 milhões. Trata-se de uma proposta legislativa, não de um nível de coima já aprovado. O montante total de NT$6 milhões aplicado à Cathay não deve ser confundido com o limite atual por infração individual.

O calendário imediato diz respeito às medidas que a FSC prevê implementar no âmbito do quadro jurídico existente. O projeto de lei separado alteraria esse quadro. Não foi indicada uma data para a votação parlamentar, e as qualificações e regras de responsabilização definitivas dos novos administradores continuam a ser elaboradas.

Para as gestoras e os investidores, o principal teste será saber se as regras aprovadas ligam registos exatos das relações a controlos de negociação eficazes e à divulgação pública atempada. O pacote anunciado abrange cada uma destas etapas, mas serão as obrigações pormenorizadas a determinar a forma como as empresas as terão de cumprir.

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Principais pontos

  • Prevê-se, a título provisório, que sete grandes sociedades gestoras de fundos de investimento fiquem sujeitas a novos requisitos relativos a administradores e comités de governação até junho de 2027.
  • O limiar proposto de NT$1 bilião baseia-se na média mensal dos ativos sob gestão no mercado interno durante o ano anterior.
  • As outras nove medidas aplicam-se a todo o setor das sociedades gestoras de fundos de investimento.
  • As infrações da Cathay afetaram oito fundos e 22 contas de gestão discricionária e levaram à aplicação de uma coima de NT$6 milhões.
  • Estão previstas cinco medidas até ao final de 2026 e outras cinco até ao final de junho de 2027, sujeitas à elaboração das regras pormenorizadas.
  • As novas regras de divulgação especificarão quais os incidentes graves que exigem explicações públicas, além da comunicação ao regulador.
  • Continua pendente a legislação autónoma relativa a administradores independentes, comités de auditoria e coimas mais elevadas.
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