Casos de fraude com óculos inteligentes em universidades de Seul levam a novas medidas de segurança nos exames

13 min de leitura
Smart Glasses Cheating Cases at Seoul Universities Prompt New Exam Safeguards

Dois exames em Seul expõem falhas na fiscalização

Um candidato da Universidade de Seul que concorria a uma das cinco vagas de um curso com 120 candidatos foi afastado de uma prova de admissão com resposta escrita depois de um vigilante ter reparado nos seus óculos, cujas armações eram suspeitamente espessas. A universidade confirmou que as armações continham tecnologia de inteligência artificial e aplicou o que descreveu como uma proibição de três anos de participação nos seus exames de admissão.

Índice
  1. Dois exames em Seul expõem falhas na fiscalização
  2. Como a Universidade de Seul detetou os óculos
  3. Yonsei detetou uma troca após a inspeção
  4. O que dizem efetivamente as regras escritas de admissão
  5. A sequência de outubro e o próximo passo previsto
  6. Orientações nacionais também chegarão às universidades
  7. O que os dispositivos podem fazer e o que continua por provar
  8. Deteções anteriores e respostas diferentes nos campus
  9. A deteção e a reforma da avaliação são debates distintos
  10. Principais pontos

O incidente ocorreu na manhã de 3 de outubro de 2026, durante uma prova de resposta escrita de ciências naturais no campus da universidade, no distrito de Dongdaemun, em Seul. Uma semana depois, a 10 de outubro, outro candidato foi apanhado a usar óculos inteligentes durante uma prova de resposta escrita de matemática no campus de Sinchon da Universidade Yonsei, no distrito de Seodaemun.

Ambos os casos envolveram candidaturas para o ano letivo de 2027. Na Yonsei, o candidato passou uma inspeção com óculos normais e, depois de a prova começar, mudou para um par com câmara e bateria. Esta sequência revela uma fragilidade específica: verificar o equipamento antes de uma prova não permite determinar o que o candidato usará durante toda a sua realização.

A resposta já ultrapassa as duas universidades. O Ministério da Educação planeava distribuir instruções e vídeos de formação sobre óculos inteligentes a partir de 16 de outubro, com materiais também destinados às universidades que realizam os seus próprios exames de admissão. O desafio imediato consiste em identificar dispositivos eletrónicos proibidos que se assemelham a óculos graduados comuns, mantendo clara a distinção entre casos confirmados de fraude e suposições não comprovadas sobre a utilização dos dispositivos.

Como a Universidade de Seul detetou os óculos

Durante a prova, o vigilante da Universidade de Seul reparou nas armações espessas do candidato e pediu à equipa responsável pelos exames de admissão que as verificasse. Os funcionários confirmaram que eram óculos inteligentes equipados com IA, e o candidato foi imediatamente mandado sair.

O curso tinha 24 candidatos por vaga, com 120 candidaturas para cinco lugares. Estes números dizem respeito à concorrência nesse curso, não à universidade no seu conjunto. Mostram também por que razão a integridade de uma avaliação individual é importante: os candidatos disputavam um número reduzido de vagas no âmbito do mesmo processo de admissão.

Publicidade

A universidade preparara-se para este tipo de incidente antes da época de exames. Comprou óculos inteligentes e formou os vigilantes para reconhecerem os dispositivos. Neste caso, a deteção resultou de um vigilante ter reparado nas armações e pedido a sua confirmação, e não de um sistema automatizado de rastreio.

Os relatos divergem quanto à possibilidade de o candidato ter mudado de óculos depois de uma inspeção inicial. Alguns referem que usava óculos normais durante a verificação do cartão de admissão e que os trocou mais tarde. Outro relato indica que a universidade considerou possível essa troca. O núcleo confirmado do incidente é mais restrito: foram identificados óculos inteligentes durante a prova e o candidato foi afastado. Foi também noticiado que o candidato admitiu tê-los usado.

Yonsei detetou uma troca após a inspeção

O incidente na Yonsei ocorreu durante a prova de resposta escrita de matemática dos cursos de ciências naturais e integrado, que começou às 10h30 de 10 de outubro. Antes da prova, os vigilantes verificaram individualmente os candidatos que usavam óculos para determinar se as armações eram dispositivos inteligentes.

Segundo a versão da universidade, nessa fase o candidato usava óculos normais e trocou-os por óculos inteligentes depois de a prova começar. Um vigilante reparou então que as armações pareciam diferentes das de óculos comuns e alertou a equipa responsável pelos exames. A universidade apreendeu os óculos, que continham uma câmara e uma bateria.

O candidato reconheceu que usava o dispositivo. Segundo um dos relatos, admitiu-o depois de terminada a prova. Não foram divulgadas conclusões técnicas que demonstrem se os óculos transmitiram perguntas, geraram respostas ou forneceram informação ao utilizador durante o exame.

Os relatos sobre a resposta disciplinar não são coincidentes. Alguns dizem que a Yonsei tencionava desqualificar o candidato; outros referem que as medidas adicionais continuavam sob análise interna. Outro relato indica que a universidade ponderava apresentar queixa-crime. Uma desqualificação prevista, a análise de sanções e uma eventual queixa são fases diferentes, e nenhuma delas demonstra que já tenha sido instaurado um processo criminal.

O que dizem efetivamente as regras escritas de admissão

O guia de admissão da Universidade de Seul para 2027 estipula que os candidatos que cometam infrações durante o processo de admissão serão rejeitados. Refere também que a admissão pode ser revogada ao abrigo das regras da universidade quando faltarem informações importantes nos documentos de candidatura, estas forem falsas ou forem, de outro modo, irregulares, e que a interferência numa seleção justa de estudantes pode dar lugar a uma sanção separada.

Publicidade

O documento prevê uma restrição de três anos, mas a sua redação exige alguma cautela. Estabelece que as pessoas cuja admissão na Universidade de Seul ou noutra universidade tenha sido revogada ao abrigo da disposição aplicável não podem ingressar na Universidade de Seul durante três anos a contar da data da revogação.

Esta medida não é idêntica à ação noticiada contra este candidato, que a universidade descreveu como uma proibição de três anos de participação nos seus exames de admissão. A disposição publicada diz respeito à elegibilidade para admissão após uma revogação, ao passo que a sanção noticiada diz respeito à participação em exames. Um responsável da universidade afirmou que a medida foi aplicada em conformidade com o guia de admissão, mas não foi explicada a ligação processual exata entre estas duas formulações.

Nem o guia nem a sanção noticiada estabelecem uma proibição nacional de candidatura a todas as universidades sul-coreanas. A restrição prevista no documento oficial diz expressamente respeito à admissão na Universidade de Seul. Manter claro esse âmbito evita transformar a decisão de uma instituição numa penalização mais ampla que não foi demonstrada.

A sequência de outubro e o próximo passo previsto

As duas deteções ocorreram com uma semana de intervalo, entre as quais houve um debate parlamentar sobre óculos inteligentes. A Universidade de Seul afirmou, a 13 de outubro, que tinha apanhado o candidato durante a prova de 3 de outubro. Um dos relatos aponta, em vez disso, o dia 3 de outubro como a data do anúncio; o relato mais detalhado, com datas, distingue a prova da posterior divulgação pública.

  • 3 de outubro de 2026: Um vigilante da Universidade de Seul identifica óculos suspeitos durante a prova matinal de resposta escrita de ciências naturais. O candidato é afastado depois de os funcionários confirmarem que os óculos contêm tecnologia de IA.
  • 7 de outubro: Numa audição da Comissão de Educação da Assembleia Nacional, o deputado Kim Moon soo demonstra como responder a perguntas do Exame de Aptidão Escolar Universitária com óculos inteligentes.
  • 10 de outubro: A Yonsei deteta óculos inteligentes durante a sua prova de resposta escrita de matemática, em Sinchon, depois de, segundo os relatos, um candidato ter mudado de óculos após uma inspeção inicial.
  • 13 de outubro: A Universidade de Seul divulga publicamente a deteção e a sanção, enquanto circulam relatos sobre a análise disciplinar da Yonsei.
  • A partir de 16 de outubro: O Ministério da Educação prevê distribuir instruções para os vigilantes dos exames e vídeos de formação sobre os dispositivos.

O dia 16 de outubro é a data mais cedo prevista para a distribuição, não a confirmação de que os materiais já tenham sido divulgados. Não foi indicado um prazo concreto para a decisão disciplinar final da Yonsei nem para a sua análise de uma eventual queixa-crime.

Orientações nacionais também chegarão às universidades

Os materiais previstos pelo Ministério da Educação dizem respeito à fiscalização do Exame de Aptidão Escolar Universitária de 2027, habitualmente conhecido como CSAT. Este exame nacional é distinto das provas de resposta escrita realizadas por universidades individuais no âmbito dos seus processos de admissão.

Publicidade

O Instituto da Coreia para o Currículo e a Avaliação já incluiu os óculos inteligentes na lista de artigos proibidos nas salas de exame do CSAT deste ano. As instruções e os vídeos previstos destinam-se a orientar a resposta dos vigilantes a esta forma de fraude recentemente em destaque, e não apenas a acrescentar o nome de um dispositivo a uma lista.

O ministério planeava também enviar os materiais às universidades, para consulta em provas de resposta escrita, avaliações práticas e entrevistas. Estas modalidades decorrem em contextos diferentes, pelo que o plano é partilhar a resposta adotada para o CSAT e permitir que as instituições a adaptem aos seus exames. Isso não significa que todas as universidades adotem um procedimento de inspeção idêntico.

Na audição parlamentar de 7 de outubro, o ministro da Educação, Choi Gyo jin, afirmou que o ministério desenvolveria medidas para prevenir a fraude, após a demonstração de Kim Moon soo. Separadamente, o ministério tinha instruído as delegações regionais de educação a proibir os óculos com IA nas salas de exame e a vigiar comportamentos invulgares. A iniciativa de formação posterior acrescenta orientações práticas a essas proibições.

O que os dispositivos podem fazer e o que continua por provar

Os óculos inteligentes podem utilizar uma pequena câmara para captar aquilo que o utilizador vê, enviar ou processar essa informação através de IA e transmitir informação ao utilizador. Num exame, essa capacidade pode permitir captar uma pergunta sem que o candidato tenha de segurar visivelmente num telemóvel.

A capacidade dos dispositivos não prova o que aconteceu nos dois casos de Seul. Foi referido que os óculos da Yonsei continham uma câmara e uma bateria, enquanto a Universidade de Seul confirmou a funcionalidade de IA. Nenhum dos casos foi acompanhado pela divulgação do modelo do dispositivo, de registos de ligação, de gravações, de respostas geradas ou de uma análise técnica que explique o fluxo de informação.

As decisões de admissão devem, por isso, ser distinguidas de uma reconstituição da utilização da tecnologia. As universidades consideraram infração o uso dos dispositivos durante as provas. Os elementos tornados públicos não demonstram se algum dos candidatos recebeu respostas, se outra pessoa esteve envolvida ou se as perguntas saíram da sala de exame.

A troca noticiada na Yonsei fornece, ainda assim, provas concretas sobre o processo de inspeção. Mesmo a verificação de todos os utilizadores de óculos antes da prova não impediu que surgissem posteriormente óculos proibidos. O caso da Universidade de Seul mostra também a importância da preparação: os vigilantes tinham recebido formação com dispositivos reais e um deles reparou nas armações durante a prova.

Deteções anteriores e respostas diferentes nos campus

Os incidentes nas universidades surgem na sequência de deteções noutros exames. Em maio, três candidatos foram apanhados a usar óculos com IA em exames de certificação de engenheiros de segurança elétrica e contra incêndios, tendo sido detetados posteriormente mais dois em sessões do TOEIC. São cinco deteções noticiadas em exames de certificação e de inglês, distintas dos dois casos de admissão universitária.

Publicidade

A preparação nos campus tem sido desigual. Noutro relato sobre a resposta das universidades, a Universidade Nacional de Seul afirmou não ter discutido medidas contra a fraude com óculos inteligentes no campus. A Universidade da Coreia, a Universidade Feminina Ewha e a Universidade Sungkyunkwan disseram estar a analisar possíveis respostas, mas ainda não dispor de orientações específicas. Estas declarações descrevem a situação na altura desse relato, não uma situação confirmada após os incidentes de outubro.

A Faculdade de Medicina da Universidade Chung-Ang tinha proibido os óculos com IA nas salas de exame, ao abrigo das orientações de avaliação dos estudantes adotadas em setembro do ano anterior. As instruções pediam aos vigilantes que estivessem atentos a hastes invulgarmente espessas e a toques ou manipulações repetidos das armações.

Estas verificações baseavam-se em características visíveis dos dispositivos disponíveis quando as orientações foram redigidas. À medida que as armações se tornam menos distintas e exigem menos gestos ostensivos, a aparência pode ser um indicador menos fiável. O contraste entre esta abordagem e a compra de dispositivos de treino pela Universidade de Seul mostra que as instituições têm seguido respostas práticas diferentes, sem que haja ainda provas de que algum método detete de forma fiável todos os modelos.

A deteção e a reforma da avaliação são debates distintos

Park Nam gi, professor emérito de educação na Universidade Nacional de Educação de Gwangju, defendeu que os dispositivos de deteção poderão vir a ser inevitáveis à medida que os óculos com IA se tornem mais difíceis de distinguir dos óculos comuns. Propôs também que se documentasse o que acontece nas salas de exame:

Devemos também considerar a gravação dos candidatos durante as provas

A gravação dos candidatos é uma proposta, não uma medida cuja adoção pelas duas universidades esteja confirmada. Também difere da identificação de equipamentos proibidos à entrada: uma gravação poderia preservar provas de uma troca ou de um gesto, mas não demonstraria necessariamente que informação foi processada por um dispositivo.

Moon Hyung nam, presidente da Associação Coreana de Educação em IA, defendeu avaliações centradas no pensamento crítico, na resolução de problemas e na criatividade, tendo em conta a disponibilidade de ferramentas de IA. Comparou esta mudança ao impacto anterior das calculadoras no ensino da matemática:

Tal como a introdução das calculadoras transformou o ensino da matemática, a era da IA exige uma inovação na forma como avaliamos os estudantes

Park defendeu também que se exigisse aos estudantes o registo de cada etapa do seu raciocínio e a apresentação de notas de investigação. Estas propostas dizem respeito ao que uma avaliação deve medir. Não autorizam o uso oculto de IA num exame em que os dispositivos são proibidos, nem resolvem a necessidade imediata de garantir as mesmas condições para todos os candidatos.

Nos atuais casos de admissão, as questões por esclarecer são mais específicas: a sanção final da Yonsei, a eventual apresentação de uma queixa, as conclusões técnicas sobre os dispositivos e a base e o âmbito exatos da restrição de três anos da Universidade de Seul. O próximo passo nacional anunciado é a distribuição prevista de orientações para os vigilantes, possivelmente a partir de 16 de outubro.

Principais pontos

  • A Universidade de Seul afastou um candidato apanhado a usar óculos inteligentes com IA durante a prova de resposta escrita de ciências naturais de 3 de outubro.
  • O curso do candidato tinha 120 concorrentes para cinco vagas, uma proporção de 24 para uma.
  • A Yonsei detetou outro candidato a 10 de outubro, depois de, segundo os relatos, ter trocado de óculos normais após uma inspeção.
  • A Universidade de Seul anunciou uma proibição de três anos de participação nos exames; o seu guia escrito prevê uma restrição relacionada, mas com uma formulação diferente, à admissão após revogação.
  • As medidas disciplinares finais da Yonsei e uma eventual queixa-crime não foram confirmadas.
  • O Ministério da Educação previa distribuir instruções para a fiscalização de óculos inteligentes e vídeos de formação a partir de 16 de outubro, com materiais também destinados às universidades.
Partilhar este artigo

Também pode gostar